Ler Lamba-me se puder – Capítulo 211 Online


Modo Claro

— D-Dominique Miller…? O pai do Ash?

Conseguiu se recompor com dificuldade, Koy perguntou de forma hesitante. Do outro lado da linha, a voz fria respondeu:

— Sim. Por um tempo, o Júnior vai estar muito ocupado com os procedimentos do funeral. Se não conseguir falar com ele, me ligue. Posso ao menos transmitir sua mensagem.

— A-ah… s-sim… e-espera!

Ainda atordoado, Koy respondeu, mas, no momento em que Bernice estava prestes a desligar, ele a chamou apressadamente. Confirmando que ela ainda estava na linha, conseguiu finalmente falar:

— E-eu queria saber… o Ash está… bem? Ele não está muito abalado…?

‘Claro que deve estar… o pai dele morreu.’

Koy pensou, se culpando. Mesmo que Ashley não tivesse um bom relacionamento com o pai, ao saber da morte dele, seria impossível não se abalar.

‘Ele deve estar muito deprimido… Eu deveria estar ao lado dele…’

Enquanto seu rosto se escurecia de preocupação, Bernice disse:

— Ele está bem. Pelo menos externamente não parece diferente do normal. É só isso?

Diante da voz extremamente profissional, Koy sentiu um leve alívio e, reunindo coragem, perguntou mais uma vez:

— Ei… só mais uma coisa. Por que a senhora me avisou? Por que se deu ao trabalho de ligar…

Não havia motivo algum para Bernice demonstrar esse tipo de consideração por ele. Ao se lembrar das palavras duras que ela lhe dissera no passado, um arrepio percorreu sua espinha — então Bernice respondeu:

— Porque esse é o meu trabalho.

Koy ficou surpreso com a resposta, e ela logo acrescentou:

— Se eu disser que a política do senhor Miller mudou, você entende? Enfim, vou desligar. Também estou bastante ocupada.

— A-ah… sim. Muito obrigado por me avisar…

Koy se despediu apressadamente e encerrou a ligação.

A notícia da morte de Dominic Miller saiu nos jornais naquela mesma noite. Só então Koy percebeu que o que Bernice havia dito era real.

‘Ele realmente morreu…’

Ainda atordoado, mas diante da enxurrada interminável de notícias, não havia como negar. Enquanto passava os olhos pelas matérias na internet, Koy se surpreendeu ao ver que Dominique Miller era mais jovem do que imaginava. Ele era sete anos mais novo que o próprio pai de Koy.

‘Mas um alfa extremo não deveria ter uma expectativa de vida maior que a dos outros…?’

A dúvida logo foi esclarecida. A causa da morte foi um incêndio na mansão — e Dominique não foi o único que não conseguiu escapar.

Ashley Miller também morreu.

Ao ver outro nome listado como falecido junto com ele, o coração de Koy afundou por um instante — mas, ao notar a idade indicada ao lado, a tensão em seus ombros diminuiu um pouco.

Com a breve explicação da árvore genealógica apresentada na matéria, Koy compreendeu que o nome completo de Ashley era formado a partir dos nomes do ômega que o deu à luz e do alfa — Ashley Dominique Miller.

— Ah…

Ele murmurou baixinho, como se finalmente tivesse entendido.

‘Como será que ele está agora…?’

‘Deve estar completamente devastado.’

Perder os dois pais ao mesmo tempo deve ser uma dor indescritível. Queria correr e abraçá-lo naquele momento, mas as palavras de Bernice o impediam. Talvez ela tivesse ligado antes justamente por prever que Koy faria isso.

‘Ash está ocupado com o funeral.’

Koy conteve o impulso e respirou fundo. Tudo o que podia fazer era folhear as notícias e verificar se havia alguma menção a Ashley. Enquanto passava por algumas delas, uma em particular chamou sua atenção. Era uma foto de Dominique Miller em vida.

Não havia imagens dele depois que ele deixou a carreira de advogado e se isolou. Todas as fotos disponíveis eram da época em que ainda atuava como advogado, e a que chamou a atenção de  Koy era uma que mostrava justamente o momento em que ele saía do tribunal.

Vestindo um casaco preto sobre um terno caro, era evidente mesmo pela foto que ele era um homem alto e extremamente bonito. Koy já tinha visto imagens dele antes de reencontrar Ashley, mas, mesmo assim, ainda sentia uma sensação avassaladora de intimidação só de olhar.

Com cabelos prateados ainda mais claros que os de Ashley e olhos de um roxo profundo, o homem descia as escadas com um cigarro entre os dedos e uma das mãos no bolso do casaco.

Antes, Koy achava que os dois não se pareciam em nada. Mas agora, por algum motivo, pareciam incrivelmente semelhantes. Chegava ao ponto de ele pensar que, quando Ashley envelhecesse, teria exatamente aquele rosto.

‘O que eu estou pensando…?’

Balançando a cabeça rapidamente, Koy verificou as horas novamente. Já passava da meia-noite, quase duas da manhã.

‘Será que ele já está dormindo…?’

Ele conseguiu conter o impulso de ligar, mas não conseguiu resistir a mandar uma mensagem. Hesitante, digitou com cuidado.

[Ash, você está dormindo?]

Assim que enviou a mensagem, arrependeu-se imediatamente. 

‘Claro que ele deve estar dormindo. Depois de um dia desses… o que eu fui fazer?!’

Quando estava prestes a arrancar os cabelos, o celular vibrou.

[Não.]

Era apenas uma palavra curta, mas suficiente para fazer o coração de Koy disparar. Ele soltou o cabelo que estava apertando e respondeu rapidamente:

[Posso te ligar?]

Ele esperou pela mensagem com o coração acelerado, mas nenhuma resposta veio. Em vez disso, o celular começou a tocar de repente. Assustado, Koy olhou o visor. Era Ashley. Ainda sem acreditar, atendeu às pressas.

— A-alô?

Do outro lado, veio a voz:

— O que foi?

Mesmo sendo apenas uma frase curta, Koy sentiu uma onda de alívio tão grande que sentiu vontade de chorar. Controlando-se rapidamente, ele falou:

— É que… eu soube que seus pais faleceram. Imaginei que você devia estar passando por um momento muito difícil…

Bernice disse que ele estava lidando bem, mas será que era verdade? Sentindo novamente o peito apertar, Koy acrescentou com cuidado:

— Se… se não for problema, eu queria te ver… posso ir até aí?

Ashley ficou em silêncio por um momento. Será que ele estava tentando encontrar uma forma de recusar? Quando Koy começou a ficar inquieto, ouviu-se um suspiro profundo do outro lado. No instante em que sentiu o coração afundar, Ashley falou:

— Se você vier agora, eu vou te abraçar usando só um avental, sem nada por baixo. Tudo bem pra você?

De repente, todas as coisas pervertidas que já tinham feito juntos vieram à mente, e o rosto de Koy ficou completamente vermelho. O coração, que parecia prestes a parar de medo, agora disparava descontrolado.

‘Se for com o Ash… eu gosto também.’

Pensando isso, Koy ia dizer que tudo bem, mas Ashley falou antes:

— Tô brincando. Não precisa vir.

— Ah…

Koy, que já tinha saído da cama para ir até ele, acabou se sentando de novo, desanimado. Quando soltou um suspiro cheio de decepção, Ashley perguntou:

— Ficou decepcionado?

— Sim.

Koy respondeu honestamente.

— Muito.

— Hahaha.

Do outro lado, ouviu-se uma risada. Já fazia tanto tempo desde a última vez que tinha escutado Ashley rir daquele jeito que Koy ficou momentaneamente atordoado. Parecia até que a frieza com que ele o tratara antes tinha sido apenas um sonho.

— Eu também, Koy.

Ashley disse, ainda com um sorriso na voz.

— Não se preocupe, logo logo faremos isso.

— Ah… tá.

Sentindo as orelhas esquentarem, Koy respondeu:

— Vou esperar.

O clima ficou bem mais leve. Será que ele está diferente porque acabou de acordar?

— Você tá muito ocupado? Não te acordei, acordei?

Pensando nisso, Koy perguntou, e Ashley respondeu sem dar importância:

— Tá tudo bem. Eu já não durmo muito mesmo.

Insônia? Aquilo era novidade.

— Mas isso não faz mal? Você disse que já não dorme bem… é insônia? Desde quando?

Pensando bem, mesmo quando estavam juntos, raramente via Ashley dormindo. Ele sempre ia dormir depois e acordava antes de Koy. Considerando os horários de chegada e saída, mesmo ao máximo, ele não dormia nem cinco horas.

Quando, de repente, lembrou da morte de Dominique Miller e sentiu um arrepio de medo, Ashley respondeu:

— Tá tudo bem, não precisa se preocupar. Era só isso?

Koy queria perguntar mais, mas parecia que Ashley não queria falar sobre o assunto, então ele mudou de assunto.

— E… o funeral… deve ter muita coisa para resolver, né?

— Eu não tenho muito o que fazer. O complicado mesmo é o processo de herança.

— Herança?

Koy repetiu, surpreso. Ashley continuou, ainda com desinteresse:

— É. Meu pai deixou coisa pra caralho.

O tom entediado, misturado com o palavrão, fez Koy soltar uma risada sem querer, mas ele rapidamente pediu desculpa. Ashley respondeu com naturalidade:

— Relaxa. Eu também acho um saco.

— Entendi… o processo de herança é muito complicado?

Provavelmente seria completamente diferente dele mesmo, que não tinha nada a herdar e, por isso, quase nada para resolver. Quando Koy perguntou, Ashley respondeu prontamente:

— Tem muita coisa para herdar e muita coisa para resolver. Assim que o inventário for concluído, preciso fazer um novo testamento…

— Testamento? Por quê?

A palavra chamou atenção imediatamente, e Koy reagiu. Ashley fez uma breve pausa antes de responder, indiferente:

— Porque eu também posso morrer de repente.

O clima, que havia melhorado por um momento, esfriou novamente.

 

°

°

Continua….

 

Tradução:  Ana Luiza

Revisão:  Thaís

 

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Em breve será disponibilizado uma sinopse!
Nome alternativo: Kiss Me If You Can

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