Ler Dog And Bird (Novel) – Capítulo 03.2 Online


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↫─☫ Dog And Bird, Capítulo 03 – Parte 02

A previsão não estava errada. Assim que abriu os olhos de manhã, seu corpo inteiro parecia pesado e mole como algodão encharcado. A disposição havia desaparecido sem deixar rastros. Não tinha vontade de fazer nada, nem sentia fome.

Como já imaginava que seria assim, tentou forçar o sono repetidamente, até que chegou um momento em que o sono não vinha mais. Mesmo assim, Seo Gyu-ha não saiu da cama. Enquanto mantinha os olhos fechados com uma expressão de total desagrado, o toque do celular rompeu o silêncio. Ao verificar o nome na tela, ele fechou os olhos novamente e atendeu.

— O que é?

— Alô? Estava dormindo?

— Só estou deitado.

— Por que essa voz de quem está morrendo? Logo você, que se divertiu horrores sozinho ontem.

— É por ter me divertido horrores sozinho que estou assim, por quê?

Ouviu-se uma risada espalhafatosa do outro lado. Com o celular apoiado sobre a orelha, Seo Gyu-ha falou:

— Por que ligou?

— Hoje é aniversário do desgraçado do Byeong-cheol, combinamos de nos reunir, lembra? Liguei porque tinha certeza de que você ia esquecer.

A suposição de Park Chan-ung estava correta. Yun Byeong-cheol vinha fazendo alarde dizendo que o aniversário estava chegando, mas como Gyu-ha ouviu por um ouvido e deixou sair pelo outro, não sabia que era hoje.

— Você vem, né?

— Vou ver.

Mesmo respondendo assim, a probabilidade de ele ir era de 99%. Apesar do porte físico robusto e da cara de poucos amigos, Yun Byeong-cheol era um sujeito de uma mesquinhez sem igual. Não era qualquer coisa; se ele faltasse à reunião de aniversário, era certo que o outro jogaria isso na sua cara pelos próximos meses.

— Parece que você tem medo do Yun Byeong-cheol.

— Vai se ferrar. A gente evita a merda não por medo, mas porque é suja.

— Então, quer dizer que você tem medo, sim.

— Estou dizendo que evito porque é suja!

— Esse aí perdeu o juízo de vez. Ainda não acordou direito?

— Cala a boca e diz logo a hora e o lugar.

Após obter a informação desejada, Seo Gyu-ha desligou o telefone sem hesitar. Fechou os olhos novamente, mas logo os abriu de leve e ajustou o alarme do celular. Como disseram que seria às oito, ele pretendia ir por volta das dez apenas para marcar presença.

Contudo, não demorou muito para o telefone tocar de novo. Certo de que era Park Chan-ung, ele pegou o aparelho resmungando internamente.

— Esse idiota, podia ter falado tudo de uma vez para não amolar… Hein?

Ao olhar para a tela, sua expressão mudou para uma de surpresa. Não era o “Urso”, era o Lee Cha-gae. Já que estava com o celular na mão, resolveu fazer um agrado e atendeu.

— Oi.

— Alô? O que está fazendo?

— Dormindo.

Então, ouviu-se aquela voz risonha que era a marca registrada do sujeito.

— Que talento. Consegue até atender o telefone dormindo.

Se estivesse bem disposto, ele teria entrado na brincadeira, mas não estava em condições para isso. Mudando da posição de lado para a de barriga para cima, Seo Gyu-ha respondeu rispidamente:

— Por que ligou?

— Só queria saber se você realmente tinha ficado indisposto. Mas sua voz parece um pouco abatida, mesmo.

Não havia necessidade de dizer que era porque ele tinha passado o dia inteiro de boca fechada. Quando ia dizer para ele desligar se não tivesse assunto, a voz do outro continuou:

— Você está realmente mal?

— Já disse que estou mal. Por acaso você vive sendo enganado?

— E o hospital?

— Não é para tanto. Se não tiver mais nada a dizer, desliga.

Seo Gyu-ha apertou o botão de encerrar. As intenções de Lee Cha-young eram óbvias. Como a noite se aproximava, ele devia estar começando a pensar em sexo, mas Gyu-ha não dava a mínima. No estado atual, com a disposição totalmente ausente, ele tinha preguiça até de mexer um dedo, quanto mais de transar.

Ele deve ter pegado no sono sem perceber. De repente, o som da campainha irritou seus sentidos. Seo Gyu-ha abriu os olhos de fenda e, logo em seguida, afundou o rosto no travesseiro, resmungando: “Esses desgraçados…”.

Às vezes, apareciam pessoas em duplas dizendo que vieram “trazer boas notícias”, e ele presumiu que fosse esse o caso. Fora isso, não havia ninguém que viria à sua casa sem permissão.

— Se eu ficar quieto, eles vão embora.

Mas a previsão de Seo Gyu-ha falhou. Como se estivessem com uma mágoa profunda por não poderem apertar a campainha, o som de *dim-dom, dim-dom* continuou tocando com breves intervalos. Como a porta do quarto estava aberta, nem cobrir a cabeça com o edredom evitava a poluição sonora. Por fim, Seo Gyu-ha chutou a coberta e levantou-se irritado.

— Ficou lou…!

Ele abriu a porta com impetuosidade, pronto para brigar, mas parou subitamente. No lugar das pessoas que esperava, um indivíduo completamente diferente estava parado diante da porta.

— Por que demorou tanto para sair? Estava dormindo?

Era Lee Cha-young. Diante da visita inesperada, em vez dos palavrões que estavam prontos em sua boca, saiu uma voz atordoada:

— …O que você está fazendo aqui?

— Saí para resolver umas coisas e resolvi passar aqui rapidinho. Posso entrar?

Enquanto balbuciava, Gyu-ha acabou abrindo caminho sem querer. Logo em seguida, Cha-young entrou na sala, encarou-o e perguntou:

— Ainda não jantou, né? Trouxe mingau.

Talvez por ser final de semana, Lee Cha-young não usava o terno de sempre; vestia um suéter de gola V e calças que pareciam confortáveis. Ver um sujeito assim parado na sala de sua casa parecia extremamente estranho. Gyu-ha finalmente recobrou os sentidos e falou:

— Como descobriu onde eu moro?

— Liguei para a sua mãe e perguntei. Achei que você não me contaria.

Em seguida, Lee Cha-young levantou levemente a sacola de papel com o mingau.

— Quer comer na mesa?

— Deixa pra lá. Não estou com vontade.

— Coma um pouco, nem que seja pela consideração de eu ter trazido. Sua mãe estava preocupada, achando que você não tinha comido nada o dia todo.

— Ah, sério, pra que fazer isso…

Havia irritação no gesto de Gyu-ha ao passar a mão pelo cabelo. Não era nada novo ele ficar assim todo final de mês; bastavam uns dois dias para ele estar firme e forte novamente, como se nada tivesse acontecido. Sua mãe certamente sabia disso, mas parece que ela aproveitou a chance e deu o endereço de sua casa.

— Então eu levo para o quarto. Posso usar a cozinha?

Antes mesmo que ele pudesse responder, Lee Cha-young caminhou por conta própria em direção à cozinha. Observando aquelas costas que se afastavam a passos largos, ostentando uma estatura privilegiada, Gyu-ha subitamente se lembrou de memórias antigas.

Por causa da amizade entre as mães, eles se encontravam com bastante frequência quando eram crianças para brincar juntos. Mas isso era coisa de uma infância remota. Depois que ele foi estudar no exterior, ficaram mais de dez anos sem um único contato e, embora Gyu-ha tivesse ouvido falar que ele tinha retornado ao país, era algo que não lhe dizia respeito.

O reencontro também foi fruto do acaso. Por algum motivo, acabaram se encontrando quase toda semana, mas era algo que ele teria feito com qualquer outra pessoa, não necessariamente com Lee Cha-young. Em suma, o cara à sua frente não era nada mais, nada menos que um “parceiro compatível”. Ele pensava que o outro sentia o mesmo.

Mas hoje, vendo-o vir até sua casa após ouvir que ele estava mal, um pensamento lhe ocorreu. Como ele era um cara de apetite sexual voraz, era bem provável que tivesse vindo para ver se conseguia transar, dependendo da situação… Mas havia tantas pessoas por aí que se aproximariam dele como borboletas atraídas pelo perfume das flores, que vê-lo trazer até mingau o fazia questionar se não havia “algo mais”.

Parado com o cenho franzido, Seo Gyu-ha finalmente caminhou em direção à cozinha. Achou melhor deixar as coisas claras agora para ficar tranquilo.

— Ei.

Ao chamado curto, seus olhos se encontraram com os de Lee Cha-young, que se virou. Gyu-ha coçou a nuca e voltou a falar:

— Estou perguntando só por precaução, mas você não tem segundas intenções comigo, tem?

— Segundas intenções?

Como se tivesse entendido o sentido na hora, Lee Cha-young soltou um “Ah” e deu um sorriso leve.

— Se você está perguntando se eu sinto atração ou afeto além da amizade, a resposta é Não.

— Então por que veio até a minha casa agora?

— Já disse. Lembrei que aquele cara que estava todo eufórico no show disse que ficaria doente a partir de amanhã, por isso liguei. Mas como sua voz parecia realmente ruim, resolvi dar uma passada.

— …Então quer dizer que você não tem nenhuma outra intenção, certo?

— Nenhuma. E o mingau eu trouxe porque sua mãe pediu.

Em seguida, Lee Cha-young acrescentou mais algumas palavras:

— Garanto que o que você está temendo nunca vai acontecer no futuro. Ainda não pretendo namorar e, quando me casar, obviamente será com um Ômega.

Diante disso, Seo Gyu-ha perguntou com uma expressão de surpresa:

— Você pretende se casar?

— Quando chegar a hora, sim. De preferência com alguém que pense como eu.

— O que quer dizer com isso?

— Não pretendo passar a vida inteira preso a uma única pessoa.

O cenho de Seo Gyu-ha foi se franzindo gradualmente. Como ele vinha de uma família que não era comum, um casamento arranjado seria o esperado, mas ouvi-lo dizer isso tão abertamente o fazia pensar que ele era um sujeito realmente descarado e de cara de pau.

— Minha mãe precisava saber que você é um tipo de canalha assim.

— Eu jamais diria algo assim na frente dela.

Ao vê-lo sorrir, o coração de Gyu-ha reagiu de forma inoportuna. Ele estalou a língua e desviou o olhar, enquanto a voz suave do outro continuava:

— O mingau deve estar esfriando. Quer que eu leve para o quarto?

— Deixa aí que eu como depois. Pode ir embora.

— Eu sei que você não vai comer se eu deixar aí. Vou servir e levar para você.

Observando as costas dele se movendo ativamente, Seo Gyu-ha suspirou repetidamente. Se a cara desse sujeito não fosse exatamente o seu tipo… Com esse pensamento inútil, ele voltou para o quarto.

Sentado e encostado na cabeceira da cama, ficou olhando o celular por um momento, quando um pensamento súbito o fez paralisar.

— Merda.

Ele saltou da cama e correu para fora do quarto. Percebendo a movimentação, Lee Cha-young olhou para trás. Ao ver Seo Gyu-ha aparecer apressado como alguém sendo perseguido, ele perguntou com estranhamento:

— O que foi?

Sem dar atenção, Seo Gyu-ha olhou freneticamente ao redor. “Onde eu deixei aquilo mesmo? Ele não pode ter visto…”.

— Ali está!

Seu olhar errante parou sobre a mesa de jantar. Seo Gyu-ha esticou o braço rapidamente, pegou algo e voltou para o quarto como se estivesse fugindo.

Olhou ansioso pelo quarto até encontrar a mesa de cabeceira e guardou apressadamente o objeto ali dentro. O som da gaveta fechando ecoou alto. Ao olhar para trás, felizmente Lee Cha-young não estava lá, e só então Seo Gyu-ha soltou um suspiro de alívio.

Ele ficou tão desesperado naquele instante que chegou a suar frio nas costas. Voltou para a cama e concentrou-se em um jogo no celular, até que, pouco depois, ouviu batidas na porta aberta.

— Vou entrar.

Lee Cha-young trazia uma bandeja com estampa de flores. Era algo que nem o próprio dono da casa tinha visto antes.

— Come.

Ao receber, viu que o mingau estava em uma tigela de cerâmica branca, em vez do pote de plástico. Tanto os acompanhamentos quanto os talheres pareciam ter sido tirados do armário de sua própria casa.

— Podia ter trazido no pote mesmo, para que todo esse trabalho?

— Assim parece que houve mais dedicação, não acha?

— Dedicação é o caralho.

Resmungando, ele mexeu no mingau e levou uma colher à boca. O sabor estava melhor do que imaginava. O tempero estava no ponto e, como havia muitos frutos do mar, não era sem graça. Enquanto comia com vontade, como se nem tivesse relutado antes, Lee Cha-young sentou-se na borda da cama e perguntou com um tom casual:

— Você deixou alguma coisa estranha na mesa de jantar?

— Cof, cof…!

O mingau que estava em sua boca espirrou para fora. “Ah, droga”. Seo Gyu-ha limpou o que havia sujado o canto da boca com as costas da mão e olhou ao redor. Mas não havia lenços por perto. Vendo isso, Lee Cha-young levantou-se, saiu do quarto e voltou com um pote de lenços umedecidos que encontrou em algum lugar.

— Limpa. Sujou até a roupa.

Ao baixar a cabeça, viu que realmente havia mingau na roupa. Enquanto limpava com força e irritação, Lee Cha-young sentou-se novamente na cama e o encarou.

— Parece que tinha alguma coisa mesmo, hein?

— Não tinha nada.

Ele respondeu irritado, mas Lee Cha-young nem piscou. Pelo contrário, cruzou os braços calmamente com uma expressão de total superioridade.

— Agora ficou ainda mais suspeito. Você deixou algum brinquedo sexual em cima da mesa?

Seo Gyu-ha fez uma expressão de indignação.

— Ficou maluco? Por que eu deixaria uma coisa dessas na mesa de jantar?

— Como você não disse que não tem, parece que tem alguma coisa, sim.

Ele sentiu um sobressalto momentâneo, mas fingiu que não era nada.

— Não tem nada, seu idiota.

Por hábito, conferiu o relógio no celular e percebeu que já estava na hora de começar a se preparar para sair. Ele pousou a bandeja e levantou-se, mas Lee Cha-young agarrou seu braço rapidamente.

— Ficou bravo porque eu te provoquei?

— Não viaja. Tenho um compromisso e preciso sair.

O horário que acabara de ver era 19h02. Originalmente ele pretendia ir sem pressa, mas achou que sair logo de casa seria melhor para sua saúde mental.

— Vai sair mesmo não se sentindo bem?

— Não se mete e vai embora logo. Vou deixar um tempo livre na semana que vem.

— Quer que eu te leve?

— Eu também tenho carro, seu merda. Vai logo.

Ele soltou o braço e voltou a caminhar. Então, parou por um instante e olhou para trás.

— Valeu pelo mingau. E não venha mais na minha casa sem avisar.

*Ploft*. Seo Gyu-ha fechou a porta do banheiro, tirou a roupa apressadamente e ficou debaixo do chuveiro.

O que ele havia pego às pressas e escondido há pouco era o frasco de remédio que tomava periodicamente. Por fora, parecia um frasco comum e não trazia palavras como “Ômega” ou “Inibidor de Feromônios”, mas, ainda assim, não era bom que ficasse à vista de terceiros. Especialmente porque Lee Cha-young tinha uma memória inutilmente boa; se ele notasse o nome do remédio e resolvesse pesquisar, Gyu-ha estaria ferrado.

— Por que ele tinha que aparecer do nada…

Estalando a língua, ele estendeu a mão para a torneira do chuveiro. Logo em seguida, um jato de água fria caiu sobre sua cabeça.

↫────☫────↬

O centro da cidade à noite estava lotado de pessoas que saíram para se divertir. Embora ainda não fosse meia-noite, já havia alguns bêbados cambaleando e se arrastando por aí.

Ao descer do carro, Seo Gyu-ha caminhou a passos largos em direção à boate. Talvez por sua disposição ainda não ter voltado totalmente, o ar que tocava sua pele parecia um pouco gelado demais.

Como de costume, ele passou pela entrada com acesso livre e um corredor escuro surgiu. O som da música tão alto que parecia que os tímpanos iam explodir, as luzes girando freneticamente, as pessoas dançando sem parar. Passando pelas cenas familiares, Gyu-ha chegou diante da sala privativa e abriu a porta com força. A mesa já estava repleta de todo tipo de garrafas de bebida.

— Ora, finalmente ele chegou!

— Achei que você só ia falar e não vinha.

— É sério que você tinha esquecido da reunião de hoje?

As boas-vindas continuaram, cada um do seu jeito. Entre eles, o rosto de Yun Byeong-cheol estava, como esperado, cheio de decepção. Assim que se sentou no sofá, Seo Gyu-ha entregou a Yun Byeong-cheol algo que trazia na mão. Era um presente de aniversário que comprou às pressas no caminho.

— Pega.

— Eu não sou um homem fácil de ser conquistado com isso aqui.

— Se não quiser, joga fora.

— Vou aceitar pela consideração.

Embora falasse assim, Yun Byeong-cheol tirou rapidamente o que estava na sacola, como se tivesse medo de que lhe tirassem. Abriu a tampa da caixa com uma expressão de grande expectativa, mas logo um longo suspiro escapou de sua boca. Em contraste, os outros dois caíram na gargalhada.

— Viu só? Eu e esse cara somos almas gêmeas.

— É, concordo.

Diante da reação incomum, Seo Gyu-ha perguntou a Park Chan-ung com uma expressão de “não acredito”:

— Você comprou a mesma coisa que eu?

— Nem precisa perguntar, caralho.

Logo um risinho também escapou da boca de Seo Gyu-ha. Como dizia o “Urso”, nessas horas a sintonia entre eles era perfeita.

A provocação disfarçada de admiração não parou por aí. Kim Gang-san olhou para dentro da caixa e acrescentou, com uma voz cheia de riso:

— Parece que o bom gosto do Gyu-ha é melhor.

— Falar assim me magoa. O meu tem abertura frontal, é só abrir o zíper e pronto.

Diferente do que dizia, não havia o menor traço de mágoa na reação dele. Seo Gyu-ha encheu o próprio copo e jogou mais lenha na fogueira.

— Que tal experimentar o seu favorito? Nem que seja pela consideração de quem comprou.

— Parece que você está querendo sair na mão comigo depois de tanto tempo.

— Recuso educadamente.

Por mais que estivesse sem disposição, ele não era temerário o suficiente para enfrentar um Alfa treinado em vários esportes e praticante de boxe em um combate um contra um. Depois disso, como sempre, a conversa seguiu para assuntos triviais. Quem mais falava eram Park Chan-ung e Kim Gang-san. Especialmente Park Chan-ung, que era famoso por ser tagarela desde o primário e, mesmo adulto, ostentava uma lábia digna de golpista. Graças a isso, sempre que os quatro se reuniam, a conversa nunca parava. Saber notícias ou fofocas sobre conhecidos em comum era um bônus.

Assim, um tempo considerável se passou. O fluxo incessante de conversa diminuiu momentaneamente quando o uísque acabou.

— Vão beber mais, né?

À pergunta de Yun Byeong-cheol, Park Chan-ung conferiu o relógio e respondeu:

— Com certeza. Ainda nem deu meia-noite.

Logo em seguida, seu olhar se dirigiu a Seo Gyu-ha, sentado à sua frente.

— Por que você está tão devagar hoje?

— O que quer dizer com isso?

— Parece que não está aguentando beber nada hoje.

Mesmo sem parar de falar, ele tinha notado. Como ele apontou, Seo Gyu-ha, que estava ali sentado há quase duas horas, não tinha bebido nem metade da sua capacidade habitual. Como sua disposição não estava boa, ele não sentia vontade de beber.

Pensando agora, sentiu uma leve gratidão por Lee Cha-young. Se não tivesse forrado o estômago um pouco, nem isso ele conseguiria beber. Ou teria bebido e estaria vivenciando o inferno amanhã.

Pouco depois, um funcionário abriu a porta e entrou. Após fazerem o pedido adicional conforme as exigências dos rapazes, Yun Byeong-cheol falou com sua voz grave característica:

— Tenho um anúncio importante para fazer.

— O que foi? Pra que todo esse suspense?

Kim Gang-san foi o primeiro a reagir, seguido por Park Chan-ung que provocava enquanto servia a bebida:

— Suas hemorroidas sararam?

— Isso já sarou faz tempo.

— Ou você fez uma reforma no seu pau? Você vivia dizendo que queria ficar mais forte.

— Esse é o Seo Gyu-ha.

— Que porra de conversa é essa? Não sou eu, é o Kim Gang-san.

— Se conhecerem um bom médico, me indiquem.

Após mais uma rodada de piadas sem sentido, Yun Byeong-cheol continuou. Ele parecia levemente animado, algo incomum para ele.

— A data do casamento foi marcada.

— Casamento? Casamento de quem?

— Meu.

Park Chan-ung, que havia perguntado com descaso, logo mudou para uma expressão de desaprovação.

— …É sério?

— Cem por cento sério.

— Caramba, parece que é verdade mesmo.

Seo Gyu-ha também ficou surpreso internamente. Yun Byeong-cheol, sendo um Alfa, era um cara com uma inclinação libertina tão forte quanto a dele. Não que ele desse em cima de todo mundo, mas as pessoas ao redor não o deixavam em paz, já que, embora fosse de uma linhagem comum, ele tinha um corpo excelente e, quando ficava de boca fechada, sua aparência não deixava a desejar em lugar nenhum.

De qualquer forma, foi um tanto repentino. Ele lembrava de ter ouvido algo sobre um encontro às cegas, mas um casamento assim, do nada… Kim Gang-san também fez uma pergunta com uma expressão de curiosidade:

— É com aquela pessoa do encontro às cegas de antes?

— É.

— Pelo visto você gostou pra caralho. Deixa eu ver uma foto.

— Não tenho.

— Não tem o caralho. Aposto meu pescoço que está como papel de parede do celular.

Como amigos de dez anos, eles se conheciam muito bem. Observando Yun Byeong-cheol baixar o celular discretamente sobre a mesa, Park Chan-ung continuou com as perguntas:

— E na cama, como é? Ouvi dizer que para Alfas e Ômegas a compatibilidade de feromônios é importante.

Era uma pergunta feita metade por brincadeira maldosa e metade por curiosidade pura. Para ele, que era um Beta, feromônios ou aromas corporais únicos eram coisas de outro mundo.

— Combina tão bem que beira a perfeição. Senti atração desde o começo e a marcação foi imediata.

Um sorriso quase imperceptível surgiu nos lábios de Yun Byeong-cheol. Seo Gyu-ha, que ouvia em silêncio, interveio subitamente:

— Como você sabe que marcou?

— Você simplesmente sente. O ponto decisivo é que não sinto mais os feromônios de outros Ômegas.

Park Chan-ung comentou que era “estranho pra caralho” e logo em seguida acrescentou algo para estragar o clima:

— Então não tem perigo de você aparecer com um filho de outra mulh… Ai!

Um som de impacto alto ecoou. Yun Byeong-cheol deu um tapa na nuca de Park Chan-ung e franziu as sobrancelhas, demonstrando descontentamento.

— Pode continuar jogando praga, vai.

— Quer que eu jogue de verdade?

— Tenta a sorte se quiser levar uma surra de saltar os olhos.

— Acho que já saltaram pela metade.

Kim Gang-san, que bebericava seu drink, intrometeu-se provocando:

— Se levar um peteleco na testa, eles voltam para o lugar.

— Boa ideia.

O clima barulhento retornou rapidamente. Yun Byeong-cheol brindou seu copo com o de Park Chan-ung, que o estendeu como sinal de desculpas e reconciliação. Após beber metade, Park Chan-ung perguntou:

— Mas você não vai faltar às nossas reuniões, vai?

— Vou ver.

Diante da resposta diferente da esperada, a expressão de Park Chan-ung se fechou imediatamente. Os rostos dos outros também mostravam uma expressão de “ficou louco?”.

— Uau. Então temos aqui um traíra que abandona os amigos por causa de amor.

— Pensem o que quiserem.

Apenas Yun Byeong-cheol demonstrava total tranquilidade. Kim Gang-san, que estava quieto, tirou um pequeno frasco de remédio do bolso interno. Sem dizer nada, colocou uma cápsula na mão de Park Chan-ung, que estava fazendo escândalo, e depois perguntou a Seo Gyu-ha:

— Quer?

— O que é isso?

— Algo para dar um barato.

Diante disso, Seo Gyu-ha franziu levemente o cenho.

— Você sabe que eu não uso drogas.

Não era exatamente por uma questão de moral. Foi logo após o vestibular, eu acho. Embora não tivesse estudado nada, ele aproveitou a sensação de liberdade tanto quanto os outros e frequentava boates todos os dias; quando alguém disse que “uma dose abre as portas do paraíso”, ele se deixou levar e aplicou uma injeção no braço.

O resultado foi que ele realmente foi até o limiar do paraíso e voltou. Ocorreu uma reação de choque ao entrar em conflito com o inibidor que ele tomava, e ele quase morreu de verdade. Depois disso, Seo Gyu-ha sentia arrepios só de ver esse tipo de substância.

— Isso aqui é algo limpo, sem efeitos colaterais. Acha mesmo que eu te daria algo estranho?

Uma cápsula redonda caiu ostensivamente dentro do copo de bebida. Começou a borbulhar e se dissolveu rapidamente, desaparecendo sem deixar vestígios em um instante.

— Toma você.

— Mesmo sendo coisa boa, ele não escuta.

— Esse aí sempre foi do tipo que se preserva. Eu vou beber isso aqui e vou ali balançar o esqueleto.

Park Chan-ung, que também girava o copo com a substância, entornou a bebida de uma vez. Depois disso, cada um seguiu seu rumo: quem queria beber continuou bebendo, e quem queria se divertir saiu para a pista. Era uma noite como qualquer outra.

↫────☫────↬

— …Senhor.

— …

— Cliente!

Ao ouvir o chamado súbito, Seo Gyu-ha abriu os olhos. Com a mente ainda anuviada pelo sono, olhou ao redor e finalmente entendeu a situação. Como estava com preguiça de chamar um motorista particular, pegou um táxi e acabou pegando no sono durante o trajeto.

Ao descer, viu que não estava na porta de casa, mas na avenida principal. “Droga, deveria ter conferido antes de descer”. O arrependimento veio tarde, e o táxi já havia sumido de vista há muito tempo.

O ar da madrugada estava bem frio. Caminhou lentamente por um instante e logo parou. Ele não tinha bebido tanto hoje, mas sentia uma dor de cabeça latejante. Se estava assim agora, já sabia como estaria amanhã de manhã. Para evitar o desastre anunciado, achou melhor tomar um remédio para curar a ressaca agora mesmo.

No entanto, não havia farmácias abertas depois das duas da manhã. Enquanto se virava resmungando que não deveria ter vindo, avistou do outro lado da estrada o único edifício com as luzes acesas. Ao identificar o letreiro de uma loja de conveniência, Seo Gyu-ha caminhou até lá, já que era a única opção.

Pouco depois, ele saiu da loja carregando uma sacola preta. A cada passo, o frasco do antiresseca dentro da sacola batia contra o seu joelho. O bairro residencial naquela hora da madrugada estava em silêncio absoluto. Dava para ouvir nitidamente o som dos seus sapatos batendo no asfalto a cada passo.

Contudo, a partir de certo momento, outro som de passos começou a ser ouvido. Sem dar importância, Seo Gyu-ha continuou caminhando com as mãos enfiadas nos bolsos, perdido em pensamentos.

— …

Ele sentiu algo estranho pouco depois. Teve a impressão de que o som dos passos estava se aproximando gradualmente. Só então Gyu-ha parou e olhou de relance para trás.

Não era impressão. Um homem vestindo um boné e um moletom com capuz estava parado a alguns passos de distância. Havia um poste de luz, mas como ele estava contra ela, não era possível ver seu rosto.

Sentiu um calafrio. Ao mesmo tempo, uma lembrança desagradável veio à tona. Lembrou-se de que, na última reunião, Park Chan-ung contou que um tal de “Presidente Hong” tinha sofrido um assalto ou algo do tipo, e todos riram maldosamente. Naquela hora, Gyu-ha também deu uma risadinha debochada.

— …Droga.

O outro não se movia. Mas também não havia motivo para ele ir lá e arrumar confusão primeiro.

Ficou parado com o cenho franzido e depois se virou novamente. Talvez, apenas talvez, o sujeito estivesse apenas seguindo seu caminho e tivesse ficado paralisado de susto ao ver a pessoa da frente parar e olhar para trás de repente.

Enquanto caminhava mais alguns passos pensando assim…

— Uugh!

Sentiu uma aproximação repentina e algo tapou sua boca com força.

— Porra, segura firme!

— Ele está, tsc, se debatendo pra caralho.

Não era a voz de apenas uma pessoa. E houve outro imprevisto. O pano que tapava sua boca e seu nariz estava desagradavelmente úmido. Gyu-ha se debateu e tentou puxar o braço do agressor, mas não conseguia se mover como queria, pois estava sendo pressionado com toda a força. O ar que foi cortado subitamente começou a fazer falta.

— Merda…

Se continuasse assim, logo perderia a consciência. Além do problema do que poderiam fazer com ele agora, se o grupo do Park Chan-ung ficasse sabendo disso mais tarde, ele seria motivo de piada para sempre.

Ele não permitiria isso.

Gyu-ha mordeu com força a parte interna da bochecha para manter a consciência, deu um passo à frente com o pé direito e, ao mesmo tempo, usou toda a sua força para girar o quadril e projetar o corpo.

— Argh!

Felizmente, a manobra funcionou. O corpo do agressor que sofreu o arremesso atingiu o chão com um som abafado. Imediatamente depois, Gyu-ha desferiu chutes implacáveis.

— Seu desgraçado, escolheu a pessoa errada.

Havia fúria em seus chutes. Mas ele esqueceu de um detalhe: havia outro além daquele que foi nocauteado no chão.

— Seu maldito!

Assim que ouviu o grito e olhou para trás, seu corpo agiu por instinto. Ao mesmo tempo em que levantou o braço para se defender, ouviu-se um som seco e forte de impacto.

Ele se afastou rapidamente para evitar a arma que estava sendo brandida de forma bruta e desajeitada. Enquanto isso, o outro agressor se levantou cambaleando. Seo Gyu-ha, sentindo uma dor aguda e tardia, franziu o cenho e preparou-se para lutar.

Pela forma totalmente desengonçada deles, não eram profissionais. Gyu-ha cuspiu no chão e avançou primeiro contra o sujeito que segurava um pedaço de pau. Ele não entrava em brigas de soco desde o ensino médio, mas tinha confiança de que daria conta de uns sujeitos insignificantes como aqueles.

↫─☫ Continua…

⌀ ⌀ ⌀

✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna

Ler Dog And Bird (Novel) Yaoi Mangá Online

Sinopse:
Em um mundo onde há 99,9% de chance de Alfas serem homens e Ômegas serem mulheres.
Seo Gyuha nasce como a rara exceção: um Ômega masculino. No entanto, tendo crescido mais como um beta, ele quase não está ciente de sua própria identidade omega.
Após uma noite de bebida e festa como de costume, ele acorda em uma manhã de fim de semana com uma dor de cabeça insuportável — apenas para se deparar com uma situação surpreendente…

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