Ler Lamba-me se puder – Capítulo 212 Online

— Por que você tá dizendo isso…?
Koy murmurou com a voz completamente abatida. Talvez Ashley tenha percebido, porque acrescentou com indiferença:
— Todo mundo morre um dia.
— Mesmo assim… não fale esse tipo de coisa.
Com o tom firme, Ashley ficou em silêncio por um momento. Sentindo aquele clima desconfortável, Koy pigarreou.
— Então… amanhã… eu posso ir prestar condolências também? Quer dizer… se você não se importar.
Hesitante, Koy gaguejou, e Ashley respondeu com a mesma frieza de antes:
— Pra quê? Não faz sentido prestar condolências a uma pessoa morta.
— É… mas…
A reação continuava fria, e Koy começou a se sentir estranho. Ele sabia que Ashley não tinha uma relação próxima com o pai, mas aquilo parecia frio demais — como se fosse um assunto de outra pessoa, sem emoção nenhuma. Criando coragem, Koy falou:
— Ash, você não precisa esconder isso de mim. Reprimir demais a tristeza também não faz bem.
Talvez o choque fosse tão grande que ele ainda nem tivesse assimilado. Assim que pensou isso, Ashley respondeu:
— Acho que você está entendendo errado. Eu não estou triste.
Ele continuou, no mesmo tom calmo:
— Não estou escondendo nada de você. Já falei, eu estou bem. Koy, parece que você acha que todo mundo fica triste quando alguém da família morre, mas nem sempre é assim. Na verdade, eu acho que ele foi completamente egoísta e viveu até o fim fazendo tudo do jeito que quis. Não tem por que eu ficar triste… no máximo, eu acho ridículo.
O tom quase sarcástico fez Koy parar. Então, como se nada tivesse acontecido, Ashley mudou de assunto:
— E você? Como tá? Ainda tá na casa da Al?
A pergunta repentina deixou Koy confuso.
— Não… eu já saí de lá, falei isso antes…
De repente, as palavras de Bernice vieram à mente dele. ‘Será que o problema de memória voltou’? No mesmo instante em que Koy ficou tenso, Ashley também ficou em silêncio. Um clima pesado tomou conta, até que Koy falou primeiro:
— Eu estou bem. Estou fazendo alguns bicos também…
— Bicos? Como assim?
De repente, a voz de Ashley ficou afiada. Surpreso com a mudança, Koy respondeu, confuso:
— É… eu ainda estou procurando um emprego fixo, mas ainda não achei nada… então vou fazendo o que dá. Não dá pra ficar parado…
Ele não perguntou sobre a resposta do pedido de casamento. Não queria complicar ainda mais a situação de Ashley naquele momento.
Tudo bem… é só pensar que ganhei mais tempo para comprar o anel.
Koy tentou apaziguar, mas Ashley não deixou passar.
— Você está trabalhando? Agora? Que tipo de trabalho?
Diante das repetidas perguntas seguidas, Koy piscou, sem entender.
— Ah… nada demais… o mesmo de antes… encanamento, consertos, essas coisas…
— Não, não faça isso. Você precisa descansar.
— Hã? Por quê?
Koy inclinou a cabeça novamente diante das palavras urgentes que jorraram da boca de Ashley. Um silêncio nada comum se instalou. O único som era a respiração pesada de Ashley, como se estivesse procurando as palavras certas.
— Ei… — Koy tentou falar, mas Ashley foi mais rápido.
— Exame médico.
— Hã?
Com a voz ainda entrecortada, Ashley continuou:
— Eu te disse, você precisa fazer um exame médico. Você se esqueceu?
— “Ah, não.”
Koy balançou a cabeça apressadamente. Ele lembrava, mas como não tinham marcado uma data específica e a conversa tinha acabado ficando vaga e sem conclusão, ele ficou meio desnorteado e começou a gaguejar.
— “Isso ainda está de pé? Eu pensei que…”
— Claro que tá. …A data já passou, inclusive.
Parecendo conferir a data, ele murmurou um palavrão em voz baixa e logo acrescentou:
— Vou marcar um novo exame para a semana que vem. Você precisa manter a melhor condição possível, então é melhor não trabalhar por enquanto. Fique em casa, descansando, e se preparando para o exame, entendeu?
Koy, que só ficava repetindo “ah, tá, tá”, perguntou ainda atordoado:
— “Exames são assim mesmo?”
Ele nunca tinha feito um exame médico na vida. O teste de características que fez com Ariel tinha sido o primeiro desde os tempos de escola. A resposta de Ashley veio imediatamente:
— É assim mesmo. Quando eu faço exame, também fico cerca de uma semana sem ir à empresa, só em casa.
— “Entendi… então todo mundo faz assim?”
— Faz.
Depois de ouvir a mesma resposta novamente, Koy disse “entendi”.
— Então tá, vou fazer assim… não se preocupe. Como meu trabalho é só um bico, posso dar uma pausa quando quiser. Vou ficar em casa descansando, como você disse.
— Ótimo.
Só então Ashley voltou ao tom habitual e encerrou a conversa. Koy também se sentiu aliviado e sorriu, mas logo Ashley falou:
— Vou deixar tudo preparado para você poder fazer esses exames assim que o funeral terminar. Deve levar uns três dias. Durante esse tempo, fique na minha casa.
— E-eu estou bem.
A lembrança de ter sido expulso pelo porteiro na entrada veio à tona, e Koy respondeu apressado. Se aquilo acontecesse de novo, ele achava que realmente ficaria deprimido. Além disso, não queria ficar sozinho naquela casa enorme sem Ashley, e a última imagem que tinha dele — tão fria — fazia com que a ideia de esperar sozinho fosse assustadora.
— Posso ficar aqui mesmo. Não se preocupe, não vou trabalhar.
Ele não podia desperdiçar um exame médico tão caro. Pensando nisso, fez a promessa, mas a reação de Ashley foi firme:
— Não. Aquele lugar não tem um ambiente adequado. Eu já disse, você precisa manter a melhor condição possível. Venha para a minha casa, eu vou cuidar de tudo.
— Hum…
Parecia que a opinião de Koy não estava sendo considerada nem um pouco. Mas ele também não conseguia insistir. Mesmo já estando em uma situação difícil, Ashley parecia disposto a fazer o melhor por ele, e isso fez Koy se emocionar. No fim, ele apenas assentiu, concordando.
— Tá bom, então amanhã eu vou.
— Venha mesmo.
Depois de falar em tom firme, Ashley reforçou mais uma vez que Koy deveria ir até a sua casa e esperá-lo, antes de encerrar a ligação. Só então Koy percebeu que nem sequer tinha se despedido direito, mas já era tarde. Encarando o celular, agora completamente silencioso, ele soltou um suspiro e se jogou na cama.
O que aconteceu com a memória do Ash…?
A dúvida que ele tinha tentado deixar de lado voltou à tona. ‘A situação não tinha sido resolvida? Ainda era efeito dos feromônios? E se fosse isso… o que ele faria’?
Se ele ficar cansado, isso só vai piorar…
Mas não havia como evitar. Afinal, eram os funerais dos pais. Koy gemeu e balançou a cabeça.
É só aguentar mais alguns dias, e eu vou poder ver o Ash.
Ainda não será tarde para verificar. De qualquer forma, o que ele precisava fazer estava claro: quando amanhecesse, arrumaria suas coisas rapidamente, iria para a casa de Ashley e esperaria por ele. Descansaria o suficiente para o exame médico. E pronto. Depois de organizar os pensamentos assim, Koy forçou o próprio corpo a dormir.
Ele mal tinha conseguido adormecer quando acordou por causa de uma dor repentina na barriga.
— “A-ah… ai…”
Deixando escapar um gemido, Koy se encolheu, curvando o corpo como um camarão. A dor que vinha e ia ocasionalmente, mas dessa vez durou mais tempo. Segurando a barriga e gemendo, de repente sentiu um calor emanar de algum lugar do corpo.
…Hã?
Suando frio, Koy abriu os olhos com dificuldade e ficou parado, atordoado. Outra onda de dor veio, fazendo-o morder os lábios e franzir o rosto — e logo em seguida, o calor se espalhou de uma vez.
…Hã.
Ele ficou completamente imóvel. A dor começou a diminuir aos poucos, mas, em troca, seu corpo passou a esquentar cada vez mais. Koy sabia o que era aquilo, já tinha passado por isso antes. Só então ele percebeu o que eram aquelas dores irregulares que vinha sentindo há dias.
Era o ciclo de cio.
No momento em que se deu conta disso, o corpo de Koy enrijeceu por completo.
***
— BANG! BANG! BANG! BANG BANG BANG!
Com o barulho incessante, seu corpo inteiro ficou tenso. Aquilo já durava mais de dez minutos. Ele sabia muito bem quem era a pessoa que havia chegado. Mas, mesmo sabendo, não conseguia se mexer.
— Koy, abra essa porta agora.
A voz baixa, quase rosnada, atravessou a porta fina do apartamento. Koy prendeu ainda mais a respiração e se encolheu. Se ele ficasse quieto assim, a pessoa iria embora. Tapando a boca com as duas mãos para não fazer nenhum som, ele esperou que Ashley desistisse e fosse embora.
Só mais um pouco. Só mais um pouco…
Ele continuou esperando que Ashley desistisse e fosse embora.
Só mais um pouco. Só mais um pouco.
Nesse momento, outro som veio do lado de fora. Parecia que um vizinho tinha saído para reclamar do barulho. Ele não conseguiu ouvir o começo, mas o final foi claro:
— Se você não sair daqui agora, eu vou chamar a polícia, seu desgraçado!
— “……”
O barulho da porta, que até então ecoava de forma estrondosa, cessou de repente. Será que Ash finalmente tinha desistido? Foi no momento em que Koy, imóvel, prendeu a respiração esperando ouvir passos se afastando…
— BANG!
Um estrondo incomparavelmente maior do que os anteriores ecoou por toda a casa apertada.
— “Aai…!”
Sem perceber, ele acabou soltando um grito de susto. Talvez por ter ouvido aquilo, Ashley, que tinha feito uma breve pausa, voltou a chutar a porta. Não se comparava nem de longe ao som de antes, quando ele apenas batia com os punhos. A porta frágil parecia prestes a se despedaçar e cair no chão a qualquer instante.
Mesmo assim, Koy não conseguiu sequer fugir. Paralisado, tremendo, ele apenas arregalou os olhos e encarou a porta que balançava violentamente.
— BANG!
Com mais um golpe, a porta de madeira rangeu alto, abrindo uma rachadura. No instante seguinte, ela não aguentou mais e se partiu ao meio.
— …Haa.
De pé, com a luz escura do corredor às suas costas, o homem alto soltou um suspiro irritado enquanto afastava o cabelo loiro que caía sobre o rosto.
Encolhido ao máximo sobre a cama velha, Koy levou um susto tão grande que prendeu a respiração, apenas encarando-o com os olhos arregalados.
°
°
Continua….
Tradução: Ana Luiza
Revisão: Thaís
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Em breve será disponibilizado uma sinopse!
Nome alternativo: Kiss Me If You Can