Ler Kiss The Stranger – Capítulo 09 Online

⚝ Capítulo 09
Normalmente, eu só conseguia colher os frutos que ficavam mais baixos, então já tinha comido todos eles antes. Por causa disso, seria impossível comer mais até que novos frutos nascessem. Olhando para os frutos pendurados no alto, eu só podia lamentar, mas o homem simplesmente resolveu esse problema.
Apoiado no braço dele, consegui alcançar o topo com facilidade. Era inimaginável. Como ele conseguia me erguer tão alto com tanta facilidade, sem precisar de uma escada, apenas com a força de seu braço?
‒ Achei que não conseguiria mais comer esses, mas deu tudo certo. Eu estava muito feliz e agarrei os frutos maduros da palmeira com as duas mãos. Os frutos se amontoavam um a um sob os pés do homem. Eu não conseguia parar de rir. Fazia muito tempo que eu não me sentia tão alegre.
‒ O que tem de tão bom nisso? ‒ vendo meu sorriso aberto, o homem perguntou com um sorriso. Respondi com uma voz muito animada:
‒ Eu nunca tinha pensado nisso. Você pode comer o que quiser, e eu sempre estive sozinho, mas agora você está aqui também. Conversando, colhendo frutos… Dito isso, senti um pouco de vergonha. Apressei-me em acrescentar: ‒ Como é bom ter tanto o que comer. É a minha primeira vez, exceto de quando eu era pequeno. Eu sentia muita fome o tempo todo.
Aos poucos, o tom da minha voz foi sumindo. À medida que as memórias ruins voltavam, o homem fez uma careta.
‒ Você gosta tanto assim dessas frutas?
‒ De… estar com você ‒ respondi honestamente e assenti. O homem então sorriu suavemente.
Talvez fosse absurdo, mas não importava. Era o suficiente ter alguém para me ouvir e alguém com quem conversar. Eu estava falando sobre Deus. Enquanto conversávamos, dizendo “isso é bom, aquilo é bom”, o homem apenas me ouvia. ‒ Esta aqui, em particular, é uma delícia. Tem tanta coisa para se fazer com ela. É a que eu mais gosto.
Sorri enquanto esfregava as azeitonas recém-colhidas na bochecha. Tudo o que estava ao meu alcance já havia sido colhido, e as novas mudas ainda eram pequenas e incapazes de dar frutos. Graças ao homem, consegui pegar as azeitonas que estavam no alto e meu coração batia forte.
‒ Parece um sonho poder comer o quanto eu quiser. O homem olhou para cima. Ainda restavam muitas azeitonas.
‒ Mais.
‒ Hein? No, isso já é o suficiente.
‒ Pegue todas ‒ o homem insistiu. Logo entendi. O homem comia muito. Mesmo tudo aquilo não seria suficiente para encher o estômago dele. Yohan obedeceu e estendeu a mão.
Pensando que já tinha colhido bastante, olhei para baixo e o homem disse com o cenho franzido:
‒ Você pegou tudo?
Após um momento de hesitação, abri a boca:
‒ Ei, se eu colher tudo agora, não terei nada para comer da próxima vez… Acho que com isso aqui já teremos o suficiente por um bom tempo. Então o homem parou. Ele, que ficou em silêncio por um momento, imediatamente saiu dali como se tivesse concordado com minhas palavras. Depois disso, coletamos mais alguns frutos de palmeira e fomos para a cabana. ‒ Vou descer agora.
Eu disse isso, mas o homem não pareceu ouvir e continuou andando. Carregar-me da ponta do oásis até o outro lado, onde ficava a cabana… por mais forte que ele fosse, eu me sentia muito mal por ele.
‒ Eu vou a pé, pode me soltar.
O homem interrompeu minhas palavras com indiferença: ‒ Tudo bem, apenas segure firme. Segurei o último fruto de palmeira que colhi em meus braços. Relutantemente, fechei a boca e abracei o fruto. Eu não queria deixar nenhum cair. A distância de volta para a cabana parecia mais curta que o normal, mas ao mesmo tempo distante. O braço do homem me mantinha firme e quase não havia balanço. Segurei os frutos em meus braços e descansei meu corpo completamente em seus ombros. A temperatura corporal do homem parecia mais quente do que da última vez. Talvez fosse porque ele estava me carregando sob o sol. Mas, estranhamente, eu não suava tanto. Em um espaço silencioso onde o vento não soprava, apenas o som da minha respiração acelerada parecia ressoar enquanto eu prendia o fôlego. O homem, que finalmente entrou na cabana, me colocou no chão, onde estivera me segurando até então. Tropecei por um momento, mas o homem segurou meu braço e rapidamente recuperei o equilíbrio.
‒ Obrigado…
Ergui a cabeça e imediatamente parei de olhar. O homem me encarava, ainda me segurando. Senti vontade de beijá-lo. “Não seria bom se você me trouxesse aqui com você?” Pensei por um momento e fechei os olhos com cuidado. ‒ … … .
Achei que os lábios macios desceriam logo, mas não aconteceu. Por mais que eu esperasse, não havia sinal de que ele me beijaria. Cansado de esperar, abri os olhos secretamente. Mas a cabeça do homem estava alta demais e, no final, não tive escolha a não ser abrir totalmente as pálpebras. E meus olhos encontraram os olhos roxos que me encaravam. O homem sorriu e disse:
‒ Você achou que eu ia te beijar?
Em um instante, meu rosto ferveu. Quando arregalei os olhos sem perceber, o homem subitamente baixou a cabeça. Ele lambeu os lábios de repente, passou a língua pelo lábio inferior e depois ergueu a cabeça.
‒ Você está bem.
Quando vi aquele rosto sorridente, percebi que o homem estava zombando de mim. Eu queria bater nele, mas não podia porque meus braços estavam cheios de frutos. Em vez disso, tentei dar um chute em sua canela, mas o homem rapidamente evitou o chute, como eu já esperava. De repente, o homem ficou travesso. Eu me virei e ele me soltou, seguindo-me de bom grado. Antes de tudo, era impossível ignorar um homem naquele lugar isolado, a apenas alguns passos de distância.
Além disso, a diferença no tamanho do passo era de pelo menos duas a três vezes, então, mesmo que estivéssemos ao ar livre, ele me alcançaria rapidamente. Mais uma vez, o homem, que me seguiu rapidamente, pegou os frutos que eu segurava nos braços um por um e os colocou no chão. Esperei pacientemente que ele terminasse o trabalho. O homem, ao pegar o último, subitamente me deu um beijo na bochecha. Cobri apressadamente a bochecha com a mão livre, enquanto ele sorria e fazia malabarismos, jogando levemente os frutos com a outra mão e colocando-os sobre a pilha no chão. ‒ Pronto.
Quando olhei de perto, percebi que o homem me beijava de vez em quando. Eu não sabia se era da natureza dele beijar muito, ou se é porque beijar é popular lá fora hoje em dia, tornando-se um hábito que ele faz a qualquer momento, mesmo tendo perdido a memória. Fiquei confuso por um tempo, mas acabei perdendo a noção da hora, então nem consegui criticá-lo e apenas escondi o rosto.
‒ Quantas dessas eu devo fazer?
Enquanto eu me sentava em minha mesa de trabalho para adiantar algo antes do jantar, o homem se aproximou e me fez uma pergunta. Endireitei minha postura e respondi:
‒ Três este mês.
‒ Quanto tempo leva para fazer uma?
‒ Cerca de 20 dias…?
A carga de trabalho aumentou, então tenho que me apressar três vezes mais que o normal. Vendo o homem franzir a testa, como se estivesse pensando a mesma coisa, acrescentei apressadamente:
‒ Mas desta vez, preciso de muita coisa. Se puder, compre mais peixe para o Rikal. Rikal miou ao lado, como se entendesse o que eu dizia. Yohan riu e acariciou a cabeça do gato. Vendo isso, o homem franziu o cenho e disse: ‒ Coma algo você primeiro, porque esse gato comeu mais do que você. ‒ O quê… não, veja como o nosso Rikal é magrinho! ‒ Olhe só ‒ ele disse, pegando o gato que piscava os olhos. Rikal miou como se estivesse protestando. Ainda assim, o homem discordou de mim. ‒ Você é muito mais magro. Seu pescoço é tão fino que eu poderia envolvê-lo com uma só mão.
Quando olhei para a mão dele, só pude dizer:
‒ … Não é certo agarrar o pescoço de alguém assim, sem mais nem menos. O homem me disse com firmeza enquanto eu me preparava para voltar ao trabalho rapidamente, antes de ficar sem palavras de novo: ‒ Compre mais comida, não compre nada que não valha a pena. Pare de comprar remédios. ‒ Preciso ter remédios… Você deveria ter mais uma muda de roupa. Continua usando essa mesma.
Não tem jeito. Minhas roupas simplesmente não servem nele. Eu deveria ter lavado aquelas roupas logo. Dei uma olhada em todo o corpo do homem e decidi lavar a roupa amanhã em algum momento.
‒ O onde aquele homem vende isso?
Respondi docilmente à pergunta do homem: ‒ Em Al Fatih. É a cidade mais próxima daqui. ‒ … sério?
O homem pensou por um momento. Desta vez, comecei a trabalhar. O homem atrás de mim murmurou como se falasse consigo mesmo: ‒ Se eu pudesse vender isso pessoalmente, ganharia muito mais dinheiro. Respondi com um sorriso: ‒ Você me valoriza demais, eu realmente não mereço tanto. Não há necessidade de dar ouvidos a um homem cuja memória não está perfeita. “Vamos apenas agradecer”, pensei, e o homem disse:
‒ Só porque não consigo me lembrar, não significa que meus olhos deixaram de funcionar. Parei de me sentir envergonhado porque achei que tinha sido pego. Quando me virei, sentindo minhas bochechas queimarem, o homem acrescentou com um tom sério: ‒ Bem, se você me perguntar o motivo, não tenho o que dizer. É como me sinto… eu gostaria de ser mais específico.
‒ A memória deve voltar logo.
Sorri involuntariamente e o homem ergueu a cabeça e olhou para mim. Sem responder a nenhuma pergunta, fiquei envergonhado de olhar para ele e desviei o olhar. Ambos sabíamos o que viria a seguir.
“E ele voltará para onde veio.”
De repente, um canto do meu coração pareceu vazio, então apressei o ritmo do trabalho. O homem não falou mais nada por um tempo depois disso.
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✦ Tradução, revisão e Raws: Jor&Belladonna
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Sinopse:
Em um país do Oriente Médio onde a discriminação contra ômegas é profundamente enraizada, Yohan, um ômega abandonado após a manifestação de seu gênero secundário, vive sozinho em um oásis com apenas um gato como companhia. Um dia, ele resgata um homem ferido que perdeu completamente a memória do seu passado. Conforme passam o tempo juntos, Yohan se apaixona por ele… mas, um dia, o homem desaparece subitamente, sem deixar rastros.
Depois de esperar por ele em vão por muito tempo, Yohan encontra inesperadamente o príncipe herdeiro, um homem exatamente igual àquele que um dia amou. No entanto, o príncipe não o reconhece de forma alguma…