Ler Kiss The Stranger – Capítulo 08 Online

⚝ Capítulo 08
‒ O quê?
Parei de fazer as perguntas que nem tinha pensado. O homem falou sem rodeios, como se já esperasse minha reação.
‒ Eu não tenho nome.
‒ Ah…
Tentei animá-lo, mas ele foi o primeiro a abrir a boca. ‒ Então, quero que você me dê um nome, até que eu recupere minha memória. Olhei atentamente para o rosto dele. Mas não havia sinal de brincadeira na expressão do homem.
“Você quer que eu te dê um nome? Dar um nome para você? Eu? Eu… eu nunca fiz nada parecido.”
Confuso, gaguejei, e o homem respondeu: ‒ Eu gostaria que você escolhesse. Porque você me salvou.
‒ Em vez de salvar, eu apenas… Qualquer pessoa que passasse por ali naquela hora teria feito o mesmo.
Sem jeito, neguei suas palavras, mas o homem foi honesto. ‒ Não, foi você quem me salvou. O homem acrescentou com calma, mas com firmeza: ‒ Você fez isso. ‒ … … .
‒ Você não me conhece de nada, não é? E se estiverem atrás de mim porque sou um criminoso? E se a perda de memória for uma mentira? E se eu estiver apenas te enganando para me esconder?
Fiquei surpreso por um momento com as palavras do homem, mas no instante em que vi seu rosto, tive certeza.
‒ Não pode ser.
‒ Você confia demais nas pessoas. Se fosse eu, teria deixado você morrer. Como o homem parecia decidido, baixei o rosto novamente, constrangido. ‒ É que meu pai sempre dizia que devíamos ajudar os outros… Não é nada demais, sério. O homem ficou sem fala. Quando olhei para cima, ele ainda estava me encarando. Como se esperasse por seu nome.
‒ Até os gatos têm nomes, mas você nunca me chamou. ‒ Não consegui resistir às palavras apontadas com um franzir de testa.
“O que eu faço?” Eu estava totalmente sem jeito. Eu deveria escolher um nome, mas você está me pedindo para nomeá-lo… Como devo te chamar? Não conheço muitos nomes assim…
‒ Ah.
Meus olhos brilharam com o nome que subitamente me veio à mente. ‒ Que tal Camar?
‒ Camar?
‒ Sim ‒ respondi, assentindo. ‒ É o nome da mãe do Rikal. Ela era uma gata muito corajosa. Ao ouvir a resposta, o homem imediatamente fez uma expressão de surpresa. ‒ Ela era uma fêmea?
‒ Sim, porque era mãe ‒ respondi com orgulho. O homem não respondeu por um momento e depois suspirou.
‒ Tudo bem, que seja esse.
‒ Camar.
Quando chamei o nome como prova, o homem disse: ‒ Tudo bem. Naquele momento, fiquei atordoado pela súbita saudade que me veio à mente. Quando Rikal nasceu, sua mãe preparou um prato especial de frango para alimentá-la, porque estava preocupada com a saúde de Camar. Meu pai reclamou por que ela não cozinhava para mim e para ele também.
“Vou fazer isso algum dia, algum dia. Vou chamar.” E dois dias depois, seu pai morreu em um acidente. É isso que significa dizer adeus. Um dia, de repente, tudo desaba diante dos meus olhos, quando não há nada pronto.
‒ Yohan?
O homem disse meu nome. Quando despertei e olhei para ele, vi que ele me observava. Rapidamente sorri de forma casual.
‒ Não vou me meter em problemas ao te chamar agora. Houve alguns momentos assim. ‒ Sim, é nome de gato, mas tudo bem.
Era óbvio que ele estava sendo sarcástico, mas eu ri. É um prazer estar com outras pessoas. Eu tinha me esquecido disso por tempo demais. Quando eu estava me sentindo mal e desejando que as memórias do homem voltassem em alguns dias, ele subitamente inclinou a cabeça.
Sem tempo para escapar, os lábios do homem tocaram minha bochecha e se afastaram. O homem sorriu para mim, que arregalei os olhos para o que havia acontecido em um instante.
‒ Obrigado.
Sua ação repentina me fez esquecer o pensamento que eu acabara de ter. Desconcertado, eu disse “Uh-huh” e me virei apressadamente, fingindo uma reação. Viver com outras pessoas é realmente estranho.
Fiquei perplexo quando notei isso pela primeira vez. Isso me trazia emoções nostálgicas e memórias tristes, ao mesmo tempo em que me fazia rir e ficar emocionado. “Já senti tantas emoções em um único dia?”
Faz muito tempo e não me lembro. No entanto, eu não desgostava dessa mudança desconhecida e estranha. Foi a primeira vez que ri tanto. Porque não havia muito do que rir quando eu estava sozinho. Enquanto eu me sentava em frente à bancada de trabalho, confuso com a sensação de estar flutuando, o homem subitamente perguntou por trás: ‒ O que você está fazendo? Isso aqui.
‒ Ah!
Por um momento, soltei um curto grito de surpresa. Olhando para trás, sorri. ‒ Por que você está tão surpreso?
‒ Uh, não, eu só estava pensando por um momento. Enquanto gaguejava de vergonha, sorri para ele, mas depois olhei para a tapeçaria que estava fazendo e respondi:
‒ Tem uma pessoa que me traz comida uma vez por mês, e se eu fizer isso e entregar para ele, ele me compra algumas coisas de que preciso. Desta vez, houve muitos pedidos, então a carga de trabalho aumentou.
Não disse que era por causa do homem. “Porque é hora de viver de qualquer maneira, sim.” Assenti, pensando comigo mesmo, e olhei para a reação do homem. Ele estava acariciando o queixo, olhando para a tapeçaria inacabada com um rosto sério. ‒ Bom.
De repente, agradeci conscientemente pelo que o homem havia dito. ‒ Oh? Ah, obrigado.
Pensando que era apenas um elogio comum, deixei passar, mas o homem inesperadamente virou o rosto e disse:
‒ Estou falando sério. Se for concluída assim, será vendida por um preço bem alto. Como você teve essa ideia?
Ao vê-lo manter os olhos na tapeçaria, respondi com um pouco de vergonha: ‒ Só… eu estava entediado porque estava sozinho aqui, então pedi ao homem que vem uma vez por mês para me trazer alguns materiais. Minha mãe era muito boa nisso… aprendi um pouco observando. Comecei porque queria passar o tempo. Quanto mais eu falava, mais envergonhado me sentia. Esfreguei meus dedos e olhei para baixo.
‒ Depois que terminei algumas peças, havia coisas de que eu precisava e que eram difíceis de encomendar, então perguntei se eu poderia vendê-las e juntar dinheiro para comprá-las. Por sorte, elas foram vendidas uma a uma e, desde então, entrego o produto acabado uma vez por mês e recebo o que preciso.
O homem, que me ouvia, disse com um franzir de testa ainda mais profundo: ‒ … sério? Se você tem esse nível de habilidade, não seriam apenas alguns itens úteis. Você quer comprar ouro?
‒ Com certeza! O que eu faria com ouro aqui? ‒ Parei de rir, mas respondi com indiferença. ‒ A única coisa que o Gurab traz é comida e combustível… Quando rasgo roupas ou às vezes quebro uma tigela, peço a ele… Ele compra coisas pequenas como isqueiros. Enquanto eu falava, o homem ouvia com o cenho franzido. Quando terminei de falar, ele abriu a boca:
‒ Então, quando o vigarista vem?
‒ O quê? Ele não é um vigarista… Não é assim. Ao me ver balançar a cabeça rapidamente, o homem estreitou os olhos e fez uma expressão de cansaço.
‒ Não, como você garante isso? Vigarista, com certeza. É um barraco, não, eu conseguiria dinheiro suficiente para comprar este oásis inteiro. ‒ O quê… eu não acredito que você compraria um oásis de qualquer maneira! Assustei-me e acenei com a mão. Era um absurdo. Não sei se as da minha mãe eram assim, mas as minhas nem foram começadas há alguns anos, então como poderiam ser vendidas assim?
‒ Obrigado por ser gentil, mas não é bem assim. O Gurab é uma pessoa muito grata… Ele vem aqui uma vez por mês há vários anos por minha causa. Se ele não vier, eu morrerei de fome aqui. Felizmente, graças a isso posso comprar o que preciso e viver confortavelmente… Oh, a oliveira lá fora, eu a consegui vendendo isso. Enquanto ele falava, a altura do homem chamou minha atenção. De repente, percebi algo. Quando arregalei os olhos, o homem franziu a testa.
‒ O que foi?
‒ Ah, é só isso.
Perguntei com um rosto de quem se lembrou de algo: ‒ Preciso de ajuda, tudo bem? As rugas na testa do homem suavizaram-se ligeiramente. ‒ O quê? ‒ Vamos lá fora por um momento.
Animado, segurei a mão do homem. Meus passos para fora da cabana foram particularmente leves. O homem me seguiu silenciosamente enquanto eu o guiava. O lugar onde parei foi sob uma palmeira que eu não conseguia alcançar. ‒ Ali, ali.
O homem ergueu a cabeça enquanto eu apontava para cima. Verificando os frutos acima de sua cabeça, ele estendeu a mão. Sem muito esforço, o homem que os pegou olhou para mim.
‒ Estes?
‒ Sim.
Sorri brilhantemente de alegria.
‒ Pegue alguns para mim, eu não alcanço. Eu queria comprar uma escada, mas sempre tinha que adiar sempre que comprava algo mais urgente. Ao pensar que o homem tornava as coisas fáceis, meu coração se encheu. Sem dizer uma palavra, ele agarrou os frutos e os colheu. Então o homem, que colheu todos os frutos ao seu redor, olhou para mim.
‒ Mais algum?
Já havia vários frutos de palmeira empilhados no chão. Eu estava tão animado com essa situação que mal podia acreditar. Até agora eu tinha que fazer tudo sozinho, mas com alguém assim, e até recebendo ajuda… Fiquei tão emocionado que tive vontade de chorar. Respondi com um sorriso radiante ao olhar do homem que observava outro fruto de palmeira ali.
‒ Ei!
O homem imediatamente me pegou e me colocou em seu braço. Quando meus olhos se arregalaram de surpresa, o homem sorriu. Eu sorri de volta também. Feliz. Meu coração batia como louco.
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✦ Tradução, revisão e Raws: Jor&Belladonna
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Sinopse:
Em um país do Oriente Médio onde a discriminação contra ômegas é profundamente enraizada, Yohan, um ômega abandonado após a manifestação de seu gênero secundário, vive sozinho em um oásis com apenas um gato como companhia. Um dia, ele resgata um homem ferido que perdeu completamente a memória do seu passado. Conforme passam o tempo juntos, Yohan se apaixona por ele… mas, um dia, o homem desaparece subitamente, sem deixar rastros.
Depois de esperar por ele em vão por muito tempo, Yohan encontra inesperadamente o príncipe herdeiro, um homem exatamente igual àquele que um dia amou. No entanto, o príncipe não o reconhece de forma alguma…