Ler Lamba-me se puder – Capítulo 213 Online

Algumas horas antes.
Embora estivesse exausto a ponto do corpo e a mente parecerem completamente estafados, Ashley Miller não sentia a menor vontade de descansar.
Mesmo já sabendo desde o momento em que colocou os pés naquela casa onde não havia o menor sinal de presença de alguém, ele ainda assim vasculhou cada canto minuciosamente. Só depois de abrir até a lavanderia foi que finalmente aceitou a realidade.
Koy não tinha vindo. Mesmo ele tendo dito claramente para que viesse.
O som de seus dentes rangendo ecoou dentro de seu tímpano. Ele ficou parado ali por um tempo, de braços cruzados, antes de se virar e ir em direção à cozinha.
Sem nem ter paciência para pegar um copo e servir o uísque, abriu a garrafa e bebeu direto dela. O pomo de adão se moveu com força enquanto engolia em grandes goles. Esvaziou quase um terço de uma vez só, mas não sentiu nenhum sinal de embriaguez.
Droga de feromônios.
Tudo era por causa deles. Aquela dor de cabeça que o atormentava, a insônia interminável… não, tudo aquilo. No momento em que despertou, já estava acabado.
“Você tem tanta coisa.”
Errado, Koy.
Koy disse naquela época que ele tinha muito, mas Ashley já havia perdido tudo há muito tempo. Primeiro perdeu Koy, depois a esperança, o futuro, a vontade de viver… até as memórias. Agora, mal restavam até mesmo emoções. Assim como sua vida estava em ruínas, sua mente também estava.
Não é como se eu me arrependesse agora.
E mesmo que se arrependesse, já era tarde. Na verdade, ele nunca sequer teve esse tipo de pensamento.
Ashley apoiou as duas mãos sobre a bancada da cozinha e permaneceu imóvel por um tempo, com o olhar fixo no relógio do celular.
Depois de um longo período sem se mover, assim que passou da meia-noite, ele pegou o celular quase como se o arrancasse do lugar e saiu da cozinha, entrando no elevador.
Ashley tinha dado tempo suficiente. Ele esperou. Quem desperdiçou essa chance foi Koy.
Agora, não importava o que ele fizesse — Koy não poderia reclamar.
Em pouco tempo, Ashley já estava diante do prédio velho e decadente onde Koy morava.
***
Koy, pálido, encolheu-se todo. Suor frio escorria por suas costas, e seu corpo inteiro tremia. Ele precisava dizer alguma coisa, mas era como se sua garganta estivesse completamente travada — nenhum som saía.
Diante daquela figura que apenas abria e fechava a boca sem conseguir falar, Ashley avançou sem hesitar, entrando na casa a passos largos.
— BANG!
O som de seu punho batendo na parede fez Koy estremecer. Rangendo os dentes, Ashley falou:
— O que você acha que está fazendo? Não te disse para ficar na minha casa?
— “E-eu… mas…”
Koy conseguiu forçar algumas palavras com a voz trêmula, mas não conseguiu continuar. Ao vê-lo se calar novamente, o rosto de Ashley se tornou ainda mais ameaçador.
— Certo. Levante. Vamos para a minha casa agora.
— “E-espera, Ash!”
Koy gritou apressado, mas Ashley já tinha puxado sem piedade a fina manta que o cobria até o nariz.
No instante seguinte, um aroma intenso se espalhou pelo ambiente.
Por reflexo, Ashley cobriu o nariz e a boca com a mão. Ele sabia o que era aquele cheiro. O pulso acelerado martelando pelo seu corpo inteiro e o calor que subia confirmavam isso.
Com os olhos arregalados, encarando-o em choque, Ashley olhou para Koy.
Koy não conseguia dizer nada. Seu rosto estava vermelho, os lábios entreabertos soltando uma respiração ofegante — aquilo, mais do que qualquer palavra, já era uma resposta clara.
— “Desculpa, Ash, eu…”
A voz que mal conseguia sair, tremia descontroladamente. Ele tinha conseguido se segurar até então, mas já não dava mais. Quando seu corpo estava prestes a desabar, Ashley o segurou por um triz.
O aroma, ainda mais intenso, envolveu todo o corpo dele. Era o suficiente para fazer sua visão ficar completamente branca, mas Ashley conseguiu manter a consciência por pouco. A dor das unhas cravando na palma da própria mão o trouxe de volta à realidade. Controlando a respiração ao máximo, ele falou, soltando o ar de forma contida:
— Depois conversamos… agora não.
Dizendo apenas isso, Ashley simplesmente pegou Koy no colo sem aviso. Já tendo um passo naturalmente rápido, ele saiu dali quase correndo. Subiu as escadas de três em três degraus e, em um instante, já estava ao lado do carro.
Koy, que abriu os olhos apenas de forma vaga, viu Ashley colocá-lo no banco do passageiro antes de dar a volta e sentar no banco do motorista. Assim que ligou o carro, ele fez uma ligação para Bernice, mas Koy não conseguiu entender o que estava sendo dito.
O ciclo de cio, agora totalmente ativo, fazia seu corpo inteiro ferver. Sem conseguir mais se conter, ele começou a gemer e logo estava chorando, soluçando.
— Calma Koy… aguenta só mais um pouco.
Ashley disse isso, mas sua voz não transmitia muita firmeza. O próprio corpo dele também estava esquentando, e ele já tinha dado vários tapas fortes no próprio rosto para se manter no controle. Desse jeito… ele poderia perder a razão e acabar avançando sobre Koy ali mesmo dentro do carro.
Ele não tinha nem tempo para pensar no que exatamente estava acontecendo. Só havia um pensamento em sua mente:
Eu preciso proteger o Koy.
Proteger de quê? Ele não sabia.
Como se estivesse fugindo de algo que o perseguia de perto, ele apenas dirigia em alta velocidade pela estrada.
— Sr. Miller!
Assim que Ashley conseguiu parar o carro de qualquer jeito, Bernice e outras pessoas vieram correndo até ele, desesperadas. Sem responder, Ashley desceu do carro e ele mesmo pegou Koy nos braços.
— E o doutor Steward?
— Está esperando. Mas… você vai ficar bem? Preparamos uma maca, então pode colocá-lo lá — Bernice falava rapidamente, mas Ashley passou direto por ela e entrou no prédio sem parar. Os funcionários, ao vê-lo, correram para guiá-lo.
— Por aqui, Sr. Miller! Tem certeza de que está tudo bem? O cheiro de feromônios está muito forte.
— Sr. Miller, por favor, coloque-o na maca. Sr. Miller!
As vozes continuavam chamando por ele, mas Ashley não parou. Ele só soltou Koy quando chegou até o médico que já os aguardava.
— Haa…
Somente depois de ver a equipe médica cercando Koy deitado na cama, Ashley finalmente recuou alguns passos. Um longo suspiro escapou de seus lábios. A cada respiração, o cheiro de feromônios invadia profundamente seus pulmões, deixando sua mente turva.
— Sr. Miller, venha para fora! Rápido!
Bernice, que o havia seguido, gritou. Sem resistir, Ashley deixou-se conduzir até o corredor e, olhando para a secretária que raramente demonstrava tensão, murmurou em voz baixa:
— Tá tudo bem… não precisa gritar. …Minha cabeça está latejando.
A voz dele estava tão rouca e quebrada que era difícil até de ouvir. Bernice, que imediatamente se calou, lançou um olhar discreto para dentro do quarto. O aroma de feromônios que transbordava dali era algo que ela conhecia muito bem. Era exatamente o mesmo cheiro que já tinha sentido inúmeras vezes ao acompanhar Ashley em festas. A diferença era que, desta vez, estava forte demais para ser de uma única pessoa.
— Não me diga que… aquela criança… isso é feromônio de Niles?
A voz dela perdeu a força no final. Em resposta, um som breve de riso escapou, como se fosse ar vazando. Ao virar a cabeça, Bernice viu o rosto de Miller com os lábios tortos em um sorriso frio e sarcástico.
— Por que não seria?
Misturado à respiração irregular, um riso baixo continuou a escapar. Um arrepio percorreu a espinha de Bernice. O medo que ela havia sentido por outro Miller, que já não estava mais neste mundo, voltou a envolvê-la. Como se estivesse zombando dela por ter acreditado que nunca mais sentiria aquele tipo de terror.
***
Quando Koy abriu os olhos, o ambiente ao redor estava silencioso a ponto de ser sufocante. Por um instante, ele ficou assustado, achando que algo tinha acontecido com sua audição. Só conseguiu se acalmar ao ouvir o próprio som da respiração ecoando em seus ouvidos.
Ah… Não era nada.
Soltando um suspiro de alívio, ele levou a mão ao peito, mas isso durou pouco. Havia outra pessoa no quarto além dele. Sentindo um arrepio inexplicável, Koy hesitou antes de virar a cabeça… e então congelou.
Um homem sentado no sofá o encarava diretamente.
Quando seus olhos se encontraram, ele finalmente baixou o copo de uísque pela metade sobre a mesa e falou.
— Olá, Koy.
A voz baixa e suave era exatamente como ele lembrava. Mas Koy, por algum motivo, sentiu ansiedade antes de alegria. Diferente de quando falavam pelo telefone, havia uma distância estranha vindo dele. Ao se lembrar da última vez que se viram, Ashley voltou a falar:
— Você está bem? Como está se sentindo?
A voz continuava gentil, e Koy pensou que talvez ele que estivesse paranóico.
Ash não mudou… então por que eu tô assim?
Afastando à força a imagem fria que insistia em surgir em sua mente, ele conseguiu esboçar um sorriso.
— Tô bem. Obrigado.
— Que bom.
Ashley sorriu de volta.
Era para Koy se sentir aliviado agora, mas não conseguiu. Por algum motivo, tudo nele parecia… estranho. Mesmo sem razão alguma.
Percebendo o desconforto de Koy, Ashley continuou falando, ainda com o mesmo sorriso:
— “O bebê também está bem. Não se preocupe
Koy só reagiu depois de alguns segundos de completo vazio.
— …Bebê?
°
°
Continua….
Tradução: Ana Luiza
Revisão: Thaís
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Em breve será disponibilizado uma sinopse!
Nome alternativo: Kiss Me If You Can