Ler Diamond Dust (Novel) – Capítulo 67 Online

↫─Capítulo 04 — Novamente, para o Mar
Ao cair da noite, a neve quase derreteu. Apenas os montes de neve que as pessoas haviam acumulado nas bordas da estrada antes dos limpa-neves passarem permaneciam aqui e ali em aglomerados sujos. A vista não era tão diferente da Coreia.
Como prometido, Lau estava esperando em frente a uma loja em reforma, a uma curta distância do Tout. Apoiado em um carro prata fosco e fumando um cigarro, ele estava vestido com um tricô leve de cashmere preto e jeans, sem sobretudo.
Yihyun apressou o passo, com os olhos fixos nele. Como se estivesse vigiando a entrada do Tout o tempo todo, Lau também observou Yihyun se aproximar, atravessando diagonalmente a estrada estreita. Ele apagou o cigarro, abriu a porta do lado do passageiro e jogou a bituca no cinzeiro interno.
Parado diante de Lau, Yihyun olhou para o carro por cima do ombro e perguntou.
— Este é o seu carro, CEO-nim?
Lau hesitou por um momento antes de assentir.
O carro com vidros escuros, embora fosse de uma marca de luxo, era um modelo comumente visto nas ruas de Paris, não um sedan grande e chamativo que se destacaria particularmente. Yihyun sentiu o rosto esquentar, pensando que podia adivinhar por que Lau, que certamente poderia ter comprado um modelo de categoria superior, havia se contentado com aquele.
— Você deveria ter esperado lá dentro, então. Está frio.
— Eu só saí para fumar um cigarro.
Mexendo no colarinho do casaco de Yihyun, que estava perfeitamente em ordem, Lau não conseguiu esconder o sorriso.
— É esse o cara?
— ……
Como se não pudesse esperar por uma apresentação formal, o garoto que estava parado a uns dois passos atrás de Yihyun de repente deu um passo à frente e sussurrou no ouvido de Yihyun.
Lau não fez esforço para esconder a curiosidade sobre a identidade do garoto, alternando o olhar entre ele e Yihyun.
— Ah… este é o Nicholas, do mesmo grupo. Eu disse a ele que meu namorado… viria me buscar e que eu tinha que sair cedo, e ele disse que estava curioso e pediu uma apresentação… Esse garoto é tão teimoso…
Ao contrário de Yihyun, cujas orelhas ficaram vermelhas conforme sua voz sumia na palavra namorado, o rosto de Lau se iluminou. Ele abandonou a expressão rígida e ofereceu prontamente um aperto de mão a Nick, cumprimentando-o simplesmente em inglês.
— Prazer em conhecê-lo. Eu sou Lau WiKūn.
Nick, por outro lado, hesitou, olhando para ele com cautela antes de apertar sua mão.
O olhar de Lau demorou-se por um momento no ombro de Nick, que estava pressionado firmemente contra o braço de Yihyun.
— Bem… você também é bonito, hyung.
Yihyun soltou uma risadinha ao olhar para Nick, que estava se esforçando para agir de forma legal e indiferente, apesar de estar claramente intimidado após ver Lau pessoalmente.
— Mas hyung, esse cara é suspeitamente bonito. Meu pai sempre dizia que pessoas assim ou são vigaristas ou galinhas…
— Nick, você disse que seria educado.
Lau observou com diversão enquanto Yihyun baixava a voz para repreender Nick. Ele então puxou naturalmente Yihyun, que estava parado à sua frente, para o seu lado e envolveu os ombros dele com o braço.
— Vou aceitar suspeitamente bonito como um elogio. Mas embora eu não possa falar pela parte do vigarista, definitivamente não sou um galinha, então você não precisa se preocupar com isso.
A expressão e o tom de Lau eram brincalhões, mas Nick não conseguiu esconder o espanto.
Nick, com o rosto corado, reclamou que Yihyun deveria ter avisado que o homem falava francês. Mas era algo que nem Yihyun sabia, então ele não poderia tê-lo avisado. Pensando bem, ainda havia muitas coisas que não sabiam um sobre o outro.
— Você disse que só queria ver o rosto dele. Está satisfeito agora?
Yihyun virou Nick pelos ombros e o empurrou em direção ao Tout.
— Adieu!
Acenando em despedida, Nick olhou para Lau, fez um leve aceno com a cabeça e desapareceu pela entrada do Tout como se estivesse fugindo.
Foi Nick quem foi rude, mas era o rosto de Yihyun que ficava cada vez mais quente.
— Sinto muito. Você deve ter ficado surpreso.
— Ele é um adolescente. E… ele parecia estar dizendo isso por preocupação com Seo Yihyun, então.
Lau deu de ombros como se não fosse nada com que se preocupar. Então, com a mão que tinha enfiado no bolso de trás do jeans, ele puxou gentilmente as costas de Yihyun e abriu a porta do passageiro para ele.
Passando para o lado do motorista e entrando, ele afivelou o cinto de segurança e disse.
— Eu só conhecia o Seo Yihyun que era sempre o dongsaeng e o caçula. Ver o Seo Yihyun hyung foi revigorante.
— Eu farei vinte e quatro anos em alguns dias, sabe.
— Certo. Vinte e quatro.
Antes de ligar o motor, ele virou o corpo para encarar Yihyun. Estendendo a mão, ele alisou suavemente a franja de Yihyun com a ponta dos dedos e murmurou novamente, baixinho: Vinte e quatro…
— Porque eu, tolo, joguei fora toda a chance de estar com o Seo Yihyun de vinte e três anos.
— ……
Como se acordasse subitamente de um sonho, ele estudou a expressão de Yihyun, parecendo se arrepender das palavras que escaparam. Pensando que havia sobrecarregado o coração de Yihyun, ele tentou mudar o clima, mudando deliberadamente de assunto com um tom mais alegre ao ligar o motor.
— O Nicholas, ele é aquele modelo, certo? A terceira peça da série Colorful Ghosts.
— Uh… hum. Sim.
Girando o volante para fazer duas curvas consecutivas à direita, Lau olhou brevemente para cá.
— As obras que você lançou. Embora eu não pudesse comprá-las, eu estava acompanhando todas elas.
Yihyun havia se preparado acreditando que Lau estava vigiando suas atividades de algum lugar, mas como em todas as coisas, ele nunca poderia ter 100 por cento de certeza. Mas ele realmente estivera vigiando.
Yihyun mexeu na alça da bolsa em seu colo e roeu o lábio inferior.
— Ele deve ter passado por um momento difícil após sua manifestação como ômega. Visto que ele se juntou ao grupo mesmo sendo tão jovem.
— Você consegue perceber… imediatamente que ele é um ômega?
À pergunta de Yihyun, Lau não deu uma resposta específica, apenas sorrindo levemente enquanto olhava para frente.
No passado, Inwoo dissera que ele era um detector de ômegas mais preciso do que uma análise genética. Além disso, agora que o próprio Yihyun adquirira uma quantidade considerável de conhecimento sobre alfas e ômegas, ele sabia que um alfa dourado do calibre de Lau poderia distinguir o gênero secundário de uma pessoa quase sem falhas, mesmo sem feromônios.
Ele agora também sabia por que Lau continuava supondo que ele, um beta, era um ômega. Os cheiros que Lau, que ainda era tão seco com as palavras em um certo ponto no passado, havia revelado a ele. Aquilo em si fora uma expressão de interesse e atração por ele.
Os modelos da série Colorful Ghosts eram todos pessoas que ele conhecera no Late Manifestation. Pessoas que, pelo menos uma vez, consideraram-se monstros e mergulharam nas profundezas do desespero.
No final do outono passado, Nick finalmente contou à sua família sobre sua manifestação. Depois disso, ele permaneceu afastado de seu pai, mas uma mudança finalmente começou a ocorrer recentemente. Claro, os esforços consideráveis de Bobo foram parte desse processo. O pai antes teimoso de Nick estava tentando lentamente aprender sobre alfas e ômegas. E, como um pequeno fruto de seus esforços mútuos, Nick compareceu à festa de hoje com toda a sua família.
O pai de Nick manteve uma expressão tensa durante toda a festa, mas parecia um pouco aliviado depois de conhecer ômegas masculinos que, para seus padrões, pareciam homens normais.
Para ele, que viveu toda a sua vida em um ambiente que classificava as pessoas em apenas dois gêneros, masculino e feminino, mesmo em um mundo onde alfas e ômegas claramente existiam, e que definia estritamente masculinidade e feminilidade dentro deles, talvez essa fosse a melhor forma de aceitação.
Consolando-se com o fato de que seu filho poderia pelo menos continuar a parecer masculino por fora, e conformando-se com o estado atual das coisas.
Mas em poucos anos, na próxima geração, esperando que um ambiente um pouco melhor pudesse ser estabelecido, grupos como o Late Manifestation e indivíduos estavam silenciosa e firmemente fazendo o que tinham que fazer, mantendo sua posição.
Enquanto ele contava calmamente essas coisas, o carro já havia saído do distrito de Marais e dirigia com o canal à sua esquerda.
— Embora eu tenha vindo até aqui e rondado você, eu nunca importunei a Yuni por notícias suas ou te segui. Eu não fazia ideia de que você frequentava um grupo como esse.
Lau, que ouvira apenas uma breve explicação de Yihyun pela manhã, estava se esforçando para não demonstrar, mas parecia profundamente impressionado. Era provavelmente porque ele tinha uma ideia de por que Yihyun se tornara um membro do Late Manifestation.
— O Bobo não só me ajudou a me adaptar ao grupo, mas também ajudou muito com a vida em Paris em si. Quando eu disse que o Kūn estava vindo de Seul e que eu provavelmente teria que sair um pouco mais cedo… o Bobo na verdade queria ver o Kūn também. Ele perguntou por que eu não o trouxe junto…
— Ele está certo. Você deveria ter me convidado.
— Eu achei que você ficaria desconfortável… E hoje, seus olhos estavam daquele jeito também.
— Bem, eu não posso evitar os olhos… mas ainda assim, se eu pudesse ser apresentado às pessoas que estão formando relacionamentos com o Seo Yihyun atual e influenciando umas às outras, eu ficaria mais do que honrado.
Lau, que ainda não conseguia se livrar completamente de sua expressão atordoada enquanto falava, não parecia estar fazendo conversa fiada.
Diferente de quando usava transporte público, levou menos de 20 minutos para ir do Tout ao The Hands. A distância que diminuía rapidamente não era nada além de uma pena.
Era tarde, então a rua em frente ao The Hands já estava lotada de carros estacionados. Depois de parar temporariamente o carro na entrada do beco mais próximo, nenhum dos dois parecia disposto a sair.
Depois de se virarem um para o outro e apenas mexerem nas mãos um do outro, enrolando o tempo, Yihyun chegou ao pensamento de que seria difícil para Lau sugerir qualquer coisa a ele primeiro.
— Você quer… subir um pouco?
Os olhos de Lau se arregalaram, como se estivesse um pouco surpreso.
— Tudo bem? Você não está cansado?
— Você está cansado?
— ……Não.
À pergunta de Yihyun, Lau sorriu e balançou a cabeça. Enquanto estivessem um ao lado do outro, seu estado de excitação não deixava espaço para sentir cansaço.
Cerca de dez minutos depois, os dois saíram do carro. Lau vestiu o casaco e caminhou até a calçada onde Yihyun estava parado. O beco estava menos lotado do que aquele no Marais onde o Tout ficava, e havia mais neve sobrando. Era porque o beco era estreito e não recebia sol suficiente.
Parando em frente a Yihyun, Lau pegou as mãos sem luvas de Yihyun nas suas e acariciou as costas delas.
— Você estava sempre sem cachecol ou luvas, e isso partia meu coração.
— ……
Sabendo que ele estava falando de si mesmo observando de onde estava escondido, Yihyun baixou o olhar e sorriu.
— Os invernos aqui não são tão frios, então eu estava bem.
Parecia que ele podia ver os tempos em que Lau deve ter sofrido, culpando-se até pelo frio que Yihyun sentia.
Quando ele levantou a cabeça novamente, Lau puxou suavemente as mãos que segurava e se aproximou. As pontas de seus narizes se tocaram primeiro, então seus lábios se encontraram cuidadosamente. Seus lábios estavam quentes por terem estado no carro até um momento atrás. Quando ele apertou a mão de Lau com força, a cabeça de Lau se inclinou e seus lábios se pressionaram mais profundamente. A sensação de cócegas de suas membranas mucosas se roçando fez seus ombros estremecerem.
Ao gemido baixo que ecoou de sua garganta sem que ele percebesse, ele sentiu os feromônios que floresceram repentinamente do corpo de Lau.
Ao mesmo tempo, seu corpo ficou tenso. Pressionando os lábios firmemente uma última vez como se carimbasse um selo, ele se empertigou e passou o polegar pelos lábios de Yihyun.
— Cof, cof, vamos lá.
O rosto dele estava sem jeito enquanto limpava a garganta, cobrindo a boca com o punho levemente cerrado. Ele era desconhecido e fascinante, tão cauteloso como um garoto desajeitado tentando esconder sua excitação.
Talvez ele estivesse encarando de forma um pouco intensa demais, porque enquanto Lau puxava sua mão em direção ao The Hands, ele mordeu o lábio inferior como se para esconder o constrangimento. Até o sorriso preso entre seus lábios era mais reminiscente de um garoto menos maduro do que de um homem adulto sofisticado.
Uma risadinha escapou dos lábios de Yihyun também.
— O quê. Por que você está rindo, hein?
Ele puxou o braço de Yihyun e envolveu sua cintura com os braços, fazendo cócegas nele.
— Porque você… sorriu primeiro, CEO-nim.
Yihyun contorceu o lado do corpo e agarrou o ombro de Lau. Fazia cócegas. Era tarde da noite, então ele mordeu o lábio para não rir muito alto. Dobrando o tronco todo para frente, Yihyun finalmente escapou dos braços dele, ajustou a alça escorregada da bolsa e puxou a mão de Lau, caminhando de costas em direção ao The Hands. Ele o seguiu obedientemente. Eles não tiraram os olhos do rosto um do outro nem por um segundo.
— Seo Yihyun! Chefe!
— ……
A voz era familiar e, ao mesmo tempo, a situação era inesperada. Yihyun parou de caminhar e virou o corpo em direção ao The Hands. Yuni estava parada nos degraus, acenando. Michelle estava com ela.
Com a mente momentaneamente confusa, Yihyun olhou para trás, para o homem atrás dele. Ele parecia um pouco… grande demais para se esconder. Ele instintivamente tentou soltar a mão que segurava, mas Lau a apertou com mais força, sobrepondo suas palmas. Então ele puxou Yihyun consigo e tomou a dianteira.
Não era como se tivessem cometido um crime, nem Yuni estava completamente alheia ao relacionamento passado deles. Mas a história que ele teria que explicar era longa demais.
Lau definitivamente dissera que ninguém sabia que ele estivera viajando entre Paris e Seul todo esse tempo. Além disso, Yuni certamente pensava que o relacionamento dele com Lau estava, no mínimo, temporariamente suspenso.
Ele estava sem saber por onde e como começar a explicar essa situação, onde estava ali de repente com Lau, de mãos dadas e brincando em uma rua à noite (ele sabia que para os outros não pareceria outra coisa).
— Você está voltando do Tout?
— Uh… uh, sim.
Mas ela, que estava sorrindo para Yihyun como se soubesse de tudo e estivesse feliz por ele, parecia já saber de toda a história. Ela não mostrou nenhum sinal de surpresa com a aparição súbita de Lau. Reagiu como se ele frequentemente trouxesse Yihyun para a frente do The Hands, exatamente como ela e Michelle estavam fazendo.
— Você é a Michelle, certo?
— Sim, olá.
— Eu queria organizar um encontro formal, mas acabamos nos encontrando assim. É um prazer conhecê-la.
Sem precisar de apresentações, Lau e Michelle se cumprimentaram e trocaram algumas piadas sobre Yuni, rindo. Não eram piadas maldosas. Mas talvez preocupada que um Lau travesso pudesse revelar algo do seu passado oculto para Michelle, Yuni empurrou o ombro de Lau para fazê-lo virar e então empurrou as costas dele em direção às escadas.
— Certo, não vamos atrapalhar os encontros uns dos outros. Podem entrar primeiro.
Rindo dos dois, Yihyun trocou bises com Michelle e subiu as escadas. Ele estava confuso com o que estava acontecendo, mas ficou aliviado por ter conseguido passar pela situação sem constrangimento por enquanto.
Deixando Lau acenar para Michelle no pé da escada, Yihyun abriu a porta com sua chave. Embora muitos apartamentos antigos em Paris estivessem instalando fechaduras digitais na entrada do térreo, o The Hands ainda mantinha as chaves.
Empurrando a pesada porta da frente para dentro e segurando-a aberta com as costas, Yihyun gesticulou para ele entrar. Ele entrou no lobby com uma expressão levemente tensa. Caminhou lentamente até o centro do saguão mal iluminado, olhando ao redor com cuidado. Era tarde, então todas as portas das salas de exposição estavam trancadas, e era um lobby pequeno com pouco para se ver.
Yihyun enfiou as mãos nos bolsos do casaco e puxou o cotovelo de Lau, que estava encarando fixamente a porta fechada da sala de exposição principal.
— Não há nada para beber no meu quarto. Há uma cozinha comunitária no segundo andar. Vamos passar lá por um momento.
Como dois ou três quartos haviam sido derrubados e ampliados, a cozinha sem aquecimento estava tão gelada quanto o lado de fora.
Enquanto Yihyun acendia a luz e pegava um post-it e uma caneta da bolsa para escrever,
— Ben, pegando duas cervejas emprestadas.
Lau olhou cuidadosamente ao redor da cozinha simples.
Depois de terminar o bilhete, Yihyun pegou duas cervejas geladas da geladeira e colou o post-it ao lado da maçaneta.
— Você parece ser muito próximo das pessoas.
Ele, que estivera lendo as regras da cozinha postadas na parede, aproximou-se bem ao seu lado em algum momento e disse, com os olhos percorrendo o bilhete.
— Nós nos tornamos próximos. Estou aqui há mais de um ano, afinal.
— Hmm.
Talvez ele estivesse até preocupado com a personalidade pouco sociável de Yihyun. Embora Yuni tivesse vindo para cá com ele, ela não podia segui-lo como uma guardiã o tempo todo. Ele deve ter sofrido mais, imaginando Yihyun incapaz de se misturar com as pessoas, incapaz de ser absorvido por esta cidade, solitário e à margem.
A preocupação era apenas uma preocupação, e ele parecia bastante aliviado com o fato de Yihyun estar indo bem o suficiente para mostrar a flexibilidade de pegar cerveja emprestada deixando um bilhete. O antigo Yihyun teria escolhido não beber nada. Aquilo era verdade.
Ele, incapaz de desviar o olhar do bilhete por um bom tempo, usava uma expressão um tanto complexa. Não era porque a habilidade de Yihyun de se adaptar e viver bem sozinho o deixasse amargurado, mas sim um arrependimento por não poder ter compartilhado aquele tempo.
Apesar da longa ausência, as emoções que o outro sentia eram transmitidas de forma mais íntima do que antes. Por causa disso, Yihyun não tentou confortá-lo em voz alta.
— Vamos subir.
Puxando a manga do casaco dele, incapaz de dar um passo facilmente, Yihyun disse como se sussurrasse.
O apartamento estava mais silencioso do que nunca. Enquanto Yihyun abria a porta, Lau permanecia por perto, segurando duas garrafas de cerveja em uma mão, com o braço apoiado no ombro de Yihyun. Ele se sentia como um estudante universitário que trouxe secretamente um encontro para o dormitório. Não, ele estava mais nervoso do que isso. Porque era ele.
— É incomparavelmente mais humilde e menor do que o estúdio em Seul que o CEO-nim preparou para mim.
— ……
— Mas tem tudo o que preciso, e eu vivi bem o suficiente aqui… Por favor, não fique com o coração partido depois de ver.
Com a maçaneta puxada levemente para frente, Yihyun olhou para ele, buscando um compromisso prévio. Os lábios dele se moveram como se para dar uma desculpa, mas então ele relaxou os ombros e assentiu.
Ao entrarem no quarto juntos, o piso de madeira rangeu sob o peso de duas pessoas. O quarto, um retângulo estreito da porta à janela oposta, permitia uma visão completa desde a entrada.
— Talvez seja porque não há muitos móveis ou bagagem. Parece mais amplo do que eu pensava?
Ele caminhou pelo quarto sem sequer tirar o casaco, usando deliberadamente uma voz alegre. Mas Yihyun não pôde deixar de notar que ele estava chateado.
— Então este era o quarto.
Parado diante da mesa, ele se curvou e olhou para baixo da janela, murmurando para si mesmo. Parado no beco, escondido da vista, e olhando para este prédio, talvez ele tivesse tentado adivinhar qual janela era a de Yihyun.
Ele puxou uma cadeira auxiliar sem encosto que estava encostada na parede e sentou-se ao lado de Yihyun, usando a mesa como suporte. Como não havia porta-copos, manchas circulares de água das garrafas de cerveja apareceram rapidamente na mesa de madeira.
— Na verdade, antes de ir buscar o Morae, eu encontrei a Yuni primeiro.
— Ah…
— Eu queria te contar primeiro caso uma situação como a de agora acontecesse, pois achei que você poderia ficar confuso. Eu não esperava que tal situação surgisse tão rápido, no entanto.
Ele sorriu, virando-se para Yihyun, tomou um gole de cerveja e limpou a garganta. Yihyun observou seus dedos longos e limpos acariciando a superfície da garrafa de cerveja e esperou que ele continuasse.
— Depois de não nos vermos por um ano, a primeira coisa que ele perguntou, sem nem um cumprimento, foi o que exatamente estava acontecendo entre você e eu.
Ele riu, envolvendo uma mão na garrafa de cerveja e acariciando o gargalo com o polegar.
— Aquele cara, ele definitivamente não conseguia te perguntar nada, não é? Com medo de tocar em uma ferida. Mesmo quando conversávamos ocasionalmente, ele perguntava indiretamente se eu realmente não viria para Paris, mas nunca se aprofundava diretamente no nosso relacionamento.
Era como ele esperava.
— Eu não contei os detalhes a ele… sobre o Changing. Eu achei que era certo te contar depois de ter o seu consentimento. Eu apenas contei brevemente… que eu tinha feito algo muito errado com você e não merecia vir te ver.
Yihyun assentiu pesadamente. Ele entendeu a intenção de Lau de generalizar como história detalhada, mas depois corrigir precisamente para Changing, e sua determinação de não minimizar seu próprio erro.
Ele removeu a mão da garrafa de cerveja e esfregou o rosto bruscamente com a palma úmida. Então, suspirou e deixou a mão cair.
— Ele perguntou se estávamos namorando de novo agora…
— ……
— Meu coração disparou com essa pergunta.
Ele zombou, com um sorriso irônico no rosto, como se sentisse culpado até por sentir um disparo no coração.
O conflito de Lau era palpável, sentido logo ao seu lado. Yihyun hesitou antes de falar.
— Isso pode parecer um pouco presunçoso…
— ……
— Eu sei o quanto o CEO-nim deve ter querido me ver.
Lau virou a cabeça em direção a Yihyun, inclinando levemente o tronco para frente.
— E que ele queria ver pessoalmente as pinturas que desenhei aqui e colecioná-las. Antes de ser alguém que me amava, o CEO-nim era… quem mais profundamente compreendia minha arte.
Observando a umidade deixada na mesa, Yihyun mordeu o lábio inferior. Ele não podia evitar recordar os dias em que tentara aliviar um pouco da sua saudade sentando-se nesta mesa, fumando a mesma marca de cigarros que Lau fumava.
— Ele deve ter querido vir me encontrar, ver meu rosto e se desculpar inúmeras vezes, implorando por perdão. É por isso que…
Sentindo o olhar de Lau fixo nele, Yihyun não conseguia encontrar seus olhos, temendo que suas emoções surgissem rápido demais.
— Os tempos em que ele teve que esperar, desistindo de cada oportunidade de pedir perdão, de dizer que me amava, de me persuadir a recomeçar… esses tempos não foram por nenhum outro motivo senão ser uma forma de punição para o Ah Wi… eu sei disso.
Tendo terminado de falar, Yihyun inspirou e expirou profundamente, como alguém que acabara de superar um obstáculo difícil.
Seu mundo interior, nublado pelo sedimento do choque e da tristeza, estava recuperando lentamente sua clareza original, permitindo-lhe olhar diretamente para o que ele realmente desejava para o futuro. Ele havia pensado sobre isso por muito tempo.
O que lhe permitira suportar aquele tempo fora, humoristicamente, a certeza e a crença de que Lau também estava sentindo sua falta com o mesmo coração e passando por esse tempo.
Yihyun cerrou os lábios uma vez, como se solidificasse sua resolução, e então olhou para Lau.
Seus olhos azuis, de volta ao normal como se ele sempre estivesse ali, estavam fixos apenas em Yihyun. Ele não o apressava, dizendo que era insuportável, nem implorava, dizendo que o amava.
— Obrigado por esperar.
— ……
Não houve mudança na expressão de Lau. Não porque ele não sentisse nada, mas exatamente o oposto.
Lau olhou lenta e meticulosamente nos olhos de Yihyun, um após o outro. Exatamente como seu antigo hábito.
Ele engoliu em seco, como se tentasse engolir vários comprimidos de uma vez, e abriu os lábios secos.
— Quando fui diagnosticado como alfa, fui simultaneamente identificado como um ghost… e o treinamento começou para aprender como me controlar e suprimir meus desejos. Como alfa e como ghost, eu era uma ameaça para os outros. Não importa quão afetuosamente os adultos ao meu redor me tratassem, passei meus anos de formação focando apenas em como me suprimir e minimizar meus desejos… o que inevitavelmente me levou a duvidar do valor da minha própria existência, mesmo que subconscientemente.
Sua voz carecia de inflexão, como se não fosse uma história significativa, mas Yihyun ouvia com a respiração suspensa.
— Mesmo que eu não tivesse intenção de prejudicar os outros… se eles soubessem da minha verdadeira natureza, inevitavelmente quereriam me evitar…
Ele mudou sua postura, alterando sua atitude, como se observasse um passado onde teve que se separar do mundo devido a uma habilidade que nunca quis.
— Não estou dizendo que aquelas sessões de treinamento foram injustas ou desnecessárias. Elas foram, na verdade, escolhas essenciais e inevitáveis. De fato… ser capaz de transformar um beta em um ômega pode ser uma séria ameaça para a outra pessoa…
A partir do momento em que foi identificado como um ghost, ele se mudou, parou de frequentar a escola e manteve contato mínimo com alguns poucos associados próximos, mas… a coisa que ele mais temia e mais tentava evitar acabou acontecendo.
Talvez, pensou Yihyun, ele pudesse ser uma prova de fracasso que Lau não queria encarar. Claro, ele sabia que Lau nunca pensaria isso. Mas com um pouco de egoísmo adicionado, querendo se retratar como uma vítima, esse tipo de pensamento era inteiramente possível.
— É apenas que, conforme esses tempos fluíram em uma direção e se acumularam dentro de mim… eventualmente, não foi o mundo, mas eu mesmo quem começou a me ver como um ghost… é isso que quero dizer.
Ele deu um sorriso leve e amargo e ergueu a garrafa, tomando três ou quatro goles de cerveja. Uma condensação pesada escorreu pela superfície da garrafa e caiu em seu jeans. Uma sirene com um retrogosto sinistro surgiu de algum lugar distante e sumiu na distância.
Yihyun olhou para a mancha escura deixada pelas gotas de água em sua coxa.
— Eu sei como o Ah Wi se sente ao sucumbir aos feromônios… e quão estritamente você se controlou desde que era um garoto para evitar isso.
Na época, ele ouvira Inwoo dizer aquilo na festa no restaurante espanhol, mas não entendera seu significado. Um alfa suprimindo feromônios. Ele era ignorante quanto à paciência necessária para isso. Talvez achasse que era tão simples quanto apertar um interruptor.
Ele sabia agora que era semelhante à dor de suportar uma sonolência ou fome extrema. Alguns estudiosos chegaram a comparar isso com a dor de ter que suprimir um desejo súbito de defecar enquanto sofria de cólicas estomacais.
Não se tratava de desejos secundários, como querer ganhar mais dinheiro ou ter uma aparência melhor. Para alfas e ômegas, os feromônios eram uma questão de instinto e sobrevivência.
— Porque eu sei que você é alguém que lutou desesperadamente contra os feromônios para proteger sua humanidade, como você a vê… é por isso que… eu pude perdoar o erro do Ah Wi.
Os olhos de Lau, encontrando os de Yihyun, tremeram violentamente. Ele parecia alguém testemunhando um fenômeno inacreditável e espantoso de perto.
— Que o Changing, causado pela submissão aos feromônios, não era a verdadeira natureza da pessoa Lau WiKūn, mas um erro cometido por perda de direção e cegueira… Quando olhei para trás calmamente com o tempo, pude ver a situação com mais clareza. Lau WiKūn, que brandiu feromônios como uma arma e uma desculpa… pelo menos não era esse tipo de pessoa.
Agora, ele entreabriu os lábios, balançou a cabeça e estreitou os olhos.
— O que você falou em Boston… a razão pela qual o CEO-nim era diferente dos outros. A razão pela qual ele sentia uma solidão que parecia inaceitável para qualquer um… não era apenas porque ele era um alfa, mas porque ele era um ghost…
Separada do erro que ele cometera, a voz de Yihyun tremeu levemente ao pensar na solidão que seu amado carregara pesadamente ao longo da vida. No entanto, ele não queria que parecesse uma decisão tomada por fraqueza emocional. Aquilo também não era a verdade.
Yihyun baixou a cabeça.
— ……
Lau puxou sua cadeira para mais perto. Então, ele gentilmente colocou a mão sobre a de Yihyun, que repousava sobre a mesa. Seus dedos deslizaram para o espaço frouxo entre o polegar e o indicador, apertando levemente, e sua palma úmida cobriu todas as costas da mão de Yihyun.
Yihyun focou sua atenção unicamente em suas mãos unidas, temendo não conseguir conter as lágrimas se olhasse para o rosto de Lau.
— Na verdade… quando ouvi a Yuni perguntar se estávamos namorando de novo, eu senti um disparo, mas não foi só isso.
— ……
A história dele, começando por uma direção inesperada, deixou Yihyun tenso.
— Ao mesmo tempo que o disparo, uma sensação desconfortável estava chacoalhando em meu coração.
Sua mão, que estivera cobrindo gentilmente a de Yihyun, apertou o aperto com um pouco mais de força. Yihyun podia sentir a respiração dele, que se expandira grandemente em seu peito, esvaziando-se lentamente com um tremor.
— Porque eu estava preparado para esperar mais… o que aconteceu ontem à noite, e o fato de eu estar com você agora, ainda não parece real… mas isso não significa que eu apenas deixei o tempo passar sem imaginar um futuro com você. As palavras eu pertenço a você, mesmo que você não me aceite tornaram-se mais sólidas dentro de mim, e o tempo tornou ainda mais claro que meu amor por você não tem relação com a manipulação de feromônios.
Como se pedisse a Yihyun para olhar para ele, ele estendeu o braço esquerdo, que não segurava a mão de Yihyun, e o colocou no ombro dele. Com um leve puxão para dentro, Yihyun tencionou o corpo e olhou lentamente para ele.
— Após a inserção adequada, você não consegue suprimir o Changing à força, e isso é impossível entre você e eu, você sabe disso. O peso da sua resolução, decidindo reviver nosso relacionamento mesmo sabendo disso… está além da minha compreensão. Não é apenas uma questão de me perdoar e fingir que o passado nunca aconteceu. Não é insuficiente definir tal relacionamento como simplesmente namorar… foi o que pensei.
Apesar de seus esforços para permanecer calmo, uma excitação estranha parecia estar envolvendo-o lentamente em camadas. Ele parou por um momento e respirou.
O ombro direito de Lau sobrepôs o ombro esquerdo de Yihyun por trás. A distância era próxima o suficiente para Yihyun sentir a respiração descompassada dele em sua têmpora esquerda. A mão em seu ombro acariciou suavemente a ponta do queixo de Yihyun. O coração dele estava batendo forte.
— Parecia… como chamar um namorado apenas de amigo, essa palavra… não parecia se encaixar perfeitamente em nós.
Lau, cuja mão estivera acariciando seu queixo, afastou a franja caída de Yihyun e mexeu na mão de Yihyun, que ele ainda segurava sobre a mesa.
— Pode ser egoísmo, mas se o meu didi fosse alguém além de você, e se… eu tivesse que me ver desmoronar por alguém indigno de amor e a quem eu não amasse… eu… não teria sido capaz de suportar. Se tudo pelo que eu lutei desde minha manifestação se tornasse pedaços de papel por um oponente fútil…
Lau balançou a cabeça, olhando para baixo. Então olhou de volta para Yihyun.
— É porque é você quem torna minhas defesas impotentes… que eu sou tão grato. Para mim, há razões demais para que tenha que ser você.
A presença do outro, que não cabia em um simples eu te amo, era algo mais do que mera emoção. Houve erros, e era verdade que a decepção fora sentida. No entanto, eles eram desesperadamente necessários para a realização e felicidade fundamentais. Aquilo também era um fato inegável.
Ao contrário daqueles que amam sem razão, eles tinham razões demais para se amarem, razões pelas quais não podiam evitar se amarem.
Yihyun apertou a mão de Lau, que estava acariciando as costas de sua mão com o polegar. Ele entendeu o que Lau quis dizer quando disse que definir o relacionamento deles como namoro parecia insuficiente. Também era verdade que ele não havia escolhido reviver o relacionamento deles com a mentalidade de namorar por um tempo e depois decidir por um término completo se não funcionasse.
Olhando para trás, Lau nunca o fizera se sentir chateado por não entender seus sentimentos.
— Antes de conhecer o CEO-nim, minha resposta ao silêncio do meu pai era o silêncio. Se agora tenho forças para encarar a situação adequadamente, mesmo mantendo distância, é… porque o CEO-nim estava lá.
Ser capaz de desenhar novamente era semelhante a ser capaz de viver novamente. Foi Lau quem varreu suavemente o silêncio que o cercava, permitindo-lhe dar um passo de volta ao mundo e sentir o desejo de desenhar e dizer o que queria.
Ele fora quem lhe dera a tarefa mais difícil de perdoar o imperdoável, mas também quem lhe dera o presente de que mais precisava. Uma pessoa estranha.
Talvez, pensou Yihyun, ele fosse esse tipo de pessoa para Lau.
Uma fera, invencível, vivendo sozinha dentro de muros altos e sólidos, para nunca se relacionar com ninguém.
Ao imaginar a fera, suada e desconcertada com a aparição de um intruso que desmoronou levemente um lado dos muros supostamente mais fortes do mundo, muros que nenhum canhão ou general poderia romper, como um castelo de areia, Yihyun deu uma risadinha.
Diante de seu riso repentino, Lau olhou profundamente em seu rosto, curioso sobre o motivo. Talvez porque Yihyun estivesse sorrindo, Lau também sorriu sem saber o porquê. Yihyun envolveu as bochechas dele com as mãos e balançou a cabeça.
Eles eram intrusos de uma terra estranha um para o outro. Trazendo como presente exatamente aquilo de que mais precisavam desesperadamente.
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Embora o The Hands realizasse uma festa para a temporada de Natal, assim como qualquer outra galeria em Paris, a maioria dos presentes na festa na noite do dia 24 eram solteiros que viviam separados de suas famílias. Isso ocorria porque a percepção de que o Natal na França ainda é um feriado passado com a família é forte.
— Isso não está diferente do ano passado.
— Não importa nem um pouco se você pode apenas beber de graça, Ben?
Jun deu de ombros diante da reclamação de Ben.
— Por quem você toma um artista sensível como eu?
Ben retrucou.
— É uma festa só porque tem álcool e música? Olhos se procurando, tensão sexual voando de um lado para o outro! Isso não tem aqui. Isso sequer aconteceria entre pessoas que veem os rostos uns dos outros todos os dias?
— Você chama isso de sutileza…
Imperturbável pela reação de Jun, que contorceu o rosto e estalou a língua, Ben estava ocupado olhando ao redor do salão de exposição, transformado em local de festa.
Ao contrário do resmungo de Ben, a maioria das pessoas que enchiam o salão de exposição eram rostos novos. Além dos pequenos doadores convidados pela galeria e visitantes frequentes, havia um bom número de participantes que compraram os ingressos por conta própria.
As festas do The Hands eram bastante populares entre os artistas ao redor do Canal Saint-Martin e os hipsters de Paris.
— Seo Yihyun, Yihyun.
— Hein? Sim?
— Aquela pessoa que acabou de entrar, não é bonita? No que você está pensando tanto?
Voltando-se para Ben, que sacudia seu ombro, Yihyun passou a mão pelo rosto. Ele meramente havia perdido o fio da conversa devido à tensão; não estava pensando em nada em particular.
— Você está olhando para o seu relógio desde mais cedo. Nem pense em sair cedo este ano. Desta vez, com certeza vou garantir que você fique bêbado… Oh, meu Deus.
Ben, que estava com o braço em volta do ombro de Yihyun, parou de falar e olhou para cima.
— Minha tensão sexual, está bem ali.
Enquanto Ben murmurava isso, seu olhar fixou-se na entrada, onde Lau estava parado. Yihyun umedeceu os lábios com o restante do vinho em sua mão.
— Como aquele homem chegou aqui? O quê, ele parece conhecer o Reed? Ele era um dos patrocinadores? Ele parece tudo, menos um luxo comum… Por que alguém assim estaria em uma festa do The Hands, em um dia como este?
Ben murmurou rapidamente, com o braço apertado em volta do pescoço de Yihyun como se fosse sufocá-lo. Ele parecia muito mais desconcertado do que o normal.
— Ele está vindo para cá? Ele me reconheceu?
— Ben… Uh, não é isso…
Yihyun tentou explicar, mas Ben não pareceu ouvi-lo. Arrumando rapidamente sua aparência, Ben entornou o resto do vinho em sua taça em um gole só.
Lau, aproximando-se com um sorriso estampado no rosto, tinha os olhos fixos em apenas uma pessoa. Conforme ele diminuía a distância, tornava-se cada vez mais claro para quem seu olhar era direcionado.
— Feliz Natal. Você parece especialmente bonito hoje.
Parando na frente de Yihyun, Lau abraçou levemente sua cintura e beijou sua bochecha. Olhando de soslaio para os rostos de Ben e Jun, contorcidos estranhamente com surpresa e choque, Yihyun mordeu o lábio inferior. Ele não desgostava do contato físico. Mas não podia evitar que seu rosto ficasse vermelho.
Empurrando gentilmente o peito de Lau para longe, Yihyun limpou a garganta com uma tosse.
— Este é Lau WiKūn. Meu… namorado de Seul.
Os olhos de Ben e Jun se arregalaram ainda mais do que antes. Se Ben já não tivesse esvaziado sua taça, ele poderia ter derramado o vinho.
— E estes dois são… Ben e Jun, que estão hospedados conosco no The Hands.
Lau, que estava parado perto, com o braço levemente em volta da cintura de Yihyun, reagiu rapidamente quando Yihyun apresentou Jun.
— Ah, Jun! Você disse que estava ficando no quarto ao lado… É um prazer conhecê-lo.
— O hyung… falou de mim?
— Ele mencionou que tinha um dongsaeng de Hong Kong ficando na porta ao lado, mas você parece mais jovem do que eu imaginei. Para estar recebendo apoio do The Hands em tal idade, suas habilidades devem ser incríveis.
Lau não poderia deixar de saber que ser chamado de jovem não era um elogio para garotos da idade de Jun. Yihyun teve a impressão de que ele estava deliberadamente enfatizando a pouca idade de Jun. No entanto, não havia traço de brincadeira travessa em seu sorriso gentil.
— Olá. Eu sou Ben Schweiger. Que prazer encontrá-lo aqui assim.
— …O quê?
Antes que o aperto de mão desajeitado entre Jun e Lau pudesse terminar, Ben intrometeu-se entre eles.
— Uh… o Ben… viu o Kūn algumas vezes no café perto do canal.
— Ah…
Lau, tendo ouvido a explicação de Yihyun, assentiu como se entendesse o que havia acontecido e apertou a mão de Ben.
— Ele disse que tinha um amante, mas ele nunca apareceu por mais de um ano, então pensamos que o Yihyun estava apenas inventando. Pensamos que ele estava tentando bloquear quaisquer possibilidades românticas dizendo que tinha um amante, para focar em sua arte.
Diante das palavras de Ben, Lau olhou para Yihyun com uma expressão de é mesmo?. Yihyun inclinou sua taça para engolir o último gole de vinho, fingindo não notar o olhar dele.
— Claro, não sou tão tacanho a ponto de pensar que as possibilidades estão bloqueadas apenas porque alguém tem um amante.
Lau soltou uma risada silenciosa com o comentário adicional de Ben.
Mesmo que Ben agisse como um vadio, Yihyun sabia bem que ele não era do tipo que dava em cima de alguém comprometido, especialmente não do amante de outra pessoa. No entanto, a atitude de Ben, não sendo tão provocadora quanto era com seus alvos habituais, incomodava-o.
— Se não se importa que eu pergunte… o que você faz?
— Eu administro uma galeria em Seul. Também foi a galeria à qual o Yihyun era afiliado antes de vir para cá. Eu trabalhei com a Yuni também.
Aproveitando a oportunidade, Lau tirou naturalmente um estojo do bolso interno e entregou cartões de visita aos dois homens.
— Honestamente, não há ninguém mais confiável para confiar uma obra de arte do que um amante. Sem mencionar a compreensão deles sobre o trabalho e o respeito pelo artista… Como vocês bem sabem, há tantos ladrões neste campo que tentam explorar os outros. É a melhor parceria. Como colega artista, invejo o Yihyun.
Ben, que examinou o cartão de visita com um olhar sério, disse isso, sorrindo para Yihyun em vez de para Lau.
— Mas os amantes geralmente não querem passar dias como este sozinhos? Especialmente se não se veem há algum tempo…
— Bem, honestamente, eu queria.
Lau respondeu ao comentário de Jun, que foi murmurado como um solilóquio.
Sentindo os olhares surpresos de Ben e Jun voltarem-se para ele mais uma vez, Yihyun tentou disfarçar seu constrangimento bebendo, mas sua taça estava vazia.
Eles provavelmente pensavam que o relacionamento dele era sem graça e simples, e tediosamente indiferente. Que ele escolheria alguém semelhante como seu parceiro romântico.
— Mas também é significativo estar presente em um evento importante para o Yihyun. Bem… nós temos planos separados para passar um tempo sozinhos mais tarde.
Ele apertou o braço em volta da cintura de Yihyun e pressionou os lábios na bochecha de Yihyun. O beijo, que pareceu mais íntimo do que uma saudação, fez Ben e Jun fingirem que bebiam, desviando o olhar.
— Um, posso pegar um pouco de vinho para você? Só temos um tipo, então não há escolha…
— Está tudo bem. Eu posso beber mais tarde… Fique comigo mais um pouco.
Lau beijou sua têmpora e sussurrou, sem afastar os lábios. As mãos que estavam em volta de sua cintura se entrelaçaram em suas laterais, prendendo Yihyun dentro delas.
Esta não era uma festa formal, então aquele nível de contato físico, ou até mais, não era incomum. Com base na experiência do ano passado, esperava-se que preliminares intensas, beirando o sexo, se desenrolassem em vários cantos do salão de exposição na próxima hora.
Mas tendo raramente revelado o relacionamento deles na frente de outros, Yihyun sentiu o corpo enrijecer.
— Pense como se estivéssemos a sós. Ninguém se importa.
O sussurro dele era doce.
Ele não queria que Lau percebesse o leve arrepio que desceu por seu pescoço devido ao hálito refrescante fazendo cócegas em sua bochecha, o peito contra seu ombro e a voz terna e baixa.
Mas… as palavras de Lau de que ninguém se importava não eram verdadeiras. Tanto Jun quanto até o espírito livre do Ben continuavam lançando olhares.
— Com licença, desculpe interromper a conversa de vocês…
— ……
Yihyun virou a cabeça para a esquerda, de onde vinha a voz.
Alguém entrou cuidadosamente no quadro do impasse de 2 contra 2 entre Ben e Jun, e Yihyun e Lau. Um homem e uma mulher no início dos trinta anos, aparentando ter a idade de Lau.
Naturalmente, a atenção de todos voltou-se para eles, e Lau também se afastou ligeiramente de Yihyun.
— Você é o Yihyun-ssi da série , certo?
— Sim.
— É um prazer. Sou fã do seu trabalho.
— Ah… Olá. Obrigado.
As orelhas de Yihyun ficaram vermelhas brilhantes enquanto ele apertava as mãos. Seu pescoço, meio exposto sob o cabelo que crescera desde que ele saiu de Seul, também estava vermelho, como se estivesse queimado de sol.
O olhar de Lau, que estivera pairando sobre os lóbulos das orelhas e a nuca de Yihyun, voltou-se agora para Ben e Jun. Como se ver Yihyun envergonhado pela admiração de um fã não fosse uma visão incomum, os dois homens lutavam para suprimir o riso.
Embora as três pessoas restantes e o casal no local tenham se apresentado brevemente, a conversa naturalmente gravitou em torno do casal e de Yihyun.
— Na verdade, nós vamos a muitas exposições, mas nunca realmente pensamos em comprar arte antes. Não éramos financeiramente abastados o suficiente para isso. Mas o trabalho do Yihyun-ssi foi a primeira pintura que nos fez sentir que queríamos pendurá-la em nossa sala de estar.
Yihyun não mostrou uma reação forte às palavras da mulher, mas o suspiro silencioso escapando de seus lábios entreabertos indicava que ele estava profundamente emocionado.
— Seu trabalho é tão popular que perdemos a chance de possuí-lo todas as vezes. Mas sempre visitamos a galeria a cada novo lançamento para admirá-lo. Eu gostei especialmente da peça mais recente pessoalmente, então vim vê-la quase dez vezes durante o período da exposição.
— Ouvir isso me deixa verdadeiramente feliz. Obrigado… muito mesmo.
O casal, que se apresentou como funcionários de escritório comuns trabalhando juntos em uma empresa de arquitetura, compartilhou impressões breves, pessoais e honestas sobre o trabalho de Yihyun. Yihyun estava mais sério ouvindo-os do que estava lendo as críticas pretensiosas, obscuras e acadêmicas publicadas em revistas de arte famosas. Porque as pessoas com quem Yihyun queria falar sobre suas pinturas eram aquelas nas ruas e nos bairros, e não em revistas.
— Vivemos juntos há sete anos e planejamos nos casar no ano que vem. Nosso objetivo é pendurar uma peça do Yihyun-ssi em nossa nova casa quando nos mudarmos após o casamento, então, por favor, nos deseje sorte.
— Uau… Parabéns pelo casamento.
Diante das palavras de Yihyun, o casal olhou um para o outro, com os rostos confusos como se tivessem recebido um parabéns inesperado. A mulher sorriu brilhantemente, segurando a mão do namorado.
— Decidimos isso naturalmente depois de estarmos juntos por tanto tempo, então não pensamos realmente nisso como algo para comemorar… Mas é bom ser parabenizado pelo Yihyun-ssi.
Ao ver o sorriso brilhante dela, Yihyun subitamente tornou-se consciente de Lau ao seu lado.
Aquele verão, quando ele foi em uma viagem de negócios a Hong Kong. Ele sentira inveja da pintura de Inwoo, que fora escolhida por uma família. Agora, ele estava enfrentando um momento tão gratificante. Era um futuro que ele não poderia ter imaginado durante os tempos em que tentava engolir o silêncio com silêncio ao lado de seu pai. Ele sabia bem que não havia chegado tão longe apenas por seu talento.
Sentindo uma mão gentil colocada em seu ombro, ele virou-se para ver Lau olhando para ele com um sorriso mais suave que o seu toque.
— Vamos conversar com calma. Vou pegar mais vinho para você.
Lau naturalmente pegou a taça vazia de Yihyun e estava prestes a se virar quando seus olhos encontraram os de Ben.
— Ser o amante de um superstar é um papel solitário, não é? O Yihyun é praticamente o rosto do The Hands agora.
Lau, que deu um breve sorriso a Ben enquanto falava, rapidamente se afastou do grupo.
Ele colocou sua taça vazia no balcão temporariamente montado em um canto para a festa e sentou-se em um banco alto. Como Yihyun dissera, havia apenas um tipo de vinho disponível. Ele pediu a um funcionário do bar, que parecia nervoso como se não estivesse acostumado com tais tarefas, uma taça de vinho.
Enquanto esperava pelo vinho, ele esfregou o queixo amplamente com uma mão, apoiou o cotovelo no balcão e inclinou-se para trás. Então, virou a cabeça e olhou para trás, por cima do ombro. Em meio à multidão elegantemente vestida, as costas e o perfil de Yihyun apareciam e desapareciam.
Yihyun parecia muito mais relaxado do que antes. Observando Yihyun rindo e conversando com pessoas que estimavam seu trabalho, Lau voltou a cabeça para a frente ao ouvir que seu vinho estava pronto.
Ele bebeu metade do vinho em um gole, como se fosse cerveja.
Ele não sabia como Yihyun se sentia, mas arrependia-se de seu comportamento desajeitado ao chegar aqui hoje. Embora parecesse perfeitamente normal, especialmente para os padrões de Paris, Yihyun ainda parecia achar as demonstrações públicas de afeto estranhas.
Ele sentira um desejo ansioso de deixar uma forte impressão nos conhecidos de Yihyun, e no garoto do lado que expressara corajosamente sua admiração.
Para ser honesto, era um desejo infantil de provar e ostentar a profundidade e a seriedade do relacionamento deles para eles.
Mas a verdadeira razão para seu comportamento atípico, a razão pela qual sua garganta ainda estava seca de tensão mesmo agora, longe da multidão, era outra coisa.
Lambendo os lábios com a língua, Lau sentiu o volume dentro do bolso do peito de seu paletó. Então terminou a metade restante do vinho.
Antes mesmo que pudesse pousar sua taça, sentiu uma mão gentil em seu ombro por trás.
— Sinto muito. Eu te convidei, mas…
Lau pousou a taça e virou sua cadeira, que era giratória, para encarar Yihyun. Com uma expressão muito apologética, ele segurou gentilmente as pontas das mãos de Yihyun à sua frente, acariciando suas unhas com o polegar.
— Você não pode reclamar tanto assim quando seu namorado é um superstar.
Yihyun finalmente relaxou a expressão, sorriu e subiu no assento ao seu lado.
Duas taças de vinho foram servidas novamente, e os dois sentaram-se tão próximos que seus ombros se tocavam, brindando com suas taças.
— Por que eu gosto tanto da palavra namorado? Eu disse que apenas namorar não era suficiente… mas isso é separado.
Yihyun sorriu, traçando a haste fina de sua taça de vinho, olhando para o perfil de Lau enquanto falava, suspirando como se olhasse para o vazio com uma expressão séria.
— Em Hong Kong… o que você disse para aquele homem de Amsterdã que pediu para trocar endereços de e-mail?
— Aquilo foi… Eu não estava pensando conscientemente em você como Presidente, foi apenas no momento!
O rosto de Yihyun ficou vermelho em um instante, embora Lau não tivesse tido a intenção de provocá-lo especificamente. Lau achou sua reação honesta cativante.
— Eu sei.
— ……
— Como eu poderia não saber que você não é do tipo calculista quando se trata de coisas assim?
Lau entrelaçou sutilmente seus dedos com os de Yihyun, que estava mexendo em sua taça de vinho.
— Mesmo sabendo disso, eu gostei.
— ……
— Ser confundido com o namorado de alguém… por que não me senti desagradado ou desconfortável, mas sim feliz…
Os lábios de Lau curvaram-se em um sorriso agradável, como se recordasse as emoções daquela época. Seus olhos azuis voltaram-se para Yihyun. Hoje, seus olhos eram como o mar em um dia calmo.
— Na verdade, não foi apenas que me senti bem… senti como se pudesse voar.
— Eu não sabia…
— Eu também não sabia na época.
Lau estendeu o braço que tocava Yihyun e colocou-o casualmente sobre o ombro dele. O peso transmitido por seu braço tonificado e mão grande era substancial. Subindo pelo ombro para massagear gentilmente a nuca, Lau fitou profundamente os olhos de Yihyun.
— Ficar completamente arrebatado por um trabalhador temporário contratado pelo Gerente Han, fazendo coisas loucas que não são do meu feitio… e para ele se tornar alguém que muda a direção de toda a minha vida, e do meu próprio ser.
O DJ que Yuni recrutara através de Michelle estava tocando música com uma batida forte. Em meio à música crescente, os vivas da multidão eram altos. Mas nenhum dos dois olhou para trás. Em tamanha proximidade, onde seus ombros e joelhos se roçavam, eles só podiam ver o rosto um do outro.
O olhar de Lau traçou meticulosamente o rosto de Yihyun, e ele inclinou levemente a cabeça. Então, com o lábio inferior, roçou suavemente os lábios de Yihyun de cima para baixo.
— É um pouco… mais cedo do que o planejado, mas vamos fugir agora?
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↫─☫ Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Othello&Belladonna
Ler Diamond Dust (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
Tendo vivido como um beta a vida inteira, Seo Yihyun nunca imaginou que seu caminho se cruzaria com o de um Alfa de elite como Lau Weikun — alguém tão acima do seu mundo que parecia que o destino jamais se daria ao trabalho. Mas, um dia, Weikun capta um aroma impossível pairando no ar: o feromônio doce e viciante de um Ômega… vindo de Yihyun. Mais estranho ainda, é um perfume que apenas ele consegue perceber. À medida que o desejo e o instinto se misturam em obsessão, Yihyun se vê preso entre a descrença e a tentação, vendo seu mundo se transformar em algo que ele nunca julgou possível.