Ler 7 Minutes of Heaven (Novel) – Capítulo 38 Online

❀ 7 Minutes Of Heaven 4
Seria possível entrar furtivamente no meu quarto e fingir que acabei de acordar? Com essa esperança fútil, Jeong-in abriu a porta da frente o mais silenciosamente possível. Mas, assim que pisou na sala de estar, encontrou Suzy, que estava na cozinha se preparando para o trabalho. Sábado era um dia útil para ela; seu único dia de folga era o domingo.
Ao ver Jeong-in, ela assumiu uma expressão deliberadamente fria.
— Ora, ora? Quem seria este? O festeiro?
— Sinto muito…
— Eu disse que um pequeno desvio era aceitável, mas não esperava que você fosse tão ousado. Sabe o quão surpresa eu fiquei ao ver que você não estava no seu quarto esta manhã?
Jeong-in não tinha o que dizer e abaixou a cabeça.
— Sua mãe não quer os vizinhos dizendo que ela está criando o neto em vez do próprio filho.
Aquele era um episódio de um reality show que Jeong-in e Suzy haviam assistido juntos recentemente. Era o exato programa que Jeong-in usara como base para sua decisão de proteger Chase.
— Nada do que você está preocupada aconteceu, mãe. Estávamos olhando a vista noturna e pegamos no sono…
Suzy tocou a testa como se estivesse com dor de cabeça. Mas logo suspirou de alívio por Jeong-in ter retornado em segurança.
— Você está de castigo por uma semana.
Ficar de castigo era a punição mais temida pelas crianças no exterior. No entanto, não houve nenhuma perturbação particular na expressão de Jeong-in enquanto ele olhava vagamente para Suzy. Na verdade, ficar de castigo não poderia realmente afetar Jeong-in. Havia pouco sentido em deixar de castigo um nerd que sempre ficava em casa estudando.
Parecendo perceber isso, Suzy pensou por um momento antes de adicionar prontamente outra punição.
— Além disso, nada de Netflix por uma semana.
— Ah… mãe, isso é um pouco…
Os poucos prazeres de Jeong-in incluíam assistir a programas coreanos na Netflix.
Assistir a dramas ou reality shows na Netflix enquanto comiam frango caseiro ao estilo coreano, uma vez a cada semana ou duas, havia se tornado uma espécie de tradição para Suzy e Jeong-in. Ocasionalmente, o empanado ficava duro demais, ou eles acidentalmente queimavam um pouco o molho, mas ainda tinha um gosto bastante similar quando comiam.
Fazer frango meio frito e meio temperado com rabanete em conserva ao lado era o padrão. Todo mundo acaba fazendo pelo menos isso quando mora na América.
— De quem são essas roupas desta vez?
Diante da pergunta lançada casualmente por Suzy, Jeong-in olhou inconscientemente para si mesmo.
— Hein? Ah…
Só então ele percebeu que ainda estava vestindo o paletó de Chase, tendo esquecido de tirá-lo. O paletó cinza com vincos aqui e ali cobria Jeong-in até as coxas.
— São as roupas do Chase de novo.
— Então, depois de toda aquela deliberação, você decidiu ser amigo dele novamente?
Em vez de responder, Jeong-in deu um sorriso ambíguo. Suzy falou calmamente enquanto pegava frutas e iogurte na geladeira.
— Isso é bom. Fazer amigos diversos é uma coisa boa.
— …
Ele não podia mais chamar Chase de “amigo”. Não, ele achava que nunca o tinha considerado apenas um amigo, para começar.
Jeong-in virou a cabeça ligeiramente, evitando o olhar de Suzy. Pela primeira vez, ele tinha um segredo grande demais para compartilhar até com sua mãe.
Talvez por causa da sutil culpa de enganar Suzy, Jeong-in deu por si seguindo-a por toda parte. Ele lhe entregou uma colher antes mesmo de ela procurar por uma e limpou tudo depois que ela comeu.
Suzy encarou Jeong-in por um momento antes de soltar uma risadinha.
— Você acha que isso vai me fazer suspender a proibição da Netflix?
— Não é por isso que estou fazendo isso.
Jeong-in acompanhou Suzy até a porta da frente para se despedir antes de ela ir trabalhar.
— Tenha um bom dia.
Suzy, que estava prestes a sair, parou um pouco e virou-se para dizer:
— Parabéns por vencer a competição de matemática, Sr. Festeiro.
Embora suas palavras fossem provocativas, sua expressão estava impregnada de calor.
Suzy lançou um olhar de soslaio para Jeong-in antes de se aproximar e, naturalmente, lhe dar um abraço. Só então Jeong-in relaxou, baixando os ombros com alívio.
Após acenar para o carro vermelho que se afastava, Jeong-in voltou para casa e subiu as escadas. Assim que saiu do banho, seu telefone, que ele havia colocado sobre a cama, tocou.
Chase Prescott: [Você se encrencou muito?]
Ele parecia preocupado que Jeong-in pudesse ter levado uma bronca. Pensando bem, Jeong-in percebeu que, em sua pressa e ansiedade, não havia agradecido adequadamente a Chase — nem por ter ido à competição torcer por ele, nem pela after-party particular.
Para Chase Prescott: [Estou bem, muito obrigado por ontem]
É isso que um namorado faz.
“Eu realmente consegui um namorado?” Com esse pensamento repentino, um sorriso se espalhou pelo rosto de Jeong-in. Seu reflexo sorridente apareceu na tela que escurecia gradualmente. No entanto, esse sorriso diminuiu aos poucos conforme ele pensava na realidade que enfrentaria daqui para frente.
Jeong-in tocou a tela novamente para despertá-la e enviou uma mensagem.
Para Chase Prescott: [Eu gostaria de manter nosso relacionamento em segredo das pessoas]
Não houve resposta de Chase por um tempo.
Chase sempre fora alguém que expressava suas emoções honestamente. Ele nunca demonstrou a menor hesitação ou relutância em expressar seu afeto por Jeong-in.
Faziam sentido. Ele provavelmente nunca havia experimentado olhares preconceituosos em sua vida.
Branco, homem, parte da elite do poder americano.
Chase Prescott era verdadeiramente um “major” entre os “majors”, nunca discriminado por sua raça, gênero ou riqueza.
Mas Jeong-in já estava suficientemente em uma posição de minoria sem fazer nada. Adicionar um romance entre pessoas do mesmo sexo a isso o tornaria uma minoria entre as minorias. Era óbvio que todos os olhares discriminatórios e preconceituosos seriam direcionados a ele.
Em vez de uma resposta por texto, Chase ligou.
— O que você está fazendo?
— Acabei de sair do banho e estava planejando dormir mais. Até encontrei pedaços de grama atrás das minhas orelhas e nas minhas axilas enquanto me lavava.
— Oh, céus. Como você pode, de repente, ler uma história tão erótica para mim sem preparação mental?
— …Vou desligar.
— Desculpe. Vou parar com as brincadeiras.
Após uma breve risada, Chase falou em voz baixa.
— Vamos apenas esclarecer uma coisa primeiro. Estamos namorando agora, certo? Não precisamos fazer uma declaração oficial de relacionamento?
Após um momento de contemplação silenciosa, Jeong-in abriu a boca cuidadosamente.
— Aqui está um problema. Existem duas constantes, C e J. Apesar de J agir como um idiota, C foi torcer por J em sua competição de matemática. Eles se confessaram um para o outro e se beijaram. Dadas estas premissas, qual é a relação entre C e J?
— Wincrest! As constantes C e J estão em um relacionamento romântico.
Chase gritou, imitando exatamente o que Jeong-in fizera na competição de ontem. Jeong-in soltou uma risadinha e respondeu:
— …Isso está correto.
Seus corações já estavam em harmonia há algum tempo, mas esta era a primeira vez que chegavam à mesma conclusão sobre estarem juntos.
— Para ser honesto… eu quero tornar isso público. Esse sentimento é inédito para mim. Querer apresentar alguém como meu para o mundo inteiro.
Como Jeong-in esperava. Chase Prescott era um quarterback. Uma posição que sempre liderava o jogo, olhando para frente e tomando decisões. Uma pessoa que avança sem olhar para trás ou hesitar. E essa tendência se aplicava também aos seus relacionamentos.
— Na verdade, meus amigos já sabem que eu gosto de você.
— Sério? Como?
— Porque eu contei para eles. E dizem que não se pode esconder o amor e o espirro.
Deitado na cama, Jeong-in abraçou Snowball e brincou com seu pelo. O som da voz afetuosa de Chase fluindo pelo alto-falante dava-lhe uma sensação de formigamento ao redor do plexo solar.
— Eu quero fazer tantas coisas com você. Quero ir ao baile com você, queria que você viesse torcer em todos os meus jogos. Quero colocar sua foto no meu armário, e quero sentar você no meu colo no banco em frente à escola, onde as pessoas passam, e te dar pudim de chocolate com baunilha na boca.
— …Esse último foi bem específico.
— Eu vi o Brian fazendo isso com a Ava Winslow.
— Tudo isso soa bem, mas por que eu estou fazendo o papel da Ava Winslow?
A voz de Jeong-in adquiriu um tom aguçado.
— Tudo bem. Então você é o Brian. Eu sento no seu colo.
— …
Sempre que falava com Chase, ele se sentia dessa forma. Chase sempre parecia ser tolerante e disposto a aceitar tudo, enquanto ele era o único de mente estreita, calculista e cauteloso. Seria isso o que significava ser romanticamente inapto? Jeong-in sentiu um súbito mal-estar.
— Eu… não estou pronto ainda, Chase.
Chamar o nome dele suavemente era algum tipo de feitiço? Chase manteve silêncio por um momento antes de responder com um suspiro.
— Tudo bem, eu entendo. Seremos apenas amigos estranhamente próximos. Pode ser?
— …Obrigado.
Chase soltou outro suspiro preocupado.
— Isso é um problema. Quando você fala com essa voz, sinto que poderia aceitar um contrato de assassinato.
Jeong-in explodiu em uma risada e retrucou imediatamente:
— Eu mesmo faria isso. Do jeito que você é, entraria em pânico e deixaria alguma evidência descuidadamente na cena.
— Ah, é verdade. Você é mais meticuloso. Então eu apenas ajudo com o trabalho braçal. Tipo cavar a cova ou mover o corpo.
Após a piada um tanto sinistra e as risadas que se seguiram, Chase falou com uma voz séria.
— Já que estamos namorando agora, eu deveria te contar. Vou me encontrar com a Vivian esta tarde.
— …Por quê?
— Acho que precisamos de um desfecho.
— …
Naturalmente, não era uma sensação agradável. Mesmo que não houvesse mais nada entre eles, não podia ser prazeroso ouvir que ele iria se encontrar com alguém publicamente conhecida como sua ex-namorada.
— Se você não gostar, eu cancelo.
Mas era uma questão que eles teriam que enfrentar cedo ou tarde. Caso contrário, a mesma coisa de antes poderia acontecer novamente. Após um momento de deliberação, Jeong-in respondeu:
— Não, tudo bem. Tenha uma boa reunião.
— Durma bem, Jeong-in. Me mande uma mensagem quando acordar.
— Sim. Desliga você.
— Não, você desliga primeiro.
— Eu não quero. Você desliga primeiro.
Jeong-in não pôde evitar rir.
— Se eu visse uma cena como esta na TV, eu xingaria e mudaria de canal.
— Desliga para mim, Jeong-in. Eu não tenho jeito.
— Está bem. Eu desligo primeiro hoje.
Chase deixou suas últimas palavras em uma voz baixa e afetuosa.
— Durma bem, querido.
Mesmo após encerrar a chamada, seu coração batia como louco.
Ele batia tão rápido que era impossível adormecer. Jeong-in virou-se de bruços e acessou a conta de rede social de Chase, que costumava conferir secretamente.
[@chase.a.prescott]
Havia uma foto que fora postada há apenas alguns minutos. Uma foto da vista noturna de Belacove, junto com as palavras que ele escrevera, chamou sua atenção.
[A melhor noite da minha vida]
Jeong-in encarou os emojis de lua, estrela e coração ao lado da frase e ponderou por um longo tempo antes de apertar em “curtir”. E, com esse impulso, até apertou o botão de seguir. Agora, Chase Prescott não era o amor não correspondido que ele observava secretamente, mas seu namorado.
A tela, que escurecia gradualmente antes de ficar completamente preta, acendeu-se de repente.
chase.a.prescott: Desculpe se eu estiver errado, mas este é o Jeong-in?
Os olhos de Jeong-in ficaram redondos. Era uma DM de Chase. Ele deve ter adivinhado pelo ID, que usava “lim”, “J” e função.
: Sim, sou eu
chase.a.prescott: Como não tem foto na sua conta, é difícil confirmar, e estou preocupado que possa ser um golpe
chase.a.prescott: Posso te fazer uma pergunta de verificação?
: O que é?
chase.a.prescott: Nós temos um filho juntos. Qual é o nome dele?
: Snowball
chase.a.prescott: Exato
Sem perceber, um sorriso se espalhou pelo rosto de Jeong-in. Logo, uma nova notificação apareceu no meio da tela.
[chase.a.prescott começou a seguir você.]
Chase Prescott foi adicionado à conta vazia de Jeong-in, que tinha 0 seguidores e 0 seguindo.
chase.a.prescott: Acho que seu ID está um pouco estranho, posso consertar para você? lim_fx_J.
Era um ID que qualquer um que soubesse matemática poderia reconhecer imediatamente.
“Lim” era o sobrenome de Jeong-in, mas também era o símbolo para limite. Não era um ID criado com um significado particular, mas se alguém fosse interpretar, significaria algo como “conforme x se aproxima de um certo valor, o limite dessa função converge para J”.
Logo veio a sugestão de ID do Chase. Quando a viu, o coração de Jeong-in pareceu errar uma batida.
chase.a.prescott: lim_cp_fx_love
lim_cp_fx_love.
Conforme x se aproxima de Chase Prescott (cp), o limite (lim) dessa função converge para o amor (love).
A manhã de segunda-feira amanheceu.
O fim do baile significava que o exame SAT, realizado anualmente durante a primeira semana de junho, estava logo ali na esquina. Depois disso viriam os exames finais e, quando estes terminassem, chegariam as férias de verão. E quando as férias de verão acabassem, eles finalmente se tornariam veteranos, alunos do quarto ano.
Jeong-in pegou um Pop-Tart como de costume e o colocou na boca sem nem mesmo aquecê-lo. Enquanto mastigava o pedaço de carboidrato com sabor de morango, ele organizava mentalmente sua lista de tarefas: trabalhos que precisavam ser entregues, matérias que exigiam revisão e o cronograma dos exames finais.
Tendo aprendido sobre relacionamentos através de livros, Jeong-in leu uma vez uma frase: um bom relacionamento é aquele em que ambas as pessoas crescem juntas, sem negligenciar seu crescimento individual. Sua determinação em evitar que seu relacionamento com Chase se tornasse um obstáculo em sua vida era inabalável.
Assim que abriu a porta da frente com a mochila no ombro, viu Chase acenando do outro lado da rua.
— Jeong-in!
O cabelo dourado de Chase balançava suavemente na brisa da manhã. Por um momento, ele teve a ilusão de ver uma cauda peluda abanando atrás dele. Exatamente como um retriever esperando por seu dono. O pensamento o fez sorrir sem perceber.
Mas Jeong-in rapidamente voltou à realidade. Embora estivesse feliz por ver Chase aparentemente vindo buscá-lo, ele também estava perplexo.
— Chase.
Ele lançou-lhe um olhar de descrença. Depois de concordarem em manter o relacionamento em segredo, ele aparece na casa dele logo no dia seguinte para buscá-lo?
— Nós concordamos em manter isso em segredo.
— Mas o que podemos fazer? Sua bicicleta está quebrada.
Os olhos de Jeong-in se arregalaram.
— O quê? Minha bicicleta?
— É. Está quebrada, não está?
— De jeito nenhum! Acabei de pagar 30 dólares para consertar a corrente não faz muito tempo!
Esta era a primeira vez que ele ouvia que sua bicicleta estava quebrada. Jeong-in dirigiu-se apressadamente para o abrigo ao lado de sua casa, onde guardava a bike. Mas ela estava lá, perfeitamente bem.
— O quê? Ela está completamente normal.
Antes que Jeong-in pudesse terminar de falar, Chase esticou sua perna longa e empurrou gentilmente a bicicleta com a ponta do pé. A bicicleta tombou lentamente para o lado e então encostou na parede com um baque. Mesmo assim, não havia como ela estar realmente quebrada.
— Viu? Está quebrada. Ora essa… não consegue nem ficar em pé direito.
Jeong-in explodiu em uma risada diante da expressão casual e da afirmação descarada de Chase. Era permitido que esse homem tão grande parecesse tão fofo? Ele deve ter se apaixonado perdidamente.
Jeong-in assentiu com uma expressão séria, entrando no jogo.
— Você tem razão. Parece quebrada demais para ser usada.
Assim que ouviu essas palavras, Chase sorriu brilhantemente, como a luz do sol. Parecia que até o ar ficara mais leve.
Assim que Jeong-in entrou no banco do passageiro, Chase se inclinou para perto e estendeu o celular.
— Vamos tirar uma foto.
— Uma foto?
— Quero colocar nossa foto como plano de fundo do meu celular.
Jeong-in deu uma risadinha diante do pedido inesperado.
— Por quê? Você viu o Brian Cole fazendo isso e ficou com ciúmes de novo?
Chase hesitou por um momento e depois deu de ombros. Parecia que ele também tinha seus próprios ideais românticos sobre namoro. Jeong-in não pôde evitar sorrir. Parecia que haviam encontrado um ponto de conexão inesperado.
— Tudo bem, olhe para cá, Jeong-in.
Enquanto Chase esticava o braço naturalmente para ajustar a tela, Jeong-in tirou os óculos rapidamente.
Logo, a tela capturou os dois lado a lado: Jeong-in com uma expressão um pouco rígida e olhos arregalados, e Chase com um sorriso radiante e de pura felicidade.
Aquela foto logo se tornou o plano de fundo nos celulares de ambos.
— Me deixe aqui.
Jeong-in apontou para a última esquina antes de chegar à escola. Era o tipo de comportamento típico de adolescentes que não querem que seus amigos os vejam com os pais.
Chase, ainda segurando o volante, assumiu uma expressão exageradamente magoada.
— Filho, você tem vergonha do seu papai?
Jeong-in riu e deu um soco leve no ombro de Chase.
— Pare de brincar. Só me deixe sair logo.
O carro parou e Jeong-in abriu a porta rapidamente e saiu. Mas, naquele momento, a travessura de Chase atacou novamente. Chase gritou para as costas de Jeong-in enquanto ele se afastava, segurando a alça da mochila:
— Nosso filho! Lembre-se de levantar a mão ao atravessar a rua! Você guardou seu Lunchable?
Lunchables eram um tipo de lanche pronto popular entre crianças do primário. Parecia que ele estava determinado a envergonhá-lo.
Jeong-in virou-se com o rosto chocado e sussurrou alto:
— Chase!
Chase manteve calmamente um sorriso relaxado e acrescentou mais uma coisa:
— Vou sentir sua falta, bebê.
Mal terminou de falar e o Porsche prateado passou em disparada por Jeong-in como se estivesse fugindo.
Jeong-in balançou a cabeça como quem pensa “que patético”, mas um sorriso suave encontrou o caminho de seus lábios.
Assim que começou a caminhar lentamente em direção à escola, um Volvo prateado parou ao seu lado. A porta se abriu e um rosto familiar emergiu.
— Jay!
Justin aproximou-se de Jeong-in, inclinando a cabeça com curiosidade. Ele parecia intrigado ao vê-lo caminhando para a escola sem sua bicicleta.
— Onde está seu namorado? Por que você está andando?
— Pedi para ele me deixar aqui agora há pouco. Justin, você precisa cuidar do que diz também.
Jeong-in o advertiu, levando o dedo indicador aos lábios. Justin fez um sinal de “OK” brincalhão, depois se curvou e olhou ao redor, fingindo ser um espião.
A escola após o baile tinha uma atmosfera um tanto instável.
Pessoas que não eram casais caminhavam como se estivessem juntas, e a atitude de muitos em relação aos outros tornara-se estranha, como se algo tivesse acontecido no fim de semana. Talvez alguns amores não correspondidos tivessem sido concretizados, ou algumas pessoas tivessem sido rejeitadas.
Enquanto observavam os alunos se reunindo em grupos no gramado, conversando, Justin perguntou de repente a Jeong-in:
— A propósito, você viu o Wincrest Wire?
O Wincrest Wire era um Tumblr operado anonimamente onde circulavam fofocas da escola. Pensando bem, ele não o verificava há um tempo.
— Não, por quê?
— Acontece que Vivian Sinclair acabou se tornando a Princesa, afinal.
Justin segurou o telefone para mostrar a tela a ele.
#VoandoSolo.
Lá estava Vivian, que aparecera sozinha, sem parceiro, ostentando orgulhosamente uma tiara. Brian Cole ficara com a posição de Príncipe.
Eles haviam dito que selecionariam um Rei e uma Rainha entre os alunos do terceiro ano também, mas, no fim, criaram títulos separados de Princesa e Príncipe para formar a realeza do baile.
Talvez — não, certamente — Vivian deve ter ficado bastante atônita com o fato de Chase não ter aparecido. Mas, na foto, não havia vestígio de tais sentimentos em seu rosto.
Ela estava perfeita como sempre. Uma expressão sem sequer um tremor de sobrancelha, um sorriso confiante como se sempre tivesse sido assim.
Ser capaz de manter a compostura e não se perder mesmo nos momentos mais difíceis parecia, de certa forma, bastante notável.
— Ela também lançou um canal no TikTok e no YouTube. Postou um vídeo da maquiagem do baile no TikTok e ganhou mais de 50.000 seguidores no fim de semana. E já acumulou quase 20.000 inscritos no YouTube.
Ela dissera que ia se tornar uma influenciadora, e parecia que agora estava começando a sério. Deixando de lado o que fizera a Jeong-in e incidentes passados, sua abordagem proativa para forjar seu próprio caminho era admirável.
Justo quando pensava nisso e entrava no corredor, falando no diabo, ele avistou Vivian e Madison caminhando lado a lado.
Madison acenou alegremente para Jeong-in e, como se atraída por esse movimento, o olhar de Vivian voltou-se na direção deles.
Jeong-in tentou agir com confiança. Afinal, ele não fizera nada de errado.
Mas, quando seus olhos realmente se encontraram, foi Vivian quem desviou o olhar primeiro. Pode ter sido uma ilusão momentânea. Mas, claramente, havia algo diferente em sua energia. Ela parecia, de alguma forma, murcha.
— O que é isso? Por que ela parece um gato doméstico hoje em vez de um leopardo?
Justin parecia ter notado a mesma coisa.
Naquele momento, Chase entrou no corredor vindo de sabe-se lá onde passara seu tempo.
Os olhos de quase todos os alunos no corredor convergiram para eles — mais precisamente, para Chase e Vivian. Como todos pensavam que eram um casal oficial, mas apenas um deles aparecera sozinho no baile, era naturalmente um motivo de curiosidade.
E então aconteceu algo que estimulou ainda mais o interesse dos espectadores.
Vivian, ao ver Chase, fingiu completamente não vê-lo. Não foi apenas desviar o olhar; ela virou o corpo totalmente e mudou de direção em direção aos armários.
Um silêncio estranho caiu sobre o corredor. Jeong-in estava igualmente surpreso.
“Vou garantir que esse nome nunca mais saia da sua boca.”
Ele se lembrou do que Chase dissera após a competição de matemática. E de suas palavras sobre encontrá-la no sábado para colocar um ponto final. Que tipo de desfecho ele havia alcançado que os tornara piores do que estranhos?
Chase aproximou-se diretamente de Jeong-in, como se nada mais fosse visível para ele. Apesar de terem concordado em manter o relacionamento em segredo, seus olhos azuis sorriam com enormes corações flutuantes neles.
— Olá.
— Press!
Justin ofereceu um soco de punho a Chase. Na verdade, ele sempre quisera tentar isso sozinho depois de observar Chase e seu grupo se cumprimentarem assim.
Chase naturalmente ergueu o punho e o bateu contra o de Justin. Então ele acenou levemente em saudação.
— E aí, Jus.
Justin sussurrou para Jeong-in com uma voz que parecia que ele estava sendo estrangulado:
— O Chase Prescott abreviou meu nome!
— Acalme-se, você vai ter um ataque cardíaco.
Chase olhou para os dois nerds fazendo alvoroço como se os achasse fofos. Justo então, Vivian Sinclair se aproximou.
— Precisamos conversar.
Conforme Vivian se aproximava, Justin recuou gradualmente até desaparecer.
O desfecho não tinha corrido bem? Enquanto Jeong-in se afastava silenciosamente para dar espaço a eles, Vivian deu um passo à frente.
— Estou falando com você, Jay. Lim.
A pessoa para quem Vivian estava olhando não era Chase, mas Jeong-in.
A testa de Chase franziu-se bruscamente. Ele parecia pronto para intervir com um “se você tem algo a dizer, diga para mim”. Mas o orgulho de Jeong-in não permitiria. Ele podia se sustentar sozinho. Não precisava de um cavaleiro para lutar suas batalhas.
— Vá para a aula. Sua primeira aula é no prédio de humanas, certo?
Diante das palavras firmes de Jeong-in, Chase ficou ali parado, parecendo confuso e incapaz de se mover. Jeong-in empurrou o peito dele. O toque gentil fez o gigante de 1,95 m dar um passo atrás.
Jeong-in voltou seu olhar para Vivian.
— Vamos a um lugar tranquilo.
Vivian assentiu silenciosamente em concordância.
E assim os dois começaram a caminhar pelo corredor em uma atmosfera carregada de tensão.
Todos os olhos ao redor estavam fixos neles. Alunos sussurravam entre si enquanto observavam a situação, e alguns até pareciam estar filmando secretamente com seus telefones.
Não seria surpresa ver uma manchete como “Ex-namorada de Prescott vs. Namorado atual: O prelúdio da batalha” no Wincrest Wire.
Os dois pararam sob uma grande sequoia, a uma pequena distância do prédio da escola. Quebrando a atmosfera tensa, Vivian falou primeiro.
— O Chase foi me ver. Mesmo tendo dado um bolo na parceira do baile, ele era quem estava cheio de raiva.
Jeong-in esperou silenciosamente pelo que viria a seguir dos lábios de Vivian.
— Eu estava me perguntando o que tinha feito de errado, quando a Madison mencionou algo. Que você pode ter me entendido mal.
— …Entendido mal?
— Como se eu fosse até a sua mãe para tirar você do armário ou algo assim.
Vivian falou calmamente, como se tal intenção nunca tivesse passado por sua mente, nem de leve.
— Bem? Não era isso?
Diante da pergunta de Jeong-in, Vivian bufou como se fosse um absurdo.
— O quê? Como você pode ver as pessoas assim? Outing? Você acha que eu faria uma coisa dessas? A indústria em que eu quero trabalhar tem todos os tipos de sexualidades. Se bobear, heterossexuais são os mais raros.
Jeong-in achou a atitude de Vivian absurda, pois ela ainda estava pensando apenas em sua própria posição. Jeong-in deu uma risada oca.
— Você não tem algo mais que deveria dizer primeiro?
Diante da observação direta de Jeong-in, os lábios de Vivian tremeram e seus olhos gradualmente ficaram vermelhos. Ela parecia do tipo que preferiria morrer a pedir desculpas. Era algo bem previsível.
— Eu já fui punida o suficiente. Tive que ir ao baile pateticamente sozinha, sem um parceiro, e o Chase parece determinado a nem sequer me tratar como um ser humano. Ele disse que, de agora em diante, não haveria nada entre nós, nem amizade, nada — apenas ar!
Sua expressão furiosa, cheia de perda, raiva e ressentimento, parecia estranhamente familiar. Ela se assemelhava à filha única mimada de uma família nobre de um drama de época, que cresceu cercada de luxo e maltratava rotineiramente seus criados.
— Eu não vou mais incomodar você nem ficar no seu caminho — continuou Vivian com a voz trêmula. — …Apenas não fale mal de mim para o Chase.
Um peso se instalou em um lado do peito de Jeong-in. A Vivian diante dele parecia derrotada, mas, estranhamente, isso não fazia Jeong-in se sentir melhor.
Ela provavelmente sempre pensou que era natural estar com o Chase. Afinal, eles brincavam juntos desde bebês. Ela provavelmente nunca considerou, nem por um momento, a possibilidade de que o Chase pudesse desaparecer de sua vida.
Na verdade, o Chase não era um pouco responsável pela arrogância e prepotência da Vivian?
Chase tendia a ser excessivamente indiferente e cínico em relação a tudo, exceto ao que lhe interessava. Ele sabia que a Vivian era maldosa com as pessoas ao seu redor, mas permitia que isso acontecesse.
Ele até dizia abertamente que a personalidade desagradável dela facilitava a vida dele. Por mais que Jeong-in gostasse do Chase, ele não podia deixar de achar esse aspecto dele patético.
Mas, deixando essa questão de lado e refletindo sobre tudo o que Vivian dissera até agora, não houve menção alguma a Jeong-in. Do começo ao fim, era tudo apenas autopiedade.
— Você ainda está falando apenas de si mesma. Você precisa aprender a pedir desculpas primeiro.
O rosto de Vivian endureceu diante da crítica afiada. Ela parecia alguém recebendo esse tipo de comentário pela primeira vez na vida.
Jeong-in balançou a cabeça, como se qualquer conversa adicional fosse inútil.
— Se você não tem mais nada a dizer, eu vou indo.
Assim que Jeong-in se virou e deu o primeiro passo, a voz de Vivian veio de trás.
— …Sinto muito!
Os passos de Jeong-in hesitaram.
— Pronto! Eu disse! Está feliz agora? Agindo de forma tão calma e gentil na frente dos outros! Seu nerd de duas caras!
Vivian bufava como se se sentisse injustiçada.
Se o mecanismo de defesa de Jeong-in era a esquiva, o de Vivian parecia ser o ataque. Ela era do tipo que aumentava o tom de voz quando encurralada.
— Isso foi melhor do que antes. Eu aceito suas desculpas.
— Não aja com tanta superioridade!
Observando-a estremecer com os ombros erguidos, estranhamente, Jeong-in não tinha mais medo dela. Na verdade — e isso era algo realmente engraçado de se dizer —, ele até a achava um pouco fofa.
Ao entrar no prédio, ele viu Chase andando de um lado para o outro no corredor com o rosto preocupado. Ele parecia estar esperando por ele. Jeong-in correu para o seu lado com um sorriso brilhante.
A expressão tensa de Chase suavizou-se gradualmente quando ele se virou para olhar para Jeong-in, e um sorriso de alívio apareceu em seu rosto.
Seus olhos azuis afetuosos brilharam intensamente com a luz.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Othello&Belladonna
Ler 7 Minutes of Heaven (Novel) Yaoi Mangá Online
Aviso: ※ Conversas em coreano são expressas usando 〈 〉, enquanto conversas em inglês e outros idiomas utilizam travessão —
Sinopse:
Lim Jeong-in é um nerd acostumado a ser tratado como se fosse invisível na selva do ensino médio. Ele participa de duas atividades de clube com seu melhor amigo, Justin Wong. Uma é o clube de matemática ‘Mathleet Society’, e a outra é o ‘Clube de Ódio ao Chase’.
— Longa vida ao Clube de Ódio ao Chase.
Escrever um ‘livro da vergonha’ que repete boatos sobre o maior galã da escola, Chase Prescott, era um dos pequenos prazeres dos dois nerds. No entanto, através de uma reviravolta inesperada, o caderno de Lim Jeong-in é descoberto por Chase.
Mas, em vez de ficar zangado, Chase demonstra interesse por Jeong-in.
— Você é realmente engraçado.
— O livro? Quando você vai devolvê-lo?
— Hmm. Quando você parar de me odiar?
Ironicamente, o relacionamento que começou com o livro da vergonha torna-se gradualmente especial e, à medida que Jeong-in descobre os lados ocultos de Chase, ele se vê cada vez mais atraído para o mundo dele.
[Então, você gosta um pouco mais de mim agora?]
A verdade é que você me cativou não apenas agora, mas muito antes. Desde o momento em que bati os olhos em você pela primeira vez.
Jeong-in entra em confusão ao encarar seus verdadeiros sentimentos, que ele deliberadamente ignorou e escondeu até agora. Amizade, estudos e uma paixão de longa data.
Nesse relacionamento instável com alguém que abala todo o seu mundo, será Jeong-in capaz de manter o seu lugar?
Nome alternativo: 7 7 Minutes In Heaven