Ler Roses And Champagne (Novel) – Capítulo 08 Online

Capítulo 8
Won ergueu o olhar. Alguns segundos depois, a senhora Ivana entrou arrastando os pés na sala, carregando uma bandeja com um prato de biscoitos e uma xícara fumegante.
— Trouxe um chá para você. —
Won pulou para pegar a bandeja dela, mas fez uma careta ao perceber que não havia onde colocá-la. Cada espaço disponível em seu apartamento estava ocupado por anotações, documentos, livros e materiais de pesquisa. Ivana inspecionou o caos e fez um clique de reprovação com a língua.
Sentindo uma repreensão chegando, Won encolheu-se, os ombros quase tocando as orelhas, mas ela nunca veio. Ivana apenas olhou ao redor e apontou para sua cama.
— Tudo bem se eu mover esses? —
Won assentiu.
— Você pode empurrá-los um pouco para o lado — ele qualificou.
Ele sabia onde cada coisa estava agora – mesmo que parecesse ridículo – e não queria perder o controle de algo.
Ivana moveu alguns documentos com muito cuidado para cima do colchão, abrindo espaço suficiente para a bandeja.
Won soltou um suspiro profundo e pegou um biscoito. Eles estavam um pouco deformados, mas biscoitos caseiros eram sempre bem-vindos.
— Obrigado — ele disse a Ivana com sinceridade.
— Parece que você ainda tem muito trabalho pela frente. —
Won engoliu um gole de chá.
— Ir ao tribunal é sempre um processo longo. É o que eu esperava, para ser honesto. —
— Nikolai tem parecido exausto recentemente. —
Won assentiu novamente.
— Processos judiciais raramente são agradáveis. —
Um veredito ainda estava distante no horizonte, e Zhdanov estava fazendo esforços desesperados para tentar recuperar a situação. Eles o haviam encurralado, pressionando até o limite mas isso não significava que ele não pudesse encontrar uma saída. O que Won precisava era de um argumento decisivo – algo que levaria a uma condenação.
Ele mordiscou um biscoito, revisitando o problema em sua mente, mas não importasse o quanto pensasse, a resposta continuava sendo sempre a mesma: Caesar.
Após cada audiência, o homem aparecia, distribuindo migalhas de informação que levariam a testemunhas ou alguma evidência direta de um dos crimes de Zhdanov. Won percebeu em algum momento que ele simplesmente começou a aguardar Caesar, que sempre o esperava do lado de fora do tribunal.
Ele não estava particularmente feliz com esse desenvolvimento, mas não podia fazer nada a respeito. A única pessoa que poderia fornecer essas informações era Caesar.
Ainda assim, Won sabia, por experiência própria que nada neste mundo era de graça. A última pista que Caesar lhe dera foi o paradeiro de um dos ex-secretários de Zhdanov. O secretário não morava mais lá, mas sua família sim, e eles acabaram insinuando que o secretário e Zhdanov estiveram envolvidos em algum tipo de acordo. Não era muito, mas com um pouco mais de investigação, Won provavelmente poderia encontrar evidências circunstanciais de suborno.
No entanto.
Por mais que Won pesquisasse, questionasse e coletasse, ele simplesmente não conseguia encontrar nada que substanciasse o caso de Nikolai. Todas essas evidências de erros passados eram apenas pequenos golpes. Ele poderia encurralar Zhdanov o quanto quisesse, mas precisava do golpe final para acabar com ele.
Won franziu a testa, profundamente imerso em seus pensamentos. …
Caesar ergueu o olhar. Ludmila entrou arrastando os pés, parecendo extremamente desconfortável.
— T-tem alguém aqui para vê-lo, senhor — ela falou de forma lastimável.
Seu comportamento lembrou Caesar de um certo alvoroço recente. Ele inclinou levemente a cabeça para espiar atrás de sua secretária.
— Ei, Caesar!
Caesar observou com expressão vazia enquanto Dmitri passava por Ludmila e se aproximava de sua mesa, sorrindo jovialmente.
— Ei, por que essa cara feia? Não estava esperando outra pessoa, estava?
Dmitri havia captado a expressão de Caesar antes que seu primo a transformasse em frieza indiferente – mas Ludmila não. Ela inclinou levemente a cabeça, curiosa, mas logo recuou silenciosamente, fechando a porta atrás de si.
— O que você quer? Devia ter ligado antes — Caesar exigiu assim que Ludmila saiu.
— Desde quando eu ligo antes?
Dmitri se jogou no sofá, acendendo um cigarro, pendurando-o nos labios. Ele observou Caesar pelo canto do olho. A maioria das pessoas não gostava visitas sem aviso. Caesar certamente não apreciava, mas Dmitri sabia que tinha privilégios especiais e invadia o escritório do primo quando bem entendia. Ele sabia que isso deixava Caesar um pouco irritado, mas nunca foi mandado parar.
Até hoje.
— Você vai marcar um horário daqui em diante — disse Caesar friamente. — Não estou aqui para satisfazer seus caprichos.
— Ludmila está sempre aqui se você não estiver.
— Então marque seus compromissos para transar com minha secretária diretamente com ela.
O cigarro parou a meio caminho da boca de Dmitri. “O quê?” Dmitri olhou para o primo como se ele tivesse crescido uma segunda cabeça.
— Tenho um compromisso prévio.
— Hoje? Não foi o que ouvi.
Caesar encarou sua porta, e Dmitri fez um gesto desdenhoso com o cigarro. — Não foi a Ludmila.
Os olhos de Caesar se voltaram para o telefone em sua mesa. — Acho que já te avisei sobre grampear meu escritório.
— Mas eu adoro tanto persegui-lo.
“Ele não vai escutar nada que eu disser” Caesar pensou.
O tom despreocupado de Dimitri foi a gota d’água. Caesar levantou-se com raiva. Mais uma coisa para ele lidar. Não que ele algum dia estaria livre dessas coisas agora. Dmitri simplesmente plantaria mais e acharia tudo hilário, o desgraçado presunçoso. Maldita KGB.
— Vai me deixar aqui? — Dmitri o chamou em tom lamurioso quando viu Caesar vestindo o paletó. — Tão sozinho?
Alguém deveria ter dito a Dmitri que ser um homem adulto de 1,90 m significava que fazer beicinho não era um meio eficaz de coerção. Caesar saiu pela porta, apenas parou brevemente para dar ao primo algumas palmadinhas conciliatórias na cabeça antes de desaparecer. Dmitri ajustou o cabelo com um encolher de ombros e recostou-se para terminar o cigarro.
Do lado de fora da porta, Ludmila estava ociosa em sua mesa, aplicando meticulosamente seu batom. Ela se assustou tanto ao ver seu chefe saindo do escritório que uma linha vermelha brilhante riscou sua bochecha. Ela pulou da cadeira, mas o Czar passou sem nem mesmo lhe lançar um olhar.
Lá embaixo, no carro, Urikh estava andando de um lado para o outro, inquieto. Ele tinha atualizações para o Czar. Mas quando seu chefe apareceu, Caesar levantou a mão antes que ele pudesse se aproximar. Caesar olhou o relógio, um leve sorriso brincando em seus lábios.
“Era hora de alimentar meu tigre.”
✦ ✦ ✦
Quando saíram do tribunal naquele dia, Nikolai estava visivelmente pálido. Zhdanov, por sua vez, passou com sua equipe jurídica, encarando seus oponentes com um sorriso triunfante. Parecia ainda mais satisfeito quando Won colocou uma mão firme no ombro de Nikolai, como se eles finalmente estivessem onde deveriam estar: oprimidos e miseráveis como o resto da plebe.
Nikolai os observou partir em um torpor sombrio. Won não precisava perguntar para saber que ele estava exausto.
— Isso ainda não acabou — Won disse firmemente. — Litígios são mais um jogo de resistência do que qualquer outra coisa, lembra? Nós conseguimos. Senão por você, por sua família. Você vai ser pai de novo em breve.
Anna Kuznetsova, grávida, esperava Nikolai ansiosamente em casa. A menção à família pareceu dar a Nikolai o ânimo que precisava. Ele respirou fundo e endireitou os ombros, acenando para Won.
— Gostaria de jantar conosco? Tenho certeza que Anna adoraria sua companhia. Won balançou a cabeça.
— Tenho documentos para revisar. Mas obrigado.
— Você está fazendo tanto por mim, Sr. Lee. Me sinto tão mal. — Nikolai curvou-se um pouco.
Colocando um sorriso exagerado no rosto, Won deu um tapinha no ombro de Nikolai e começou a guiá-lo pelo corredor.
— Ah, eu sabia no que estava me metendo quando entrei na faculdade de direito. É parte do trabalho – não tem do que se desculpar.
Quando saíram do tribunal, Won automaticamente escaneou a área procurando um certo sedan de luxo, e eis que lá estava ele. Provavelmente ficaria mais surpreso se ele não estivesse lá.
— Consegue voltar para casa sozinho, Sr. Kuznetsov? — ele perguntou, tentando sutilmente fazer Nikolai ir embora. — Tenho algumas coisas para resolver.
Nikolai curvou-se novamente e Won o interrompeu antes que pudesse se desculpar mais.
— Ah, ah – já falamos sobre isso — Won repreendeu com bom humor.
Eles se abraçaram, Nikolai partindo para pegar um bonde, e Won esperou apenas que Nikolai virasse as costas para correr até o carro de Caesar. Ele entrou no banco de trás sem uma palavra, e o motor imediatamente ganhou vida.
Acomodando-se no assento com o cheiro familiar de fumaça de charuto invadindo seus sentidos, ele lançou uma olhada para o homem ao seu lado.
— Você está com uma péssima aparência — Caesar comentou indiferentemente.
— Foi um dia longo.
Won não lembrava a última vez que dormira mais que algumas horas. Não podia – não quando Zhdanov contratara uma equipe dos melhores advogados de defesa do maior escritório multinacional que podia pagar, e Won era apenas… Won. Nikolai tentava, mas havia apenas tanto que um leigo podia fazer.
Cedendo ao cansaço, ele suspirou e afundou-se no luxuoso couro do assento.
— Tenho uma proposta para você.
Os olhos de Won se abriram e voltaram-se para Caesar. Ele estava cansado demais para qualquer outra coisa.
— Você será generosamente compensado, é claro — Caesar acrescentou, fitando-o com seu olhar cinza penetrante.
— Eu não trabalho para a máfia.
Caesar piscou, quase parecendo desequilibrado.
— Você nem ouviu qual é.
Won nem sequer olhava mais para ele. — A resposta é não.
Caesar levou o charuto de volta aos lábios, a ponta brilhando mais intensamente ao inalar. Uma nuvem nebulosa saiu de sua boca, seu comportamento autoritário de volta ao lugar.
— Você é mais masoquista do que pensei. Toda aquela evidência que precisa para ganhar esse caso de uma vez por todas e… — Ele deu outra tragada, enchendo o ar com mais fumaça intoxicante — …você não a quer.
A cabeça de Won virou para encarar Caesar. Os intensos olhos cinza-prateados que o consideravam eram familiares demais agora. Caesar não ia deixar isso pra lá. Sua testa franziu-se, sabendo que não iria gostar do que viria a seguir. O olhar de Caesar perfurou o dele.
— Aquelas coisas antes vão parecer brincadeira de criança comparadas a isso. E pode ser seu…
Caesar deixou isso ecoar antes de acrescentar indolentemente: — Tudo que tem que fazer é dizer sim.
Dessa vez, Won não foi tão precipitado, encarando o homem ao seu lado com uma cautelosa carranca. Sentia-se como um gato de rua faminto e Caesar aparecera balançando um atum inteiro na sua frente. Mordeu o lábio, a ideia de fingir indiferença nem passando por sua mente. O único motivo pelo qual o julgamento durara tanto era graças à ajuda de Caesar. Ele sabia. Caesar sabia. E ambos sabiam que Won estava entre Cila e Caríbdis, e seria ridículo fingir o contrário.
Ele nem queria imaginar quão condenadora seria essa evidência se tudo antes fora “brincadeira de criança”. Seria o suficiente para obter um veredito imediato, sem dúvida. Mas será que conseguiria viver consigo mesmo depois?
Tudo que Won podia fazer era morder o lábio em silêncio.
— Um pouco mais simples que o leão faminto ou o enterro vivo — Caesar ofereceu quietamente enquanto levava o charuto de volta à boca.
Os dois se encararam através da tremula cortina de fumaça, cada um examinando o outro em silêncio.
O carro virou, começou a diminuir, parou perto do café.
— Pense melhor sobre isso. — Caesar segurou a mão de Won enquanto falava, a puxando para si, ele depositou um pequeno pedaço de papel sob ela. Com a mão de Won próxima o suficiente de seu rosto Caesar beijou o dorso dela, enquanto o encarava impiedosamente.
Por um momento, tudo ficou imóvel, uma cena tensa de fumaça e desafio não dito. A porta do carro se abriu com um clique suave.
A realidade voltou com força. Won desviou o olhar e agarrou sua bolsa, movendo-se para sair do carro e ir para longe de Caesar.
— Pequeno advogado, espere…
Won virou-se antes que pudesse pensar melhor. Caesar sorriu, o charuto meio queimado ainda entre os lábios.
— Cadê meu beijo de despedida?
O rosto de Won ficou completamente vazio. Seus olhos pularam para os braços estendidos de Caesar, depois de volta.
— Não vamos ficar tão gananciosos.
Ele podia jurar ter ouvido risadas depois que a porta fechou. Won amassou o pedaço de papel que Caesar colocou em sua mão para atirá-lo contra a janela, mas o carro já acelerava.
Ele tensionou a mandíbula, observando Caesar desaparecer à distância, o papel amassado em seu punho.
Baixou os olhos para sua mão. Podia deixar o que estava no papel ali mesmo, na calçada. Podia deixar o vento levá-lo e nunca mais vê-lo.
Era o que deveria fazer.
Mas sabia que não faria. Engoliu em seco e enfiou o papel no bolso.
✦ ✦ ✦
Ele levou alguns minutos para se acalmar o suficiente e entrar, e ficou feliz por ter esperado. Ivana o avistou pela janela e veio segurar a porta aberta para ele.
Ele agradeceu e beijou suas duas bochechas em cumprimento.
— Você ainda não jantou, não é? — Ivana perguntou. — Vá lavar as mãos e podemos comer. Temos algo especial hoje.
Como se tivesse previsto suas perguntas sobre como poderiam pagar por algo luxuoso, ela explicou:
— Anna quis agradecer e mandou uns cortes bons de porco mais cedo.
Won assentiu em silêncio, os olhos seguindo a Sra. Ivana enquanto ela entrava na cozinha e começava a sovar a massa.
— Sabe — ela chamou — Nikolai esteve aqui hoje.
Won prendeu a respiração.
— Ele falou sobre o quanto estava assustado, que não sabia o que faria se perdesse. Então eu disse a ele: “Nikolai, Won é o melhor, o melhor advogado da Rússia, provavelmente do mundo. Você não tem nada a temer.” Disse que sei que você não o deixará perder.
O modo como ela olhou para ele então, com aquela confiança inabalável brilhando em seus olhos, fez Won sentir como se seu peito estivesse desmoronando.
Ele lambeu os lábios, forçando-os em algo que esperava parecer um sorriso, e fugiu para as escadas.
A subida até o segundo andar foi a mais longa que já experimentara, cada passo um esforço. Quando chegou à sua porta, estava exausto demais para fazer qualquer coisa além de cair na cama, com o casaco e tudo.
Lentamente, sua mão desceu até o bolso e retirou o pedaço de papel.
Era um número de telefone.
Seus olhos percorreram os números, estudando a caligrafia.
Então, ele o jogou no cesto de lixo.
✦ ✦ ✦
Won acordou com um peso horrível no estômago. Tentou trabalhar, mas sua mente apenas… vagava, os olhos fixos no vazio.
Na esperança de aliviar o mal-estar, arrastou-se até a cozinha para um chá. A água mal começara a ferver quando ouviu seu telefone tocar.
Distraidamente, foi atendê-lo, mas o nome na tela o paralisou:
Nikolai Kuznetsov.
Um frio de pavor percorreu sua espinha. Nikolai deveria estar no trabalho— na fábrica. Por que ligaria agora? Com o estômago embrulhado, atendeu.
— Sen-Senhor Lee! Por favor… por favor, você tem que ajudar!
A voz de Nikolai tremia e se quebrava, mas antes que Won pudesse perguntar, ele gritou:
— Eles estão tomando a fábrica!
Won ficou rígido. “Tomando a fábrica. Quem? Como?”
— Tá bom–tá bom–já estou aí–aguenta firme, Sr. Kuznetsov, certo? — ele balbuciou, vestindo o casaco e descendo as escadas, rezando para que fosse um mal-entendido.
Mas ele sabia melhor do que ninguém que não era.
✦ ✦ ✦
Talvez fosse indicativo do tipo de vida que Won levara, mas aquele pressentimento que às vezes formigava em sua mente nunca estivera errado.
Hoje não foi exceção.
Por uma fração de segundo, quando a fábrica surgiu à vista, ele ficou tão chocado que só pôde olhar. A entrada estava bloqueada, PROIBIDO ENTRAR em tinta vermelha sobre o caos. Capangas de terno zombavam e xingavam, empurrando funcionários que choravam. A Sra. Kuznetsova fora arrastada para fora do escritório e suplicava freneticamente aos que a manuseavam brutamente com os braços em torno da barriga.
De repente, Won ouviu um tumulto e arfou.
— Sr. Kuznetsov! — gritou, Won lançou-se para frente quando seu amigo caiu no chão, sangue escorrendo do nariz.
— Que diabos significa isso? — exigiu, virando-se para o agressor de Nikolai.
— E quem caralhos você pensa que é, hein? — o homem cuspiu depois que Won desviou de seu soco.
— Sou advogado e representante do Sr. Kuznetsov — sua voz ficou mais alta. — Pergunto novamente: por que estão aqui e com qual autoridade?
Eles não eram da máfia. Won sabia disso. Atacar aleatoriamente não era do repertório deles; levantava muitas questões.
O homem olhou Won de cima a baixo, com um sorriso irritado.
— Nos mandaram fechar a fábrica. Ordem do vereador.
Os olhos de Won estreitaram perigosamente. Observando melhor, viu que aquelas pessoas trabalhavam para a prefeitura.
— Ele não tem direito. Nosso julgamento ainda está em curso, e nenhuma ação pode ser tomada antes do veredito. Isso é uma violação clara da lei! Vou chamar a polícia.
O homem deu uma risada desdenhosa.
— Que bonitinho, mas tenho o mandado de apreensão bem aqui — arrastou as palavras, brandindo um documento e enfiando-o no peito de Won.
— Satisfeito, garoto-advogado? Agora saia da minha frente antes que eu quebre sua cara.
Won recuou um passo, então se afastou, escaneando rapidamente o papel. Sua expressão ficou sombria.
— Ei, ei, o que é? — Nikolai estava frenético. — Por que você–o que diz? Não é– não é real, certo?
A resposta ficou presa na garganta de Won, meio formada e rachada. Ele tossiu, tentou novamente.
— É real.
Os capangas e os funcionários de Nikolai começaram a brigar, os que tentavam voltar para dentro sendo repelidos violentamente. Won segurou o mandado inutilmente, sabendo que nada poderia fazer. Sem recurso. Sem conserto.
De repente, um grito de cortar o coração.
Won e Nikolai giraram. Sra. Kuznetsova.
Ela desmoronara, quase ajoelhada, ofegante de dor.
— Anna! Anyechka!! — Nikolai já corria para a esposa.
Won estava a um passo atrás.
— Sra. Kuznetsova! Está machucada?!
Ela os olhou, quase sem ver, os olhos arregalados de terror. Outra respiração trêmula, e sua cabeça caiu.
— Milyy, o bebê…
(Milyy = amor/querido em russo)
Seus olhos baixaram para sua barriga, só então percebendo a mancha úmida em sua saia.
Sua bolsa estourara.
✦ ✦ ✦
Chorinhos vinham do bebê nos braços de Nikolai. Ele balançou-o gentilmente, acalmando seu sofrimento por ter nascido antes da hora, então olhou para a esposa, os olhos cheios de afeto.
— Você foi incrível, lyubimaya.
(lyubimaya = outra forma de dizer amor/querida/amado em russo)
Apertou sua mão com força, passando o polegar no dorso, desejando poder fazer mais.
Quando saiu da sala de parto, Nikolai parecia mais exausto do que Won jamais o vira.
— Ei — Won disse, pondo uma mão em seu ombro, tentando parecer tranquilizador. — Olha, Sr. Kuznetsov. Vou apresentar uma queixa formal. Ordenar algo assim é abuso de poder, especialmente durante um processo. Denunciar ajudará a influenciar o júri.
— É… tá.
Won ia falar, mas Nikolai o interrompeu.
— Eu sei, Sr. Lee–eu sei. Sei o quanto você trabalhou para me ajudar. Sei que é ilegal e imoral, e sei que vai me dizer para não desistir. Que não posso deixá-los vencer. Tenho que fazer isso pelo meu bebê. Cheguei até aqui—vamos vencer. Eu sei…
Sua cabeça baixou.
— Mas é tão difícil.
Sua voz era tão pequena, sumindo enquanto seu peito estremecia para conter um soluço. As palmas das mãos pressionavam os olhos, escondendo as lágrimas.
Nikolai desabou no meio do corredor do hospital, e Won só pôde observar.
✦ ✦ ✦
Por um longo tempo, Won ficou imóvel na cama, cotovelos nos joelhos, queixo apoiado nas mãos, contemplando o que estava prestes a fazer. O que tinha que fazer, pois não havia saída. Não importava como tentasse, era o único jeito.
Com um suspiro profundo, levantou-se e foi até o cesto de lixo antes que sua determinação fraquejasse.
Sua mão tocou o fundo, revirando-o algumas vezes, então encarou o cesto vazio, franzindo a testa.
— Ah, pelo amor de Deus.
Ele esvaziara o lixo de manhã.
“Maravilhoso.”
Olhou furioso para o cesto, rosnando de frustração, então chutou-o para extravasar.
Trabalhando a mandíbula, fechou os olhos e inclinou a cabeça para trás, soltando um longo fluxo de ar.
E agora?
De repente, veio-lhe a ideia—ele foi até a escrivaninha e revirou papéis e pastas. Depois de vasculhar metade de seus pertences, finalmente encontrou o cartão que havia recebido de Caesar no segundo “encontro” deles.
Pegou o telefone e discou o número no cartão de visitas, hesitando no final. “Não— nada de covardia agora.” Apertou o botão de chamada antes que pudesse desistir.
Passou-lhe pela cabeça que talvez o número nem fosse real, e seu pânico foi, felizmente, dissipado quase de imediato.
— Alô, como posso ajudá-lo?
— Oi. Sou o advogado que foi aí outro dia. Queria falar com o Caesar.
Ludmila ficou tão atordoada que nem disse que transferiria a ligação. Won só ouviu o tom seguido do clique da linha.
— Bem, que surpresa. Não perdeu meu número, perdeu?
Caesar definitivamente não estava surpreso. Won mordeu o interior da bochecha, irritado.
— O trabalho que você me ofereceu… eu aceito — disse secamente, ignorando a provocação. — Mas… não mato ninguém nem faço nada que leve à morte de alguém.
Caesar não respondeu de imediato. Won teve a impressão de que ele ria do outro lado.
— Mando um carro buscá-lo amanhã.
Quase desligando, Won ouviu Caesar acrescentar:
— Não é nada ilegal, pequeno advogado.
Então a ligação realmente terminou. Won olhou para o telefone, só então percebendo que prendera a respiração. Soltou-a e preparou-se para o que viria.
Não havia mais volta.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna
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Sinopse:
O advogado de direitos civis Lee Won atua na Rússia, defendendo clientes de baixa renda que não teriam acesso a um jurista. Um dia, ele visita o vereador Zhdanov para interceder por seu cliente Nikolai. Won desconhece que o político tem ligações com a máfia russa — até se deparar com César durante a reunião. E aquele homem de olhos prateados e cinzentos… era o mesmo com quem Won quase colidira na rua dias antes! Algo fora do comum está prestes a acontecer quando ele conhece César Aleksandrovich Sergeyev, o homem que em breve liderará um dos grupos mafiosos mais temidos do país.