Ler O Marido Malvado (Novel) – Capítulo 164 Online

Sem dizer uma palavra, Cesare fechou novamente a janela do carro. O cocheiro, que observava tudo com tensão, imediatamente pisou no acelerador.
O veículo atravessou os portões, percorreu a longa alameda, cruzou o jardim e finalmente chegou à entrada da mansão. A cena ali era igualmente caótica. Ao descer do carro, Cesare chamou em voz alta:
— Sonio!
Era raro que ele aumentasse a voz. Os criados estremeceram, e Sonio surgiu às pressas, já com o rosto encharcado de suor.
— Vossa Graça…
Sua voz carregava inúmeros significados. Sem hesitar, Cesare avançou pela mansão, falando enquanto caminhava:
— Foi um sequestro?
— Não.
O homem parou abruptamente. Seus olhos carmesim voltaram-se para Sonio, que engoliu em seco, plenamente consciente do peso das palavras que estava prestes a dizer. Por fim, falou, embora nem ele próprio conseguisse acreditar no que dizia:
— A senhora… parece ter partido por vontade própria.
— …
Ele ouvira claramente, mas não conseguia compreender.
‘Eileen me deixou?’
Ela sempre estivera desesperada para permanecer ao seu lado. Sempre ansiara por seu afeto, buscando incessantemente formas de ser útil a ele. Seu amor fora cego, a ponto de estar disposta a morrer por ele.
Não havia como Eileen partir por vontade própria.
Deixando Sonio para trás, Cesare seguiu direto para o quarto. Subiu as escadas a passos largos e escancarou a porta, apenas para ser recebido pelo ar frio e vazio de um aposento desocupado.
A jovem que costumava sorrir para ele da cama, com um livro nas mãos, murmurando, “Cesare”… não estava mais ali.
Revistou o quarto, verificou o banheiro — nada.
Em seguida, foi até o laboratório. O mesmo vazio. Restavam apenas vestígios de seus experimentos. Um leve aroma ainda pairava no ar, prova de que ela estivera ali.
Inspirando profundamente o perfume residual de Eileen, Cesare virou-se lentamente. Sonio, que o seguira, estendeu-lhe um pequeno pedaço de papel.
— Uma carta da senhora.
Cesare olhou o bilhete — mais um pedaço de papel do que uma carta formal. Fitou-o por um momento antes de pegá-lo e desdobrá-lo. A caligrafia arredondada e caprichada era inconfundivelmente de Eileen.
Após ler, Cesare esboçou um sorriso distorcido.
Então, deu uma ordem curta:
— Encontrem-na.
Sob o interrogatório firme de Eileen, os cavaleiros revelaram tudo o que sabiam. Contaram o que viram e ouviram ao lado de Cesare, e Eileen memorizou cada detalhe.
“…Assim, suspeitamos que Sua Graça tenha, de alguma forma, voltado no tempo” — concluiu Lotan.
Eileen, por sua vez, compartilhou suas próprias teorias. No entanto, após refletir bastante, decidiu não mencionar o sonho do ritual de sacrifício. Por mais que tivesse parecido apenas um sonho, não queria sequer cogitar em voz alta a possibilidade de que Cesare tivesse tirado vidas inocentes.
“Ainda não consigo acreditar que Cesare tenha se tornado assim por minha causa…”
Aquilo, acima de tudo, era o mais difícil de aceitar. Ela poderia se sacrificar pelo homem— mas Cesare jamais deveria fazer o mesmo por ela. Pertencia a ele, mas não o contrário.
Não havia tempo para se perder nesses pensamentos. O problema diante deles era urgente demais.
“Seja qual for o preço que ele tenha pago, isso ainda não acabou. Precisamos encontrar uma forma de trazê-lo de volta—”
Ela interrompeu a própria frase.
Os cavaleiros, que normalmente concordariam de imediato, permaneceram em silêncio. Lotan perguntou com cautela:
“Será que Sua Graça… realmente desejaria isso?”
Eileen abriu a boca para retrucar, mas lentamente a fechou. Naquele momento, percebeu a diferença gritante entre ela e os cavaleiros.
Em vez de discutir, apenas concordou:
“…Sim. Ele deve ter suas próprias intenções.”
Talvez Cesare não quisesse voltar a ser quem era antes.
A voz de Lotan manteve-se firme ao apontar isso.
Eileen abaixou a cabeça, tentando ocultar o turbilhão dentro de si.
“Iniciaremos uma investigação com base no que nos contou” — continuou Lotan.
Eileen agradeceu. Era grata por terem vindo vê-la, mas admitiu estar exausta e desejava descansar. Os cavaleiros, já tendo tomado tempo de suas agendas ocupadas, não insistiram e prepararam-se para partir.
“Voltaremos em breve” — disse Diego, com a voz carregada de emoção.
Eileen sorriu para eles.
Quando partiram, ela permaneceu sozinha na sala, mergulhada em pensamentos.
Os cavaleiros, Sonio, todos na mansão a estimavam sinceramente. Mais uma vez, Eileen sentiu a profundidade esmagadora do afeto que aquela casa nutria por ela. Era mais do que merecia.
Mas ninguém ali a ajudaria.
Eles se importavam com Eileen, mas eram leais a Cesare.
Sua ajuda tinha limites. Só a ajudariam enquanto isso não contrariasse os desejos do homem. Eram soldados que seguiam a hierarquia, e servos que haviam servido seu senhor por anos. Era natural.
Se permanecesse ali, não conseguiria fazer nada.
Não — certamente seria impedida de fazer qualquer coisa.
Porque era isso que Cesare desejava.
Se quisesse agir, precisava fugir.
— Preciso deixar a mansão.
Eileen começou a andar pelo cômodo, inquieta. Sentava e levantava novamente, girava em círculos. Seus pensamentos corriam.
Como poderia sair?
Jamais havia sequer imaginado desafiar Cesare, mas sabia como o futuro se desenrolaria. Se resistisse abertamente, Cesare e seus cavaleiros a conteriam sem esforço.
— Não posso deixar ninguém aqui perceber.
Se alguém sequer suspeitasse de seu plano, todas as rotas de fuga seriam bloqueadas.
— Preciso de uma forma de me mover sem ser notada…
Revirou suas memórias em busca de algo útil.
Então, lembrou-se.
Antes do casamento, Lotan lhe ensinara sobre uma passagem secreta, para casos de emergência.
Ela nunca a usara, nem ouvira falar dela novamente desde aquele dia.
Mas ainda se lembrava de tudo o que Lotan lhe ensinara.
Se utilizasse a passagem secreta, poderia sair sem ser notada.
— Mas e depois de fugir?
Se esconder de Cesare era impossível. Evitá-lo dentro do Império Traon? Mais impossível ainda.
Deixar o país poderia ser uma opção — mas isso poderia atrasá-la caso encontrasse uma forma de ajudá-lo.
— O tempo é limitado. Preciso considerar isso.
Precisava de um aliado dentro do império.
Seu primeiro pensamento foi o pai.
Mas logo balançou a cabeça.
Se Cesare aparecesse com algumas moedas, seu pai não hesitaria em vendê-la.
Continuou pensando, repetidamente, até que se lembrou de algo — uma voz suave sussurrando em sua memória.
“Se algum dia mudar de ideia, basta dizer. Acho que posso ajudar, ao menos uma vez.”
— Por que está chovendo tanto?!
Marlena passou os dedos pelos seus longos cabelos dourados, frustrada. Sua guarda-costas, carregando suas sacolas de compras, sugeriu:
— Senhora, talvez devêssemos entrar.
— Eu já ia fazer isso.
Marlena manteve apenas sua sacola favorita e avançou com elegância. Os olhares das pessoas a seguiam.
A dançarina mais popular da capital raramente era vista na Rua Fiore ultimamente. A nobreza disputava para convidá-la a seus banquetes, e sua fama só crescia. Agora, até mesmo nobres de alta posição hesitavam em requisitar sua presença devido ao seu preço exorbitante.
‘Tudo saiu exatamente como ele queria’— pensou, com amargura.
Ela recordou um par de olhos vermelho-sangue.
Seu humor azedou.
O homem que lhe roubara sua querida amiga — agora, só conseguia ouvir sobre Eileen por jornais e revistas.
Devido à sua obsessão em colecionar, sua casa estava praticamente abarrotada de publicações que mencionavam o nome de Eileen.
Trabalhava sem descanso para distrair-se da solidão, mas ainda sentia falta daqueles pequenos e íntimos chás no segundo andar de uma velha estalagem.
Mesmo sabendo que nunca mais aconteceriam.
— Homens são sempre o problema — murmurou.
Sua guarda-costas nada disse, apenas inclinou o guarda-chuva para protegê-la melhor.
Então, ao chegar à porta de casa, ela parou.
Diante dela, encharcada até os ossos como um rato molhado, estava uma mulher.
Os olhos de Marlena se arregalaram, incrédulos.
A figura, tremendo sob a chuva torrencial, ergueu os óculos molhados. Uma voz muito fraca chegou até ela, atravessando a tempestade:
— Malena…
Paralisada pelo choque, Malena só conseguiu murmurar:
— …Meu Deus.
Ela atirou a sacola a sua guarda e correu para fora do guarda-chuva, puxando a mulher ensopada para seus braços.
— Eileen!
Continua…
Tradução: Elisa Erzet
Ler O Marido Malvado (Novel) Yaoi Mangá Online
Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
Sinopse
Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui