Ler Roses And Champagne (Novel) – Capítulo 04 Online

Capítulo 4
Apesar de ser esguio, o peso de Won ainda era suficiente para que as escadas de emergência reclamassem ruidosamente por terem que aguentar o abuso de sustentá-lo a cada degrau que ele subia. Ele havia desenvolvido o hábito de subir e descer os degraus correndo, talvez na tentativa de evitar o barulho alto dos rangidos.
Won subia às pressas pela escada de incêndio, como sempre fazia, o som de seus passos abafado pelos gemidos dos degraus. Mas parou de repente ao ver Nikolai parado em frente à sua porta.
— Sr. Kuznetsov, olá. Você está esperando há muito tempo?
Assim que percebeu a chegada de Won, Nikolai o bombardeou com perguntas ansiosas.
— Você foi ao escritório do Zhdanov hoje, não foi? Como foi? Você o viu? Falou com ele? O que ele disse?
Won compreendia a agitação de Nikolai, mas não queria ter essa conversa parado em frente à sua porta. Tirou a chave do bolso e forçou-a na fechadura. Assim como o resto do prédio, sua porta era bastante antiga e às vezes precisava usar de força para a abrir, mesmo com o uso da chave.
Com algumas voltas e estalos correspondentes, a porta se abriu, e Won entrou.
— Podemos conversar aqui dentro. Acabei de comprar um pouco de chá que podemos dividir.
Nikolai hesitou por um momento antes de seguir Won para dentro do apartamento.
Não havia muito o que ver. A porta da frente se abria para a pequena sala de estar, que também servia de escritório de Won, e depois havia um quarto, um banheiro e uma cozinha. Won conduziu Nikolai até uma cadeira e foi até sua apertada cozinha para colocar a chaleira no fogo e preparar o chá.
Separando uma xícara para convidados e sua caneca pessoal, encheu ambas com água quente seguida do concentrado de chá. O chá havia sido um presente da mulher do restaurante a quem ele ajudara com o problema de extorsão. Não era uma marca particularmente sofisticada ou cara, mas exalava um perfume adorável. Won achava que combinaria bem com um pouco de conhaque e um toque de leite.
— Você toma seu chá com leite? — gritou para Nikolai.
— Só com um pouco de limão, por favor.
Won pegou um limão na geladeira e cortou uma fatia para Nikolai, depois decidiu se permitir um pouco de conhaque e leite na sua própria caneca.
Voltando à sala, Won passou o chá para Nikolai antes de se sentar.
— Vou direto ao ponto: a nossa situação é pior do que imaginávamos. Zhdanov tinha uma carta na manga que não poderíamos ter previsto.
— Uma carta? — perguntou Nikolai, atordoado, ignorando o chá em sua mão.
Won tomou um gole do seu e torceu o nariz. “Conhaque demais.” Voltando o olhar para Nikolai, explicou:
— Acho que Zhdanov não conseguiria se desvincular da situação, mesmo que quisesse. Não poderíamos ter negociado ou feito um acordo.
— Do que você está falando? Quem—
Nikolai congelou, uma compreensão aterradora inundando seus olhos.
— Você… você quer dizer que a máfia está envolvida, não é?
Won hesitou, em silêncio. Como se temesse que dar voz àquele pensamento o tornasse real. Infelizmente, tudo que pôde fazer foi assentir com um breve aceno.
— Obviamente não foi algo que ele tenha dito explicitamente, mas havia alguém com Zhdanov hoje, alguém que parecia poderoso. Ele disse que se chamava Caesar, esse nome lhe soa familiar?
Nikolai balançou a cabeça. Parecia ter visto um fantasma.
Won considerou parar ali; Nikolai parecia à beira do choque. Mas ele queria manter seu cliente informado.
— Sempre houve rumores sobre os laços de Zhdanov com a máfia, e depois de hoje, eu certamente acredito nisso. Eu já havia investigado um pouco antes, e há uma grande possibilidade de que ele seja apoiado pelos Sergeyev.
Ele tirou o cartão de Caesar do bolso.
— Suspeito que o homem que vi hoje seja alguém de alto escalão na organização.
Qualquer cor que havia voltado ao rosto de Nikolai imediatamente desapareceu ao ver o brasão em folha de ouro estampado no cartão, e Won não sabia como ajudá-lo. Nunca tiveram muita esperança de vencer Zhdanov no tribunal, mas com a organização criminosa mais poderosa da Rússia tomando interesse pessoal no caso, a situação havia piorado. Nikolai iria perder tudo.
As mãos de Nikolai tremiam tanto que o chá escorria pelas bordas da xícara quando ele a levou à boca e tomou um gole enorme. Ele realmente parecia entrar em choque. E tudo o que foi preciso foi mencionar o nome Sergeyev.
Depois de alguns goles, acalmou-se um pouco e implorou, impotente:
— E agora? O que eu faço?
A pergunta era mais retórica do que dirigida a Won. Nikolai estava perguntando como sobreviveria àquilo, como todas as pessoas que dependiam dele sobreviveriam àquilo. Tinha uma esposa e uma garotinha em casa, e outro filho a caminho. Sua fábrica era pequena, mas havia empregados que perderiam seus meios de sustento quando ela fosse tomada.
— Sinto muito por não podermos salvar a fábrica — disse Won. — No entanto…
— No entanto? — A cabeça de Nikolai se ergueu com a palavra de Won, olhos arregalados.
— No entanto — começou Won com cautela — deveríamos pedir indenização.
— Indenização? — repetiu Nikolai, sem compreender.
— Vítimas de extorsão podem pedir reparações por danos. Zhdanov não estará disposto a negociar, mas –
— Mas?! — gritou Nikolai.
Os olhos de Won se estreitaram em fendas perigosas.
— A máfia está sempre em busca de um bom negócio.
✦ ✦ ✦
— Isto acabou de chegar do Conselheiro Zhdanov para você, Czar.
Caesar lançou um olhar irritado para a caixinha elegantemente embrulhada que Urikh lhe entregou, arrancando as fitas e o papel com impaciência.
Dentro da caixa havia uma caneta.
Não apenas uma caneta, mas uma caneta-tinteiro extremamente rara e altamente cobiçada. A produção daquele modelo havia sido limitada a apenas cem unidades no total, com as pré-vendas encerradas dentro de uma hora após a abertura. Era praticamente impossível encontrar uma de segunda mão, muito menos por um valor razoável. Mas, de alguma forma, Zhdanov encontrara uma – e ainda conseguira mandá-la gravar com as iniciais.
Caesar encarou as letras douradas entalhadas no corpo da caneta, os olhos se estreitando.
Urikh decidiu que fingir desinteresse era a abordagem mais segura.
— Você estava procurando uma dessas, não estava? Um palpite muito sortudo da parte do conselheiro.
Pouquíssimas pessoas sabiam que Caesar era um colecionador apaixonado de canetas-tinteiro com uma coleção extensa. Menos ainda sabiam quais modelos ele procurava ativamente. E ainda assim, Zhdanov havia lhe dado justamente uma dessas – logo um dos seus “moby dicks”.
Os olhos cinzentos e gelados giraram para encarar Urikh, que se encolheu sob o olhar. Naquele momento, se arrependeu de ter dito qualquer coisa a Zhdanov, mas era tarde demais para voltar atrás. E definitivamente tarde demais para fingir que não o fizera, dado o jeito como Caesar o encarava.
— Acredito que já lhe disse que nada de bom vem de conversas inúteis — disse Caesar em voz baixa, destampando a caneta.
Urikh abaixou a cabeça, tentando desesperadamente se explicar.
— Peço desculpas, Czar. Quando o Conselheiro Zhdanov perguntou sobre presentes apropriados para você, achei que não se importaria dele saber… E-eu serei mais cuidadoso no futuro.
Como Caesar não disse nada, Urikh apressou-se em acrescentar:
— E o conselheiro disse para lhe informar que isso era apenas um símbolo de sua gratidão. Disse que virão mais, assim que tudo estiver resolvido.
Urikh engoliu seco.
— Você não gostou?
A resposta foi imediata:
— Não. Eu gostei.
O rosto de Urikh se iluminou, mas Caesar não pareceu notar nem se importar. Seu foco estava voltado para baixo, examinando a ponta da nova caneta.
— O que a torna ainda mais ofensiva — acrescentou friamente.
Todo o sangue nas veias de Urikh virou gelo, seu alívio momentâneo evaporando. Ele havia irritado o Czar.
Tentou encontrar desculpas, mas todas viraram pó em sua boca enquanto ele tentava puxar o ar para os pulmões.
Mas então—
Uma batida.
A porta do escritório se abriu, permitindo a entrada do subordinado que normalmente fazia a guarda do lado de fora.
— Desculpe, Czar. Tem alguém aqui para vê-lo. Diz que tem um compromisso.
Agradecendo silenciosamente ao salvador desconhecido, Urikh aproveitou a distração.
— Quem é? Não me lembro de ver nenhuma reunião na agenda do Czar hoje.
— Acho que ele ligou, mas não está na agenda. Não sei por quê.
O guarda deu de ombros, parecendo nervoso.
— Ele estava falando sobre o Conselheiro Zhdanov e que é o advogado de um tal de Kuznetsov. Disse que queria ver o “Caesar”.
Urikh girou na cadeira para olhar Caesar.
— É ele! O—
— Diga que não estou aqui — disse Caesar com tranquilidade ao guarda. — Não há nada a discutir. Diga que ele pode fazer escândalo à vontade, nada vai mudar.
— Sim, Czar. — O guarda inclinou a cabeça e desapareceu pela porta.
Esperando evitar que seus deslizes voltassem à tona, Urikh sabia que precisava pisar com cuidado. Cuidadosamente, observou:
— Zhdanov disse algo sobre lidarmos com esse assunto de forma direta.
— Devolva isso.
Os olhos de Urikh se voltaram para a caneta-tinteiro.
— M-mas ela está gravada e tudo. É tão rara; você podia simplesmente ficar com ela. O conselheiro disse que deu muito trabalho para conseguir. Temo que ele possa se ofender—
Um tumulto abrupto o interrompeu. Urikh saltou da cadeira para encarar a porta, e o olhar de Caesar também se voltou para a entrada. Houve mais sons de luta e batidas contra a porta, até que ela se abriu de vez. Urikh sacou sua Beretta do coldre peitoral, pronto para atirar.
Mas quando viu o intruso, tudo o que pôde fazer foi tentar não deixar a arma cair das mãos.
— Ah, sim. Posso ver como você está ocupado, Caesar — ironizou o invasor com um sorriso cruel.
— Passar o dia sentado nessas poltronas de couro deve ser exaustivo mesmo.
Ninguém havia avisado que o advogado era de tirar o fôlego.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna
Ler Roses And Champagne (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
O advogado de direitos civis Lee Won atua na Rússia, defendendo clientes de baixa renda que não teriam acesso a um jurista. Um dia, ele visita o vereador Zhdanov para interceder por seu cliente Nikolai. Won desconhece que o político tem ligações com a máfia russa — até se deparar com César durante a reunião. E aquele homem de olhos prateados e cinzentos… era o mesmo com quem Won quase colidira na rua dias antes! Algo fora do comum está prestes a acontecer quando ele conhece César Aleksandrovich Sergeyev, o homem que em breve liderará um dos grupos mafiosos mais temidos do país.