Ler Dog And Bird (Novel) – Capítulo 02 Online

↫─☫ Dog And Bird, Capítulo 02
Desde aquele dia, Seo Gyu-ha ficou enfurnado em casa por três dias inteiros. Tudo era um incômodo e irritante, e ele não sentia a menor vontade de comer nada.
Ele entendeu o motivo no momento em que olhou a data. Exatamente três dias atrás era dia 30, ou seja, o dia em que originalmente seu ciclo de cio deveria começar. Por ter bloqueado a secreção de feromônios, ele não sentia impulsos sexuais, mas, em troca, havia outros efeitos colaterais.
Mesmo assim, desta vez foi severo. Geralmente parava em uma leve letargia, mas desta vez, somada a um estado gripal, sua condição física era um verdadeiro desastre.
Após passar mais dois dias trancado no canto do quarto como um inválido, ele finalmente saiu de casa depois de vários dias. Hoje era o dia em que a família se reuniria por causa do aniversário de seu pai. Por ele, que se dane o aniversário ou qualquer outra coisa, não queria se mexer, mas sabia que, se fizesse isso, desta vez todo o seu auxílio financeiro poderia ser cortado. Até sua mãe, que era benevolente com ele, era implacável quando se tratava de eventos familiares.
Ele chegou por volta da hora do jantar e encontrou a família inteira, exceto ele, reunida na sala. Tornando-se o centro das atenções sem querer, Seo Gyu-ha fez uma reverência formal e sentou-se ao lado de seu irmão do meio. O olhar de desaprovação do pai se dirigiu a ele.
— Por que sua cara está assim? Parece alguém que não come nem canja de arroz há dias.
Implicar assim que o via era algo que não mudava, fosse no passado ou agora. Seo Gyu-ha respondeu com desleixo enquanto massageava a nuca.
— É que não tenho dormido bem.
Com isso, o olhar do pai se contorceu visivelmente.
— Tsc, um homem feito que ainda não tomou jeito, francamente. De onde saiu um sujeito desses, eu me pergunto…
— De onde mais sairia? Saiu de dentro da minha barriga.
— Cof, cof.
Mais uma vez, sua mãe serviu como jogadora de resgate. Após tomar um gole de chá elegantemente, Jung Eun-hee, a mãe dos três irmãos, olhou carinhosamente para o filho caçula e falou:
— O seu rosto está bem abatido mesmo. Não está doente, está?
— Estou bem.
Pelo menos hoje ele se sentia um pouco melhor. Logo, uma conversa animada floresceu entre os familiares. “Conversa animada” era modo de dizer; como sempre, eram diálogos arcaicos pelos quais Seo Gyu-ha não tinha interesse nem vontade de entender. Por experiência própria, ele sabia que aquilo continuaria até o jantar ser servido.
— Vou subir e dormir um pouco.
Enquanto buscava o momento certo para se levantar, seu celular tocou alto de repente. Seo Gyu-ha tirou o aparelho do bolso do casaco.
-Lee Cachorro-
Parece que ele havia salvado o número quando ligou da última vez. Ele olhou para a tela por um instante antes de atender.
— O que foi?
— Alô? Sou eu, Lee Cha-young.
Ele se levantou sutilmente, mas ninguém o impediu. Pensando que, por milagre, Lee Cha-young servia para ajudar em algo, Seo Gyu-ha subiu a escada do duplex.
— Por que ligou?
— Para receber o dinheiro que emprestei. Vamos nos ver à noite?
— Hoje não dá.
Ao responder enquanto abria a porta do quarto, ouviu a voz misturada com riso do outro lado.
— Ficou amuado porque eu não fui da outra vez?
— Que porra de conversa é essa? Vim para a casa dos meus pais porque é aniversário do meu pai.
— Ah, era hoje?
— Me liga depois. Vou desligar.
Após encerrar a chamada, Seo Gyu-ha praticamente se jogou na cama. Depois de se revirar um pouco, acabou pegando no sono em algum momento.
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Ele teve um sonho ruim. O motivo de só poder ser um sonho era que o que estava acontecendo tinha chance zero de realidade.
No sonho, Seo Gyu-ha não estava sozinho. Deitado de bruços na cama, com o quadril erguido bem alto, ele recebia o membro enorme de alguém em seu traseiro.
— Ah, ugh, ungh, ah!
Pah, pah, Seo Gyu-ha gemia de forma vergonhosa com os movimentos de estocadas tão fortes que faziam seu corpo inteiro balançar. Cada vez que a glande grossa atingia certo ponto, o fluido pré-ejaculatório escorria de seu próprio membro que pulsava. Sem parar os movimentos de quadril, o outro perguntou. Era uma voz lânguida e doce, que não combinava com os movimentos brutos.
— Está gostoso?
— Ah, es-está gostoso! Faz… mais forte… ah… faz!
— O quanto você quiser.
Mais uma vez, seu corpo foi sacudido violentamente. O homem segurou seus dois braços, puxando-os para trás, tornando a união ainda mais profunda. Com a parte superior do corpo esmagada contra a cama, Seo Gyu-ha chorava alto.
— Es, ah, espera um pouco!
Mesmo que ele estremecesse, não havia para onde fugir. Pah, pa-pah, com o movimento de atingir o mesmo lugar repetidamente, um jato de líquido parecido com urina finalmente escorreu. Momentos depois, ele foi finalmente libertado, mas o alívio durou pouco. Sem se retirar, o homem virou o corpo de Seo Gyu-ha com habilidade e, apoiando as duas pernas dele em seus ombros, começou a estocar seu interior novamente.
As lágrimas que estavam acumuladas escorreram, revelando o rosto do outro. O desgraçado que o possuía até fazê-lo perder a alma, enquanto sorria radiante, era Lee Cha-young.
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Após um cochilo curto, Seo Gyu-ha desceu para o primeiro andar na hora do jantar.
— Você está sem apetite?
Ouviu a voz preocupada de sua mãe. Seo Gyu-ha respondeu que não e moveu os hashis.
Na verdade, ele estava de mau humor desde que acordou. Ter uma polução noturna — algo que ele mal teve na adolescência — e ainda por cima com um sonho daqueles, seria estranho se ele estivesse se sentindo bem.
— Coma bastante. Pedi para fazerem isso para te alimentar.
Um prato com acompanhamentos apetitosos foi colocado à sua frente. No entanto, como o apetite que não existia não surgiria de repente, Seo Gyu-ha continuou apenas beliscando a comida.
Aquela atitude não era bem-vista, mas Seo Chang-sik conteve o sermão. Como a família finalmente estava reunida, ele não queria alterar o tom de voz à mesa. E, mesmo que fosse quase forçado, o fato de o filho ter vindo para casa pelo seu aniversário já era algo louvável.
Ele deu uma olhada de soslaio para a ponta da mesa. O rosto do caçula continuava abatido. Pensando que ainda não tinham tido uma conversa decente, Seo Chang-sik limpou a garganta e chamou o nome do filho.
— Gyu-ha, você… tem alguém que esteja encontrando?
— Não tenho.
Embora houvesse muitos “bonitinhos” com quem ele se envolvia todo fim de semana, Seo Gyu-ha economizou na resposta. Sabia que, se falasse a verdade, uma colher voaria em sua direção na hora.
— Você já deveria começar a conhecer alguém legal. Quer que seu pai procure para você?
Com isso, Seo Gyu-ha respondeu sem sequer levantar a cabeça:
— Um beta? Ou um alfa?
— Um alfa, é claro.
— Então não perca seu tempo.
— O quê?!
Todo o esforço para se conter foi em vão, e o tom de voz subiu imediatamente. Alheio a isso, Seo Gyu-ha enfiou uma panqueca de cogumelo na boca e retrucou com indiferença:
— Eu já disse. Não vou ter filhos.
— Quem disse para ter filhos logo de cara? Não seria bom encontrar uma mulher gentil, para um apoiar o outro e viverem uma vida bonita? Você está quase nos trinta, até quando vai viver como um vadio…
Seo Chang-sik, que despejava palavras furiosas, hesitou. Cof, limpou a garganta, esforçou-se para suprimir a raiva e continuou:
— Ou então pedirei para sua mãe dar uma olhada.
— Eu disse que não precisa. Se era para ser assim, deveriam ter me criado como um ômega desde o início.
— Esse moleque, eu vou…!
— Acalme-se, pai.
O irmão mais velho correu para segurar o braço de Seo Chang-sik. O irmão do meio cutucou a lateral de Seo Gyu-ha, mas ele fingiu não notar e continuou apenas comendo. Quem começou foi o pai. Ele não entendia por que ele sempre insistia no mesmo assunto toda vez que se viam, sabendo que ele detestava aquilo.
Foi nesse momento. Uma das governantas aproximou-se cautelosamente.
— Temos uma visita.
— Uma visita?
À pergunta de Jung Eun-hee, a governanta assentiu.
— Sim. Ele disse que se chama Lee Cha-young.
Instantaneamente, os movimentos de Seo Gyu-ha pararam. Os outros membros da família ficaram igualmente intrigados.
— Peça para ele entrar.
Aquele desgraçado veio? Por quê? E, além disso, é sério?
Seu olhar se dirigiu involuntariamente para a sala. Pouco depois, um homem carregando uma grande cesta de frutas e uma sacola de compras apareceu. Era realmente Lee Cha-young.
— Oh meu Deus, entre, Cha-young.
Jung Eun-hee levantou-se para cumprimentar o convidado. Apesar da visita inesperada, seu rosto transbordava alegria. A expressão de Seo Chang-sik também se suavizou completamente.
— O que o traz aqui de repente?
— Eu estava passando por perto e lembrei que o Gyu-ha mencionou que hoje era o aniversário do senhor, então dei uma passadinha. Por favor, aceite isto.
— Não precisava trazer nada. Você já jantou?
— Não, ainda não.
— Então sente-se rápido. Nós acabamos de começar.
Em um instante, mais um lugar foi ocupado. Os irmãos também ficaram felizes em ver Lee Cha-young.
— Quem visse pensaria que esse desgraçado é o caçula desta casa.
Enquanto resmungava internamente e tentava continuar comendo, o olhar da mãe se voltou para ele.
— Não vai cumprimentar o Cha-young?
— Já cumprimentei antes.
Respondeu secamente e moveu a colher. Enquanto isso, vários assuntos surgiam à mesa. Começando por perguntas sobre a empresa, Seo Chang-sik falava com Lee Cha-young com um rosto radiante de sorrisos.
Graças a isso, os sermões cessaram, o que era um alívio. Quando terminou de comer e se levantou, sua mãe o segurou.
— Fique sentado mais um pouco. O Cha-young também está aqui.
— Vou ali fumar um cigarro e já volto.
Fingindo não ver a expressão do pai se tornar descontente, Seo Gyu-ha saiu para a sala.
No momento em que abriu a porta do quarto, ele hesitou. Viu o edredom bagunçado sobre a cama. Lembrou-se do sonho ruim de antes, mas tratou de apagá-lo e foi para a janela.
— Fuuu.
A fumaça expelida subiu ondulante para o céu levada pelo vento. Após apagar a guimba no cinzeiro, Seo Gyu-ha deitou-se na cama e ligou o celular.
Ele disse para a mãe que se ausentaria apenas por um momento, mas não tinha intenção de voltar. A maioria das conversas do pai e dos irmãos ele não entendia. Além disso, com Lee Cha-young se juntando a eles hoje, ele sabia que, se ficasse lá, só acabaria com dor nas costas.
Piong, piong — Cabum!
A cada movimento de suas mãos, bombas explodiam com efeitos sonoros chamativos. Não havia nada como jogos de celular para passar o tempo ocioso. Ele estava concentrado em capturar um dragão que cavava no lugar errado quando ouviu batidas na porta. Provavelmente era sua mãe trazendo um prato de frutas.
— Vou entrar.
— …!
Mas não era sua mãe. A pessoa que apareceu ao abrir a porta foi Lee Cha-young. Surpreso, Seo Gyu-ha, que tinha se levantado parcialmente, voltou à posição original e perguntou com indiferença:
— Por que veio aqui?
— Eu já disse. Estava passando por perto, lembrei que era aniversário do seu pai e dei uma passadinha.
— Não é isso, quero saber por que veio ao meu quarto.
— Ah.
Lee Cha-young respondeu enquanto acariciava o queixo:
— Para fugir do seu pai.
Uma risada escapou de Seo Gyu-ha. Ele estava sentado de frente para o pai com uma expressão tão confiável e diligente, mas, na realidade, parecia estar procurando um jeito de escapar, assim como ele.
O riso durou pouco; diante do comportamento dele de olhar descaradamente o quarto, Seo Gyu-ha franziu o cenho.
— O que está olhando?
— Nada, é que faz tempo. Faz uns 15 anos?
Houve uma época em que se viam quase todos os dias. Como as mães eram melhores amigas, eles visitavam a casa um do outro e Lee Cha-young também estava na academia de Taekwondo para a qual ele foi forçado a ir por causa da mãe. Mas isso foi apenas “uma época”. Quando estava no final do primário ou no ginásio, Lee Cha-young foi estudar no exterior e o contato foi totalmente cortado. Então, alguns meses atrás, eles se reencontraram inesperadamente em seu clube habitual. Que coincidência maldita.
— Se não tem o que fazer, vá para casa.
Olhando novamente para a tela do celular, ele deu a ordem de retirada de forma ríspida. No entanto, Lee Cha-young, em vez de sair obedientemente, disse algo aleatório:
— Aquilo parece um álbum. Posso ver?
— Para que ver uma coisa cafona dessas?
— Ora, traz recordações.
— Que conversa é essa de recordações.
Apesar do sarcasmo, Lee Cha-young pediu permissão mais uma vez e pegou o álbum. Então, ignorando tantos lugares disponíveis, sentou-se na beira da cama.
— Sente-se em outro lugar. Não está vendo o colchão afundar?
— Então vou me sentar mais para trás.
Apoiando as costas na cabeceira da cama por conta própria e esticando as pernas, o sujeito começou a folhear as páginas. Momentos depois, ouviu-se sua voz soando maravilhada:
— Tem bastante fotos minhas também.
O motivo era a mãe de Seo Gyu-ha. Ela, que adorava tirar fotos mesmo sem saber direito, apontava a câmera para eles a qualquer momento pedindo para olharem. Como tinham certa convivência quando crianças, não era estranho que houvesse fotos juntos.
— Foi desde essa época?
— ? O que foi?
Com a pergunta aleatória, Seo Gyu-ha finalmente levantou a cabeça. Viu o rosto dele sorrindo radiante.
— Que você se apaixonou por mim.
— …!
— Será que ainda gosta?
O rosto que mostrava uma expressão de horror logo se contorceu.
— Pare de falar merda. Por que está desenterrando coisas de tanto tempo atrás?
Era uma de suas memórias humilhantes do passado. Como se a família tivesse algum gene especial, tanto Kim Moran quanto Lee Cha-young ostentavam uma aparência tão bonita quando crianças que chegava a enfeitiçar. Por isso, seu coração palpitava toda vez que se viam… Sua mãe, que era rápida, percebeu e contou para a “tia” — a mãe de Lee Cha-young —, e o próprio interessado acabou descobrindo. Foi o início de sua história como um admirador de rostos bonitos e uma lembrança que ele queria apagar.
— Você também era bem fofinho naquela época.
— Merda nenhuma.
— Embora fosse desbocado.
Seo Gyu-ha desviou o olhar novamente e fixou-o na tela do celular. Contrário à sua expressão descontente, seu coração batia acelerado por vontade própria. Embora tivesse reclamado dizendo que era coisa do passado, a verdade era que, ainda hoje, ele era vulnerável ao rosto de Lee Cha-young.
Olhos afilados e expressivos sem pálpebra dupla, um nariz esculpido e lábios bem delineados que completavam a harmonia. Se Lee Cha-young fosse apenas 10 cm mais baixo, ele talvez tivesse jogado todo o seu orgulho fora para persegui-lo.
Continuando a folhear o álbum, Lee Cha-young soltou outra pergunta do nada:
— Você costuma aguentar bem a dor?
— Por quê? Vai começar a implicar de novo?
— Estou falando dos piercings.
No álbum aberto, havia uma foto tirada na formatura do ensino médio. Como uma foto tirada à força, ele estava com uma expressão totalmente rígida, segurando um buquê e o diploma, e com piercings nas orelhas.
— Deve ter doído bastante quando furou.
— Faz tanto tempo que nem lembro.
Ter feito vários piercings nas orelhas foi uma rebeldia de juventude. Ele furou na loja de um conhecido fazendo todo o drama possível, mas não precisava contar isso.
Mais do que isso, o fato de estarem sentados lado a lado na cama começou a incomodá-lo tardiamente. Era por causa do que ele tinha feito no sonho de pouco tempo atrás.
— Por que não vai embora logo?
— Vou dormir aqui hoje.
Com isso, o olhar de Seo Gyu-ha voltou-se para o lado repetidamente.
— Por que diabos você vai dormir na minha casa?
— Combinei de ir fazer trilha com o seu pai amanhã.
— Trilha?
— Sim. O assunto surgiu agora pouco na conversa.
Como se nunca tivesse franzido o cenho, o rosto de Seo Gyu-ha iluminou-se de alegria.
— É bom se preparar bem. Na montanha, ele é um verdadeiro esquilo voador.
Apesar de ser um homem robusto, ele praticamente voava na montanha. Mas, trilha… era um hobby que ele não conseguia entender de jeito nenhum. Você sobe, descansa um pouco e tem que descer de novo; ele não via sentido em passar por todo esse sofrimento de graça.
— Devia ter inventado uma desculpa e dado o fora, a… ai!
Com o toque súbito em seu lóbulo da orelha, Seo Gyu-ha assustou-se e deixou o celular cair. Sentiu um arrepio percorrer seu braço. Percebendo a situação tardiamente, ele franziu o cenho com força.
— O que pensa que está fazendo?
— Nada, só lembrei de repente.
Fosse o que fosse, ele não tinha vontade de perguntar. Tinha o instinto de que a resposta não seria algo agradável de ouvir. No entanto, ele não podia calar a boca do outro, que falava o que queria.
— Você gostou muito quando eu chupei sua orelha.
— …!
— Você se contraía inteiro e tremia, até eu fiquei bem excitado na hora.
Sua expressão contorceu-se totalmente. Seu pescoço esquentou e ficou vermelho.
— Sai daqui, seu merda.
Respirando com dificuldade, ele tentou empurrar as costas do outro com o pé. No entanto, o corpo sólido como uma rocha nem se mexeu.
— Não ouviu para sair… ai!
Ele ergueu o pé mais uma vez, mas seu tornozelo foi agarrado. Num “ai”, seu corpo foi virado de bruços. Seo Gyu-ha ficou pálido ao sentir algo esfregar contra suas nádegas enquanto o outro montava sobre ele.
— Ficou louco? Agora mesmo, uub!
Uma mão grande calou sua boca. Em seguida, um sopro baixo atingiu seu ouvido.
— Shh, não faça barulho. E se alguém vier?
Seus movimentos de espernear pararam imediatamente. Só de pensar em mostrar uma cena daquelas para a família já era terrível. Aproveitando a brecha, Lee Cha-young tirou a calça dele com facilidade enquanto dizia bobagens.
— Não vou fazer até o fim. Vamos apenas gozar uma vez cada um.
— Ugh…!
O corpo de Seo Gyu-ha deu um salto com o toque da mão agarrando sua carne. Seria por causa da polução de pouco tempo atrás? Mesmo com um toque sem muito empenho, ele sentiu seu baixo ventre ganhar força rapidamente.
— Continua crescendo só de encostar a mão, como sempre.
— …Cala a boca.
O canto da boca de Lee Cha-young subiu em arco enquanto ele olhava para a nuca redonda de Seo Gyu-ha. Vendo que ele estava quieto, apesar de estar ofegante, parecia que ele não detestava totalmente aquilo. Enfim, era um corpo absurdamente vulnerável ao prazer.
Ele parou o movimento por um momento e levou a mão à própria calça. Ao abrir o cinto e baixar levemente a cueca, seu membro ereto e rígido saltou para fora. Ao encostar a ponta nas nádegas abertas do outro que ainda estava deitado de bruços, os olhos arregalados dele voltaram-se para trás imediatamente.
— O que está fazendo?
— Só vou esfregar. Ou você quer tocar para mim?
— Louco, não diga coisas nojentas.
— Então fique quieto. Vou te fazer sentir bem.
Ele abriu as nádegas novamente e empurrou o membro entre elas. Como Seo Gyu-ha mantinha as pernas bem juntas, a glande era apertada, proporcionando uma pressão considerável. A cada estocada forçada, o quadril firme e elástico saltava.
Subitamente, o pensamento de que “isso não é nada mal” passou pela cabeça de Lee Cha-young. Como ele já dissera antes, seu gosto eram betas esbeltos e de linhas corporais bonitas. Ele costumava gostar de segurar cinturas finas e foder de forma quase sádica, mas um corpo elástico e saudável não era nada mal.
De repente, ele olhou para a própria mão. Parecia que a sensação sólida que sentira pouco antes ainda permanecia. Logo, ele deu uma risada nasalada e retirou o pênis que estava entre as coxas do outro.
— Não tem lubrificante?
— Porra, você acha que teria algo assim na casa dos meus pais?
Era um item que ele não tinha nem no apartamento onde morava sozinho. Momentos depois, o peso que pressionava sua cintura desapareceu. Ele se levantou murmurando palavrões repetidamente, mas o alívio era prematuro. Lee Cha-young abraçou-o por trás imediatamente e agarrou o membro dele novamente.
Com a mão esquerda, ele puxava os mamilos como se os beliscasse. Com o prazer repentino, os dedos dos pés de Seo Gyu-ha contraíram-se e esfregaram-se contra o lençol.
— Está gostoso?
— Ah…!
Ele queria dizer que seria assim não importa quem tocasse, mas a realidade era que ele só conseguia morder os lábios com força. Parecia que, assim que abrisse a boca, um som alto escaparia. Isso porque ele tinha o hábito de gemer e reagir honestamente a cada sensação durante o sexo.
Sentir as mordiscadas em sua nuca o fez arrepiar-se novamente. A cada movimento da mão que segurava seu baixo ventre, o som viscoso era ouvido nitidamente. Ele nunca odiara tanto seu corpo vulnerável ao prazer como hoje.
Foi então.
Toc, toc—
— Posso entrar?
O corpo que se agitava congelou instantaneamente. Lee Cha-young também parou por um segundo, mas logo perguntou com uma voz calma, como se fosse o dono do quarto:
— O que houve?
— Trouxe algumas frutas.
— Vou descer para comer depois. Estou fazendo uma coisa com o Gyu-ha agora.
Só então Seo Gyu-ha conseguiu tatear o edredom e cobrir suas partes baixas. Seu coração batia tão rápido que parecia que ia explodir. Parecia que, a qualquer momento, sua mãe abriria a porta perguntando o que estavam fazendo.
— Está bem. Não deixe de descer daqui a pouco.
Felizmente, o que ele temia não aconteceu. Um suspiro de alívio escapou involuntariamente. Ele ficou tão tenso que seu pescoço estava rígido. Em seguida, Seo Gyu-ha rangeu os dentes para o culpado.
— Não vai desgrudar agora?
— Seu coração está batendo muito rápido.
Lee Cha-young nem fingiu ouvir e disse outra coisa. Sua mão, que antes brincava com o mamilo, estava agora sobre o peito dele, como se fosse um estetoscópio.
— Porra, e você não ficaria assim?
Quando ouviu as batidas na porta, achei que meu coração fosse cair. Ele ficou tão assustado que seu pau, que antes estava imponente, encolheu.
Libertando-se do abraço, Seo Gyu-ha ergueu o pé mais uma vez, mas hesitou e o baixou novamente. Ouviu-se uma risada abafada, como se o outro tivesse percebido o motivo.
— Pode me empurrar de novo, não me importo.
— …Por favor, cala a boca e some daqui.
— E quanto a isso?
Apontou com o dedo para o pau que pulsava sem vergonha. Ele se arrependeu de ter olhado, mas era tarde demais.
— Resolva você mesmo.
— Que maldade. Deveríamos terminar o que começamos.
— Ah, some daqui logo!
No final, quem se levantou primeiro foi Seo Gyu-ha. Vendo o jeito descarado com que o outro permanecia ali, era óbvio o que aconteceria se ele continuasse.
Ele agarrou o maço de cigarros e o isqueiro sobre a mesa. No momento em que chegou à porta, mais um palavrão escapou de sua boca.
A trava embaixo da maçaneta estava acionada por dentro. Ele era realmente um desgraçado.
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Por sorte, o céu estava limpo. O sol estava forte, mas soprava uma brisa fresca, tornando o dia perfeito para atividades ao ar livre. E, como na montanha havia muitas árvores frondosas, o sol escaldante não era um grande obstáculo.
Graças a isso, Seo Chang-sik bateu o recorde de completar o percurso de 2,3 km ida e volta em cerca de uma hora. Geralmente ele ia com amigos da mesma idade, mas ir com um rapaz da idade de seu filho trouxe recordações da juventude e serviu como um estímulo sutil.
Após descerem com sucesso, Seo Chang-sik dirigiu até um restaurante coreano próximo. Por regra, após uma trilha, uma tigela de makgeolli gelado era o ideal.
Assim que se sentaram, os pratos pedidos antecipadamente começaram a preencher a mesa. Quando ficaram a sós, Lee Cha-young pegou prontamente a jarra de bebida e disse:
— Aceite um copo.
— Com prazer.
O licor de arroz preencheu o copo com um som borbulhante. Após receber o copo, desta vez Seo Chang-sik encheu o de Lee Cha-young. Depois de um brinde leve, Seo Chang-sik virou o makgeolli de uma vez. Ao ver o rapaz esvaziando o copo com a cabeça levemente virada para o lado, um sorriso satisfeito surgiu naturalmente.
Ele era um alfa dominante raro, com boa aparência e inteligente. Um rapaz que não tinha defeitos. Ele ouvira de sua esposa que, após concluir seus longos estudos no exterior, ele entrara na empresa dirigida pelo pai e já estava começando a se destacar.
Embora fosse filho de outro, era um talento invejável. Não era à toa que o pai dele, o Presidente Lee, andava por aí de cabeça erguida.
— Tem alguém que esteja encontrando?
— Ainda não.
— Não pode ser. As pessoas ao seu redor não devem te deixar em paz.
— Realmente não tenho.
— Rapaz, você deve ser bem exigente.
Lee Cha-young sorriu. Mais do que exigente, o termo correto seria seletivo. Parceiros para uma noite havia aos montes, mas ele ainda não encontrara alguém com quem valesse a pena manter um relacionamento sério. Como acontece com a maioria das pessoas da classe alta, para ele, o casamento era apenas uma extensão dos negócios. A menos que aparecesse uma mulher que preenchesse os requisitos, ele não tinha a menor intenção de se apressar.
— Meu irmão deve se sentir satisfeito mesmo sem comer, por ter um filho como você.
Lee Cha-young respondeu humildemente com um rosto sempre sorridente:
— Meu pai é quem tem muita inveja do senhor.
— Meu irmão, de mim?
— Sim. Ele diz que o senhor tem três filhos robustos e competentes.
— Haha…
Após soltar uma risada amarga, ele virou outro copo de makgeolli. O primeiro e o segundo eram motivos de orgulho, mas o caçula era um verdadeiro fardo. Ele parecia estar mais calmo agora, mas na época da rebeldia, o pai vivia com problemas gástricos. Ninguém em toda a família era assim; ele não sabia de onde tinha saído um mutante como aquele.
Bem, o fato de ter nascido homem e ômega já estava fora do padrão comum. Pensando por esse lado, ele sentia certa compaixão como pai.
— Você continua mantendo contato com o Gyu-ha?
— Sim. De vez em quando.
— É vergonhoso dizer isto, mas, Cha-young, por favor, cuide bem dele. Ele já tem idade, mas ainda é um imprudente que não conhece o mundo. …Se ele fosse metade dos irmãos dele, já seria bom…
— Quer mais um copo?
Percebendo a deixa, Lee Cha-young encheu o copo vazio. Com um pensamento súbito, Seo Chang-sik continuou:
— Por acaso, você sabe se o nosso Gyu-ha está encontrando alguém? Ele não fala nada sobre essas coisas.
— …Pois é. Eu também nunca conversei sobre isso com ele.
Era verdade. Embora tivessem acabado fazendo sexo após o reencontro, não tinham motivos para compartilhar histórias pessoais. E mesmo isso, se Seo Gyu-ha não tivesse caído na provocação do *bottom* atrevido e aceitado o *threesome*, teriam permanecido apenas como conhecidos que se cumprimentam ao passar.
— Se houver alguma moça gentil, apresente-a ao Gyu-ha. Quem sabe? Se ele encontrar alguém de quem goste, talvez ele mude.
— Sim. Vou dar uma olhada.
O canto de sua boca escondido pelo copo subiu levemente. Uma moça gentil… será que o pai dizia isso sabendo que o filho só se excitava com homens?
“…É claro que não sabe.”
E muito menos que agora ele só se envolve a sós com ele.
↫────☫────↬
↫─☫ Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna
Ler Dog And Bird (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
Em um mundo onde há 99,9% de chance de Alfas serem homens e Ômegas serem mulheres.
Seo Gyuha nasce como a rara exceção: um Ômega masculino. No entanto, tendo crescido mais como um beta, ele quase não está ciente de sua própria identidade omega.
Após uma noite de bebida e festa como de costume, ele acorda em uma manhã de fim de semana com uma dor de cabeça insuportável — apenas para se deparar com uma situação surpreendente…