Ler Dog And Bird (Novel) – Capítulo 01 Online

↫─☫ Dog And Bird, Capítulo 01
O que vi primeiro ao abrir os olhos foi uma grande janela por onde a luz do sol entrava.
— Ai… minha cabeça.
Assim que recobrei a consciência, uma dor de cabeça avassaladora me atingiu, como se meu crânio fosse rachar. Seo Gyu-ha, que pressionava as têmporas com o cenho franzido ao máximo, sentiu um peso desconhecido e olhou para baixo com atraso.
— O que é isso?
Um braço longo e musculoso envolvia sua cintura, prendendo-o. Mesmo que ainda não tivesse se livrado totalmente da bebedeira, era nítido que aquele braço não era seu. Virando apenas um pouco a cabeça para trás, viu um rosto familiar dormindo tranquilamente, respirando de forma ritmada.
Cabelos que caíam naturalmente, olhos de traços nítidos e um nariz afiado e proeminente mesmo visto de frente. Um cara bonitão que era deslumbrante como um ensaio fotográfico até dormindo. Ficar olhando para aquilo era o suficiente para sentir o estômago revirar de inveja.
Após empurrar o braço pesado, Seo Gyu-ha se levantou. No entanto, logo ficou paralisado com um gemido de dor. Assim que se moveu, sentiu uma dor latejante na parte inferior do corpo.
— Será que bati em algum lugar porque estava bêbado…?
Ele tentou vasculhar as memórias. Para celebrar a “sexta-feira louca”, ele tinha batido ponto em sua boate de costume e, enquanto bebia desenfreadamente, Lee Cha-young apareceu. Após trocarem algumas palavras fúteis, os dois saíram da sala acompanhados por um *bottom* recomendado por um funcionário. Ele lembrava de ter subido para o andar de cima, mas dali em diante não conseguia se recordar de mais nada.
— Ah, merda…
Resmungando palavrões devido à dor de cabeça que não passava, Seo Gyu-ha olhou ao redor. Uma cena até que familiar entrou em seu campo de visão. Quando ele tinha casos de uma noite com os *call boys* da boate, costumava usar os quartos no andar de cima do mesmo prédio. O mesmo acontecia quando fazia um *threesome* com Lee Cha-young. Ontem, com certeza, os três entraram no elevador, mas por que ao acordar só estavam ele e Lee Cha-young na cama?
Ele estalou a língua com um certo arrependimento. Ter que lidar com dois homens corpulentos ao mesmo tempo deve ter sido bem exaustivo; vê-lo já ter ido embora indicava que ele era bem diligente. Ou talvez tivesse mais vigor do que aparentava.
“Acho que ontem foi bem bom…”
Embora sua mente ainda estivesse no escuro, restava uma vaga sensação de ter tido um sexo bastante satisfatório. Enquanto massageava o pescoço rígido, ouviu de repente uma voz grave.
— Acordou?
Ao olhar para o lado, viu que Lee Cha-young, não se sabe desde quando, o observava. Apoiando a cabeça em um dos braços com um sorriso de canto, ele exalava uma aura de tranquilidade plena desde cedo.
Em seguida, quando Lee Cha-young se levantou, o lençol escorregou, revelando seu corpo nu. Seo Gyu-ha franziu a sobrancelha involuntariamente. Embora ele mesmo se considerasse alguém que treinava com afinco — apesar de ser o rei da preguiça —, diante daquele cara, ele nem podia se comparar.
Uma irritação transparecia em seu olhar semicerrado. O físico nato era algo inevitável, mas ele se perguntava como alguém que passava o dia todo sentado à mesa olhando documentos conseguia manter um corpo daqueles.
— Você está bem?
— …Sinto que minha cabeça vai explodir.
Embora não quisesse admitir, ele se sentia um completo idiota nessas horas. Sabendo perfeitamente que sofreria de uma ressaca terrível se misturasse bebidas, por que repetia o mesmo erro? Enquanto pensava que precisava comer algo para curar a ressaca assim que saísse dali, a voz de Lee Cha-young continuou.
— E o seu buraco, não dói?
— O quê?
Diante do termo incomum, o olhar de Seo Gyu-ha voltou-se bruscamente para o lado.
— O que você disse?
— O seu buraco. Estou perguntando se está bem.
— Depois de dormir o quanto quis, você acorda e vem falar de buraco do nada?
O vinco entre suas sobrancelhas ficou ainda mais agressivo. Em contraste, Lee Cha-young continuava sorrindo relaxado enquanto soltava palavras enigmáticas.
— Pelo visto, você não se lembra.
— Porra, para de enrolar e fala logo o que interessa.
Já estava morrendo com a dor de cabeça, e ouvi-lo dizer coisas que não faziam sentido de primeira não era nada agradável. Por fim, quando Seo Gyu-ha, com a paciência esgotada, soltou um palavrão, o outro deu de ombros e prosseguiu.
— Ontem você dormiu comigo.
— …O quê?
Que porra de conversa era aquela?
Seo Gyu-ha fez uma expressão tão ameaçadora que qualquer um que o visse na rua se afastaria por instinto, mas Lee Cha-young nem sequer piscou. Ao encarar aquele rosto sorridente, Seo Gyu-ha soltou outro palavrão ao pensar, tardiamente, que tinha sido “fisgado”.
— Claro que dormimos. Com um *bottom* entre nós dois.
Como tinham subido os três com esse propósito, era o óbvio.
Desde que conheceu o novo mundo do “um buraco, dois paus” por causa de um *bottom* atirado, Seo Gyu-ha costumava desfrutar de *threesomes* com Lee Cha-young ocasionalmente. Não precisavam de agendamento prévio. Se ele chegasse tarde na boate em uma noite de fim de semana, Lee Cha-young aparecia um pouco mais tarde ainda. Bebiam apenas o suficiente para não prejudicar a ereção e, então, pegavam um *call boy* do agrado ou um *bottom* experiente e se mudavam para um quarto no andar de cima.
Claro que nem sempre ele encontrava Lee Cha-young. Nesses casos, ele levava algum garoto bonitinho que fizesse o seu estilo…
— Não. Eu comi você.
Seo Gyu-ha, que estava perdido em pensamentos, despertou abruptamente.
Espera, o que ele disse agora?
Lee Cha-young continuava com aquele semblante risonho. Após ruminar vagamente o que acabara de ouvir, Seo Gyu-ha abriu a boca lentamente.
— …Você me comeu?
— Sim.
— Você?
— Sim.
— …Sem um *bottom*, nós dois transamos?
— Exato. Você foi isso, eu fui isso.
O dedo indicador da outra mão entrava e saía de um círculo feito com as pontas dos dedos. Por um instante, Seo Gyu-ha esqueceu a situação e fez uma expressão como se tivesse visto algo engraçado.
— Um cara que viveu tanto tempo no exterior conhece essas coisas?
— Conheço. Vupt, vupt.
Uma risada curta escapou. Nobre de berço, uma ova. Todos olhavam apenas para a aparência daquele cara e o enchiam de elogios melosos, chamando-o de “nobre”, “rico e bonitão”, ou “herdeiro de berço de diamante”, mas, na realidade, Lee Cha-young era alguém que não hesitava em fazer sexo pesado ou *threesomes*.
“Pelo menos eu sou honesto.”
Pouco depois de ridicularizar internamente a dualidade do outro, um xingamento saltou novamente da boca de Seo Gyu-ha. Foi por ter percebido, com atraso, que o círculo que Lee Cha-young fizera se referia a ele.
— Porra…
Era realmente uma situação de merda. Com razão sua cintura e o que estava abaixo dela doíam de forma estranha.
Seo Gyu-ha mordeu os lábios e, com um fio de esperança de que pudesse ser uma piada de péssimo gosto, levou a mão para trás. No entanto, foi uma expectativa vã. Assim que as pontas dos seus dedos tocaram o buraco, sentiram algo escorregadio e pegajoso. Um rosnado explodiu imediatamente.
— Seu desgraçado, você me comeu sem camisinha?
— Eu usei. Deve ser o lubrificante.
A voz que respondia com naturalidade fez suas veias saltarem. Ele sentiu vontade de cravar o punho naquela cara cínica, mas, maldita seja a sorte, não tinha chances de vencer. Já seria um lucro se não acabasse sendo dominado e comido de novo.
Desviando o olhar à força, ele vasculhou ao redor. Ao encontrar o maço de cigarros e o isqueiro caídos sob a mesa, ele se levantou com uma careta de desprezo.
Aspirou profundamente a fumaça do cigarro aceso. Quando a fumaça acre entrou em seus pulmões, sentiu que sua mente se estabilizava um pouco.
— Me dá um também.
— Fuma o seu, desgraçado.
— Não seja mesquinho.
— …Sempre os que têm mais são os mais mãos-de-vaca.
Embora reclamasse, ele jogou o maço de cigarros em direção à cama, e o outro o pegou com facilidade. Jogou o isqueiro deliberadamente na direção do rosto dele, mas este também aterrissou certeiro na palma da mão de Lee Cha-young, como se fosse atraído.
“Nada dá certo hoje.”
Ele fumava avidamente enquanto mordiscava o filtro. Então, de repente, sentiu que aquilo era injusto. Seo Gyu-ha logo virou a cabeça e falou em um tom bem baixo:
— Deixa eu te dar um soco.
— Do nada?
— Fui atacado unilateralmente sem aviso prévio, você acha que eu aguentaria calado se fosse você?
No entanto, o que recebeu de volta foram apenas palavras cínicas ditas com uma voz suave que o irritavam profundamente.
— Não foi um aviso, foi um anúncio.
— …Isso importa agora?
— É preciso usar os termos corretos para não haver mal-entendidos desnecessários. E parece que você entendeu algo errado: foi você quem me pediu primeiro para te comer.
Uma risada sarcástica escapou. Após esmagar o cigarro, que não estava nem na metade, no cinzeiro como se estivesse esmagando alguém, Seo Gyu-ha rosnou como um animal feroz.
— E você quer que eu acredite nisso agora?
— Acreditar ou não é liberdade sua, mas não é certo tratar alguém como um estuprador sem escrúpulos.
Seo Gyu-ha estremeceu diante da mudança repentina no olhar dele. Embora não pudesse sentir fisicamente, a sensação de formigamento sobre a pele indicava que ele provavelmente havia liberado feromônios de alfa.
— Você disse que queria transar separadamente hoje, e eu concordei. Você fez um escândalo dizendo que queria ser o primeiro a foder, então eu esperei. Depois que você gozou e tirou, eu coloquei o meu… e você, de repente, agarrou o cabelo do *bottom* e perguntou a ele se era bom ser penetrado.
— …!
— Quando ele disse que era bom, você o expulsou sem mais nem menos e me ordenou: disse para eu tentar te comer.
Ele sentiu como se as palavras tivessem ficado entaladas na garganta. Seus lábios secos se moveram, mas, no fim, ele não conseguiu dizer nada e colocou um novo cigarro na boca. No entanto, não tinha o isqueiro. Ao lembrar que acabara de jogá-lo para Lee Cha-young, ele franziu o cenho e balançou a perna impacientemente.
Se fosse qualquer outro cara, ele o teria agarrado pelo colarinho dizendo para parar de falar merda. Mas, novamente, o problema era que o outro era Lee Cha-young. Embora fosse um desgraçado tanto quanto ele por trás da fachada refinada, ele não era o tipo de pessoa que contaria uma mentira dessas.
Atravessando sua mente confusa, a voz do homem continuou.
— E, tecnicamente falando, eu sou a vítima.
— O quê?
Ao virar a cabeça com uma expressão franzida, viu o outro segurando o cigarro aceso entre os dedos.
— Você sabe. Meu tipo são os caras esbeltos e de linhas corporais bonitas. Mas você fez um escândalo dizendo que quebraria o meu pau se eu não te comesse, então eu não tive escolha.
Era uma atitude como se estivesse prestando um favor. Seo Gyu-ha, sentindo o sangue ferver ainda mais, rangeu os dentes.
— Então você deveria ter me enforcado até eu desmaiar, e não me comido de verdade por trás!
— E se eu tivesse feito isso? Você acha que teria ficado quieto?
— …
Não havia o que refutar. No momento em que sentisse alguém apertar seu pescoço, ele teria causado um tumulto generalizado.
— Haa…
Ele soltou um suspiro, abaixando a cabeça. Era inevitável. Seo Gyu-ha sabia que leite derramado não volta para o copo.
Depois de arremessar o cigarro todo amassado em sua mão, ele se levantou da cadeira. No momento em que ia recolher suas roupas espalhadas pelo chão, sentiu algo escorrendo por sua coxa.
“Porra. Se eu misturar bebidas de novo, eu não sou humano, sou um cachorro, um cachorro.”
Lamentando internamente, ele se recompôs. Aquele foi o despertar matinal mais absurdo e surreal dos últimos tempos.
Cerca de 30 minutos depois, Seo Gyu-ha saiu do quarto. A cada passo, o som de sapatos ecoava atrás dele. Mesmo tendo dito para o outro cair fora primeiro, Lee Cha-young insistira em esperar, dizendo que “deviam sair juntos”.
Como seu humor estava no fundo do poço, até o som dos saltos dos sapatos o irritava. O elevador desceu rapidamente. Ao passar pelo corredor com as luzes apagadas e sair do prédio, a luz do sol matinal feriu seus olhos. Olhando para Seo Gyu-ha, que estava com uma careta, Lee Cha-young perguntou:
— Você vai comer algo para a ressaca, não vai?
— Óbvio.
A essa altura, eles já conheciam bem os padrões um do outro. Enquanto ele caminhava em direção ao restaurante de sopa para ressaca, ouviu novamente os passos atrás de si.
— Não me segue, cai fora.
— Eu também estou indo comer para curar a ressaca.
— Porra, desde quando você faz isso?
— Já fomos juntos algumas vezes, é triste ouvir você falar assim.
Aquele cara não perdia uma discussão. Com as mãos enfiadas nos bolsos da calça, Seo Gyu-ha apressou o passo. No entanto, a realidade era que ele mal conseguia caminhar desajeitadamente devido à sensação de corpo estranho naquela região.
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O toque barulhento do celular perfurou seus ouvidos. …Se eu deixar, ele para. Para fugir do barulho, Seo Gyu-ha virou para o outro lado. Mas ele estava enganado. Logo quando parecia que ia parar, o toque recomeçou segundos depois.
A única pessoa que ligaria de forma tão insistente era aquele “urso”. Seo Gyu-ha, com o cenho franzido, atendeu sem sequer verificar quem era.
— O quê?
— Alô? Estava dormindo?
Como imaginado, ouviu uma voz familiar.
— É.
— Que vida mansa. Estou na boate agora, vem para cá.
Normalmente, ele teria pulado da cama, mas hoje não. Depois de pressionar os olhos, ele finalmente os abriu. Não sabia quantas horas haviam passado, mas como ainda havia sol lá fora, era certo que não fazia tanto tempo.
— Não vou. Ontem eu exagerei.
— Ontem foi ontem, hoje é hoje. Eu pago, é só vir.
Era uma proposta tentadora, mas desta vez Seo Gyu-ha recusou. Mesmo tendo dormido, sua cabeça estava pesada e ele não conseguia pensar em nada. No estado em que estava, sentia que não conseguiria beber nem se divertir direito se fosse.
— Já disse que não vou. Vou desligar.
Sabendo que o cara não desistiria fácil, ele desligou o celular de vez. Seo Gyu-ha tentou fechar os olhos novamente, mas, maldita seja a sorte, uma vez que o sono era interrompido, ele não voltava. Ficou deitado com uma expressão ranzinza até que, sentindo o estômago queimar, resolveu se levantar.
— …
Ele paralisou imediatamente no meio do movimento. Assim que ergueu o tronco, sentiu aquela dor desconhecida se espalhar novamente. Levantando-se de forma desajeitada, Seo Gyu-ha foi até a cozinha e virou um copo de água gelada. Depois, voltou para o sofá e começou a repensar o que aconteceu ontem.
Assim que entraram no quarto, ele deu um beijo rápido no *bottom* que se pendurava nele, o virou de costas e enfiou o pau. Não precisou preparar o caminho. O garoto tinha dito que tinha experiência com *threesomes* e, mesmo que não tivesse, os *call boys* profissionais costumavam se preparar sozinhos para receber os clientes imediatamente.
A memória seguinte era na cama. O *bottom* experiente estava em posição de quatro, chupando seu pau enquanto segurava o de Lee Cha-young com a mão, masturbando-o vigorosamente. A excitação subiu rápido com o oral fantástico. Ele lembrava de ter sentido o prazer enquanto gozava, mas dali em diante, por mais que forçasse a mente, não vinha nada.
Não, havia alguns *flashbacks* que surgiam em fragmentos. Um corpo balançando enquanto estava de bruços, algo entrando e saindo rapidamente do seu buraco… E no final, parecia que ele estava com as pernas abertas como uma rã de cabeça para baixo, sendo penetrado e pedindo para que o outro enfiasse com mais força.
— Porra…
Vou enlouquecer.
Quanto mais pensava, mais desesperadora a situação se tornava. Mesmo tendo acabado de beber água, seus lábios estavam secos. Com o cenho tão franzido que formava um vinco profundo, Seo Gyu-ha acendeu um cigarro.
Pelas palavras de Lee Cha-young, parecia ser um fato consumado que ele fora dominado. E também parecia que ele tinha aproveitado bastante enquanto era penetrado. Ele queria esquecer isso, fingindo que fora apenas “mordido por um cachorro”, mas algumas outras lembranças surgiram.
“A-Aí, aí, haang… que bom…!”
“Haa… Se eu soubesse que seria assim, huf, teria te comido antes. É sério que sou o seu primeiro?”
“Heeun, então, seu merda, você acha que eu já teria feito algo assim? Aat…!”
“Faz sentido. Está tão lá no fundo que quase ninguém conseguiria tocar.”
Eram todas memórias que ele queria apagar da mente. Então, de repente, Seo Gyu-ha percebeu algo estranho e baixou a cabeça.
Uma risada sem graça escapou. A frente do seu shorts já estava estufada. O mais absurdo era que sentia uma sensação latejante e, ao mesmo tempo, um formigamento dentro de si.
Ele deu tapas nas próprias bochechas e tomou água tão gelada que seus dentes doeram. No entanto, o calor que envolvia seu corpo não diminuía. Sentado no sofá com as pernas abertas e mordendo os lábios, Seo Gyu-ha finalmente tomou uma decisão e se levantou num pulo.
— Provavelmente deve estar lá.
Ele se dirigiu ao depósito onde guardava tralhas. Depois de vasculhar caixas de encomendas fechadas e todo tipo de quinquilharia, ele finalmente encontrou seu alvo.
O que Seo Gyu-ha procurava era uma caixa com estampa de corações. Ao abrir a tampa, deparou-se com um dildo bizarro, algemas, um chicote e um vibrador do tamanho de um polegar. Fora um presente de aniversário de Kim Gang-san, um de seus amigos, entregue com a frase ridícula de que ele deveria “descobrir um novo mundo”.
Assim que viu o conteúdo, ele o tinha arremessado longe na hora, mas parecia que acabara trazendo junto com os outros presentes. Ao encontrar a caixa no dia seguinte, ele xingou muito e a jogou no depósito… Quem diria que acabaria procurando por ela agora.
Agachado e vasculhando a caixa, Seo Gyu-ha tirou um dildo de tamanho médio. Ele não tinha coragem para um tamanho real, mas sentia que se fosse muito pequeno, não sentiria nada. Por isso, escolheu o tamanho médio e saiu do depósito.
Sentado na cama, Seo Gyu-ha teve primeiro um momento de exploração. Embora fosse precoce — tendo perdido a virgindade no ensino fundamental —, justamente por isso, ele nunca tinha usado esse tipo de aparelho. Girando-o na mão, ele descobriu um pequeno interruptor. Pelo visto, a coisa até tinha função de vibração.
Na parte de baixo, havia um espaço para pilhas. Seo Gyu-ha pensou em procurar por pilhas, mas logo desistiu. Como quase não ficava em casa, dificilmente teria pilhas reserva. Mesmo que tivesse, com certeza não saberia onde as guardou.
No entanto, como tinha um pouco de astúcia, ele tirou as pilhas do controle remoto da TV e as inseriu no aparelho. O momento de autoelogio durou pouco; quando ligou o interruptor, Seo Gyu-ha se assustou com o movimento brusco e vibrante do objeto e o soltou da mão, soltando um grito.
— Caramba, quase tive um treco.
O dildo arremessado na cama continuava a se contorcer incansavelmente. Ele estendeu a mão rapidamente e o desligou. Depois de acalmar o coração acelerado com respirações profundas, ele ligou o interruptor novamente, desta vez na intensidade mais fraca. A vibração contínua permanecia, mas visualmente era muito melhor.
Segurando-o pela base como se fosse uma banana, ele o observou, desligou-o novamente e se levantou. Seu olhar vagou pela penteadeira até parar em um ponto. Logo em seguida, ele pegou um frasco de loção. Como só buscava diversão fora de casa, não tinha camisinhas ou lubrificantes em casa.
Voltando para a cama, Seo Gyu-ha abaixou a calça e a cueca até os joelhos e se deitou confortavelmente. Engoliu em seco e, lentamente, levou a mão para baixo. Sua expressão logo se fechou. Não sabia se era impressão, mas sentia como se ainda estivesse levemente aberto.
Em seguida, ele passou a loção generosamente no dildo. A sensação rígida e ao mesmo tempo lisa era extremamente estranha. De repente, um choque de realidade o atingiu.
Se tinha fome, comia; se tinha sono, dormia; se queria sexo, fazia sexo. Desde pequeno, ele sempre foi muito fiel aos seus instintos e continuava assim, mas quem diria que ele mesmo acabaria abrindo o próprio buraco. No entanto, sentia que parar agora seria ainda mais incômodo. Depois de passar bastante loção até na parte inferior, Seo Gyu-ha posicionou o dildo contra si.
Bastou alinhar ao buraco e fazer um pouco de força para que ele deslizasse para dentro. Assustado com a própria facilidade, ele retirou a mão bruscamente, mas depois pressionou a extremidade novamente e aplicou força de forma lenta.
— …Que sensação estranhamente horrível.
Era realmente estranho. Parecia que estava empanturrado, e como o esfíncter não fechava mesmo que ele fizesse força, era inevitável a estranheza. No entanto, não era tão ruim quanto pensava. Após recuperar o fôlego por um instante, Seo Gyu-ha segurou a base e começou a repetir o movimento de entrada e saída lentamente.
— Haa… uuung…
Era isso. Essa sensação. As paredes internas ardiam e o calor se acumulava. À medida que repetia o movimento de vai e vem, seus dedos do pé se contraíam e seu corpo todo se retorcia. Mas, de algum modo, parecia insuficiente. Lembrou-se do interruptor e moveu o dedo, mas parou pouco antes de acioná-lo. Tinha o pressentimento vago de que, se ligasse aquilo, cruzaria um caminho sem volta.
Ainda assim…
Aquilo ainda não era o bastante para satisfazê-lo. Seu abdômen definido subia e descia rapidamente. Olhando para baixo, para os pelos pubianos densos e seu pau vigorosamente ereto, Seo Gyu-ha acabou fechando os olhos com força. Seja o que Deus quiser. Primeiro, ele precisava apagar aquele incêndio.
Sua filosofia de vida antiga era pensar no amanhã apenas quando o amanhã chegasse. Embora o resultado nunca tivesse sido bom, ele não tinha intenção de mudar agora, e duvidava que conseguiria.
Depois de mexer no interruptor, ele finalmente o empurrou para cima com força. No mesmo instante, seu corpo firme estremeceu como um peixe recém-pescado.
— Ah-hust…!
Foi como previsto. A vibração que estimulava as paredes internas como se as golpeasse era enlouquecedoramente boa. Seo Gyu-ha, que a essa altura já soltara a base do objeto, agarrou os lençóis e moveu os quadris, entregando-se ao prazer.
Sim, parecia que ontem fora exatamente assim. Lembrou-se de como estremecia e gritava cada vez que Lee Cha-young o penetrava. Embora fosse uma pena não alcançar o ponto exato lá dentro, aquilo já era suficientemente satisfatório.
— Haa… aung, aaat!
Em pouco tempo, Seo Gyu-ha já estava gemendo na posição de bruços. Depois de empurrar o dildo, que ameaçava sair, de volta para dentro do corpo, ele levou uma mão para baixo e agarrou o próprio pau. Gotas de fluido pré-ejaculatório deixaram marcas úmidas no lençol. Suas costas, também adornadas com músculos sutis e bonitos, já estavam encharcadas de suor. Momentos depois, Seo Gyu-ha derramou seu sêmen em meio a um prazer tão intenso que sua visão chegou a escurecer.
— Haa, haa…
Assim que a ejaculação terminou, ele desabou sobre a cama. Alheio a tudo, o dildo inserido em seu traseiro continuava a vibrar e a revirar suas entranhas. Seo Gyu-ha estendeu a mão tateando e desligou o aparelho. Enquanto tentava recuperar o fôlego, sua parte de baixo estremecia em espasmos ocasionais.
Quando sua respiração finalmente se acalmou, Seo Gyu-ha, deitado de costas olhando para o teto, cobriu os olhos com um braço e sussurrou:
— …Vou enlouquecer.
O rosto de Kim Gang-san, rindo enquanto lhe entregava a caixa de coração, surgiu em sua mente. Como o desgraçado dissera, parecia que ele realmente tinha acabado de descobrir um novo mundo.
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— Por favor, pressione.
Ao pressionar o botão conforme as instruções, a porta do café se abriu com um som suave. O gerente, ao confirmar o rosto do cliente, cumprimentou-o com um sorriso.
— Olá, mestre.
— E aí.
— Faz tempo que o senhor não aparece.
— Pois é.
Seo Gyu-ha respondeu brevemente enquanto coçava o queixo. Até ele mesmo sentia que fazia bastante tempo desde sua última visita.
— Leve um latte para o escritório para mim. Com bastante xarope.
Ele logo caminhou a passos largos para o interior. Ao abrir a porta de ferro preta nos fundos, uma escadaria surgiu e, ao dobrar no patamar, outra porta apareceu. Era uma sala privativa disfarçada de escritório.
Após destravar a fechadura eletrônica e entrar, Seo Gyu-ha se jogou no sofá. Na janela de vidro oposta, as letras “cafe HARU” estavam coladas em tamanho grande.
Era um café tão bem-sucedido que, em apenas dois anos após o lançamento da marca, já contava com mais de 200 franquias, e Seo Gyu-ha detinha o título de mestre de uma delas. No entanto, ele quase não trabalhava. Os funcionários cuidavam da loja, e as demais tarefas eram resolvidas por um secretário competente e um contador. Mesmo assim, o motivo de aparecer no café de vez em quando era um só: ele já vivia sem grandes preocupações, mas, quando queria ficar ainda mais ocioso e vago, vinha ao café para passar o tempo.
Apoiando a cabeça em uma almofada, Seo Gyu-ha cruzou as pernas e ligou a tela do celular.
— Hoje vai ser você.
Ao escolher e clicar em um dos vários aplicativos de jogos instalados, a tela familiar logo surgiu. Após acessar o servidor, Seo Gyu-ha checou rapidamente a caixa de correio brilhante e clicou no mapa. Ao aumentar o volume, o som barulhento de tiros ecoou freneticamente.
— O café chegou.
— Valeu. Fecha a porta quando sair.
O aroma perfumado do café estimulou seu olfato. Sem tirar as mãos do celular, Seo Gyu-ha se levantou. Enquanto disparava habilidades com destreza em uma das mãos para matar os inimigos, uma janela pop-up apareceu de repente mostrando o conteúdo de uma mensagem. Ao ler as palavras “Aviso de exame periódico do Hospital xx”, seu ânimo esfriou na hora.
— Que saco…
Era algo que acontecia uma vez por mês há mais de dez anos, mas não deixava de ser irritante. Ainda assim, Seo Gyu-ha nunca deixava de fazer os exames periódicos do hospital. Mesmo resmungando que estava morrendo de tédio por causa daquela linhagem maldita.
Um mundo onde os seres humanos podem ser classificados não apenas como homens e mulheres, mas também como ômegas, betas e alfas. A proporção de ômegas e alfas na população total é de pouco mais de 30%, e o comum era que mulheres se manifestassem como ômegas e homens como alfas. No entanto, em uma probabilidade muito rara, Seo Gyu-ha nasceu homem, mas com a linhagem de ômega.
A chance de um ômega masculino nascer é de 1 em 100 mil. O pai de Seo Gyu-ha, após muito refletir sobre o filho caçula que nasceu com essa probabilidade, criou-o como um homem beta comum, e não como um ômega. Isso porque, naquela época, o caso de um estudante de ensino médio, um ômega masculino que não suportou o bullying dos amigos e tirou a própria vida na escola, foi amplamente divulgado pela mídia.
E com o passar do tempo, assim que a segunda característica sexual do filho começou, ele o submeteu a um procedimento para bloquear artificialmente a secreção de feromônios ao atingir as glândulas. Isso era para evitar problemas maiores caso ele acabasse se envolvendo com um alfa masculino de má índole ou cometesse algum erro por curiosidade.
Mas parece que o sangue nato não pode ser enganado, pois desde que começou a ganhar juízo, Seo Gyu-ha sentia atração sexual por homens, e não por mulheres. É claro que sua posição era a de ativo. Talvez por ter crescido como um beta, ou por ter bloqueado a secreção de feromônios cedo demais, Seo Gyu-ha tinha um porte físico consideravelmente bom para um ômega. Graças a isso, ninguém suspeitava quando ele dizia ser um beta. Até ele mesmo quase não tinha consciência de que era um ômega.
Sua mãe procurava secretamente por uma alfa feminina para o filho, mas, para Seo Gyu-ha, era apenas esforço inútil. Ao ver uma mulher bonita e sexy, seus olhos se alegravam, mas parava por ali. Não sentia a menor vontade de tocá-la ou de se misturar carnalmente.
Mesmo que desse sorte de encontrar uma alfa feminina e se casar, havia um problema. Para ter descendentes, quem teria que engravidar não seria a mulher, mas ele mesmo, e a imagem de sua barriga crescendo gradualmente era terrível só de imaginar.
Por conta disso, seu objetivo de vida era claro. Continuar fingindo ser um beta como agora, aproveitar uma vida de solteiro glamouroso e, quando chegasse a hora, partir. Não desejava nada além disso.
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Faltando cerca de 10 minutos para o horário agendado, Seo Gyu-ha chegou ao hospital. O lugar onde ele ia todas as vezes era fixo. Após o exame de sangue seguido pelo exame de endocrinologia, ele entrou no consultório. Oh Tae-seok, o médico responsável e também amigo de seu irmão mais velho, recebeu o paciente com um sorriso.
— Está tomando os remédios direitinho?
— Com certeza.
Mesmo sentindo que ia morrer de tédio, ele tomava o remédio para suprimir os feromônios fielmente há mais de dez anos. Embora tivesse feito o procedimento para bloquear a secreção de feromônios, aquilo não era permanente, mas apenas uma medida temporária, exigindo cuidados contínuos.
É claro que ele não foi aplicado desde o início. Quando recebeu o remédio pela primeira vez no ensino médio e foi forçado a tomá-lo, acabou jogando tudo fora por pura preguiça. E então, um grande incidente aconteceu. Um ciclo de cio começou de repente enquanto ele estava na escola, causando um alvoroço.
Graças à ação rápida do professor responsável e do médico escolar, felizmente a situação se acalmou logo, mas a sensação que teve durante o cio era tão terrível que ele nem queria pensar naquilo. Parecia que pequenos insetos estavam mordendo seu corpo inteiro, sua respiração ficava pesada e ele se sentia tão angustiado que parecia que ia morrer a qualquer momento.
Graças a isso, desde então, ele podia pular uma refeição, mas tomava o remédio fielmente. Por isso respondeu com confiança, mas Oh Tae-seok, com seu rosto sorridente, cutucou seu humor.
— Para quem diz isso, os níveis deste mês vieram altos.
Existem pessoas que conseguem cuspir no rosto alheio enquanto sorriem com a face mais bondosa do mundo e, para Seo Gyu-ha, Oh Tae-seok era exatamente esse tipo. Ele estava rindo, então achei que estava tudo bem, mas os níveis estão altos? Após virar gentilmente o monitor para o lado do paciente, Oh Tae-seok apontou para algum lugar com a ponta da caneta.
— Está vendo? Veio 30% mais alto que no mês passado. Isso significa que você deixou de tomar o remédio algumas vezes.
— Eu já disse que tomei.
— O resultado do exame não mente.
— A máquina deve estar louca.
Ele jurava pelos céus que tomou o remédio com regularidade. …Bem, houve vezes em que ele bebeu demais, acordou tarde e não conseguiu tomar pela manhã umas duas vezes, mas a pessoa que disse que o remédio da manhã não era tão forte foi justamente o médico à sua frente. Portanto, do ponto de vista de Seo Gyu-ha, era perfeitamente possível concluir que a máquina estava louca.
Em seguida, Oh Tae-seok cruzou os braços e continuou com um tom sério.
— Você sabe que, originalmente, o cio ocorre a cada 30 dias, certo?
A resposta “e o que eu tenho a ver com isso?” subiu até a garganta, mas ele acabou engolindo. Mesmo diante do paciente que limpava o ouvido, Oh Tae-seok não se abalou e continuou com seu dever de médico.
— Vou receitar um mais forte desta vez, então tome direito. A menos que você queira cair no meio da rua exalando feromônios por todos os lados.
— …Por que você não me joga uma maldição de uma vez?
— Quer que eu faça isso?
Droga.
— Já posso ir, não posso?
— Pode. Não deixe de vir no próximo dia de consulta.
— Vou ver.
Ao mesmo tempo que respondeu, Seo Gyu-ha se levantou. Observando a porta que se fechou de forma irritada, Oh Tae-seok sorriu abertamente. Como o outro reagia exatamente como ele desejava, era impossível não sentir prazer em provocá-lo.
Seus passos, que se moviam fingindo pressa, pararam. Ele abriu a porta do hospital e saiu, mas não tinha para onde ir. Era cedo demais para ir à boate, não queria ir ao café e menos ainda queria ir para casa.
Enquanto caminhava para o estacionamento, o celular em sua mão tocou. Ao confirmar que as letras “Irmão Mais Velho” apareceram na tela, ele apertou o botão de chamada.
— Alô?
— Sou eu. O que está fazendo?
— Fui ao hospital e estou voltando para casa.
— Hospital? Não está se sentindo bem?
— Foi por causa do exame periódico.
Seguido de um breve som de compreensão, a voz do irmão foi ouvida novamente.
— Você sabe que o aniversário do papai está chegando, né?
— …
Como ele economizou na resposta, ouviu-se um longo suspiro. No entanto, não houve sermão desagradável. Mais do que dizer que o irmão tinha um bom temperamento, era mais correto dizer que ele havia atingido o nirvana.
— Ficou combinado de todos nos vermos em casa no próximo sábado à noite, então não marque nada. E nem pense em vir de mãos vazias.
Com essa frase, Seo Gyu-ha coçou a parte de trás de sua cabeça redonda.
— Não posso só ir? Não é como se o papai não tivesse dinheiro.
Além de ser o presidente de uma empresa de tecidos de novos materiais que ia bem até em tempos de recessão, os imóveis em nome do pai não eram apenas um ou dois. Pouco depois, a voz do irmão continuou.
— Você está falando sério?
— Cem por cento sério.
— …Tente dizer isso na frente do papai. Seria uma cena e tanto ver sua perna quebrada por uma tacada de golfe.
— Por que ele brandiria um taco de golfe num dia feliz?
Ele franziu o cenho involuntariamente. Embora nunca tivesse tido a perna quebrada por uma tacada de golfe do pai, já teve o braço trincado ao tentar se defender. É claro que, como foi há muito tempo, ele não se lembrava do motivo.
— Vá ao shopping quando tiver tempo. Não compre suplementos de saúde nem uísque, porque eu já comprei.
— Que tipo de combinação é essa?
— São as duas coisas que o papai gosta, o que mais seria?
— Olha só o filho exemplar.
Após trocarem mais algumas palavras, Seo Gyu-ha desligou o telefone.
Ele abriu a porta do carro e subiu no banco do motorista. Por hábito, tirou um cigarro, colocou-o na boca e digitou o nome do shopping no GPS. Embora uma compra repentina fosse um saco, como não tinha o que fazer, pretendia ir para aproveitar a oportunidade.
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↫─☫ Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna
Ler Dog And Bird (Novel) Yaoi Mangá Online
Sinopse:
Em um mundo onde há 99,9% de chance de Alfas serem homens e Ômegas serem mulheres.
Seo Gyuha nasce como a rara exceção: um Ômega masculino. No entanto, tendo crescido mais como um beta, ele quase não está ciente de sua própria identidade omega.
Após uma noite de bebida e festa como de costume, ele acorda em uma manhã de fim de semana com uma dor de cabeça insuportável — apenas para se deparar com uma situação surpreendente…