Ler My Perfect Omega (Novel) – Capítulo 02 Online


Modo Claro

ꕥ Capítulo 2 – Chegada

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Enquanto esperava o sistema de segurança ser desativado, Nick Stockton permaneceu em silêncio ao lado.

Por que diabos eu trouxe este homem para casa? Owen repetiu a mesma pergunta para si mesmo várias vezes durante o trajeto de volta, mas não conseguiu encontrar uma resposta satisfatória.

— Parece que não há ninguém em casa — afirmou Nick Stockton com naturalidade, apesar do interior iluminado. Owen se perguntou momentaneamente como ele sabia, mas logo percebeu que não era uma suposição difícil. Ninguém havia aparecido enquanto Owen destrancava a porta e desarmava o alarme.

— Não. Eu tenho governantas, mas elas saem antes de eu chegar. O quarto de hóspedes está sempre preparado, no entanto, então você deve ficar confortável. Só um momento.

Owen estava esperando uma ligação. Ao seu sinal para atendê-la, Nick Stockton simplesmente assentiu e continuou esperando, parado no mesmo lugar. Ele não olhou ao redor nem perambulou. Seu comportamento educado, quase dócil, era um contraste gritante com a impressão que deixara nas docas.

Owen virou-se ligeiramente e pressionou o botão de atender.

— Ted.

— Sim, Sr. Rose. Peço desculpas por incomodá-lo. As roupas que o senhor solicitou estão prontas, mas… o que gostaria que eu fizesse com elas?

Originalmente, Owen havia instruído que fossem colocadas em seu quarto de hotel. Ele ainda não conseguia entender por que se dera ao trabalho de trazer Nick para sua casa.

— Traga-as para cá.

— Sim, senhor. Estarei aí em um instante.

Nick Stockton permaneceu em silêncio no lugar até Owen encerrar a chamada.

— Por aqui.

Apontando para o elevador, Owen caminhou meio passo à frente.

— Você está bem?

Owen se virou, achando que a voz estava perto demais… e estava. Nick Stockton estava praticamente colado às suas costas.

— …O quê?

— Seu pescoço.

— Meu pescoço?

Nick Stockton apontou para o próprio pescoço. Owen olhou para ele. Então, percebendo que Nick não estava se referindo a si mesmo, Owen olhou para o próprio pescoço.

— …!

Ele não sabia quando havia acontecido, mas estava inconscientemente protegendo o pescoço com uma das mãos.

— Você se machucou lá nas docas? Quer que eu dê uma olhada?

A expressão anteriormente agradável de Nick Stockton mudou para uma de preocupação. Ele se inclinou para mais perto, e Owen instintivamente deu um passo para trás. O rosto de Nick Stockton endureceu.

— …

— …

Feromônios podem vazar. Todo mundo vaza uma pequena quantidade, intencionalmente ou não.

Mas Owen Rose não podia se dar a esse luxo. Perder o controle de seus feromônios era uma perspectiva aterrorizante. Ele havia tentado cobrir o pescoço subconscientemente, mas esse homem não tinha como saber com o que Owen estava preocupado.

Continuar segurando o pescoço e parecer cauteloso o faria parecer tolo e possivelmente insultaria Nick, o homem que acabara de salvá-lo.

— Não. Estou bem. Eu deveria ter perguntado se você estava ferido… Peço desculpas pela minha falta de modos hoje.

— Está tudo bem. A polícia já verificou. Não estou ferido.

— Que bom.

Forçando a mão a sair do pescoço, Owen apertou o botão do elevador. Ele sentiu o olhar de Stockton seguindo sua mão, mas, felizmente, ele não tocou mais no assunto.

— Você tem um elevador em sua casa. Achei que reformas fossem proibidas em prédios na 5ª Avenida.

Ele conduziu a conversa para um tópico neutro.

— O exterior é protegido, mas reformas internas são permitidas desde que não danifiquem a estrutura do edifício. Todos fomos beneficiados por um processo movido por um vizinho com artrite que achava os sete lances de escada excessivos.

Nick ergueu uma sobrancelha ao entrar no elevador. Apesar de seu porte físico grande, o elevador sequer balançou. Owen apertou o botão do terceiro andar.

— O quarto de hóspedes fica no terceiro andar.

— E o segundo andar? É uma zona proibida ou algo assim?

— …Eu resido principalmente no segundo andar, mas não, não há zona proibida. É uma expressão interessante.

O elevador lento chegou ao terceiro andar. Owen sabia que deveria agir como um anfitrião adequado e fazer um tour, mas ele precisava desesperadamente de seus supressores.

— Por favor, sinta-se em casa. Sinta-se à vontade para ir a qualquer lugar. Estarei na cozinha lá embaixo. Fica no primeiro andar, então desça quando estiver pronto.

Tendo entregue suas instruções apressadas, Owen voltou para o elevador. As portas se fecharam antes que Nick pudesse responder.

Nick ficou ali, observando os números descendo. A maneira como Owen fechara a porta sem esperar por uma resposta fez parecer que ele estava fugindo. Isso deixou um gosto amargo na boca de Nick.

Nick soubera desde o primeiro olhar.

Ele tinha certeza sobre Owen Rose, mas… Ele deu de ombros levemente.

Não havia o que fazer. Nem todo mundo era como Nick. Owen provavelmente estava cauteloso porque Nick era um estranho que surgira de repente. Assim que se conhecessem melhor, Owen naturalmente baixaria a guarda. Nick já estava dentro da casa; ele tinha tempo e espaço para deixar Owen confortável.

Após confirmar que o elevador havia chegado ao primeiro andar e parado, Nick virou-se bruscamente. Ele caminhou em direção ao quarto que Owen indicara como sendo o de hóspedes.

O comentário sobre o quarto de hóspedes estar constantemente preparado o incomodara. Significava que alguém o usava regularmente, ou era apenas bem mantido? Ele começaria verificando isso.

Ele chegou ao quarto de hóspedes em poucos passos e abriu a porta com audácia.

— …

Como esperado, o quarto estava impecável. Um aroma suave e agradável pairava no ar, mas não eram feromônios.

Nick deu mais um passo para dentro. Não havia fotos pessoais expostas, e os armários do banheiro estavam vazios de pertences pessoais. Era um quarto perfeitamente impessoal. Tendo confirmado o estado do quarto de hóspedes perpetuamente preparado, Nick virou-se e saiu.

Ele colocou as mãos nos bolsos e iniciou um circuito pelo terceiro andar. Ele poderia parecer um hóspede fazendo um tour casual, mas Nick estava procurando. Ele aguçou seus sentidos e abriu cada porta fechada, farejando o ar. Examinou cada canto como se procurasse por explosivos escondidos. Depois de terminar o terceiro andar, seguiu para o quarto e, depois, para o quinto. Ele se movia rapidamente, verificando qualquer vestígio de outro Alfa.

Ele reuniu duas informações.

A mansão Rose, embora antiga, era confortavelmente equipada. Todas as instalações haviam sido atualizadas com conveniências modernas, mesmo que a decoração fosse… esmagadoramente antiga.

Até Nick podia ver que o interior antiquado possivelmente não era o gosto de Owen Rose. Era provavelmente uma relíquia da obsessão de uma geração anterior em recriar a Europa medieval.

A primeira informação que Nick obteve foi que Owen Rose, vivendo confortavelmente em meio a tal decoração antiquada, provavelmente não era uma pessoa particularmente exigente. Provavelmente.

A segunda, e mais importante informação, era que não havia outros Alfas nesta casa.

Pelo menos, nenhum Alfa reivindicava a mansão Rose como seu território. Pode ter havido visitantes, mas nenhum Alfa confortável e íntimo o suficiente para deixar seu cheiro para trás estivera aqui. Um sorriso surgiu nos cantos da boca de Nick. Sentindo-se completamente à vontade, ele começou a explorar verdadeiramente a casa.

Em vez de pegar o elevador, ele desceu as escadas atapetadas. Seu coração disparou assim que ele pisou no segundo andar. O vasto segundo andar tinha apenas algumas portas.

Cauteloso com o possível retorno do proprietário, Nick ouviu se havia sons vindos de baixo enquanto abria cada porta.

Uma levava a um escritório, a outra a uma varanda. A varanda do segundo andar não dava para a rua, mas sim para o interior, em direção a um pátio central dentro da estrutura do edifício.

A porta restante tinha que ser a do quarto principal. Nick respirou fundo e girou a maçaneta lentamente.

— …?

Ele franziu a testa e inalou novamente.

O que era isso?

Ele esperava ser inundado pelos feromônios de Owen Rose, mas não havia cheiro algum. O quarto estava tão limpo que poderia ter uma placa de “Recém-Desinfetado” pendurada.

Pensando bem, ele não sentira cheiro de nada nem mesmo quando estivera praticamente prensado contra Owen Rose mais cedo.

Feromônios perfeitamente mascarados significavam ou um Ômega dominante com controle excepcional ou um Ômega que já possuía um vínculo.

Antes que pudesse terminar esse pensamento, Nick cambaleou. Uma onda de tontura o atingiu, e ele desabou em uma cadeira próxima.

Era considerado rude deixar seus feromônios vazarem, mesmo para Betas. Por consideração àqueles com alergias, o uso excessivo de perfume em espaços públicos era desencorajado.

Mas este era um quarto, um espaço profundamente pessoal. No entanto, era estéril.

Os lençóis perfeitamente lisos eram provavelmente obra da governanta. Mas o ar? Estava tão desprovido de cheiro que ele poderia acreditar que um Beta morava ali.

…Seria Owen Rose o tipo de pessoa que se deixava limitar por uma etiqueta sufocante, até mesmo em sua própria cama? Não importava de qualquer maneira.

Uma dor de cabeça ameaçava surgir, e Nick pressionou os dedos contra a testa.

Algo estava estranho.

Fazendo uma careta, Nick estendeu suas habilidades sensoriais. Ele já havia se esforçado demais hoje, mas precisava confirmar isso.

Mesmo que suas habilidades sensoriais fossem invisíveis e impossíveis de provar, elas consumiam energia. Elas ativavam automaticamente quando o perigo estava presente, mas quando não havia ameaça imediata, como agora, usá-las conscientemente para detectar algo exigia significativamente mais energia.

Ele percebeu que não havia comido muito hoje, mas encontraria o que estava procurando, mesmo que isso significasse queimar seus próprios tecidos. Seu franzir de testa se intensificou.

— …

Muito, muito fracamente, ele detectou, ou talvez sentiu, os mesmos feromônios de Ômega sedutores do heliporto.

— Ha.

Fosse por exaustão real ou alívio, ele sentiu tontura novamente. Encostou-se na cadeira, com as pontas dos dedos tremendo levemente. Ele não sabia se era pela falta de energia ou por uma onda de alívio. O importante era que não havia vestígio do cheiro de outro Alfa naquele quarto.

Nick levantou-se e tateou o bolso, puxando o telefone que estivera diligentemente ignorando nas últimas horas.

— Chefe!!!! Eu achei que você estivesse morto! Por que não atende as ligações? Por que não atende as MINHAS ligações!? Você sequer leu minhas mensagens?!

Quem ligava não parou para respirar após o primeiro toque.

— Surgiu um imprevisto.

— Seu rosto está por toda a internet! Você sabe disso?

— …

Eles estiveram batendo fotos por todo o caminho até o carro; ele imaginou que acabariam online. Se a foto de Owen Rose estivesse circulando, a dele estaria bem ali junto.

— Está tudo bem.

Ele não era um criminoso procurado, então não importava.

— Investigue uma coisa para mim.

— O que é?

— Tudo sobre Owen Rose.

— Hein? O quê? Você ficou sem contato porque estava pegando um novo cliente? Ugh! Por que não disse logo? Eu continuei ligando e provavelmente atrapalhei sua reunião. Que tipo de trabalho é desta vez? Quanto vale?

— Não é um trabalho. E eu não vou voltar.

— O quê? Não… vai voltar? Nós podemos lidar com qualquer trabalho remotamente, Chefe. Sempre fizemos assim. Como assim você não vai voltar? Aconteceu alguma coisa? Você se envolveu em algo com o Presidente Rose?

Ele queria desesperadamente se envolver.

Owen Rose ainda não sabia que tipo de pessoa Nick era. Ele precisava de tempo para se acostumar com ele. Por isso, Nick não podia voltar para sua empresa por enquanto.

— Eu preciso pedir em casamento.

Talvez fosse a tontura persistente. Uma confissão sonhadora, diferente de seu eu habitual, escapou.

— Eu encontrei meu Ômega. Então não posso voltar por um tempo.

— …

— Diga à equipe que é por isso.

— …Chefe, onde você está agora?

A voz de John, geralmente brincalhona, tornou-se séria. Seu tom ficou muito mais rígido.

— Chefe, há um boato circulando sobre um ataque bioquímico. Aquilo era… verdade?

Parecia que as entrevistas com as testemunhas haviam sido romanceadas e agora estavam se espalhando. A voz de John cresceu em urgência enquanto ele aparentemente pesquisava e lia sobre o incidente.

— Chefe, acalme-se. Vou enviar um helicóptero agora mesmo! Respire fundo e tente se controlar. Tente não causar problemas. Chefe, você não está em Bornéu, não está na Amazônia. Você realmente não pode ter um surto aí. Você tomou alguma droga estranha? Foi uma injeção? Ou você inalou? Você sabe o nome da droga? A cor ou o cheiro? Diga-me qualquer coisa que consiga lembrar. Vou entrar em contato com o médico da equipe e tentar conseguir um antídoto. E onde você está agora… estou rastreando sua localização… Hein? A Mansão Rose??

— …

Ele sentira como se estivesse flutuando em uma nuvem, mas a tagarelice de John o trouxe de volta à realidade.

— Acalme-se.

Ele estava falando de um Alfa quebrado novamente.

Sendo Alfa ou não, qualquer homem adulto saudável teria o desejo de propagar a espécie. A equipe de Nick expressara suas preocupações, meio brincando, meio sério, imaginando se o chefe carecia desse instinto.

Ele não concordaria em ser chamado de “quebrado”, mas admitia que era um pouco diferente.

Não era que Nick não sentisse excitação. Ele tinha um ciclo de rut regular e tinha parceiros quando não estava ocupado com o trabalho. Mas Nick não era influenciado pelos feromônios de Ômega. Mesmo que um Ômega poderoso liberasse seus feromônios de ciclo de cio e tentasse seduzi-lo, Nick conseguia resistir se não quisesse.

Ele não sabia como fazia aquilo. Nick era um homem simples. Ele se esforçaria para tornar o impossível possível, mas não se dava ao trabalho de analisar por que algo funcionava.

Sentindo o silêncio de Nick, a energia frenética de John diminuiu.

— Você está falando sério?

— Estou.

— O…kay. Então não houve nenhum tipo de ataque químico?

— Não.

— Hmm… O que eu devo investigar?

John parecia cético, mas condescendente.

— Tudo sobre Owen Rose.

Ele repetiu suas instruções palavra por palavra.

Um suspiro baixo veio do outro lado da linha, seguido por um resmungo: — Isso é um pouco vago, Chefe… —, que Nick ignorou. John sempre reclamava; era apenas um hábito. Ele sempre fazia o trabalho. Não havia necessidade de responder a cada reclamação.

Nick verificou o relógio. Estava quase na hora. Se não descesse logo, o dono da casa poderia vir procurá-lo. Ele fechou silenciosamente a porta do quarto.

— Ah. Qual é a designação de Owen Rose? Dominante?

A resposta veio rápido, pois estava prontamente disponível em uma busca simples.

— Aqui… diz apenas Ômega. Nenhuma classificação de dominante ou recessivo, apenas Ômega.

— …

Nick parou com a mão na maçaneta, processando a informação.

Talvez Owen Rose considerasse isso uma informação privada e não a tivesse divulgado. Nick estivera curioso devido ao controle de feromônios impressionante de Owen, mas isso não era particularmente importante.

Uma campainha tocou lá embaixo.

Nick parou na base da escada em caracol.

— Hum… Chefe?

— Fale.

— Só por precaução… eu não acho que seja, mas só por precaução…

— Desembuche.

Ele podia ouvir várias vozes lá embaixo agora.

— O… Ômega de quem você está falando, aquele que você diz ser seu… não é o Presidente Rose, é?

— É ele.

— Arf!! Como isso aconteceu? E por quê? Você odeia esse tipo de gente!

Nick odiava os clientes da SS & Co. Era natural que o oprimido não gostasse dos privilegiados, mas em sua linha de trabalho, os riscos eram de vida ou morte. Após alguns encontros com clientes que brincavam com esses riscos, ele passara a desgostar de todo o grupo de elite ao qual pertenciam. Todos se misturavam em sua mente. Por isso Nick odiava a elite da alta sociedade, o grupo ao qual seus clientes pertenciam.

Mas Nick não odiava Owen Rose. Havia mais alguma necessidade de deliberação?

— Descubra tudo até amanhã.

Ele não precisava se explicar para John. Encerrou a chamada com sua instrução unilateral.

Ele desceu um degrau da escada que levava ao primeiro andar.

— Eu vou levá-las para o quarto de hóspedes no terceiro andar.

Era a voz do assistente executivo.

— Obrigado, Ted.

A resposta de Owen significava que ele não iria para o terceiro andar.

O que quer que Ted estivesse fazendo não dizia respeito a Nick no momento. Ele continuou descendo as escadas. Owen o avistou na base da escada em caracol.

— Oh… Sr. Stockton, o Ted acabou de levar suas roupas lá para cima.

Seu tom sugeria que Nick deveria subir e verificá-las.

— É mesmo?

Ele não se importava, mesmo que tivessem recuperado suas roupas encharcadas. Nick respondeu com indiferença.

— Pedi ao Ted para prepará-las, já que você provavelmente precisará delas até conseguir recuperar sua bagagem. Mas… você não deveria verificar o tamanho?

Novamente, Owen sugeria que ele subisse.

— Se trouxeram XXL, vai servir.

Seu interesse estava em outro lugar. Se não servissem, ele as rasgaria para que servissem.

— Ah… sim. Bem, então. O jantar ainda não está pronto, mas…

— Vamos.

Antes que Owen pudesse lhe oferecer uma bebida e um lugar no sofá, Nick começou a caminhar em direção à cozinha como se fosse o dono do lugar.

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— Na verdade, o jantar geralmente é preparado apenas para um.

Os movimentos desajeitados de Owen Rose enquanto olhava para dentro da geladeira aberta sugeriam que ele não tinha muita certeza do que fazer. Talvez tivesse vivido uma vida onde nunca precisou abrir a própria geladeira.

Nick vira outros indivíduos privilegiados convocarem suas governantas do outro lado da sala em vez de servirem a própria bebida. Ele achava que eram preguiçosos. Mas a hesitação de Owen Rose diante da geladeira parecia… cativante.

— Posso?

Owen Rose deu um passo para o lado com um olhar de alívio mal disfarçado diante da oferta de Nick.

O comentário sobre o jantar geralmente ser para um era um bom sinal. Significava que Owen não trazia ninguém para casa.

Nick alcançou a geladeira sem hesitação.

— Ele vai se juntar a nós para o jantar?

— Quem você…?

— Sr. Rose.

Duas vozes se sobrepuseram.

Antes que Ted pudesse esclarecer que estava se referindo ao assistente de Owen, ele apareceu na porta.

Owen pode não ter ouvido, mas Nick ouviu. Ele percebera o som dos passos de Ted se aproximando de além da cozinha. Sensível a tais sinais, Nick perguntara preventivamente sobre o número de convidados para o jantar, esperando mandar Ted embora.

— Terminamos. Se não houver mais nada, já vamos indo.

— Certo. Obrigado pelo seu trabalho árduo, Ted.

Os passos do assistente executivo recuaram em direção à entrada. Nick enterrou o rosto mais fundo na geladeira para esconder o sorriso que surgia.

— Mantê-los aqui durante o jantar seria uma extensão da jornada de trabalho deles. Por favor, prepare o jantar apenas para nós dois.

De trás da pesada porta da geladeira, Owen Rose respondeu claramente:

— Com certeza.

— …Obrigado. Parece que acabei cozinhando o jantar para o meu anfitrião.

— De forma alguma. E eu mal sou merecedor de tal elogio… estou apenas pegando pratos pré-preparados. Eles só precisam ser aquecidos.

— Oh.

A expressão de Owen sugeria que ele estava aprendendo aquilo pela primeira vez.

— Na verdade, sou um tanto… incompetente quando se trata de tarefas domésticas.

Mesmo sem essa confissão, suas tentativas desajeitadas de arrumar a mesa já o haviam denunciado.

— Sente-se.

Olhando para a mesa arrumada de forma um tanto caótica, Nick gesticulou para que Owen se sentasse.

— Obrigado.

— Disponha.

Pelo menos na cozinha, os papéis de anfitrião e hóspede estavam definitivamente invertidos.

— Não estou tentando levar o crédito por ajudar com este pouquinho, mas por que não há mais ninguém nesta casa tão grande?

Alguém claramente incapaz até de um cozimento simples provavelmente não daria conta de outras tarefas domésticas. Nick, apesar de conhecer Owen há menos de 12 horas, começou a se preocupar com o que aconteceria em caso de emergência.

— Costumava haver.

— Mas não vejo ninguém agora.

Nick ergueu uma sobrancelha, sua expressão questionando se havia pessoas invisíveis presentes. Owen Rose ofereceu um sorriso fraco.

— Havia pessoas que cuidavam da casa desde o tempo do meu pai, mas elas se aposentaram… Desde então, a equipe não mora aqui. Eles trabalham durante o dia e saem antes de eu chegar.

Uma garrafa de vinho já estava na mesa antes de Nick descer. Ele a pegou e encheu a taça de Owen primeiro.

— Por quê? Por que você faz as coisas desse jeito?

— …Porque funciona. Se eu tivesse outra família, talvez fosse diferente, mas, como você pode ver, estou sozinho.

— …

As palavras não eram uma mentira, mas também não eram toda a verdade. Nick encheu sua própria taça e a ergueu. Eles brindaram com o olhar antes de darem um gole lento.

— Eu olhei um pouco ao redor.

— Imaginei que pudesse fazer isso, já que não estava descendo.

Owen parecia apreciar o vinho, com a mão alcançando a taça com mais frequência do que o prato. Ele continuou a dar pequenos goles.

— É uma bela casa. Mas parece grande demais para uma pessoa só.

— É… Os quartos que a equipe usava agora são, em sua maioria, depósitos, então há muitos quartos vazios.

Sua primeira taça já estava vazia. Nick reabasteceu a taça de Owen.

— Você precisaria de crianças para encher esta casa.

— Sim… ouvi dizer que costumava abrigar três gerações.

Owen finalmente pousou a taça de vinho e pegou a faca enquanto respondia.

Poderia ser que ele estivesse apenas se concentrando em sua refeição, mas Nick sentiu que Owen estava evitando seu olhar.

— Alguns dos quartos no andar de cima podem ter… uma decoração inadequada para adultos.

— Você quer dizer quartos que eram usados por crianças?

— Provavelmente. Na verdade, a mansão Rose é mais velha que eu. Não sei muito sobre os andares superiores. Mas creio que sejam limpos regularmente.

— O quarto de hóspedes estava muito arrumado.

— Por favor, sinta-se à vontade.

Owen Rose fez contato visual com Nick ao dizer isso, transmitindo sua sinceridade. …Ele era uma pessoa calorosa.

— Obrigado.

Nick respondeu com igual sinceridade.

— Mas por que você vive sozinho?

— …

A expressão de Owen Rose vacilou. Ele parecia estar debatendo se repetiria sua explicação anterior e o quanto deveria revelar a alguém que o havia ajudado, apesar de a pergunta ser um pouco intrusiva.

— Não estou perguntando sobre sua equipe.

Nick decidiu abordar a primeira preocupação de Owen, impedindo-o de se repetir.

— Eu não tenho irmãos.

Isso era uma evasiva, mas Owen Rose fingiu não notar, concentrando-se em sua taça de vinho.

— …Sinto muito pelo acidente de seus pais.

— Sim. Foi uma infelicidade para mim, para você… e para esta casa.

A expressão de Owen Rose tornou-se melancólica ao pousar a taça de vinho. Ele fingiu estar fascinado pelo líquido girando no fundo de sua taça, mas estava claramente abatido.

— …É estranho dizer que foi uma infelicidade para a casa. Eventos passados podem ser infelizes, mas os futuros podem ser moldados, não podem?

— …

— Owen.

— …

Mesmo quando Nick o chamou pelo nome, Owen Rose manteve o olhar fixo em seu vinho em movimento. Era um sinal claro de que ele não queria discutir esse assunto e uma recusa em interagir com Nick sobre isso.

Nick encheu silenciosamente a taça de Owen pela terceira vez.

— Você não emprega segurança privada de forma alguma? — Owen finalmente falou novamente após dar um gole.

Nick decidiu acatar a tentativa de Owen de mudar de assunto.

— Pode-se dizer que sim. Falando em segurança, parece que você precisa reforçar sua proteção pessoal.

— Ah, aquelas pessoas hoje eram funcionários da empresa. Eu tenho segurança separada. Como presidente, é natural.

Era quase cômico.

— Por que eles não o acompanham?

Certamente não estavam com ele quando ele desceu do helicóptero. Os homens que pareciam seguranças só apareceram depois que saíram da delegacia. Mesmo assim, fora Nick quem abrira caminho entre os repórteres e paparazzi. Os poucos guardas junto ao carro não teriam conseguido tirar Owen dali tão rapidamente. A qualidade da equipe de segurança de Owen também parecia precisar de melhorias.

— Eles não estavam no helicóptero. Estiveram comigo até eu embarcar, e geralmente me encontram quando eu pouso.

— Não os vi hoje.

— …Como você soube?

O sorriso de Owen desapareceu.

— Por acaso vi quando saí da sala de espera.

Mesmo dizendo a verdade, soava duvidoso até para os seus próprios ouvidos. Nick não era o único que pensava assim; o tom de Owen era hesitante.

— …Devido ao tempo, pousamos em um local inesperado hoje. Eles deveriam estar no heliporto de Manhattan, mas não conseguiram chegar a tempo devido ao trânsito.

— Você costuma andar sem sua equipe de segurança com frequência?

— Nem sempre. Hoje, não havia espaço suficiente. Helicópteros têm limites de passageiros. E honestamente, sinto que são desnecessários, a menos que eu vá a algum lugar lotado.

“Mesmo depois do incidente de hoje?”

Continua…

⌀ ⌀ ⌀

✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna

Ler My Perfect Omega (Novel) Yaoi Mangá Online

Sinopse: — Quero te abraçar como um louco, meu ômega.
Pela primeira vez na vida, Nick Stockton, ex-mercenário e chefe de uma empresa de segurança, encontra um homem deslumbrante e involuntariamente sente um feromônio que o excita intensamente.
O dono daquele feromônio é Owen Rose, CEO da Rose Pharmaceuticals.
No momento em que seus olhos se cruzam, Nick, convencido de que Owen é seu ômega, salva Owen de um ataque terrorista bem a tempo.
Owen, que sempre se reprimiu, acreditando ser um ômega “monstro” por ter machucado seu primo alfa quando jovem, fica sem palavras diante de Nick.
Enquanto investiga o terrorista que atacou Owen, Nick descobre que os homens que ameaçam Owen não estão apenas contra a Rose Pharmaceuticals, mas têm como alvo o próprio Owen.

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