Ler O Marido Malvado (Novel) – Capítulo 163 Online


Modo Claro

Os olhos de Leone se arregalaram enquanto ele encarava Cesare. Vasos sanguíneos estouraram no branco de seus olhos, deixando seu olhar avermelhado enquanto ele sustentava o olhar do único irmão.

— E se eu estivesse? Sua voz era afiada. — Se eu tivesse mentido para você, o que faria?

Mesmo enquanto Leone o encarava com intensidade, Cesare não mostrou nenhuma reação visível. Diferente de Leone, que ardia em emoção, Cesare parecia ficar mais frio.

Enquanto observava a luz nos olhos carmesins diminuir, Leone sentiu uma emoção difícil de nomear, mas inegavelmente negativa, brotar por dentro. Era direcionada tanto a Cesare quanto a si mesmo.

— É você quem esconde tudo do início ao fim. Uma maré sombria emergiu do fundo de seu ser, engolindo-o por completo. No fim, Leone não conseguiu mais se conter. — Você se arrepende de ter me dado o trono?

Essas palavras estavam enterradas profundamente dentro dele há muito tempo, mas no momento em que finalmente vieram à tona, trouxeram consigo uma dor aguda. Era a dor de um vínculo se rompendo, um que já estava fadado desde o momento em que a desconfiança se infiltrou na relação entre os irmãos.

Por um tempo, apenas o som da respiração preenchia o espaço entre eles. Cesare permaneceu calmo, até indiferente, enquanto apenas Leone ficava ofegante.

Cesare olhou para ele e finalmente falou:

— Eu nunca me arrependi.

O rosto de Leone se contorceu em um sorriso amargo. Mesmo agora, depois de tudo, ele era o único a perder o controle.

O complexo de inferioridade que ele havia escondido nos recônditos mais profundos de seu coração tinha infeccionado ao longo dos anos, deteriorando-se nas sombras.

‘Se ao menos você tivesse permanecido perfeito.

‘Se ao menos tivesse sido alguém inalcançável, como um deus.’

‘Então não teria me sentido assim. Teria aceitado que você e eu éramos simplesmente diferentes. Que minhas falhas eram naturais.’

Mas, a partir do momento em que Cesare declarou sua intenção de se casar com Eileen, tudo começou a desmoronar. O irmão que ele considerava intocável fez uma escolha tola, humana demais. E cada atos estranhos e imprudentes que Cesare cometeu desde então estavam ligados a Eileen.

— …Por que você está fazendo isso? — Leone perguntou. —O império inteiro sabe do seu ferimento. Com tantos olhos observando, e você foi cavar nas ruínas do Panteão…

Havia muitas outras ações imprudentes que Cesare havia cometido que Leone sequer se deu ao trabalho de mencionar. Sua voz tremia de incredulidade.

— Você está disposto a destruir tudo o que construímos juntos por causa de uma mulher?

— Estou.

— Cesare! A raiva de Leone explodiu enquanto ele agarrava Cesare pelo colarinho. Mas mesmo com a pegada agressiva, a expressão de Cesare permaneceu inalterada. Leone o encarou de perto. — Você está em sã consciência?

Pela primeira vez, os lábios de Cesare se curvaram em algo parecido com um sorriso torto. Sua resposta veio sem esforço:

— Se eu estivesse em sã consciência, não teria feito nada disso.

Enquanto falava, ele segurou o pulso de Leone. Tendo vivido como soldado, Cesare nunca hesitou em usar a força. A pressão que ele exerceu fez a pegada de Leon vacilar, forçando-o a soltar o colarinho de Cesare.

— …

Aquilo foi suficiente. Apenas um breve aperto, mas deixou uma dor persistente em seu pulso. Pela primeira vez em muito tempo, Leone foi lembrado de como os outros viam Cesare.

A única razão pela qual ele nunca havia percebido a proeza física absurda de Cesare antes era porque o irmão nunca havia usado força contra ele. Eles eram próximos desde a infância. Diferente de outros irmãos que frequentemente brigavam, eles nunca precisaram.

Ou seria mais correto dizer que nunca brigaram porque Cesare sempre foi indiferente? Talvez a ausência de conflitos fosse simplesmente porque Cesare nunca se importou o suficiente para se envolver.

Inconscientemente, Leone deu um passo para trás. Seu pulso tremia levemente onde Cesare o segurara.

— Então, irmão. A voz de Cesare permaneceu inalterada desde quando ele perguntara pela primeira vez: — Você está escondendo algo de mim?

Desta vez, Leon não pôde responder com outra pergunta. No momento em que Cesare perguntou pela primeira vez, algo já havia surgido à sua mente.

Foi seu único erro.

Quando o Exército Imperial ganhou vantagem ao matar o Príncipe Herdeiro de Kalpen, o povo do império comemorou, mas os nobres não. A maioria havia apostado na vitória de Kalpen.

O Duque Farbellini, que havia se aliado à Família Imperial de Traon, foi um dos poucos nobres que celebraram a vitória com entusiasmo. No entanto, conforme a guerra continuava e os cidadãos do império começaram a cantar o nome de Cesare, o duque mudou de postura.

Ele havia apostado não em Cesare, mas em Leone.

“Por maior que seja um herói de guerra, seu nome não deve ofuscar o do imperador.”

O Duque Farbellini queria um governante que pudesse manipular. Cesare, que não podia ser controlado, havia ganhado poder demais, muito rapidamente, e por isso o duque buscou diminuir sua influência.

“Eu desejo a vitória para nossa nação mais do que ninguém, Vossa Majestade. Só desejo corrigir um pequeno desequilíbrio.”

O plano era causar dano político suficiente em Cesare para manchar sua reputação, nada extremo, mas o bastante para enfraquecer sua crescente influência.

No início, Leone ignorou com uma risada. Mas, à medida que a persuasão continuava, e conforme o nome de Cesare dominava os jornais, um sentimento incômodo começou a crescer.

Naquele dia, ele estava analisando um relatório sobre Eileen. A pedido de Cesare, Leone havia designado pessoas para monitorar Eileen Elrod periodicamente.

Enquanto lia o relatório, o Duque Farbellini veio visitá-lo. Sem pensar, Leone falou.

Foi apenas uma frase curta e simples.

“Cesare tem alguém que ele estima.”

No momento em que o duque percebeu o significado daquela frase, seus olhos brilharam.

Foi só isso. Leone não fazia ideia do que o duque fez depois. Ele descartou a conversa como um erro passageiro, empurrando-a para o fundo de sua mente.

Só quando Cesare retornou vitorioso de Kalpen e tomou Eileen como esposa é que a memória ressurgiu.

O medo de que seu erro eventualmente voltasse como uma lâmina apontada para sua própria garganta só aumentou.

Mas como ele poderia admitir isso agora? Já era tarde demais.

Sentindo a dor persistente no pulso, Leone finalmente falou:

— …Não.

Ele mentiu e desviou o olhar. Sabia que não deveria, mas não conseguia encarar Cesare diretamente. Seus olhos caíram nos padrões ornamentados do chão de mármore. Quando finalmente ergueu o olhar novamente, Cesare soltou uma risada curta e amarga.

Aquilo não era típico dele.

Era por serem irmãos que Cesare conseguia enxergar através dele? Ou era por ser um interrogador experiente, habilidoso em detectar mentiras?

Com uma voz tão grave quanto as notas profundas de um piano, Cesare murmurou:

— Então foi você.

Leone achou que havia morrido por Eileen.

Não, ele havia se convencido disso.

No ritual de sacrifício de Cesare, Leone foi a primeira oferenda. Ele escolheu se tornar um sacrifício por Eileen.

Mas sua morte não passou da manifestação de sua própria culpa e medo.

Porque a primeira pessoa a revelar a existência de Eileen ao Rei de Kalpen… foi Leone.

Foi ele quem colocou tudo em movimento.

Atormentado pela culpa e aterrorizado com a possibilidade de Cesare descobrir a verdade, ele havia escolhido se tornar um sacrifício.

E, no fim, a verdade que ele havia desenterrado era amarga, até mesmo Cesare, que raramente sentia qualquer coisa, podia perceber.

Sentado na parte de trás de um veículo militar, Cesare olhava fixamente pela janela. Permaneceu sem expressão por um longo tempo, mas, quando a propriedade arquiducal apareceu à vista, seus olhos se estreitaram levemente.

Ele se lembrou de Eileen, que havia chorado até não restarem lágrimas. Seus olhos verde-dourados, cheios de ressentimento.

Pela primeira vez, nem mesmo Cesare sabia como consolá-la. Na verdade, provavelmente era impossível.

Ele sempre soube que ela eventualmente descobriria a verdade, mas não era assim que ele havia planejado. No entanto, desde que os deuses enviaram seu aviso ao destruir o Panteão, não havia mais para onde fugir.

E tinha muitas coisas ainda que ele não havia contado.

Se ela soubesse de tudo, talvez nunca mais quisesse vê-lo novamente.

Enquanto pensava em acender um cigarro, o carro desacelerou ao se aproximar da propriedade. Cesare franziu a testa.

Algo estava errado.

A propriedade estava um caos.

Cesare ordenou ao motorista que parasse nos portões da frente e abaixou a janela. O guarda ali postado fez continência, com o rosto completamente pálido.

— Vossa Graça!

— O que está acontecendo? — Cesare exigiu.

Mesmo sendo questionado pelo próprio Arquiduque, o guarda hesitou. Quando os olhos de Cesare se estreitaram levemente, impacientes, o soldado finalmente gaguejou sua resposta:

— A-A Arquiduquesa… desapareceu.

(Elisa: Agora vamos passar uma raivinha com a Eileen. Tédio só de lembrar que tenho que revisar esses capítulos.)

Fim do Volume 04.

Continua…

Tradução: Elisa Erzet 

Ler O Marido Malvado (Novel) Yaoi Mangá Online

Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
 
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
 

 
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
 
 

 
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
 

Sinopse 

Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage 
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui

Gostou de ler O Marido Malvado (Novel) – Capítulo 163?
Então compartilhe o anime hentai com seus amigos para que todos conheçam o nosso trabalho!