Ler Roses And Champagne (Novel) – Capítulo 05 Online


Modo Claro

 Capítulo 5

Nem Caesar nem o homem armado disseram qualquer coisa. Won se sacudiu e ajustou os punhos da camisa, esperando parecer que costumava lutar para entrar nos escritórios das pessoas e que estava totalmente impassível com o ocorrido.

— Por favor, me perdoe por entrar assim, — começou ele, — mas o senhor é um

homem extremamente difícil de se encontrar. Tentei ligar, mas só diziam que o senhor estava fora do escritório. Estou bastante ocupado e não posso ficar esperando que o senhor esteja livre de suas obrigações de se esparramar em cadeiras confortáveis.

Ele lançou a Caesar outro sorriso sarcástico.

Mas Caesar estava ocupado demais estudando a aparência de Won para se ofender com o comentário ácido. O cabelo do advogado era negro como breu, mas exibia um brilho azulado onde a luz o atingia. Seus olhos eram estreitos e afiados, marcados pela ausência de dobras nas pálpebras. A maneira como se curvavam quando ele sorria era quase pecaminosa. Dedos longos endireitaram sua gravata e, em seguida, passaram pelos cabelos bagunçados, terminando de ajeitar sua aparência.

Era uma pena. Seria melhor se ele não fosse tão perfeitamente arrumado. Assim, Caesar não sentiria esse desejo avassalador de vê-lo despenteado, com a camisa pela metade, os pulsos amarrados com a própria gravata.

Urikh parecia ter pensamentos semelhantes, engolindo em seco de forma audível. Alguns segundos depois, ele se recompôs e recolocou a Beretta no coldre.

— Czar, — chamou ele, perguntando o que deveria fazer com o intruso.

Saindo finalmente do transe, Caesar desviou o olhar de Won.

— Acredito que já foi dito que não há nada a ser discutido.

— E acredito que eu disse que não estou esperando que o senhor se digne a me ver. — Won passou por Urikh com passos decididos e encarou Caesar com frieza. — Estive no escritório do Conselheiro Zhdanov. Precisava discutir um pequeno problema com ele. Existe uma fábrica que ele quer roubar, de seu legítimo proprietário. E me pareceu que o senhor tem certa influência sobre o bom conselheiro.

Caesar permaneceu esparramado na cadeira, uma perna cruzada sobre a outra, e tirou preguiçosamente um estojo de charutos do bolso interno do paletó.

— Tenho? É a primeira vez que ouço isso.

Cortando a ponta de um dos charutos que tirou do estojo, Caesar o levou à boca, e Urikh correu até ele com um isqueiro.

Won esperou que a troca se encerrasse antes de continuar.

— Ah, puxa vida, já me esqueceu? Nós até trocamos cartões de visita. No meio do escritório do Zhdanov, nada menos.

Nem uma provocação tão direta gerou resposta.

Seja para considerar seu próximo movimento, seja para perder o tempo de Won, Caesar apenas deu uma longa tragada no charuto. Girou a fumaça dentro da boca por um tempo antes de soltá-la em uma longa pluma branca.

— Hm, receio não lembrar. Vocês asiáticos são todos iguais, sabe?

Urikh riu pelo nariz, e Caesar tragou o charuto com expressão impassível, ignorando deliberadamente o homem que o encarava.

Antes que o sorriso de Urikh pudesse desaparecer, houve um movimento repentino, seguido de um estalo explosivo e um silêncio ensurdecedor. Quando Urikh se deu conta do que acontecera, os olhos de Caesar já estavam fixos nos de Won – a caneta-tinteiro cravada no couro da cadeira, ao lado de sua têmpora.

Com os dedos ainda enrolados ao redor da caneta, Won se inclinou perto do rosto de Caesar e sussurrou:

— Espero ter causado uma impressão mais marcante desta vez.

O olhar de Caesar escureceu.

— De fato.

O som grave da voz de Caesar pareceu penetrar em Won e reverberar em seu sangue. Ele se endireitou, sem desviar os olhos de Caesar.

Subitamente, o olhar sombrio desapareceu e sua postura mudou por completo, substituída por um sorriso meloso.

— Ótimo! Vamos ao que interessa.

Os olhos de Caesar se estreitaram em fendas penetrantes.

Impassível, Won prosseguiu.

— Estou aqui em nome do meu cliente, o senhor Nikolai Kuznetsov, para discutir a apreensão ilegal de sua fábrica e terrenos pelo Conselheiro Georg Zhdanov. Pelo que entendi, o senhor está auxiliando o conselheiro nesse empreendimento.

Ele fez uma pausa, mas Caesar apenas arqueou uma sobrancelha. Won tomou isso como sinal para continuar.

— Tenho certeza de que o senhor já sabe que o Conselheiro Zhdanov está sendo investigado por corrupção e abuso de poder. Seus colegas de partido estão se voltando contra ele. Com as eleições se aproximando, não querem que o escândalo afete suas campanhas. Pelo que ouvi por aí, ao menos.

O sorriso à la Gato de Cheshire de Won era nauseantemente doce.

— É só uma questão de tempo até ele estar atrás das grades, não acha?

Urikh levou a mão ao paletó, pronto para sacar a arma assim que Caesar desse o sinal, mas Won nem piscou, seu olhar ainda trancado com o de Caesar.

— Sabe, se isso acontecer, pode haver certa… atenção indesejada voltada para o senhor, sabe? Investigações adicionais, coisas assim. Duvido que o Sindicato gostaria disso.

A voz de Won assumiu um tom perigoso.

— Alguém no seu nível não gostaria de ser o responsável por prejudicar os negócios do Sindicato, não é mesmo?

Os dois homens se fitaram como lâminas cruzadas, nenhum disposto a desviar o olhar primeiro. Por fim, Won retirou um envelope pardo e o colocou sobre a mesa, sem desviar os olhos de Caesar.

— Estes são os documentos relevantes. Dê uma olhada e me ligue. Se eu não tiver notícias suas em três dias, passo aqui para conversarmos.

Seu tom era cordial o suficiente, mas com a caneta ainda cravada na cadeira ao lado da cabeça de Caesar, ninguém poderia confundir aquilo com outra coisa além de uma ameaça.

Won lançou um sorriso afetado a Caesar e saiu da sala com um passo firme. Tudo ficou imóvel, um contraste gritante com a tensão sufocante de segundos atrás.

— Mas que porra foi essa? Quem diabos ele pensa que é? — Urikh explodiu, um pouco alto demais. — Ele te machucou, Czar? Está tudo bem?

A ansiedade fervilhava no peito de Urikh, e ele se remexia inquieto. Deveria ter feito alguma coisa, em vez de apenas ficar ali parado como um idiota. Considerou seriamente arrastar o advogado de volta e enfiar uma bala entre seus olhos.

— Quer que eu vá dar uma lição nele? — perguntou, incomodado com a falta de reação de Caesar.

A expressão de Caesar permaneceu inalterada enquanto ele virava lentamente a cabeça para observar a caneta ali, ao nível dos olhos. Dedos elegantes agarraram o metal frio e o arrancou da cadeira.

Num acesso de raiva, Caesar lançou a caneta contra a parede, onde ela caiu no chão e rolou.

— Acho que agora vou ter que ficar com ela.

A constatação objetiva de que nada poderia ser devolvido a um escritório vazio fez a pele de Urikh se arrepiar inteira.

Caesar girou a cadeira para encarar a janela e ficou olhando para fora.

— Quero tudo o que puder encontrar sobre ele. Família, local de nascimento,

registros escolares, quantos livros ele tem. Tudo.

— Sobre o advogado? Mas… — Urikh parou.

Não tinha o direito de questionar uma ordem direta.

— Sim, Czar, — respondeu, curvando a cabeça.

— Ele será difícil de quebrar.

Um brilho ameaçador surgiu nos olhos de Caesar.

— Mas sempre quis ter Tigre de estimação.

✦ ✦ ✦

Em um canto discreto nos arredores da cidade, havia um clube. Sua localização modesta escondia o fato de que era o local preferido no momento pelos novos-ricos da cidade e seus gostos peculiares. Carros luxuosos apareciam do lado de fora, um ou dois por vez, permanecendo ligados enquanto seguranças corpulentos confirmavam que os passageiros estavam, de fato, na exclusiva lista de convidados antes de levá-los por uma entrada lateral especial.

Quem criou o clube e por que não era tão importante. Tudo o que importava era que, dentro daquelas paredes, você podia conseguir o que quisesse. Nenhum desejo era exagerado demais, nenhum pedido era excessivo. Tudo era possível.

Por um preço.

A porta de uma sala privativa espaçosa se abriu, e Caesar entrou, acompanhado pelo gerente do clube.

— Ei, Caesar! — Dmitri já estava sentado à grande mesa da sala, aproveitando a companhia das mulheres ao seu redor. Ele levantou o braço ao ver Caesar entrar e então agarrou a mão dele em saudação quando foi levado até a mesa.

Um aperto de mão aparentemente não era suficiente na cabeça de Dmitri, pois ele se levantou e plantou um beijo na bochecha de Caesar. Caesar permitiu, mas sabia que os lábios de Dmitri estavam desviando em direção à sua boca.

— Pare.

Ele se afastou e se jogou em uma cadeira do outro lado da mesa.

Dmitri fez um beicinho.

— Você não tem mais graça. Antes, você deixava.

— Antes. Agora não mais — respondeu Caesar com frieza, esvaziando o copo à sua frente. Imediatamente, a garota ao lado dele o encheu de Vodka.

Ele estava no clube há menos de cinco minutos, mas as dezenas de mulheres ao seu lado da mesa já o observavam atentamente.

Elas sabiam que ele não era o tipo que gostava de mulheres se derretendo por ele, empurrando os seios contra seus braços enquanto passavam as mãos por seu peito. Não, o melhor que podiam fazer com alguém como Caesar era esperar, e então deixá-lo usar seus corpos como quisesse, quando quisesse. E assim, elas esperavam, ansiosas para mantê-lo satisfeito.

Enquanto isso, o lado de Dmitri era praticamente uma Orgia melancólica, com carícias constantes, beijos e risadinhas sedutoras. Ele tinha uma garota de cada lado e outra ajoelhada entre suas pernas. Mais duas se penduravam em seus ombros, e ele se certificava metodicamente de que cada uma recebesse um beijo em turno. Outras cinco pairavam atrás, prontas para disputar um lugar ao lado de Dmitri assim que surgisse a oportunidade.

O contraste entre os dois lados da mesa era representativo dos dois homens; Dmitri era quase o oposto de Caesar, tanto em aparência quanto em personalidade. Se Caesar era como uma tundra gélida do norte, Dmitri era como uma selva tropical quente e úmida, com cabelos castanhos escuros e olhos verdes intensos.

Era difícil convencer alguém de que eles eram primos, mas era verdade.

Uma das garotas que não conseguiu um lugar ao lado de Dmitri começou a fazer beicinho. Felizmente, Dmitri estava feliz em dar atenção a todas. Com uma gargalhada, ele se inclinou e começou a encher de beijos o decote da garota.

Ao olhar para cima, lançou a ela um sorriso lupino ao perceber que ela havia parado de fazer beicinho.

— Então, Caesar — disse ele, arrastando os olhos da garota. Dmitri era um dos poucos privilegiados que podia usar o nome de batismo de Caesar.

— Como vão os negócios?

— Bem — disse Caesar simplesmente.

Dmitri parou, o copo de vodka no meio do caminho. O gerente imediatamente sinalizou para que todas as garotas saíssem, e, de repente, os dois homens estavam sozinhos.

Assim que o gerente desapareceu por trás da porta, Dmitri arrastou o olhar até Caesar.

— Você viu as notícias sobre Zhdanov, não é?

— Claro.

— E isso não te preocupa?

Quando Caesar não respondeu, os lábios de Dmitri se apertaram. Geralmente, quando ele dava conselhos, as pessoas os seguiam. No caso de Caesar, não era porque Dmitri era seu primo ou seu amigo mais antigo, mas porque Dmitri havia sido da KGB antes de abrir o clube, e tinha acesso a qualquer informação que quisesse. Se alguém sabia das coisas, era ele; e se ele te dizia algo, você sabia que era verdade.

A expressão de Dmitri se tornou séria.

— Olha, Caesar… você devia sair enquanto está por cima. Assim que eles conseguirem provas, acabou. Apenas aceite o prejuízo e siga em frente. Eu posso lidar com o Zhdanov se ele começar a te encher o saco.

Um músculo no maxilar de Caesar se contraiu, mas seu tom era comedido.

— Você acha que eu tenho medo de alguém como Zhdanov?

— Não, claro que não — Dmitri se apressou em dizer.

— Então fique fora disso.

Dmitri observou Caesar enquanto ele enchia o copo com vodka novamente, considerando como prosseguir.

— Só estou dizendo — ofereceu cuidadosamente, — os ganhos não valem a dor de cabeça.

O comentário só provocou um sorriso torto em Caesar.

— Para capturar um tigre, é preciso isca.

— Tigre? — Dmitri repetiu, inclinando a cabeça.

Caesar esvaziou o copo e fez menção de se levantar.

— Ah, também — disse Dmitri, decidindo adiar a investigação sobre o comentário estranho de Caesar.

— Um passarinho me contou algo muito interessante. Aparentemente, o velho Mikhail teve um derrame.

Ele não precisou especificar qual Mikhail – havia apenas um relevante para seus interesses.

— Nada surpreendente, dada a idade dele — comentou Caesar friamente.

— Eles estão tentando manter em segredo, mas a notícia já vazou.

Dmitri sorriu.

— E que trágico, os Lomonosov sem herdeiro nem nada…

Eles sabiam exatamente o que isso significava.

A boca de Caesar se contorceu em um sorriso vitorioso.

— A Rússia será toda minha.

— Vida longa ao imperador.

Dmitri ergueu o copo e esvaziou seu conteúdo.

Caesar se virou para sair e já estava com a mão na maçaneta quando Dmitri chamou do outro lado da sala:

— Última porta à direita.

Caesar olhou de volta para o primo, e Dmitri lhe lançou um sorriso pesaroso.

— Tenta devolvê-las inteiras, algumas são minhas melhores garotas.

Caesar desapareceu pela porta sem reconhecer o pedido. As garotas voltaram a encher a sala em seu rastro.

Enquanto elas disputavam quem se sentaria onde, o gerente foi direto até Dmitri e se inclinou para dizer:

— Dez garotas, como você pediu.

— Excelente. E o álcool?

— Três vezes a quantidade usual — respondeu o gerente.

— E avisei nosso fornecedor para ficar de plantão a noite toda caso precisarmos de mais.

Dmitri assentiu.

— Garanta que a sala fique bem abastecida, aquele desgraçado bebe mais que um peixe.

A briga por lugares terminou com uma loira sensual garantindo um lugar ao lado de Dmitri, e ele lançou um olhar de apreciação a ela com um sorriso.

Não querendo ficar de fora, uma garota que ficou com um assento do outro lado da mesa tentou chamar sua atenção com conversa:

— Mas, Dimitri, ele realmente precisa de dez garotas? Só por uma noite?

A garota claramente estava cética, e Dmitri teve que rir.

— Pode acreditar, krasotka. Eu sei que ele parece todo metido e sério demais pra se divertir, mas o homem é um pervertido quando se solta — garantiu ele. (Krasotka = Gata em Russo)

— Uma vez decidimos nos divertir — acrescentou distraidamente, esvaziando o copo.

Assim que foi recarregado, continuou:

— Cinco garotas. Dividimos. Sabe o que aconteceu no dia seguinte?

Todas as garotas o encaravam de olhos arregalados, balançando a cabeça.

— Três delas tiveram que ser hospitalizadas. Ele vira uma besta quando transa.

Todas as garotas ofegaram e trocaram olhares assustados.

Dmitri tomou mais uma dose.

— Hoje em dia ele sempre se deixa beber até desmaiar quando vai transar. Sabe por quê?

Ele nem esperou por uma resposta.

— A única hora em que ele para é quando está bêbado demais pra manter uma ereção. Caso contrário, é insaciável.

A sala ficou em silêncio total, e Dmitri riu de forma sombria.

— Vamos ver quantas ele consegue aguentar hoje.

✦ ✦ ✦

O amargor das últimas semanas frias finalmente havia passado.

Won acordou no horário de sempre, mas permaneceu na cama por um tempo, se permitindo demorar para se arrumar, aproveitando o calor daquela manhã. Achou apropriado, considerando seus planos para o dia. Sem clientes, sem chefes da máfia – apenas uma longa viagem de bonde até uma cidadezinha tranquila.

Talvez hoje fosse o dia em que encontraria o que estava procurando.

De pé na porta da cafeteria com a Sra. Ivana, Won olhava vagamente para o endereço rabiscado no bilhete em sua mão, tentando não criar expectativas. Ainda assim, uma partezinha do seu coração se recusava a ouvir e batia ansiosa, esperando que talvez dessa vez fosse real.

— Te vejo à noite. — Won sorriu para Ivana e partiu.

A caminho da estação de bonde, Won teve que parar e rir de si mesmo. Continuava se admirando com o quanto o tempo estava “bom”, mas lembrava que, quando chegou à Rússia, achava que ia morrer de hipotermia num dia só um pouco mais frio do que aquele.

Ele realmente havia se acostumado à vida em uma terra estrangeira.

Bem, fazia sete anos já…

“Won, pode fazer isso por mim, querido?”

Sua mente, inevitavelmente, foi até sua mãe. Uma mão delicada acariciando seu rosto, tão frágil, tão fraca, e um par de olhos desolados.

Soltando um longo suspiro, Won levou mais um momento para se recompor. Ele faria aquilo por ela. Tinha que fazer. Com a determinação renovada, seguiu em frente, um passo de cada vez.

Sendo um país enorme, as distâncias entre áreas povoadas na Rússia podiam ser vastas. Para Won, a viagem de bonde parecia interminável, sacolejando e tremendo nos trilhos. Ainda assim, ele continuava seu curso, e, quando finalmente chegou ao fim da linha, Won desceu e observou a pequena cidade onde havia chegado.

Ouviu dizer que, nos fins de semana, o local podia ficar mais movimentado – em geral, com urbanos em fuga querendo plantar seus próprios vegetais ou passar uns dias em pequenas vilas de descanso. Porém, naquele dia de semana, a cidade estava deserta.

Won seguia em sua caminhada vestindo um terno, chamando atenção por ser claramente estrangeiro e obviamente não estar ali para cuidar de uma horta. Apenas sorria e cumprimentava todas as senhorinhas que o olhavam, e elas, a contragosto, retribuíam o cumprimento, ainda desconfiadas, enquanto ele se afastava da estação.

Após uma longa caminhada por ruas vazias, Won finalmente chegou à casa que batia com o endereço apertado em sua mão. Respirando fundo para se acalmar, bateu levemente na porta.

— Quem está aí? — chamou uma voz masculina, fina e trêmula com a idade.

Won esperou enquanto passos arrastados se aproximavam, e pôde sentir seu coração começar a tropeçar e bater mais forte. Aquilo podia ser real. Todo esse tempo, sete anos, tudo que conseguira até então foram becos sem saída. Mas aquilo era concreto – ele sabia que ela estivera ali. Aquilo podia ser o início de respostas de verdade.

A velha porta se abriu com o tilintar de sinos, revelando um rosto ainda mais velho, marcado por rugas profundas.

Won forçou seu sorriso mais encantador e começou sua introdução:

— Como vai? Sou Lee Won. Sobrenome Lee, nome Won, advogado.

Puxou um de seus cartões de visita.

— E, se não me engano, o senhor é o Sr. Shvernik?

— Quem quer saber? — perguntou o homem, ainda visivelmente desconfiado.

Won engoliu em seco, os nervos à flor da pele.

— Desculpe aparecer assim do nada, mas queria lhe perguntar uma coisa. Hm, há cerca de trinta anos, uma mulher coreana se hospedou aqui. O senhor se lembra dela? O nome dela era Lee Suyeon, ou talvez ela tenha dito Suyeon Lee.

Levou alguns segundos para o Sr. Shvernik processar a pergunta, mas logo a surpresa em seu rosto fez o coração de Won cantar de empolgação.

Won soltou um longo suspiro ao voltar para casa, sentindo-se vazio. Tinha chegado tão perto.

O Sr. Shvernik se lembrava de sua mãe, mas era só isso. Havia, de fato, uma jovem adorável da Coreia que alugava um quarto ali, e então, um dia, ela simplesmente… desapareceu. E foi isso.

Ver Won tão abatido claramente tocou o coração do velho, que prometeu perguntar por aí se alguém na cidade ainda se lembrava dela ou se foram amigos. Era um tiro no escuro, disse o Sr. Shvernik, apertando firme a mão de Won, mas valia a pena tentar depois de ter vindo de tão longe.

Won suspirou mais uma vez. Talvez não fosse para ser. Encontrar aquele endereço já tinha sido um milagre. E fazia mais de trinta anos desde a última vez que ela estivera ali. Mesmo que o Sr. Shvernik encontrasse alguém que a conhecesse, não era garantia de que saberiam mais do que isso.

Tudo que Won podia fazer agora era esperar e torcer para que o senhor encontrasse algo.

“De volta à estaca zero” pensou tristemente. Seus ombros ainda estavam caídos em desânimo quando chegou à cafeteria. As luzes estavam apagadas, então Ivana provavelmente já estava dormindo. Won entrou pela porta dos fundos e trocou os sapatos empoeirados da rua por chinelos. Tudo que queria era dormir; não tinha energia para mais nada naquele dia.

Ainda assim, mantinha-se tenso enquanto subia pela escada de incêndio, tentando destrancar a porta com o mínimo de barulho possível para não incomodar ninguém.

Finalmente, a porta se abriu, e ele soltou o ar que prendia, pronto para se jogar na cama, mas então, parou no mesmo instante.

Ali, no chão da entrada, havia um envelope. Ele o observou enquanto fechava a porta. Era obviamente destinado a ele, e o papel simples parecia inofensivo, então pegou do chão, rasgou a ponta e, cambaleando até a cama, se jogou no colchão.

Morrendo de vontade de fumar, tateou os bolsos atrás do maço de cigarros que comprara mais cedo, até lembrar que já tinha fumado todos no caminho de volta. Com um suspiro melancólico, voltou a atenção para o envelope misterioso e espiou dentro.

Franziu a testa. A única coisa dentro era um ingresso. Ao retirá-lo, o papel brilhante anunciava uma entrada única para o Balé Bolshoi na noite seguinte.

Ficou encarando, confuso, sua expressão se tornando mais séria quando abriu novamente o envelope, procurando por uma carta, bilhete, qualquer coisa – e encontrou um cartão de visitas familiar.

Caesar.

A realização o atingiu: amanhã era o dia que havia dito a Caesar que “passaria lá” caso não tivesse notícias dele. “Então, Caesar queria conversar no balé? E foi até seu quarto só para enfiar um envelope por debaixo da porta?”

Won encarou o ingresso de novo, tentando entender aquilo, antes de colocá-lo de volta no envelope e deixá-lo sobre o criado-mudo. Não tinha o menor desejo de ir ao balé, mas precisava ver Caesar de qualquer forma.

Passou mentalmente por diferentes cenários enquanto tomava banho e trocava de roupa, querendo estar preparado para qualquer coisa que pudesse acontecer no dia seguinte. Tinha certeza de que nenhum dos dois queria perder tempo.

Logo, adormeceu – a mente ainda girando após um dia tão desgastante.

Continua…

⌀ ⌀ ⌀

✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna

Ler Roses And Champagne (Novel) Yaoi Mangá Online

Sinopse:
O advogado de direitos civis Lee Won atua na Rússia, defendendo clientes de baixa renda que não teriam acesso a um jurista. Um dia, ele visita o vereador Zhdanov para interceder por seu cliente Nikolai. Won desconhece que o político tem ligações com a máfia russa — até se deparar com César durante a reunião. E aquele homem de olhos prateados e cinzentos… era o mesmo com quem Won quase colidira na rua dias antes! Algo fora do comum está prestes a acontecer quando ele conhece César Aleksandrovich Sergeyev, o homem que em breve liderará um dos grupos mafiosos mais temidos do país.

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