Ler O Marido Malvado (Novel) – Capítulo 177 Online

No dia em que Cesare retornou da campanha de Kalpen e foi ver Eileen, Lotan também estava esperando do lado de fora da estalagem.
Era um momento em que passado e presente pareciam se sobrepor. Assim como naquela ocasião, Eileen não tinha escolha. A única diferença agora era que ela não estava mais sozinha.
Ela olhou para Lotan com os olhos trêmulos. Ele era um homem cuja expressão raramente mudava, mas até a doçura que costumava permanecer em seu olhar havia endurecido, deixando-a incapaz de ler seus pensamentos.
Por alguma razão, Lotan não conseguia sustentar o olhar dela por muito tempo. Ele se virou levemente em direção a Malena e Alessia, falando com elas em vez disso:
— Cuidaremos para que as senhoras sejam escoltadas com segurança.
Era o mesmo que dizer que as duas poderiam não estar seguras se Eileen se recusasse a cooperar. Mas não tinha intenção de resistir. Se ele havia enviado soldados, significava que qualquer tolerância para com ela já havia se esgotado.
— Obrigada por me ajudar.
Ela deixou essas palavras para Malena e Alessia. Malena parecia querer dizer algo, mordendo os lábios, mas nada saiu. Ver aquela mulher sempre direta incapaz de falar deixou Eileen inquieta.
— …Sinto muito que vocês tenham sido arrastadas para isso por minha causa.
Com isso, Eileen começou a andar. Ao passar por Alessia, ela se moveu em direção a Lotan.
Alessia estendeu a mão para detê-la, mas Malena rapidamente balançou a cabeça. Ao encontrar seu olhar, Alessia fechou a mão silenciosamente.
Os soldados cercaram Eileen imediatamente. Alessia e Malena desapareceram de vista.
— Eu a acompanharei.
Lotan ofereceu seu braço, e Eileen assentiu sem dizer uma palavra, seguindo-o. Ela pensou que seguiriam direto para a propriedade, mas, em vez disso, ele a levou a um lugar inesperado: a taberna.
A visão de Eileen cercada por soldados fez os funcionários da taberna arregalarem os olhos. A julgar por suas expressões, eles pareciam pensar que ela tinha sido pega usando drogas ou algum outro crime.
Os camarotes superiores utilizavam um caminho separado, o que significava que não havia risco de encontrar clientes comuns. Aquele andar estava vazio naquela noite, então as pessoas lá embaixo continuavam aproveitando o espetáculo, alheias aos soldados acima.
Eileen olhou para os camarotes à frente. Lotan, em um tom respeitoso, anunciou:
— Sua Graça está esperando por você.
O cliente no camarote era Cesare. Todas as negações que havia feito antes para Alessia agora pareciam sem sentido.
Será que Cesare sabia desde o início? Talvez ela estivesse correndo dentro da palma da mão dele o tempo todo.
Ela pensou que havia ultrapassado a muralha, mas aquilo tinha sido uma ilusão. Cesare simplesmente havia construído uma nova para ela, e agora que estivera se aventurado além de seus limites, ele a chamava de volta.
Com mãos trêmulas, Eileen bateu na porta do camarote e entrou.
As cortinas ainda estavam fechadas. Sobre a mesa havia garrafas de bebidas intocadas, assim como antes. Se Alessia não tivesse ido buscá-la, talvez estivesse ali novamente, servindo comida sem saber de nada.
Nenhum som vinha de trás das cortinas, embora o homem devesse saber que ela estava ali. Eileen apertou a barra da saia.
Agora entendia por que não havia sentido repulsa quando o cliente atrás da cortina havia segurado seu pulso, por que sua curiosidade havia sido despertada repetidas vezes.
Era Cesare o tempo todo.
Em retrospecto, aquilo parecia estranho desde o início, mas nunca havia pensado em suspeitar, nunca imaginou que ele a observava daquela forma.
Seu peito doía. Na verdade, a mágoa que sentia em relação a Cesare ofuscava até mesmo a traição de seu pai. Mas o sentimento era grande demais, doloroso, para que ela pudesse examiná-lo.
— …Cesare.
Embora já tivesse dito seu nome inúmeras vezes, naquela noite parecia estranho, como se o pronunciasse pela primeira vez para um desconhecido.
Uma mão enluvada afastou a cortina. Através da pequena abertura, veio sua voz lânguida.
— Entre.
Eileen avançou e, pela primeira vez, afastou ela mesma a pesada cortina.
Uma visão deslumbrante se abriu diante de seus olhos: dançarinas com trajes brilhantes se movendo sob as luzes no palco abaixo, uma cena que poderia cativar qualquer um.
Mas, é claro, ela não conseguia focar nelas. Seus olhos estavam fixos no homem sentado próximo à grade, recostado na cadeira. Ele exalava um leve cheiro de tabaco.
Cesare não olhou para ela. Seu olhar permaneceu no palco. Ao segui-lo, Eileen percebeu o quão claramente os bastidores eram visíveis dali, o suficiente para tê-la observado se ocupando com as tarefas.
Por fim, seus olhos carmesim se voltaram para ela. Encontrá-los fez um arrepio percorrer sua espinha. Era um olhar que jamais vira antes, desprovido de toda a habitual despreocupação. Aquele olhar vermelho parecia pressioná-la.
Lentamente, ele se levantou. Com a luz do palco às suas costas, sua sombra caiu completamente sobre ela.
Ele se aproximou, parando bem diante dela, e estendeu a mão. Ela recuou e fechou os olhos, mas tudo o que ele fez foi tirar seus óculos.
Eles caíram no chão com um leve som. Seus lábios se curvaram levemente.
— Você acha que eu te machucaria?
— …
Antes, teria negado imediatamente, insistindo que claro que não. Mas agora, não conseguiu responder. Seus lábios se abriram e fecharam várias vezes em vão.
Sua dor de cabeça latejava, confundindo seus pensamentos. Lentamente, ela falou:
— Eu pensei que fosse um sonho.
Ela se lembrou do toque e do beijo que sentiu enquanto estava meio adormecida.
— Então foi você, certo?
— Como se eu fosse deixar qualquer outro encostar em você.
— …
Não conseguia nomear o sentimento em seu peito, mas havia tantas coisas que queria perguntar, por que ele havia enviado o Barão Elrod para as ruas de Fiore, se havia usado incenso com drogas nela… Ainda assim, seu instinto a manteve em silêncio. Ela temia ele.
E Cesare certamente sabia exatamente o que ela estava pensando e sentindo.
Mesmo sabendo o que isso causaria nela, ele havia usado todos os meios necessários. Se fosse preciso, poderia ter sido ainda mais impiedoso.
— Eu… queria te salvar, Cesare.
Mas só podia oferecer salvação dentro dos limites que o homem permitia. Pensou que choraria ao dizer isso, mas estranhamente nenhuma lágrima veio. Com a voz trêmula, implorou:
— Por favor… você vai permitir que eu faça isso?
— É inútil, Eileen.
Seu tom não era frio, quase gentil, mas seu olhar não mudou. Tremendo, ela perguntou:
— Por que… é inútil?
A mão grande do homem segurou seu rostinho, acariciando suavemente, como se dissesse para não insistir mais, para não se aprofundar, apenas esperar em silêncio.
O que aconteceria se o ignorasse desta vez? Mesmo assim, ela forçou seus lábios, rígidos de medo, a se moverem:
— Você… vai morrer no meu lugar, Cesare?
Continua…
Tradução e Revisão: Elisa Erzet
Ler O Marido Malvado (Novel) Yaoi Mangá Online
Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
Sinopse
Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui