Ler Dog And Bird (Novel) – Capítulo 07 Online

↫─☫ Dog And Bird, Capítulo 07
Em algum momento, Seo Gyu-ha acordou. Antes mesmo de recobrar totalmente a consciência, um gemido de dor escapou de seus lábios.
— Ah… porra…
Murmurando o palavrão que agora já havia se tornado um hábito de tanto ser proferido, Gyu-ha mal conseguiu abrir os olhos. Não era fácil erguer as pálpebras, como se alguém tivesse passado cola nelas enquanto dormia.
Ao finalmente conseguir abrir os olhos, viu um braço longo estendido. Olhou para trás com um pressentimento e deu de cara com o rosto de Lee Cha-young, que dormia usando o próprio braço como travesseiro para ele.
— O que é isso?
Só então percebeu a estranheza da situação. Lembrava-se de ter sido atormentado sem parar até cair no sono sem nem ver a hora, mas o desgraçado louco tinha dormido com o membro ainda inserido, sem sequer retirá-lo.
“Sempre fazendo tudo do jeito dele, até morrer.”
Resmungando, ele segurou o braço que envolvia sua cintura. Antes que pudesse empurrá-lo, ouviu a voz do outro perguntando enquanto o abraçava mais forte:
— Acordou?
Era uma voz limpa demais para alguém que acabara de despertar. Em vez de responder, Gyu-ha empurrou o braço de Lee Cha-young mais uma vez.
— Solta. Vou ao banheiro.
Em seguida, veio uma pergunta que o irritou logo cedo:
— Consegue ir sozinho? Vai ser difícil.
— Para de falar merda. Estou prestes a me mijar, então tira logo isso daí.
Mas Lee Cha-young, como sempre, não agiu conforme o esperado.
— Vamos fazer só mais uma vez. Se for rápido, acho que dá tempo certinho.
Sem dar chance de protesto, Cha-young começou a mover o quadril ali mesmo.
Uma expressão de horror surgiu no rosto de Gyu-ha. Como era muito fraco pela manhã, nunca tinha feito sexo matinal logo ao acordar. E agora havia algo muito mais urgente.
— Não ouviu o que eu disse? Eu quero mijar!
Ele se virou furioso, mas Lee Cha-young estava extremamente calmo e indiferente.
— Pode fazer. Eu já estava querendo trocar de cama mesmo.
O movimento de entrada e saída tornou-se um pouco mais rápido. Cha-young acariciou os pelos pubianos de Gyu-ha com a palma da mão algumas vezes e depois segurou o membro dele, balançando-o. Levou os lábios ao pescoço do outro e sugou levemente a pele marcada por vestígios avermelhados aqui e ali.
Não era como se ele estivesse desesperado por sexo. Depois de possuir Gyu-ha dia e noite, o *rut* finalmente havia acabado em algum momento. Independentemente disso, a ereção matinal era um fenômeno natural. E, embora Gyu-ha não soubesse, desde antigamente Lee Cha-young sentia um prazer peculiar quando via Gyu-ha em apuros, pedindo algo relutantemente.
Não era exatamente uma inclinação sádica. Era apenas satisfatório o fato de que aquele cara, que raramente pedia favores, estivesse pedindo algo a ele. E o fato de ele nunca pedir em uma postura submissa era a cara de Seo Gyu-ha.
— Ah, cacete.
Gyu-ha mordeu os lábios, sentindo-se inquieto. Ele tentou arranhar e beliscar o braço que o envolvia por trás, mas Lee Cha-young permaneceu inabalável. Beijando a orelha e o pescoço com estalos suaves, ele continuava as carícias que estimulavam o membro de Gyu-ha. Ele realmente precisava ir ao banheiro com urgência, mas como estava sendo tocado com mãos que tinham um propósito claro, o prazer sexual começou a se infiltrar por entre a vontade de urinar.
Seu corpo se contorcia involuntariamente e as pontas dos pés arranhavam o lençol. Ele sentia que ia enlouquecer, sem saber o que fazer.
“Será que vou me mijar de verdade?”
Só de pensar, já sentia que morreria de vergonha. Lee Cha-young disse que ele poderia fazer, mas, a menos que tivesse levado um tiro na cabeça, não havia como urinar na cama, muito menos durante o sexo.
O membro de Lee Cha-young continuava revirando seu interior. Com os corpos colados por trás, ele repetia o ato de retirar quase tudo e empurrar profundamente de volta. Era uma situação de merda. Se ele o estivesse pressionando freneticamente, Gyu-ha talvez se entregasse e deixasse acontecer, mas como tinha tempo para pensar, era ainda mais enlouquecedor.
— …!
Pouco depois, sentiu algo quente se espalhando em abundância. Por um momento, Gyu-ha ficou horrorizado pensando que tinha se mijado, mas, felizmente, não era ele, e sim Lee Cha-young que havia ejaculado. O pênis que preenchia seu interior de forma apertada saiu lentamente. Após dar um tapa forte na mão de Cha-young que tentava segurá-lo novamente, Gyu-ha apressou-se a sair da cama.
— Ai, caramba.
Assim que se levantou, sentiu vontade de sentar novamente. Suas pernas tremiam como as de alguém que tivesse corrido sem parar com força total. Não apenas as pernas, mas o corpo inteiro doía como se tivesse sido espancado, e algo escorria por suas coxas.
Soltando palavrões repetidos diante daquela situação terrível, Gyu-ha começou a caminhar com uma mão apoiada na cintura. Logo ouviu a voz perguntando atrás de si:
— Consegue ir sozinho?
Gyu-ha rangeu os dentes e sibilou:
— Não está vendo que estou indo? Em vez de arrumar briga, vai preparar a comida, seu merda.
Ele mal conseguiu chegar à porta do quarto, mas, ao abri-la, outro sentimento de desespero o atingiu. Por causa da casa ser absurdamente grande e vazia, a distância até o banheiro não era nada comum.
“Vou pirar, sério.”
A vontade de urinar prestes a explodir continuava ali, então Gyu-ha rangeu os dentes e seguiu caminho.
Ele se preocupou se acabaria se mijando no trajeto, mas felizmente tal tragédia não ocorreu. Ao chegar em segurança ao seu destino, Gyu-ha parou rapidamente diante do vaso sanitário.
Finalmente chegou o momento da libertação. Pouco depois, com o som da descarga descendo em alta velocidade, Gyu-ha finalmente recuperou a paz de espírito.
Mas o conflito veio logo em seguida. Suas pernas ainda tremiam. Sua vontade era voltar e deitar, mas por causa da viscosidade lá embaixo, ele caminhou relutante até o box do chuveiro. No caminho, virou a cabeça casualmente em direção ao espelho do armário e levou um susto enorme.
— O que é isso?
Com razão era difícil abrir os olhos; suas pálpebras estavam inchadas como se tivessem sido picadas por abelhas. Era um milagre ele ter conseguido enxergar o caminho até o banheiro naquele estado.
E o horror não parava por aí. Havia marcas roxas espalhadas por todo o seu torso refletido no espelho, além de vestígios de algo branco e seco. A região do peito estava um verdadeiro caos. Havia feridas que pareciam irritadas e marcas de dentes nítidas ao redor das auréolas.
Sentindo a ardência que o atingiu no momento em que percebeu o estado do corpo, Gyu-ha parou debaixo do chuveiro e ligou a torneira. Talvez por ter sido tão castigado, até a água batendo na pele parecia dolorida. Após ficar parado sob a água morna com a pressão baixa por um momento, ele tomou coragem e levou a mão em direção ao bumbum.
Assim que tocou a entrada, ele estremeceu. Mesmo com a sensação dispersa pela água do chuveiro, ele sentiu claramente que lá embaixo estava assustadoramente inchado e aberto.
Se a entrada estava assim, o interior, que fora atormentado o tempo todo por aquele objeto que parecia uma arma, não poderia estar ileso. Ao pensar no que havia se expandido terrivelmente dentro de si, ele não teve coragem de tocar o interior.
Ainda assim, ele não poderia sair dali sem fazer a limpeza. Após desligar o chuveiro por um instante, Gyu-ha parou com as duas pernas afastadas de forma estável. Apoiou o corpo com o braço esquerdo na parede e levou a mão direita novamente para trás. Assim que inseriu o dedo no orifício inchado e o puxou, o esperma que restava lá dentro começou a escorrer.
— Ele gozou pra caramba, credo.
Enquanto se esforçava para tirar o que estava lá dentro, a raiva subiu tardiamente.
Um alfa no *rut* não passava de um cachorro. Como uma máquina de sexo quebrada, ele continuou o ato sem parar e, durante todo esse tempo, não retirou o membro do orifício nem uma única vez. Mais tarde, Gyu-ha chegou a chorar implorando para que ele tirasse, mas foi inútil. Exceto quando gritou furioso que estava morrendo de sede e conseguiu uma garrafa de água, e quando retirou o esperma que transbordava, ele teve que carregar o membro de Lee Cha-young o tempo todo.
Portanto, não havia como seu ânus estar normal. Após contrair e relaxar a musculatura por um tempo, ele ligou o chuveiro novamente ao concluir que não sairia mais nada.
Aumentou a pressão da água ao máximo e a aproximou de sua parte de baixo. Seu corpo estremeceu com a sensação estranha da água batendo na parede interna. No fim, Gyu-ha não aguentou muito tempo e desligou o chuveiro. Quando finalmente terminou a limpeza, estava exausto e sentia que poderia desmaiar e dormir a qualquer momento.
Nesse meio tempo, Lee Cha-young estava parado à porta com os braços cruzados. Seu olhar estava fixo na direção do banheiro, um pouco distante.
Gyu-ha parecia ter achado que ele estava zombando quando perguntou se ele conseguiria ir sozinho, mas não era brincadeira. Como previsto, o caminhar dele parecia extremamente instável. No entanto, como o cara teimoso que era, ele acabou entrando no banheiro, e Lee Cha-young continuava vigiando aquela direção.
“O que eu faço?”
Já fazia bastante tempo e ele ainda não tinha saído, então devia estar tomando banho. E certamente não era apenas um banho. Ele provavelmente estava lá se esforçando sozinho para se limpar, e só de imaginar a cena, Cha-young sentiu que poderia ter uma ereção novamente.
Por isso, Lee Cha-young não se atrevia a se mover. Fazer a limpeza para ele não seria nada difícil e, de certa forma, seria cavalheirismo, mas o problema era se ele conseguiria parar por aí.
Para ser sincero, ele não tinha confiança. Ele conseguia visualizar perfeitamente a cena de si mesmo tentando consolar o cara que estaria soltando palavrões de dor enquanto inseria os dedos no orifício inchado para retirar o esperma acumulado e, ao observar as costas dele tremendo, acabaria empurrando o pênis para dentro novamente.
Se fizesse isso, desta vez Gyu-ha realmente não conseguiria ficar de pé. Havia outro ponto. Como ele resolveu fazer mais uma vez agora há pouco, não sobrava muito tempo até o horário de trabalho. No momento em que abrisse aquela porta, o atraso estaria garantido.
No fim, Lee Cha-young desistiu da ideia e entrou no banheiro da suíte. A água caindo molhou seu corpo firme, lavando o suor e os fluidos corporais. Após o banho, ele saiu vestindo um roupão novo e viu Gyu-ha vestindo as calças em uma postura desajeitada.
— Já vai?
— Vou, o que mais você queria?
Gyu-ha respondeu sem sequer olhar para ele enquanto fechava o zíper da calça.
Antes ele estava atordoado e não percebeu, mas assim que voltou para o quarto, sentiu um calafrio na pele. Mesmo sem saber ao certo, era óbvio que o quarto estava impregnado com os feromônios de Lee Cha-young.
— Se estiver cansado, descanse antes de ir. Quer que eu peça algo para você comer?
— Não precisa.
Após responder secamente, ele fechou os botões da camisa rapidamente. Seus sentidos continuavam aguçados. Fora isso, parecia não haver nada de errado, mas ele achou melhor sair dali o quanto antes.
Ele pegou a chave do carro e o celular, que milagrosamente não esqueceu, e estava prestes a sair quando Lee Cha-young disse “Espera um pouco” e saiu na frente para a sala.
Ao voltar, ele trazia um borrifador nas mãos. A expressão de Gyu-ha mudou levemente ao vê-lo borrifar diligentemente, como se estivesse regando plantas.
“Estou fedendo? Eu acabei de tirar a roupa e colocar de novo.”
Uma vez consciente disso, ele começou a se preocupar. No fim, ele cheirou o próprio braço, e Lee Cha-young perguntou curioso:
— O que está fazendo?
— Vendo se estou fedendo.
Então, ele respondeu com um leve sorriso:
— Não se preocupe. É um neutralizador de feromônios.
Graças a isso, Gyu-ha teve certeza. Como imaginado, Lee Cha-young devia ter liberado tantos feromônios que precisava usar um neutralizador. Ele já suspeitava, mas ouvir isso da boca dele deu uma sensação estranha.
— Vira de costas.
Gyu-ha virou-se obedientemente e expressou sua reclamação tardia:
— Por que você libera feromônios enquanto dorme comigo?
— Eu já disse. É uma força maior.
— O quê?
— Não tive escolha.
Embora não gostasse de sexo movido por feromônios e nem precisasse disso ao possuir um beta, desta vez a situação era diferente. Lee Cha-young também não era exceção ao aumento anormal do desejo sexual durante o ciclo de *rut*.
Embora não pudesse sentir o cheiro de um ômega que enlouquece um alfa em lugar nenhum, Lee Cha-young manteve seus feromônios completamente abertos durante os três dias de relação. Como ele liberou tanto a ponto de inundar a casa toda, era natural que Gyu-ha também estivesse com o cheiro dele.
— Pronto.
Quando ele parou de borrifar, estranhamente Gyu-ha sentiu que ficou um pouco mais fácil respirar. Ele encarou Lee Cha-young com o cenho franzido. Os olhos dele já haviam retornado à cor original.
— Se me chamar de novo durante o seu cio, considere-se um homem morto.
— Por quê? Você também não aproveitou?
Ele não estava zombando ou tentando irritá-lo de propósito, sua expressão era de quem realmente perguntava se não fora assim. Gyu-ha respondeu rangendo os dentes:
— Aproveitar tem limite. Passar vários dias sem dormir fazendo isso é coisa de ser humano?
Só de pensar, sentiu uma pontada lá embaixo novamente. Ao mesmo tempo, seu olhar voltou-se involuntariamente para a parte central de Lee Cha-young.
“Ele ficou o tempo todo inserido, será que aquele cara está bem? Deve estar esfolado ou inchado…”
— Está olhando porque quer mais? Vai ser difícil por causa do trabalho.
— Cala a boca, seu merda.
Como achou que sua pressão subiria se ficasse mais tempo, Gyu-ha virou-se sem hesitar. Ouviu a voz dele falando calmamente atrás de si:
— Espera um pouco. Eu te levo.
— Suma.
Como estava de mau humor, nada o agradava. Gyu-ha calçou os tênis grosseiramente e abriu a porta social. Assim que saiu, soltou um longo suspiro. O corredor que levava ao elevador parecia irritantemente longo hoje.
Por causa da ardência lá embaixo, ele saiu da vila caminhando desajeitadamente e foi recebido por uma luz solar ofuscante. Era a primeira vez que via o cenário externo em três dias.
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Ao chegar em casa, Gyu-ha jogou-se na cama sem nem tirar a roupa. Quando acordou depois de dormir profundamente como alguém que desmaiara, o lado de fora da janela já estava completamente escuro.
— Estou morrendo de dor, cacete.
As sequelas de ter abusado do corpo durante todo o fim de semana pareciam estar chegando agora; ele sentia dor no corpo todo, como se tivesse levado uma surra. Ele ficou deitado fazendo caretas e finalmente se levantou para ir ao banheiro. Após se aliviar e beber um copo de água num gole só, voltou ao quarto e ligou o celular.
Mas a tela estava escura. Após encontrar o carregador e conectá-lo, Gyu-ha deitou-se na cama novamente. Era desconfortável ficar sentado porque “lá” ainda estava latejando.
Pouco depois, ao ligar o celular novamente, a tela brilhou junto com o som de vibração constante. Esperou mais um pouco e viu seu papel de parede familiar. Então, uma enxurrada de mensagens de texto e notificações de aplicativos começou a cair de uma vez, como se ele estivesse recebendo uma ligação.
Com o braço esquerdo servindo de travesseiro, Gyu-ha verificou primeiro as mensagens de texto. Viu primeiro a mensagem do “Urso” perguntando o que ele estava fazendo e, bem mais abaixo, havia mensagens de Oh Tae-seok, o que era incomum.
[Sou eu. Me liga quando ver a mensagem]
[Por que não atende as ligações. Pode ligar a qualquer hora, me liga por favor]
[Não aconteceu nada, né?]
— O que deu nele?
Oh Tae-seok não tinha enviado apenas mensagens. Ao ver que também havia registros de chamadas perdidas, Gyu-ha apertou o botão de ligar como se estivesse fazendo um favor.
Um cara que mal dormia por causa do trabalho no hospital não ficaria ligando sem motivo durante todo o fim de semana. Logo o som de chamada parou e ele ouviu a voz familiar.
— Alô? Gyu-ha?
— Se você já sabe, por que pergunta.
— O que você andou fazendo que não atendeu o telefone o fim de semana todo? Aconteceu alguma coisa?
Como sabia o que ouviria se respondesse que estava transando, Gyu-ha deu uma resposta evasiva e mudou de assunto rapidamente.
— Só estive um pouco ocupado. Por que ligou?
— É que…
Ele hesitou, o que não era do seu feitio, e continuou com uma voz de desculpas:
— A prescrição do remédio estava errada. Sinto muito mesmo.
As pupilas de Gyu-ha se dilataram diante das palavras inesperadas. Oh Tae-seok acrescentou a explicação em tom rápido:
— Parece que no dia em que você veio, havia muitos pacientes para exames internos. O Dr. Yoon estava indo e vindo entre dois consultórios atendendo os pacientes, e parece que ele se confundiu porque havia um paciente com um nome parecido com o seu. Justo aquele paciente também era um ômega masculino… Sinto muito mesmo. Não tenho nem palavras para me desculpar.
O rosto do médico desgraçado que fizera o atendimento no lugar de Oh Tae-seok naquele dia veio à sua mente. Com o cenho bem franzido, Gyu-ha finalmente falou:
— Então que remédio foi esse que eu tomei?
— É um tipo de suplemento para fortalecer as funções corporais… não deve haver problema mesmo se você tiver tomado.
Ao ouvir Oh Tae-seok, ele se lembrou de outra coisa.
“Com razão. Minha pele estava formigando estranhamente durante o sexo.”
— Passe no hospital amanhã quando tiver tempo. Vou te dar a receita certa.
— Se é só para pegar o remédio, não posso ir a um hospital do bairro?
— Pode ser. Enfim, sinto muito mesmo.
— Você não tem que se desculpar por nada. A culpa foi daquele charlatão. E o que vai acontecer com aquele charlatão?
— … Depende de você. Ele queria entrar em contato pessoalmente, mas eu disse para ele esperar por enquanto.
Desta vez, ele não pôde deixar de elogiar o julgamento de Oh Tae-seok. Se aquele charlatão tivesse ligado pessoalmente para explicar a situação, Gyu-ha poderia ter ido até lá e quebrado tudo, movido pelo sentimento de indignação.
— Já entendi, tchau.
Oh Tae-seok, percebendo que a ligação seria encerrada logo, fez um último pedido rápido:
— Vá ao hospital amanhã mesmo. Entendido?
— Já entendi.
Para evitar sermões, ele apertou o botão de encerrar. Decidiu pensar com calma no que faria com o charlatão e continuou verificando as mensagens.
Tinha mensagem do irmão mais velho dizendo que “Tae-seok está te procurando”, mensagens da operadora de cartão de crédito e também uma mensagem enviada por Lee Cha-young por volta do meio-dia.
[Você está bem?]
[Esqueci de dizer antes, mas se tiver pomada para fissuras, passe um pouco]
[Me responda quando ver a mensagem. Assim eu fico mais tranquilo]
— Tranquilo uma ova.
É por isso que as pessoas grudam tanto nele.
De repente, lembrou-se de uma memória de infância. Quando era obrigado pela mãe a frequentar a mesma academia de Taekwondo que Lee Cha-young, naquela época ele também costumava ser gentil e prestativo com quase todo mundo.
Por causa disso, vivia acontecendo guerra de nervos entre as meninas. Às vezes a briga era séria, com puxões de cabelo e arranhões de unha, o que para a sua mente de criança era um verdadeiro choque cultural.
Mesmo ao se reencontrarem como adultos, a gentileza superficial dele continuava a mesma. Mas Seo Gyu-ha não se deixava enganar. Para Lee Cha-young, a “gentileza” era como um hábito ou costume impregnado no corpo, mas ele nunca saía perdendo.
Mesmo neste caso foi assim. Se Lee Cha-young fosse realmente um cara gentil, ele não teria possuído de forma tão implacável um beta que não tem cio durante o seu *rut*, quando o desejo sexual fica fora de controle.
Pensar nisso fez com que sentisse dor novamente, então ele levou a mão discretamente para baixo. Ao encostar as costas da mão na entrada, como esperado, ainda estava quente. Era natural, já que algo como uma estaca entrou e saiu dali sem parar.
Gyu-ha enviou uma resposta tardia com uma expressão carrancuda.
[Traga pomada e traga frango também]
[Bem frito e crocante e apimentado]
Era um tipo de desabafo. Ele não queria que ele viesse de verdade, sua intenção era rir muito quando recebesse uma resposta que certamente estaria cheia de desculpas.
*Ronco—*
Parece que sua consciência realmente voltou, pois a fome bateu tardiamente. Como não havia nada para comer em casa, Gyu-ha abriu imediatamente o aplicativo de entrega para ver o cardápio. Primeiro ele ia saciar a fome, pois saco vazio não para de pé.
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— Ah, a taça da Ji-hye está vazia. Aceite uma dose.
— Não, obrigada. Eu já ia parar de beber.
— Ah, não pode parar agora. Se você ficar bêbada, eu te levo, então não se preocupe e aceite.
— Eu realmente não quero beber mais. Beba você, Hong-jun.
Com o tom de voz irritado, os olhares de todos voltaram-se subitamente para um lugar só. Diante dos olhares repentinos, o rosto de Park Hong-jun ficou vermelho. Independentemente disso, Lee Cha-young bebia calmamente o seu copo.
Todos no departamento de planejamento sabiam que Park Hong-jun tinha interesse em Yoo Ji-hye, que era sua colega de entrada na empresa. Era porque ele agia de forma óbvia, indo falar com ela sempre que tinha chance ou deixando café apenas na mesa de Yoo Ji-hye. Havia até boatos de que ele já tinha levado um fora, mas Park Hong-jun não desistia e continuava tentando.
Percebendo o clima estranho que se formou por causa de um membro de sua equipe, o Chefe Choi pegou logo o copo de soju e disse:
— Me dê uma dose, Hong-jun. A bebida está descendo muito bem.
— Parece que a carne está mais gostosa hoje também.
Kwak Min-seop, que era perspicaz, também deu apoio. Graças a isso, eles voltaram a brindar e o clima retornou ao normal.
O jantar da empresa foi decidido subitamente hoje à tarde. O Diretor Yoon apareceu com a notícia de que, após uma série de reuniões, o plano de planejamento do quarto trimestre finalmente havia sido aprovado e sacou o cartão corporativo sem hesitar. Por causa disso, todos do departamento de planejamento estavam reunidos para o jantar.
Um jantar de empresa começando na segunda-feira não era nada agradável, mas todos, independentemente do que sentiam por dentro, riam e comiam com vontade. Lee Cha-young também estava presente e bebia alguns goles de cerveja de vez em quando. Ele não gostava nem de soju nem de cerveja, mas preferia se adaptar para não se cansar explicando o motivo.
A qualidade da comida também não era lá essas coisas. Ele ficou sentado fingindo comer e, quando viu uma oportunidade, pegou o maço de cigarros e o celular e se levantou.
— Vou ao banheiro rapidinho.
Como todos já tinham bebido um pouco, ninguém deu muita importância. Lee Cha-young saiu e foi para um lugar afastado do restaurante para acender um cigarro. Após ficar sentado em um lugar impregnado com cheiro de comida, sentir o ar frio do lado de fora era revigorante.
*Zzzzz—*
O celular em sua mão vibrou. Assim que verificou a tela, soltou uma risada. Finalmente veio uma resposta de Seo Gyu-ha, que ficara em silêncio o dia todo.
[Traga pomada e traga frango também]
Sua risada ficou mais profunda. Parecia que ele tinha acabado de acordar depois de dormir muito, e ele conseguia visualizar perfeitamente a expressão de quem enviou aquela mensagem com toda a insatisfação do mundo no rosto.
Além disso, lembrou-se do rosto de Gyu-ha que vira hoje de manhã. Seus olhos estavam avermelhados como os de quem chorou a noite toda, e seus lábios estavam ressecados e com crostas de sangue.
Eram todas marcas criadas por ele. Desde que o primeiro *knotting* foi bem-sucedido, ele possuiu Gyu-ha como um louco. Ele nem se lembrava de como o tempo passou. Apenas a imagem dele chorando e soltando palavrões durante o sexo pesado, e o orifício que, apesar disso, continuava a apertar com avidez como se o estivesse apressando, e a memória de estar completamente mergulhado naquilo, balançando o quadril em transe e ejaculando sem hesitar toda vez que sentia a vontade, estavam nítidas.
Logo, um sorriso amargo surgiu em seu rosto. Só de lembrar do que aconteceu de manhã, sentiu um repuxo em sua região íntima.
Ele mudou de ideia sobre enviar uma resposta. Ele estava esmagando a bituca de cigarro, que já estava bem curta, no cinzeiro improvisado quando alguém falou com ele subitamente:
— Você estava aqui.
Ao virar a cabeça, viu o rosto de Yoo Ji-hye. Lee Cha-young logo respondeu com um sorriso gentil:
— Eu já estava prestes a entrar. Você veio tomar um ar também.
— Sim. É que…
Ela hesitou por um momento e logo continuou com o olhar fixo nele:
— Se não houver problema, gostaria de ir beber algo comigo depois?
A expressão de Lee Cha-young mudou de forma sutil. Tanto pela nuance quanto pela proposta, era um convite que subentendia outras intenções. Ele já tinha percebido vagamente que Yoo Ji-hye tinha interesse nele, mas não esperava que ela falasse isso neste momento.
Objetivamente, Yoo Ji-hye era uma mulher muito interessante. Se ela conseguiu entrar no departamento de planejamento da JM Eletrônicos, tinha competência, e ela tinha uma autoconfiança moderada e senso de estilo. Mas esse era justamente o problema. Ele não tinha vontade de se envolver com uma funcionária da própria empresa, assumindo riscos previsíveis.
Acima de tudo, ele não precisava de ninguém para uma noite ultimamente. Pois tinha um parceiro de sexo beirando a perfeição.
Observando o rosto de Yoo Ji-hye, que misturava expectativa e nervosismo, Lee Cha-young respondeu com um sorriso que parecia lamentar:
— Sinto muito, mas não vai dar. Tenho um lugar onde preciso ir depois do jantar.
— … A esta hora da noite?
— Sim. É um compromisso importante, não posso faltar.
A expressão de Yoo Ji-hye tornou-se curiosa. Lee Cha-young antecipou-se ao ver isso. Ele não gostava que uma mera colega de trabalho se interessasse por sua vida privada, e não tinha necessidade de contar nada.
— Vamos marcar um encontro com os colegas de entrada na próxima. Vou indo primeiro.
Sentiu o olhar dela em suas costas, mas caminhou sem dar importância. Ao voltar para o restaurante, o clima era de encerramento, no momento ideal.
— Todos vão para o segundo round, certo?
Diante da pergunta do Diretor Yoon, que estava visivelmente embriagado, os funcionários que estavam por perto responderam rapidamente:
— Claro, Diretor. Se não bebermos em um dia como hoje, quando beberemos? Haha.
— É por isso que eu gosto do Gerente Kang.
Ao contrário de quando entraram, o caminhar de todos agora era relaxado e sem pressa. Ele ia se retirar discretamente quando viu a oportunidade, mas o Diretor Yoon, que caminhava à frente, aumentou o tom de voz subitamente:
— Falando nisso, onde foi o Cha-young?
Em um instante, os olhares de todos voltaram-se para o mesmo lugar. Lee Cha-young estalou a língua com irritação internamente.
Desde que entrou na empresa, as pessoas já sabiam que ele era o filho do dono e, por isso, o clima era de cautela. No entanto, como ele tomou a iniciativa de almoçar com eles e até se voluntariou para fazer hora extra, agora ele se dava bem com todos de forma tranquila.
Apenas uma pessoa, o Diretor Yoon, às vezes deixava isso explícito dessa maneira. Um suspiro de incômodo escapou. Ele ia falar algo com atraso quando, inesperadamente, o Chefe Choi veio ao seu resgate:
— O Cha-young está vindo logo atrás. Mas, Diretor, desta vez…
Seguiu-se uma mudança rápida de assunto. Ao ouvir os elogios, o Diretor Yoon logo se ocupou em se gabar, esquecendo de quem estava procurando.
Ao observar a oportunidade, o momento certo chegou. Vendo os superiores, liderados pelo Diretor Yoon, entrarem no prédio do karaokê, Lee Cha-young disse às pessoas próximas:
— Vou indo primeiro.
— Hein? Não vai para o segundo round?
— Não. Tenho um compromisso.
Então, Park Hong-jun interveio com um tom de voz desagradável:
— Vai conseguir aguentar as consequências? O Diretor vai ficar te procurando desesperadamente.
Lee Cha-young ignorou-o completamente e pediu a Kwak Min-seop:
— Se alguém perguntar por mim, diga que eu não estava me sentindo bem e fui embora primeiro.
— Ah, é verdade. O Cha-young tirou meio período na semana passada, né? Pode ir tranquilo que eu explico bem.
— Obrigado. Então, até amanhã.
Lee Cha-young virou-se e começou a caminhar. Antes de ir para o estacionamento, pretendia passar primeiro na farmácia.
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↫─☫ Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna
Ler Dog And Bird (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
Em um mundo onde há 99,9% de chance de Alfas serem homens e Ômegas serem mulheres.
Seo Gyuha nasce como a rara exceção: um Ômega masculino. No entanto, tendo crescido mais como um beta, ele quase não está ciente de sua própria identidade omega.
Após uma noite de bebida e festa como de costume, ele acorda em uma manhã de fim de semana com uma dor de cabeça insuportável — apenas para se deparar com uma situação surpreendente…