Ler O Marido Malvado (Novel) – Capítulo 179 Online

Ele sentiu que algo estava errado, mas não havia nada que pudesse fazer a respeito. Apenas continuava a se despedaçar, pouco a pouco. Cesare observava sua própria ruína como se estivesse de fora.
No dia em que cruzou a linha, Cesare ordenou que trouxessem o Barão Elrod até ele. O barão foi arrastado até lá antes mesmo do fim do dia.
Cesare observou o velho de aparência desgastada à sua frente. O Barão Elrod já tremia de terror.
“V-Vossa Graça…”
O homem implorou por clemência, mas Cesare não respondeu. Apenas examinava o rosto do barão em silêncio.
Quando a garota foi condenada à execução, o barão foi o primeiro a fugir. Em vez de levantar um dedo para salvar a vida de Eileen, ele buscou a própria segurança mais rápido do que qualquer um.
Também foi ele o responsável pelo saque da casa de tijolos. Com a morte de Eileen, sua propriedade passou para o Barão Elrod, e os credores desceram como abutres, levando tudo o que tinha valor.
Claro, antes que chegassem, o barão havia retornado secretamente à casa de tijolos para pegar os itens mais caros para si. Foi ele quem penhorou o relógio de bolso de platina que Eileen havia deixado.
Após a execução, o Barão Elrod foi destituído de seu título, mas graças à sua fuga rápida, conseguiu manter a vida. Passou a vagar pelo Império, sobrevivendo à base de bebida e jogo.
Ele deveria ter pago pela morte da criança. A única razão pela qual Cesare o havia deixado em paz até então era porque…
Ele também era um vestígio dela.
Cesare pensou que, se visse o rosto daquele homem, não seria capaz de matá-lo. Mas não era bem assim. Os traços do barão, arruinados pelo álcool e drogas, não tinham nenhuma semelhança com Eileen. Cesare poderia matá-lo.
E, ainda assim…
Se ele olhasse por tempo suficiente, uma leve sombra dos traços dela surgia. Cesare fixou o olhar no homem e perguntou:
“Onde está Eileen?”
Com a pergunta, a expressão do Barão Elrod se desfez. Ele piscou, confuso, então lançou um olhar de soslaio para o cavaleiro atrás de Cesare.
Diego, impassível até então, deixou um leve brilho passar por seus olhos. O barão gaguejou:
“A-a garota… ela está morta…”
Não era a resposta que Cesare queria. Ele se recostou na cadeira e deu uma ordem lânguida:
“Corte-o. Deixe o rosto.”
Diego deu um passo à frente em silêncio. Ao ver a prateleira de lâminas, facas brilhantes, serras, o barão começou a gritar. O primeiro movimento de Diego foi amordaçá-lo.
O desmembramento começou pelas extremidades. A cada dedo da mão ou do pé decepado, Cesare fazia a mesma pergunta: “Onde está Eileen?”
Toda vez, o barão dava a mesma resposta: que ela estava morta. Quando perdeu mãos e pés, parou de dizer isso e passou a implorar por sua vida, por perdão. Mais tarde afirmou que ela estava viva, mas isso também não era a resposta que Cesare queria, então a ordem não foi interrompida.
Em assuntos como esse, não tinha ninguém igual a Diego. Trabalhou com habilidade precisa, garantindo que o homem não morresse de hemorragia antes do fim. Quando restavam apenas tocos acima dos cotovelos e joelhos, o barão disse algo diferente.
“Eu… eu vou trazê-la… de volta… eu vo—”
Os lábios de Cesare se torceram, como se tivesse acabado de ouvir uma piada engraçada.
“Como pretende trazer os mortos de volta?”
“P-Por qualquer meio…”
O barão contraiu os membros mutilados, babando, com os olhos enlouquecidos.
“Magia… feitiçaria… eu vou trazê-la de volta…”
Cesare estreitou levemente os olhos. Foi a primeira mudança em sua expressão, e o barão se agarrou a isso desesperadamente.
“Eu juro! Vou trazê-la de volta… eu vou…”
Cesare o encarou por um longo momento, então se levantou. Um lampejo de esperança surgiu nos olhos do barão.
Cesare fez um leve gesto para Diego. O cavaleiro fez uma leve reverência e então pegou uma lâmina pesada. Os olhos do barão se arregalaram quando o aço se aproximou.
“V-Vossa Graç—”
Foram suas últimas palavras. No instante seguinte, um som ecoou quando sua cabeça rolou pelo chão. O sangue respingou por toda parte, e Diego limpou o rosto com o dorso da mão, imperturbável.
Após se livrar do Barão Elrod, Cesare encontrou um novo propósito. Ele conhecia bem a chamada feitiçaria mencionada pelo homem para trazer os mortos de volta — era algo com que sua própria mãe já havia mexido no passado.
A mãe de Cesare tentara ressuscitar seu amante falecido. Para Cesare, aquele homem não passava de lixo, mas ela o lamentou como se fosse um grande amor predestinado, degradando-se com todo tipo de ato grotesco.
Obviamente, ela não conseguiu nada. Debateu-se sozinha em seus rituais inúteis até cair em desespero e se enforcar. Cesare se lembrava de olhar para o corpo dela balançando. O que havia pensado? Provavelmente desprezo e escárnio por sua tolice.
Acreditar em algo tão impossível por causa de um homem, apegar-se a uma esperança que nunca poderia ser realizada e depois escolher a morte como fuga — eram coisas que Cesare não conseguia compreender, nem desejava.
E, ainda assim, ironicamente, agora aquilo parecia… algo que valia a pena tentar.
Talvez fosse o sangue que herdara dela despertando esse impulso, mas naquele momento era tudo o que ele tinha. Mesmo sendo inútil, queria tentar. Saber que era impossível não o impediria.
Cesare refez exatamente os passos de sua mãe, seguindo cada vestígio que ela deixou, reunindo informações sobre a magia capaz de trazer os mortos de volta.
Pouco depois de começar, Leone foi até ele. A figura vazia, ridicularizada como um imperador fantoche havia mudado muito; o irmão que antes sorria enquanto conversavam já não existia. Agora, Leone sempre olhava para Cesare com um rosto rígido, os olhos cheios de tristeza e medo.
“Cesare… feitiçaria?”
Como um irmão que havia sofrido sob a mesma mãe, Leone parecia desesperado para impedi-lo, mas Cesare apenas ficou confuso. Quando Leone implorou, perguntando o que ele faria se encontrasse o mesmo fim que a mãe deles, Cesare inclinou a cabeça e respondeu:
“Então você deveria tê-la protegido.”
Leone não disse nada.
A partir daquele dia, a mansão do Arquiduque foi preenchida com pessoas de baixa estirpe, e o fedor de sacrifícios de animais pairava no ar diariamente.
O homem tentou muitos métodos. Derramou o sangue de nobres e membros da realeza quando solicitado, e às vezes fez coisas tão perigosas que até seus cavaleiros tentaram dissuadi-lo.
Mas tudo foi inútil. O tempo passou sem resultados, até que ele tentou praticamente todas as formas de feitiçaria existentes.
Então Cesare começou a matar aqueles que haviam desperdiçado seu tempo, aqueles que haviam aceitado seu patrocínio e seus sacrifícios sem oferecer nada em troca. Eles morreram como os animais que antes haviam oferecido como tributo.
Quando o cheiro de sangue humano se juntou ao das feras nos salões do Arquiduque, um velho feiticeiro falou de um caminho diferente:
“Faça um acordo com um deus.”
Como o imperador fundador, que oferecera um grande sacrifício para trazer de volta sua imperatriz morta. Não era feitiçaria, mas era algo que nenhum templo, nenhum súdito imperial, ousaria mencionar.
Os sacrifícios teriam que ser os cidadãos do Império Traon. Cesare não hesitou em construir o altar. O Império já não era algo que ele pretendia proteger.
E no primeiro dia do sacrifício, Leone tirou a própria vida.
Continua…
Tradução e Revisão: Elisa Erzet
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Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
Sinopse
Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui