Ler Dog And Bird (Novel) – Capítulo 01.2 Online

↫─☫ Dog And Bird, Capítulo 01 – Parte 02
Chegar ao shopping foi a parte fácil, o problema veio depois.
Não era como se ele fosse a mãe; ele não tinha como conhecer o gosto do pai, que via no máximo cinco vezes por ano. Deveria comprar a mesma coisa que no ano passado? A ideia passou por sua mente, mas ele desistiu rapidamente. O motivo era que não conseguia se lembrar do que havia comprado no ano passado.
Foi então. De longe, um homem de meia-idade passando com a barriga estufada chamou sua atenção. Graças a isso, Seo Gyu-ha decidiu o que comprar e começou a caminhar. Enquanto esperava o elevador descer, de repente ouviu alguém chamar seu nome atrás de suas costas.
— Seo Gyu-ha?
Ao se virar, um rosto inesperado surgiu diante dele. Mesmo sendo fim de semana, Lee Cha-young estava parado ali, vestindo um terno preto impecável, de braços dados com uma mulher.
A porta do elevador se abriu naquele momento, mas como seus olhos já haviam se cruzado com os do outro, ele não podia simplesmente ignorar e dar as costas. Desistindo de entrar no elevador, Seo Gyu-ha abriu a boca com uma expressão azeda.
— O que faz por aqui?
— Vim fazer compras com minha irmã.
Ao desviar o olhar para o lado, viu o rosto de uma mulher sorrindo radiante. Logo, uma expressão de surpresa surgiu no rosto de Seo Gyu-ha.
— Ora, você virou uma moça. Se nos cruzássemos na rua, eu não te reconheceria.
Faziam quase dez anos que não se viam, então era compreensível. Ele lembrava que ela era bonita quando criança, mas felizmente parece que ela cresceu bem, sem perder a beleza. Olhando os dois parados lado a lado, eram a própria imagem de um casal de comercial.
— Disseram que você foi estudar no exterior, você voltou?
— Sim. Entrei na empresa do meu pai como funcionária.
Com essas palavras, Seo Gyu-ha deixou escapar uma risada curta.
— Por que tanta formalidade? Quando era pequena, você me tratava com intimidade, me chamando de oppa, oppa.
— É que faz tanto tempo que nos vimos, estou sem jeito.
— Não seja por isso, fale à vontade. Nossa diferença de idade nem é tão grande.
Enquanto trocavam palavras de forma amigável, Lee Cha-young, que observava parado, interrompeu.
— E você, o que faz aqui?
— Vim comprar um presente de aniversário para o meu pai.
— É mesmo? Que filho exemplar.
Com uma expressão de surpresa, ele continuou perguntando com um sorriso:
— O que vai comprar?
— Um cinto.
— Um cinto? Para a cintura?
— Ora, seria para enrolar no pescoço?
Era o item que ele havia pensado graças ao tio barrigudo que vira antes. Com um som de sinal, a porta do elevador se abriu mais uma vez. Quando ele ia se virar dizendo um até logo, sentiu alguém segurar seu braço.
— Que sorte. Vamos juntos.
— O quê?
— Eu disse para irmos juntos. Eu te ajudo a escolher.
Com isso, Seo Gyu-ha franziu o cenho.
— Por que você ajudaria a escolher o presente do meu pai?
Mesmo com o tom provocativo, Lee Cha-young não perdeu o sorriso.
— Olhando o jeito que você se veste, achei que seria melhor eu ajudar.
— Puta que pa…
Ele ia soltar um palavrão, mas ao ver Lee Ye-young ao lado, engoliu as palavras.
— Já disse que não precisa, siga seu caminho. A gente se vê, Ye-young.
Dizendo apenas o que queria, ele se virou. Por sorte, a porta do elevador ao lado se abriu e ele entrou rapidamente. No entanto, assim que se virou, viu as costas de alguém familiar. Lee Cha-young havia entrado junto, sem que ele percebesse quando.
— Eu disse para ir embora, por que está me seguindo?
— O que eu disse agora pouco era brincadeira, estou indo por conveniência. Saí hoje por causa da Ye-young e não comprei nada para mim ainda.
Ele olhou ao redor, mas Lee Ye-young não estava lá. Pelo visto, apenas ele havia entrado.
— E você deixa a menina sozinha para vir?
— A gente ia se separar logo de qualquer jeito. Ela disse que ia ter um encontro com o namorado.
O elevador subiu verticalmente e parou no quarto andar. Enquanto ele hesitava sobre em qual loja entrar, ouviu uma pergunta ao lado.
— Onde você vai comprar?
— Não sei.
— Os cintos da M&C são bons.
Se era M&C ou qualquer outra coisa, ele não dava a mínima. Seo Gyu-ha entrou direto na loja mais próxima. Ao dizer que viera comprar um cinto, o funcionário prestou uma gentileza sem igual e o guiou.
Em seguida, começou a explicação do produto. Diferente de Seo Gyu-ha, que estava indiferente, Lee Cha-young ouvia o funcionário com um sorriso no rosto e, após um momento, apontou com a ponta do dedo para algum lugar.
— Que tal este?
— Está bom.
Diante da resposta sem qualquer hesitação ou dúvida, Lee Cha-young deixou escapar uma risada, como se achasse aquilo absurdo.
— Você não está sendo muito desleixado?
— Cinto é tudo igual. E meu pai é um conservador do cacete. Se não for do gosto dele, ele nem vai tocar.
— Por isso mesmo você deveria escolher com mais cuidado. Da última vez que vi, ele parecia gostar de coisas surpreendentemente chamativas.
— …Você está chutando ou falando porque sabe mesmo?
— É claro que estou falando porque sei.
O canto da boca de Seo Gyu-ha se elevou de forma torta. Parece que esses caras inteligentes lembram até de coisas triviais.
— Qual você disse que era bom?
— Este.
— Embrulhe um igual a este, por favor.
Ele falou brevemente e se virou sem remorso. Chegando ao caixa, Seo Gyu-ha levou a mão ao bolso de trás da calça.
— Ahn?
Uma expressão de pânico surgiu, substituindo a calma de antes. O bolso de trás estava vazio. Ele tinha certeza de que havia colocado o objeto ali assim que desceu do carro, mas por algum motivo, não sentia nada. Por via das dúvidas, ele apalpou o bolso do outro lado, mas deu no mesmo.
— O que foi?
— …Acho que perdi minha carteira.
A expressão de Lee Cha-young também mudou rapidamente para uma de seriedade.
— Tem certeza de que colocou ali?
— Tenho. Coloquei assim que desci do carro.
Ele vasculhou até o chão ao redor, mas não viu nem sombra de algo parecido com uma carteira. Logo, ele estalou a língua com o rosto contorcido.
— Que falta de sorte, de verdade.
Havia muita irritação no gesto de bagunçar o cabelo. Ele já havia deixado cair a chave do carro ou o isqueiro algumas vezes quando estava bêbado, mas nunca perdera a carteira. No entanto, perder a carteira estando sóbrio, e ainda por cima em plena luz do dia, era motivo para ficar irritado.
— O funcionário está esperando, então faça o pagamento primeiro. Você pode pagar pelo celular?
— Não dá.
Uma expressão de surpresa surgiu no rosto de Lee Cha-young.
— Não dá? Você não tem nenhum meio de pagamento disponível no celular?
— Eu não uso essas coisas.
— Você não usa ou não sabe usar?
— Cala a boca um pouco.
Sem dinheiro, ele não teria como comprar o produto. Mas voltar novamente seria um incômodo, e voltar para casa de mãos vazias certamente causaria barulho.
— …
Ele desviou o olhar para o lado de soslaio. Ele ia pedir para o outro lhe emprestar dinheiro se tivesse, mas Lee Cha-young abriu a boca primeiro.
— Eu te empresto o cartão, você me paga depois?
Sendo a melhor coisa que poderia ouvir, Seo Gyu-ha respondeu prontamente.
— Eu agradeceria muito.
— Os juros são altos, tudo bem para você?
Dizendo em tom de brincadeira, Lee Cha-young tirou o cartão da carteira. Pouco depois, a sacola de compras e o recibo entregues pelo funcionário passaram para as mãos de Seo Gyu-ha.
— Vá ao clube amanhã. Eu te pago na hora.
— Se eu tiver tempo. E além disso, cadê o agradecimento?
— …Você faz questão?
— Com certeza.
— Muito obrigado.
Depois de falar em um tom sem alma, Seo Gyu-ha começou a caminhar na frente. Lee Cha-young o seguiu calmamente e apertou o botão do elevador atrás dele.
— O que vai fazer agora?
— Vou para casa lavar os pés e dormir.
Como não tinha nada para fazer, ele pensava em ver o show que teria no clube pela primeira vez em muito tempo, mas o clima foi todo estragado por causa da carteira. Como ele certamente não iria querer sair uma vez que entrasse em casa, as chances de ficar enfurnado lá eram grandes.
— Fui.
Assim que desceu no andar subterrâneo, ele apressou o passo. No entanto, Lee Cha-young quase bloqueou seu caminho.
— Você não vai checar o CFTV?
— O quê?
— Você tem que encontrar a carteira. Pelo visto, parece que alguém a roubou.
Seo Gyu-ha pensou por um momento antes de responder.
— Deixa pra lá.
Ele detestava coisas incômodas. Felizmente não havia muito dinheiro vivo, e como só tinha três cartões de crédito, parecia que bastava comunicar a perda.
“Que saco, estou morrendo de preguiça.”
Foi no momento em que ele ia dar o passo soltando um suspiro. Diante das palavras que se seguiram subitamente, Seo Gyu-ha olhou para o lado.
— Então vamos comer alguma coisa.
— Comer?
— Já está quase na hora do jantar.
Ao ouvir isso, ele ligou o celular e viu que já passava das seis horas. Seo Gyu-ha aceitou sem hesitar. Já que havia saído, seria conveniente comer antes de voltar.
— O que vamos comer?
— Tem algo que queira comer?
— Carne e macarrão frio.
A resposta saiu como se estivesse esperando. Por regra, no jantar se deve comer carne. Ainda mais se for por conta de outra pessoa.
— Espere um pouco.
Lee Cha-young tirou o celular e fez uma ligação para algum lugar.
— Alô? Tia, sou eu. Sim. Estou indo comer agora e queria saber se tem lugar. Acho que levo uns 30 minutos. Sim, obrigado.
Seo Gyu-ha, que estava parado, abriu a boca com uma expressão de desaprovação.
— Poderíamos ir a qualquer lugar, para que ligar?
— É que este restaurante é realmente muito bom. Já que vamos comer, é melhor comer algo gostoso.
Como se fosse para provar que era um herdeiro de berço de diamante, parece que ele não fazia nenhuma refeição de qualquer jeito. De qualquer forma, como não havia discordância sobre ser bom comer algo gostoso, Seo Gyu-ha dirigiu seu carro seguindo o de Lee Cha-young obedientemente.
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Um funcionário vestindo um traje tradicional coreano elegante guiou os dois para uma sala privativa. Assim que se sentou, Seo Gyu-ha pediu 5 porções do corte mais caro. Como ele já estava começando a ficar com fome, pretendia comer com vontade sem cerimônias.
Pouco depois, a carne vermelha de primeira qualidade foi colocada sobre a grelha. Mal a superfície selou, Seo Gyu-ha a pegou rapidamente como um falcão caçando sua presa. Graças a isso, Lee Cha-young, que acabou dando várias investidas no vácuo, perguntou soltando uma risada curta:
— Você não costuma comer carne?
— Como sim.
— Mas por que está desse jeito…
Ele não teve coragem de perguntar se ele estava comendo como um esfomeado. Se fizesse isso, a imagem do outro jogando os hashis e causando um escândalo era nítida.
— …Coma bastante.
— Com certeza.
Sem saber o destino que o aguardava em breve, Seo Gyu-ha encheu o estômago diligentemente como alguém que passara dias sem comer. A carne na grelha acabou num instante. Ele ia apertar a campainha da mesa com a intenção de pedir mais, mas o celular por perto tocou alto. Ao ver o nome na tela, Seo Gyu-ha atendeu.
— Oi.
Era Kim Moran, uma de suas poucas amigas mulheres. Assim que ele atendeu, Kim Moran perguntou bruscamente sua localização.
— Onde você está agora?
— Estou comendo.
Então, seguiu-se uma frase inesperada.
— Você consegue engolir a comida depois de perder a carteira?
Ele parou o movimento dos hashis e segurou o celular com mais firmeza.
— Como você soube?
— Como eu soube? Eu soube porque eu a encontrei, seu idiota. Você estava indo todo feliz girando o chaveiro sem nem saber que tinha deixado a carteira cair?
Kim Moran possuía uma beleza e carisma reconhecidos por todos, mas tinha o defeito de ser desbocada. Seo Gyu-ha também vivia com palavrões na boca por hábito, mas ainda assim tentava policiar a fala diante de mulheres.
— Onde você está agora?
— Estou saindo da loja. Onde quer se encontrar?
— Você decide. Mas daqui a uma hora.
— Você tem que vir correndo agora, que história é essa de daqui a uma hora?
— Eu disse que estou comendo. Não sabe que nem em cachorro se mexe quando está comendo?
— Pare de comer tanto. Enfim, então venha ao café no 8º andar do shopping. Se atrasar um minuto que seja, você vai ver só.
— Olha só o seu modo de falar.
— O que você disse?
— Que você é linda pra cacete. Vou desligar.
Assim que ele desligou, Lee Cha-young perguntou:
— Quem era?
— Kim Moran.
— Ela disse que achou sua carteira?
— Sim.
— Que coincidência.
Desviando o olhar do sujeito que dava uma risadinha, Seo Gyu-ha apertou a campainha da mesa. Como levaria uns 30 minutos para chegar lá, ele tinha que encher o estômago logo no tempo restante.
— A propósito, você está bem?
— ? O que quer dizer com isso de repente?
— Estou falando do buraco lá de baixo.
O hashi que ia em direção à grelha parou. Após olhá-lo com desdém, Seo Gyu-ha continuou sua refeição.
— Não sinto nada.
— Você parecia bem preocupado dizendo que não estava fechando.
— Cala a boca.
Aumentar a pressão arterial alheia com esse rostinho sorridente era um talento, se é que se pode chamar assim. O fato ainda mais irritante era que Lee Cha-young fazia esse tipo de merda escolhendo bem o alvo. Na realidade, seu interior era negro como fuligem e ele era bem pervertido, mas seus pais e irmãos o viam apenas como um Alfa de Elite competente e gentil. Por isso a situação era ainda mais desesperadora.
— Aquele dia não foi muito bom?
— Bom uma ova.
Depois de engolir o que estava na boca, Seo Gyu-ha fez mais um embrulho de alface e disparou rapidamente:
— Já ouviu falar em erro de bêbado? Naquele dia meu filme queimou e não lembro de nada. Então não pense em ficar me testando ou mencionando isso, seu merda.
— Por quê? Achei que você levava jeito.
— …O quê?
— Fiquei surpreso porque, para uma primeira vez, você recebeu o meu inteiro até o fim. E você mexia o bumbum muito bem.
Desta vez, seu apetite desapareceu completamente. Por fim, Seo Gyu-ha largou os hashis bruscamente como se fosse quebrá-los e se levantou. Com isso, Lee Cha-young também se levantou junto.
— Por que você está se levantando?
— Eu já terminei de comer faz tempo, estava te esperando.
— …Meus sinceros agradecimentos.
Ele respondeu rangendo os dentes e saiu abrindo a porta com irritação. Quando chegaram ao caixa, Lee Cha-young, que disse para ele esperar um pouco, tirou o cartão da carteira.
É claro que Seo Gyu-ha ignorou aquelas palavras e calçou os sapatos que o funcionário lhe entregara. Quando ele ia sair primeiro abrindo a porta, sentiu uma força segurar seu braço por trás.
— O que foi?
— Pegue.
Ao olhar para baixo, viu o recibo que a outra mão lhe estendia. O olhar de Seo Gyu-ha subiu novamente.
— O que quer que eu faça?
— Me pague depois junto com o valor do cinto.
Eram palavras de deixar qualquer um boquiaberto. Ele piscou os olhos algumas vezes antes de falar:
— Não era você que ia pagar?
Então, ouviu a resposta acompanhada de um sorriso largo:
— Como se isso fosse possível. Pense como sendo os juros do cartão.
Ele era realmente um desgraçado.
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Assim que se sentou na cadeira do café, uma bronca foi disparada.
— Você realmente aparece completando uma hora exata?
— Eu não me atrasei, então está tudo certo.
Ele saiu rápido do restaurante, mas como houve um acidente entre outros veículos no caminho, ele teve que ficar preso sem ter o que fazer. Era claramente um dia de azar por todos os lados.
— Pegue.
Kim Moran, que abrira a bolsa, entregou a carteira de bolso. Dizendo um obrigado ao aceitá-la, Seo Gyu-ha a levou direto para o bolso de trás. Porém, desta vez, ele a empurrou bem para o fundo.
— Não vai conferir?
— Para quê?
— E se eu tiver tirado algo?
— Não deve ter nada para tirar, não é?
Kim Moran passou a mão pelos longos cabelos e concordou imediatamente com um “pois é”.
— …Mas escute aqui.
— Sim?
Havia algo que ela estava pensando em dizer, mas em vez de pôr para fora, Kim Moran disse outra coisa.
— Por que não tem quase nada na sua carteira? Achei que tivesse encontrado uma carteira descartada em vez de uma perdida.
— Eu não costumo andar com muito dinheiro.
— Mas anda com camisinha?
— Ei!
— Parece que seu gosto é aroma de morango.
— …Cala a boca um pouco.
Pensando bem, era claramente um dia de azar. Deveria fazer até um ritual de purificação. Enquanto ele se levantava lamentando internamente, Kim Moran perguntou prontamente:
— Onde vai?
— Pedir um café.
— Já que vai, compre um scone de cacau para mim.
— Você vai engordar.
— Quer morrer?
Pouco depois, na bandeja trazida pelo funcionário, havia uma caneca e também um prato com o scone. Kim Moran ficou animada e pegou o garfo. Após tomar um gole do americano, ela abriu a boca como se tivesse lembrado de algo subitamente.
— Você tem andado com o Lee Cachorro ultimamente?
Lee Cachorro era a abreviação de “Lee Cha-young desgraçado”, o apelido que os dois usavam para Lee Cha-young.
— Não. Só nos cruzamos de vez em quando no clube.
Diferente de Seo Gyu-ha, que frequentava o lugar como um morador, Lee Cha-young aparecia umas duas vezes por mês. Em cada uma dessas vezes, ele costumava subir para um quarto acompanhado de um *bottom*, mas ele não tinha coragem de dizer isso diante de Kim Moran.
Kim Moran e Lee Cha-young eram primos e rivais. Rejeição entre semelhantes? Ódio entre semelhantes? De qualquer forma, era esse tipo de relação; embora tivessem gêneros diferentes, ambos nasceram como alfas dominantes na mesma geração e parece que cresceram sendo comparados implicitamente.
Para Seo Gyu-ha, parecia que apenas Kim Moran ficava irritada enquanto Lee Cha-young nem ligava, mas é claro que isso também era algo que ele não deveria nem mencionar diante dela.
— Mesmo que se cruzem, nem finja que o conhece. Isso pega.
Seo Gyu-ha evitou a resposta bebendo o café. Realmente, foi bom não ter dito nada. Se ele tivesse dito que faziam *threesomes* juntos umas duas vezes por mês, certamente levaria um tapa nas costas na hora.
Então, seu humor caiu subitamente. Isso porque a lembrança de que o sexo mais recente que fizeram foi apenas entre os dois veio à tona.
— Você continua apenas cuidando do café?
Ao ouvir a voz que seguia, Seo Gyu-ha levantou o rosto. Respondendo com um atraso “pois é, né”, ele deu um gole no café.
Como sua família era bem de vida, se ele quisesse, poderia ter ido estudar no exterior cedo ou feito um intercâmbio de idiomas como seus irmãos. No entanto, Seo Gyu-ha odiava estudar desde pequeno. Não que ele fosse burro por natureza, mas sentia repulsa só de olhar para as coisas que pertenciam ao domínio acadêmico.
Por conta disso, ele disputou o último e o penúltimo lugar durante toda a vida escolar, mas com o poder do grandioso dinheiro, conseguiu de algum jeito o diploma universitário. E então, um obstáculo surgiu em sua vida. Incapaz de resistir à pressão do pai, ele entrou como estagiário em uma empresa afiliada logo após a formatura.
O resultado foi pífio. No terceiro dia de trabalho, o gerente da equipe, que ele já achara um merda desde a primeira impressão, começou a bater em sua cabeça com uma pasta de documentos enquanto disparava insultos ofensivos. Seo Gyu-ha, perdendo a paciência, desferiu um soco, e assim sua primeira e última experiência em uma empresa teve um fim melancólico.
O título de mestre do café também não era algo que ele desejara. Fora sua mãe quem montara o negócio para ele, por não aguentar ver o filho passando o tempo à toa.
— E você? Está vivendo bem?
— Eu estou sempre ocupada. Desta vez assumi um projeto e estive tão ocupada nos últimos dois meses que não tive tempo nem de respirar.
— Ah, que saco, precisava usar essa comparação…?
— Foi para dizer o quanto estive ocupada. Ontem finalmente concluí uma etapa, dormi o quanto quis e hoje fui ao shopping para aliviar o estresse e acabei encontrando sua carteira.
Largando o garfo, Kim Moran cruzou o olhar com o dele.
— E então.
— O quê?
— Quando vai me retribuir por ter encontrado sua carteira?
Um sorriso refrescante surgiu. Era o tipo de sorriso que qualquer homem ou ômega ficaria hipnotizado olhando, mas Seo Gyu-ha, sendo homem e ômega, nem piscou. Isso porque ele já sabia demais para se deixar levar pela aparência.
Num instante, o rosto de alguém lhe veio à mente. Para provar que eram primos, o jeito de depenar as pessoas era idêntico.
— Ficou surdo? Estou perguntando quando vai me retribuir.
Ele se sentia como um inseto preso na teia de uma aranha viúva-negra. Após soltar um suspiro leve, Seo Gyu-ha finalmente respondeu:
— Quer almoçar comigo amanhã?
Então, veio uma resposta ácida:
— Que história é essa de almoço, que coisa de gente pobre. Uma bolsa nova da Chanel foi lançada, compre essa para mim.
— …Pode ficar com a carteira. Vou considerar como perdida.
— Você quer dizer que é para eu passar no seu cartão, certo?
O fato de ela não perder nem uma palavra enquanto sorria radiante era assustadoramente idêntico. Teria sido melhor se um batedor de carteiras a tivesse levado. Escondendo sua amargura, Seo Gyu-ha terminou de beber o café.
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No dia seguinte, tarde da noite, Seo Gyu-ha saiu de casa. O destino era o clube de costume. Na verdade, hoje ele não estava se sentindo muito bem e queria ficar enfurnado em casa, mas entrou no carro preguiçosamente para pagar o dinheiro que pegara emprestado de Lee Cha-young ontem.
Assim que passou pela porta guardada pelos seguranças musculosos, a música de batida rápida ecoou alto. Quando o Lee Cha-young chegar, mande-o para o meu lado. Após pedir ao funcionário responsável, Seo Gyu-ha se acomodou em uma mesa no segundo andar, em vez de um quarto privativo. Como não estava bem, nem a bebida lhe atraía. Ele pretendia voltar cedo assim que atingisse seu objetivo.
No entanto, 30 minutos se passaram, uma hora se passou, e não houve notícias de que Lee Cha-young tivesse chegado. Sua expressão foi ficando cada vez mais rígida. Se já não bastasse o mal-estar, o som da música batendo em seus tímpanos estava prestes a lhe causar uma dor de cabeça. Sentado com o cenho franzido ao máximo, Seo Gyu-ha finalmente pegou o celular.
Ele apertou o botão de chamada, mas o barulho era tão alto que não dava para ouvir nada. Relutantemente, ele se levantou e entrou na sala de fumantes. Embora o cheiro fosse repugnante, seus ouvidos finalmente tiveram um descanso, o que o fez se sentir um pouco melhor.
Deveria ter trazido o cigarro já que vim aqui. Em meio ao arrependimento tardio, ele ligou para Lee Cha-young mais uma vez. Depois de um bom tempo, ouviu a voz do sujeito.
— Alô?
— Onde você está?
Ele perguntou de forma irritada. Então, ouviu uma pergunta ainda mais irritante do que a demora em atender.
— Quem está falando?
Isso significava que aquele desgraçado não tinha o número dele salvo. Pensando bem, ele não sabia por que tinha o número de Lee Cha-young em seu próprio celular, e sentiu seu orgulho levemente ferido tardiamente.
— Sou eu, seu merda.
Ao responder de forma ríspida, seguiu-se a voz de “ah”, como se tivesse entendido agora.
— O que houve?
— Por que não vem? É sábado.
— Aconteceu algo urgente de repente e estou sem cabeça agora.
— Pare de fingir que é ocupado.
— Não estou fingindo, estou realmente ocupado. Você estava me esperando?
— Para pagar a dívida.
Então, seguiu-se uma risada alegre.
— Acho que hoje vai ser difícil. Divirta-se e vá para casa.
— Não é da sua conta.
Ele desligou na hora. A dor de cabeça latejante piorou ainda mais.
Se eu soubesse que seria assim, teria ligado antes. Com o cenho franzido, Seo Gyu-ha saiu da sala de fumantes. Enquanto caminhava a passos firmes, alguém que vinha na direção oposta de repente fingiu estar muito animado.
— Olá.
Ao virar a cabeça com uma expressão azeda, um rosto conhecido surgiu. Era o *bottom* que lhe abrira as portas para o novo mundo do *threesome*.
Foi há uns três ou quatro meses. Quando ele chegou ao clube, Lee Cha-young já estava lá, por incrível que pareça. No momento em que viu o sujeito sentado no sofá, seu cenho se franziu involuntariamente. Não era por causa dele. Ele viu que o *bottom* bonitinho de quem ele andava gostando bastante ultimamente estava grudado ao lado de Lee Cha-young.
Ele viera com a intenção de se satisfazer plenamente, mas como outro o pescara primeiro, não tinha como estar de bom humor. Seo Gyu-ha sentou-se na mesa logo ao lado e virou a bebida de uma vez. Parecia que seu olhar continuava indo para aquele lado por despeito. Ele estava prestes a chamar outro *bottom* por falta de opção, quando o bonitinho disse algo inesperado. Perguntou o que achavam de tentarem os três juntos.
Com exatamente o mesmo sorriso daquela época, o bonitinho moveu os lábios.
— Você veio sozinho hoje?
— Sim.
— E também está sem parceiro?
Era uma pergunta carregada de sedução. Seo Gyu-ha mergulhou em pensamentos por um instante. Hoje ele realmente pretendia apenas pagar o dinheiro e voltar cedo, mas seus planos foram arruinados por causa do maldito Lee Cha-young.
Pensando bem, já fazia bastante tempo que ele não transava. Seo Gyu-ha chegou a uma conclusão rapidamente e encarou os olhos do outro.
— Vamos subir.
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Tchub, tchub— o som do sexo oral era nítido. A pequena cabeça posicionada entre suas pernas movia-se para frente e para trás, acariciando o membro grande com afinco.
No entanto, a expressão de Seo Gyu-ha não era boa. Normalmente ele costumava ter uma ereção rápida até com pequenos estímulos, mas hoje, embora já tivesse passado um bom tempo, não havia sinal de que ficaria rígido.
— Faça isso direito.
Uma voz misturada com irritação escapou. Mas, na verdade, a culpa não era do outro. Ele dissera que faria o oral primeiro e abrira sua calça com confiança, demonstrando o movimento de língua incrível de sempre.
O bonitinho era um veterano que sabia como sugar e lamber preenchendo toda a boca, além de estimular os pontos certos com as mãos. Portanto, em qualquer outra ocasião, ele teria tido uma ereção imediata e pressionado o interior da boca do outro, mas hoje ele não mostrava nenhum sinal de excitação.
— Haa…
Ao soltar o membro que estava preenchendo sua boca, a saliva escorreu. O bonitinho, que limpou o rosto de qualquer jeito com a mão, olhou para Seo Gyu-ha com uma expressão de dificuldade. De tanto que ele havia sugado com afinco, a região ao redor de seus lábios estava tingida de vermelho.
— Por acaso você bebeu muito?
Ele não tinha bebido nem um gole de água, que dirá álcool. Como ele permanecia sentado com uma expressão rígida sem responder, o outro voltou a envolver o centro de Seo Gyu-ha com as mãos e se posicionou.
— Vou tentar mais uma vez.
Seguiu-se mais uma vez um oral feito com todo o afinco e dedicação. Fosse por orgulho ferido ou por teimosia, ele disse que aquilo era algo que não fazia para qualquer um e abriu totalmente a garganta, chegando a fazer um *deep throat*. Mesmo assim, o resultado foi medíocre.
“Vou enlouquecer.”
Nunca antes algo assim havia acontecido. Até ele mesmo se considerava um animal fiel aos instintos e vulnerável ao prazer. Bastava os *bottoms* passarem a mão de leve com movimentos sensuais para ele ficar ereto, e ele se perguntava o que raios estava acontecendo.
Se surgisse o boato de que ele estava com disfunção erétil, seria uma vergonha total. Antes disso, ele tinha que dar um jeito de ficar ereto agora de qualquer maneira. Seo Gyu-ha fechou os olhos com o cenho franzido e começou a ter pensamentos eróticos.
A fantasia que ele teve foi, obviamente, um sexo em grupo entre homens. Corpos entrelaçados, lambidas e sucções, investidas fortes com o som de carne batendo.
Entre os personagens da fantasia, um deles era o próprio Seo Gyu-ha. E o outro era…
— Uau, finalmente ficou ereto!
Com a voz que soou subitamente, Seo Gyu-ha abriu os olhos. Pensando que finalmente havia tido sucesso, o rosto do bonitinho estava cheio de alegria. Diferente dele, a expressão de Seo Gyu-ha continuava ruim. Não, logo foi ficando cada vez mais feroz. Ele bagunçou o cabelo violentamente e disse, como se estivesse soltando um suspiro:
— Vamos fazer na próxima.
— …O quê?
O sujeito que estava tirando a calça todo feliz parou no meio do caminho. Seo Gyu-ha repetiu gentilmente mais uma vez. Normalmente ele teria ficado bravo perguntando se o outro era surdo, mas agora ele tinha consciência de que estava sendo indelicado.
— Eu disse para fazermos na próxima. Acho que não vou conseguir foder agora.
— Mas se ficou ereto, por que…
— Só não estou no clima. Na próxima eu te fodo a noite inteira.
Ele deu a ordem de retirada com um olhar. O bonitinho olhou com uma expressão de quem queria insistir, mas Seo Gyu-ha foi firme. “Puta merda”, o bonitinho disparou palavrões mentalmente e guardou de volta na bolsa os brinquedos que havia tirado animado assim que chegou. Se fosse qualquer outro cara, ele teria perguntado que porra de conversa era aquela e teria montado em cima, mas, irritantemente, ele não era o tipo de pessoa com quem se pudesse fazer isso. Seria óbvio que seria empurrado ou levaria um soco e seria expulso antes mesmo de montar.
Depois de pegar a bolsa, ele saiu do quarto sem nem se despedir. Fosse como fosse, Seo Gyu-ha nem pensou em fechar a calça e se jogou na cama daquele jeito mesmo.
— O que é isso?
Assim que se deitou, algo rígido tocou suas costas. Ao enfiar a mão para tirar, um objeto inesperado surgiu. Era um vibrador rosa choque vibrante. Depois de arremessá-lo com irritação, Seo Gyu-ha fechou os olhos.
“Vou perder o juízo.”
Quando ele teve pensamentos eróticos para ficar ereto, o rosto da pessoa que soltava gemidos enquanto era penetrada pelos homens por cima e por baixo era o próprio Seo Gyu-ha. E a pessoa que investia com força por baixo era Lee Cha-young. Coincidentemente, naquele momento, seu pau estremeceu e ganhou força. Era realmente de enlouquecer e perder o juízo.
— Aaaah!
Ele se levantou num pulo gritando como um louco. Fechou o zíper que ainda estava aberto às pressas e, em seguida, saiu do quarto agarrando o casaco que estava pendurado na cadeira.
— Porra, eu enlouqueci. Eu enlouqueci de vez.
Ele batia a cabeça contra a parede do elevador. Se ele tivesse continuado lá, não seria difícil imaginar a si mesmo usando o dildo que acabara de arremessar para penetrar o próprio traseiro. Era realmente uma situação maldita.
↫─☫ Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna
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Sinopse:
Em um mundo onde há 99,9% de chance de Alfas serem homens e Ômegas serem mulheres.
Seo Gyuha nasce como a rara exceção: um Ômega masculino. No entanto, tendo crescido mais como um beta, ele quase não está ciente de sua própria identidade omega.
Após uma noite de bebida e festa como de costume, ele acorda em uma manhã de fim de semana com uma dor de cabeça insuportável — apenas para se deparar com uma situação surpreendente…