Ler Roses And Champagne – Capítulo Side Story 03 – Parte 4 Online

❬ Side Story 03 – Parte 4 ❭
⌽ Roses and a Kiss ⌽
— Susya…
Mikhail acordou com o nome de sua amada nos lábios. A felicidade foi passageira. Ele se sentia horrível, como se sua garganta fosse feita de lixa. Tentou gemer, mas o som ficou preso no fundo da boca, áspero e cortante.
Quanto ele tinha bebido? Muito mais do que deveria para sua idade, com certeza. Estava velho demais para ficar naquele estado.
Não havia sinal de Won, mas era óbvio que o garoto o havia carregado de volta para seu quarto e colocado na cama. Esse conhecimento encheu Mikhail de culpa, mas ao mesmo tempo de alegria por seu filho tê-lo ajudado. Era uma sensação estranha, sentir ambos simultaneamente.
Mikhail soltou um suspiro rouco. Estava tão animado com essa viagem com Won que parece ter exagerado nas bebidas. Até sonhar com Susya… fazia tempo que não sonhava com ela.
Decidiu abster-se de álcool por enquanto; e, no momento, estava desesperado por um copo d’água. Rastejando para fora da cama e tateando por um roupão, mal conseguiu abrir a porta antes de parar abruptamente.
— Leo?
O ex-consigliere de Mikhail já estava se virando antes que ele terminasse de falar. — Sr. Lomonosov, — disse com uma polida inclinação de cabeça. Mikhail podia não ser mais o don, mas isso não impedia Leo de tratá-lo como tal.
Até hoje, ele vinha regularmente trazer relatórios sobre os acontecimentos na Bratva – e era um excelente jogador de xadrez, então permanecia um dos confidentes mais próximos de Mikhail. Ainda assim, ele não se intrometeria em uma viagem como esta.
A menos que algo estivesse muito errado.
— O que foi, Leo? O que aconteceu? — Mikhail mexeu nos cordões de seu roupão. A simples presença de Leo naquele quarto era perturbadora. Normalmente, ele esperaria do lado de fora ou no saguão.
— Peço desculpas por perturbá-lo tão tarde da noite, Sr. Lomonosov. Algo surgiu e achei imperativo falar com o senhor diretamente. Já conduzi uma busca pela suíte, está limpa.
Nada parecia fora do lugar, mas Mikhail sabia que quando Leo dizia que fez uma busca, cada centímetro tinha sido verificado. Mikhail respirou fundo e arrastou-se até o sofá.
— Sente-se, sente-se. — Gesticulou para Leo se juntar a ele, mas Leo esperou que ele estivesse sentado para ocupar sua própria cadeira em frente.
— Não pode ser tão ruim se você está tão calmo sobre isso.
Leo agiu como se não tivesse ouvido a última parte. Lá se foi sua tentativa de aliviar o clima. — Minhas mais profundas desculpas por interromper seu feriado, senhor. — Sempre tão formal, o Leo. — O jovem mestre saiu no momento, mas confirmamos que está desfrutando de uma das fontes termais externas.
Mikhail murmurou, sentindo novamente seu peso da idade. Em seus anos mais jovens, no momento em que alguém entrasse ou saísse, ele estaria acordado, não importa o quão bêbado. Não conseguia acreditar que perdera tanto a saída de Won quanto a busca de Leo por toda a suíte.
— O senhor parecia profundamente intoxicado, senhor.
Leo notou a careta de Mikhail? Devia ter notado. Essa afirmação seria sua maneira indireta de oferecer conforto.
Suspirando, Mikhail arquivou seu desconforto com a idade para depois e foi direto ao ponto. — Bem, o que é, Leo? Suponho que realmente deva ser uma crise se você veio até aqui.
Leo inclinou a cabeça em outra demonstração de contrição, então sua expressão ficou grave. — Verdadeiramente, tem havido atividades suspeitas do Sindicato. Estranhas o suficiente para acreditarmos que podem ser prelúdios de algo mais sério, com o senhor como alvo.
— Suspeitas como?
Homens feitos nunca são desfeitos. Uma vez que você se junta à irmandade de ladrões, não há saída. Nem mesmo a aposentadoria era sagrada; velhos mafiosos eram mortos o tempo todo. Apesar de seu status como ex-don, Mikhail não conseguia extirpar a máfia de sua vida, por mais que desejasse.
Talvez, se tivesse seguido o exemplo de Sasha e deixado o país completamente, houvesse uma chance, mas isso também significava cortar laços com todos e tudo que amava, e isso assustava Mikhail. Sasha não tinha tais escrúpulos; ele podia deixar seu filho para trás e ainda dormir à noite. Toda ação era em serviço de suas necessidades, nada mais.
Era triste, de certa forma.
Sasha estava feliz? O pensamento pegou Mikhail desprevenido, atingindo-o com ferocidade. Sem ninguém ou nada para se importar, nada para amar… Se fosse Mikhail, ele poderia desistir de tudo isso em troca de sua liberdade? Poderia estar contente com essa vida?
Mikhail não tinha respostas, mas se repreendeu por ser tão sentimental. Sasha provavelmente teria pena dele por ter todos esses incômodos apegos terrenos.
— Recebemos informações de que o Sindicato reservou o hotel inteiro — Leo continuou, tirando Mikhail de seus pensamentos. — A partir de amanhã, com exceção desta suíte, todos os quartos hospedarão alguém do Sindicato.
Essa afirmação desconcertante pairou no ar enquanto Mikhail ficava boquiaberto. Mas conforme os segundos passavam e sua mente voltava ao bar do dia anterior, as coisas começaram a fazer sentido. A atendente dissera que todos os hóspedes chegariam no dia seguinte, não foi? Fazia sentido, então, que esses fossem os hóspedes a que ela se referia. Também explicava por que todos os clientes viriam no mesmo dia, por que o lugar estava deserto hoje. O que Mikhail não conseguia entender era: por quê?
— E eles me querem? — Mikhail perguntou, com clareza e incredulidade.
— É a única explicação lógica que encontramos, senhor. — Leo engoliu seco, parecendo tenso. — Acreditamos que o Czar tem o desejo de eliminá-lo. Uma ambição não realizada, por assim dizer.
A expressão de Mikhail endureceu. Ir atrás de um mafioso que retornou à vida civil era como atirar em um soldado assim que ele voltava à base da linha de frente. Sim, acontecia, mas Mikhail não esperava algo tão desonroso do Czar.
Então Mikhail percebeu de quem estava falando e estalou a língua. O Czar era um homem que atiraria no próprio pai se achasse que o beneficiaria – matar seu rival aposentado em férias era fichinha perto disso.
E enquanto isso explicava parcialmente as ações do Czar, não esclarecia suas verdadeiras motivações. O que ele ganhava matando Mikhail?
Não importava o ângulo que olhasse, Mikhail não conseguia entender. Ele havia renunciado a quase toda autoridade dentro da Bratva quando se aposentou.
Talvez fosse simbólico, como Leo presumia; o Czar marcando alguma conquista, independentemente da aposentadoria de Mikhail.
— Traga Won de volta — Mikhail ordenou, caindo facilmente de volta em seu antigo papel de don. — Rapidamente, segurança dele é a primeira prioridade.
— O pequeno chefe foi buscar o jovem mestre.
— Vladimir? — Mikhail deu a Leo um olhar estranho. — O que ele está fazendo aqui?
Leo limpou a garganta. — Ele iria até os confins da Terra para garantir sua segurança, senhor.
Mikhail recostou-se no sofá com um suspiro. A presença de Vladimir elevava as apostas desse encontro. Ele não deveria ter vindo, mas não havia ninguém na Bratva com poder para dizer não a ele. O próprio Mikhail garantira que Vladimir controlasse tudo quando saíra. Nem mesmo ele podia dizer a Vladimir o que fazer agora. Era um monstro de sua própria criação. Com sorte, o monstro seria mais útil do que alguém que fosse atrapalhar.
Porque em breve, o Czar estaria aqui.
Muitas coisas estavam acontecendo e Mikhail ainda não tinha ideia de por que o Czar estaria atrás dele. Ele estremeceu, uma sensação sinistra de inquietação subindo por sua espinha.
Não poderia ter a ver com Vladimir… poderia?
✦ ✦ ✦
Won abriu a boca para falar, mas nada saiu. Ele engoliu seco e tentou novamente. — Quem é você?
O estranho continuou a encará-lo, seu olhar frio ainda mais gelado por seus olhos desiguais. Algo naquilo fez Won estremecer e desejar poder ignorar o homem. Até então, o estranho não falara e não parecia que isso mudaria tão cedo, mas o encarar era insuportável.
Seria um seguidor de Caesar? Revelar-se no meio da noite quando Won estava nu e sozinho em uma fonte termal era demais, sem mencionar irregular.
Seu pai poderia tê-lo enviado, mas a maneira como o homem o encarava tornava improvável que fosse parte da equipe do hotel, e não havia outros hóspedes.
Dmitri era outra possibilidade, mas isso também não parecia certo. Se fosse um dos homens de Dmitri, já teria arrancado Won da fonte termal e quebrado seu rosto, não ficado ali encarando como um espectro zangado em silêncio.
Won examinou o rosto do estranho, mas estava sem ideias e sem chegar a uma resposta. Debaixo d’água, Won firmou os ombros. — Não sei qual é seu problema, mas sou apenas um hóspede aqui. Você deveria encontrar um funcionário.
— Você— o estranho cortou, inclinando a cabeça mas mantendo o olhar em Won. Sua voz era áspera, grave. Fez os dentes de Won rangerem. — Você é o filho do Sr. Lomonosov, não é?
Won ficou rígido. Enviado por seu pai, então. — E se for? Você ainda não me disse quem é.
— Esse é o menino de ouro? Esse advogadozinho inútil? — o homem zombou, murmurando baixo. Won se ofendeu, surpreso com a malícia na voz do estranho.
“Quem diabos ele pensa que é, falando daquele jeito?” Irritado agora, Won saiu da piscina e atravessou o pátio, sentindo-se vingado quando o estranho hesitou e recuou um passo.
— Onde está sua toalha? — o homem rosnou quando Won foi direto até ele, cruzou os braços e encarou, completamente nu e pingando.
— Eu te conheço? — Won exigiu.
Por todo seu encarar anterior, o estranho agora lutava para olhar para ele.
Won alargou a postura, ergueu o queixo. — Bem rude da sua parte vir até aqui e nem ter a decência de se apresentar, não acha? — Won bufou. — Especialmente quando você parece saber tudo sobre mim. Pouco justo, não? Mas suponho que ache que está acima disso, hm? Bom demais para se misturar com plebeus e advogados medíocres? — Ele zombou. — E ainda tem a audácia de perguntar onde está minha toalha.
Balançando a cabeça, Won foi até o banco onde estava seu roupão. Só depois de amarrou é que o homem olhou novamente em sua direção. Won teve a impressão de que ele ficou desconfortável com a nudez, apesar de ambos serem homens.
Ao mesmo tempo… não é como se Won ficasse olhando as partes íntimas de outros homens. Ele só estava acostumado por causa de Caesar. A reação do estranho não era tão incomum, apenas inesperada dada sua audácia anterior. Parecia que ele não esperava que Won revidasse.
— Então — Won disse, cruzando os braços novamente — quem é você?
Um gesto de benevolência de Won, dando ao canalha uma chance de se redimir, ele estava a ponto de passar direto por ele e subir sozinho.
O homem olhou diretamente em seus olhos. — Sou Vladimir. Vladimir Mikhailych. O Sr. Lomonosov me deixou a Bratva quando se aposentou.
Won manteve a expressão neutra, mas a identidade do homem o surpreendeu. Ele ouvira o nome ocasionalmente de Mikhail, mas nada além disso. Won nem sequer imaginara como Vladimir seria, porque nunca pensara que se encontrariam. Ele tinha uma presença imponente, no entanto. Apenas alguns centímetros mais alto que Won, Vladimir era largo, mais atarracado que esguio, seu porte fazendo-o parecer mais forte do que realmente era, Won calculou.
Com as costas muito eretas, Won certificou-se de ficar em sua altura total ao lado dele.
No geral, Vladimir se encaixava no papel de um don da máfia, exceto pela heterocromia. O contraste em seus olhos era hipnotizante, e era tão raro encontrar alguém com heterocromia completa. Provavelmente não era uma boa característica para um criminoso profissional, afinal era muito identificável. “Ah, mas ele poderia usar aquelas lentes, as que mudam a cor dos olhos.”
Won acenou para si mesmo e apertou os cordões do roupão, satisfeito com sua solução.
— Há algum problema? — Won perguntou. — Por que você veio no meio da noite?
— Estou aqui pelo Sr. Lomonosov…
— Por quê?
Vladimir fez uma careta, e uma sensação de apreço se formou no fundo do estômago de Won, mas Vladimir rapidamente controlou sua expressão.
— Explico depois vamos. — Ele girou e começou a andar. Não olhou para trás para ver se Won o seguia.
Won ergueu uma sobrancelha. Talvez Vladimir não fosse tão arrogante quanto ele supusera.
✦ ✦ ✦
Won encontrou Mikhail e Leo sentados juntos quando chegou à suíte. — Pai?
Isso lhe rendeu um olhar estranho de todos os presentes. Won raramente usava o termo; a tensão devia tê-lo afetado.
Antes que pudesse refletir muito, Mikhail já estava de pé, fazendo-o entrar. — Sim, entre, entre, sente-se. Está tudo bem?
— Eu estava nas termais — Won disse. Sentindo que a explicação era insuficiente, acrescentou — Não quis incomodá-lo enquanto dormia. Parecia que precisava descansar. Lamento tê-lo preocupado.
Mikhail balançou a cabeça. — Bobagem, nada para se desculpar, meu garoto. Viemos aqui para aproveitar as instalações… É só que… aquele pequeno problema que surgiu…
— Que problema? — Won olhou para Leo, depois Vladimir, então para seu pai, que franzia a testa.
— Você não sabe?
— Soube o quê exatamente?
Mikhail lançou a Vladimir um olhar penetrante. Vladimir começou a cutucar as unhas com ar deliberado. Com um bufô, Mikhail voltou-se para Won.
— Bem… — A careta de Mikhail mudou para desconforto. — Primeiro, você deve saber que todas as reservas foram feitas por minha assistente pessoal antes que isso surgisse.
Won ergueu uma sobrancelha. — Algum problema relacionado á drogas?
Era estranho ver Mikhail tentando tanto evitar uma conversa. Somado ao fato de que o atual don da Bratva e o consigliere estavam ambos na sala, Won achou que essa era a explicação mais provável. Se não isso, talvez sonegação. Ou assassinato. Qualquer número de atividades ilegais, realmente, Won ponderou.
— Meu Deus! Não, nada desse tipo, synok! Credo, mesmo que acontecesse, não teria nada a ver comigo. Sou um simples civil em férias!
A negação veemente só fez Won ficar mais desconfiado. Especialmente a parte do “civil”.
Assim, Won ainda com a sobrancelha erguida provocou: — Então o que é? A Terceira Guerra Mundial está prestes a começar? A ONU convocou uma reunião de emergência e eu por acaso estava presente então vocês me arrastaram junto? O quê?
Leo enviou um olhar fulminante a Vladimir, igualmente ignorado e então voltou sua atenção a Won, com ar contrito. — Você terá que perdoá-lo, Mestre Won, ele não é o melhor com… palavras. — Leo suspirou. — Ele deveria tê-lo informado das circunstâncias.
Se Won não estivesse controlando sua expressão, suas sobrancelhas estariam provavelmente na altura da testa. Ver o consigliere repreender indiretamente seu chefe, como se fosse o pai de Vladimir, era no mínimo bizarro. Por outro lado, pelo que Won sabia, Vladimir ficara órfão e vivera nas ruas antes de ser acolhido pela Bratva. Leo provavelmente cuidara dele como um pai, então talvez não fosse tão estranho quanto Won pensara.
E como uma criança petulante, Vladimir ignorou as cutucadas sobre seu comportamento porque não se importava.
Interessante. Era uma reação muito humana, que Won não esperava de um mafioso.
— Quantos anos você tem?
Vladimir bufou, o lábio se curvando em um sorriso sarcástico enquanto Leo e Mikhail viraram a cabeça para olhar para Won.
Won manteve os olhos em Vladimir. — Perguntei sua idade. Estou curioso.
— E por que diabos—
— Ele tem 26 — Leo interrompeu antes que Vladimir terminasse.
Won emitiu um “hum” pensativo enquanto Vladimir o encarava, desafiando-o a dizer algo.
Tudo bem. Se era o que ele queria.
Inclinando a cabeça, Won considerou Vladimir por mais um momento, então estalou os dedos. — Ah, então eu seria o irmão mais velho.
Vladimir ficou rígido, malícia ardendo em seus olhos.
Alheio, Mikhail acenou, com voz saudosista. — Sim, ainda tão jovem. Quando eu tinha essa idade, ainda estava treinando com meu pai, mas você já assumiu tamanha responsabilidade.
A postura inteira de Vladimir mudou. — Nunca, Sr. Lomonosov. É uma honra ter sua confiança apesar de minhas deficiências.
Won piscou e teve que conter uma risada. O absurdo completo, fazendo uma reviravolta dessas. Foi difícil manter seus lábios de fazer mais que um tremor, o desejo de rir era tão grande, mas ele conseguiu. Pelo menos, Won achou que se saíra bem.
Como se tivesse um sexto sentido para zombaria, o olhar de Vladimir voltou-se para ele, toda cordialidade evaporando. A máscara sombria voltou, e isso lembrou Won da presença ameaçadora de Vladimir nas termais, o que o fez perceber que ainda não tinha ideia do que estava acontecendo.
Won limpou a garganta. — Alguém se importaria de explicar o que está acontecendo? Eu gostaria de saber.
Houve uma inspiração coletiva enquanto os outros três lembravam que Won estava no escuro, e todos hesitaram, mexendo em mãos ou roupas, sem querer ser o primeiro a falar.
No final, Mikhail tomou a iniciativa. — Aparentemente, o hotel inteiro foi reservado pelos Sergeyev.
— O quê?! — Won decidira não reagir, mas isso era tão inesperado que ele nem tinha certeza se ouvira direito.
Mikhail deu um suspiro resignado. — Não temos ideia do que causou isso. Havia muitos quartos vazios, segundo minha assistente, então tomei a liberdade de reservar o andar superior inteiro. De alguma forma, entre nossa reserva e chegada, todas as vagas foram preenchidas pelo Sindicato.
Perdido, Won olhou, sentindo como se seu cérebro estivesse reiniciando.
— Não há como determinar seus motivos, então Leo veio nos ver e checar a suíte. Vladimir também.
— Era nosso dever vir — Vladimir declarou. — Não há limites para o que faríamos para garantir sua segurança, Sr. Lomonosov.
Leo acenou em concordância, e Mikhail retribuiu, dando a ambos um sorriso pesaroso. Nenhum deles notou o quarto membro do grupo lentamente entrando em pânico ao lado.
“Como diabos vou explicar isso? Disse a Caesar que visitaria termais, mas tenho certeza de que não mencionei qual resort, e me recuso a acreditar que isso é uma coincidência. Caesar veio me ver.”
Provavelmente, o homem enviado para segui-lo ouvira sua conversa com Mikhail e repassara tudo a Caesar. Independentemente disso, como Caesar descobrira era muito menos importante que o porquê. O que Caesar possivelmente queria, seguindo-o até aqui? Não era férias em termais, Won podia ter certeza.
Alheio ao dilema de Won, Vladimir continuou: — Precisaremos tomar medidas preventivas. Tentei negociar com o proprietário, mas recusaram todas as ofertas para comprar o hotel. Se continuarem assim, teremos que fazer uma oferta irrecusável.
“Eles o quê?!” Won não iria compactuar com isso.
— Pedimos que cancelassem todas as reservas em nome Sergeyev, mas a gerência insistiu que não queriam problemas com o Sindicato. Precisamos ensiná-los a não cruzar os Lomonosov — Leo acrescentou, como se fosse a conclusão natural. A cabeça de Won girava.
— É uma ameaça direta à sua segurança, Sr. Lomonosov, e todos sabemos como o Czar é quando mira algo — Leo continuou. — Devemos obter o controle do hotel e barrar o Sindicato. É a única forma de protegê-lo. Quando chegarem, será tarde.
Vladimir cerrava os dentes tão forte que um músculo em sua mandíbula pulsava. — Reservei o hotel em frente. Se piorar, nossos homens estarão aqui em dez minutos, mas prefiro cortar o mal pela raiz agora.
A situação fugia ao controle diante de seus olhos, mas Won não sabia se ria ou chorava. Deveria dizer que a culpa era dele? Ou deixá-los?
Não, era melhor interromper antes que piorasse. Só omitiria alguns detalhes. Coisas pequenas, nada que precisassem saber.
Ele tossiu, aproximando-se. — Desculpe, mas posso dizer algo?
Seis olhos giraram para encará-lo, e Won riu, sentindo-se constrangido. — É que isso parece um pouco… extremo. Pode ser coincidência, e eles só queriam aproveitar as termais.
— Queriam aproveitar as termais no mesmo hotel, na mesma hora? — Vladimir zombou, encarando.
— Talvez, se fossem poucos quartos — Leo explicou em tom mais moderado. — Mas ocupar todos os andares não é feito com boas intenções. Que outra explicação há?
“Meu namorado é louco e me perseguiu porque é obcecado e tem ansiedade de separação.” Won buscou um argumento que não envolvesse revelar seu relacionamento, mas só conseguiu: — Mas… ele está aposentado…
— Homem feito nunca deixa de ser — Mikhail disse sombriamente, e isso não era o que Won queria ouvir. Esperava ter Mikhail de seu lado para convencer os outros a não agirem precipitadamente, mas agora era três contra um.
Won não os culpava por suas suposições dado o que sabiam, Caesar atacando Mikhail era a explicação mais lógica. Ele poderia deixar rolar sem que soubessem, mas algo dentro dele se rebelou contra a ideia.
Distraído, não acompanhara bem a conversa até começarem a falar em arsenal e munição. — Não seria melhor avaliar a situação primeiro…? — tentou.
Três pares de olhos novamente se voltaram para ele; nenhum parecia impressionado.
Won endireitou-se. — Sim, eu sei, ‘homem feito sempre será’. Mas isso só é verdade porque sua resposta a tudo é violência, não? Se quer ser civil, deveria agir como um, certo?
Os olhos o encararam, impassíveis, mas sem contestar. Won continuou: — Pessoas normais não saberiam de rixas sangrentas ou armas. Nem saberiam o que fazer com essa informação. Continuariam seu dia em ignorância feliz, e podemos fazer o mesmo. Seus homens podem vir em dez minutos, mas um ataque preventivo só piora as coisas, não?
— Mas—
Won interrompeu Leo antes que ele pudesse dizer mais: — Você sempre pode cercá-los depois, se descobrirmos que têm más intenções. Eles terão a suíte cercada, mas estarão cercados também. E se estiver preocupado que queiram meu pai como refém, pode colocar alguns seguranças neste andar. Logicamente, se o Sindicato quisesse eliminar meu pai, há maneiras muito mais fáceis de fazer isso do que tomar conta de um resort.
A pele ao redor dos olhos de Vladimir estava tensa. Won não deixou de notar o leve espasmo. Leo parecia hesitante em dizer algo definitivo. Mikhail apoiou o queixo na mão, murmurando em pensamento.
Depois de um tempo:
— Você tem razão, — admitiu Mikhail. — Por mais que eu queira negar, eu realmente não
deixei tudo para trás, deixei? Nem passou pela minha cabeça reagir de outro jeito. Parece que cachorro velho não aprende truque novo, afinal.
— Você entendeu mal, — Won apressou-se em esclarecer ao ver a expressão desolada do pai. — Não estou dizendo que você não deva estar em alerta ou preparado para o pior. Se fosse eu com o chefe e o conselheiro vindo me ver pessoalmente, também estaria nervoso. Só estou recomendando que esperemos para ver como a situação se desenrola antes de fazermos algo precipitado.
Foi mais diplomático do que o que Won dissera antes, mas ele julgou a concessão necessária. Leo o observou por um momento antes de olhar para Vladimir, que tomaria a decisão final.
Vladimir analisou Won dos pés à cabeça.
— Você não sabe como é. Você é mole, é por isso que pode falar assim. Queria ver se ainda
estaria tão despreocupado depois de umas balas.
Ele bufou, mas ao notar Mikhail franzindo a testa para ele pelo canto do olho, pareceu um filhote de cachorro chutado por um segundo.
— Porém, — disse como se lhe doesse, — se é isso que o Sr. Lomonosov quer que façamos, é isso que faremos. Vamos nos instalar no outro hotel. Ligue para nós assim que qualquer coisa suspeita aparecer.
Antes que Vladimir pudesse se virar completamente e, de fato, antes que Won pudesse suspirar de alívio, Mikhail o deteve.
— Que bobagem. Por que você não fica aqui?
Vladimir congelou, virando a cabeça de volta para olhar Mikhail.
— Desculpe?
Os olhos de Won passaram de um para o outro, torcendo para que o que ele achava que estava acontecendo não estivesse, de fato, acontecendo.
— Todos os outros andares estão cheios, sim, mas eu reservei este andar inteiro, se bem se lembra, — explicou Mikhail com um sorriso suave — Há muitas suítes desocupadas no final do corredor e quartos não utilizados por aqui. Pode escolher o que quiser.
“Ah não, está acontecendo.” Pensou Won.
Perplexo, Vladimir piscou para Mikhail por alguns instantes.
Won percebeu então que, em sua confusão, Vladimir parecia mais um cão de briga do que um filhote, um pitbull, talvez. Não que Vladimir tivesse alguma semelhança literal; suas feições não eram particularmente caninas ou intimidadoras. Era a energia que ele exalava, a lâmina afiada no seu tom de voz. Como um cão criado para lutas sangrentas; um que, uma vez que cravasse os dentes em você, não havia escapatória e isso assustava Won. Um movimento em falso e tudo acabava.
Won decidiu não fazer nada que piorasse a situação com Vladimir… mas, a julgar pela malícia com que ele já o olhava, talvez fosse tarde demais. Ainda assim, para não irritar Vladimir mais do que já estava, Won desviou o olhar, subitamente muito interessado na marchetaria que decorava a mesa de canto.
Vladimir lançou lhe um olhar furioso antes de arrastar os olhos de volta para Mikhail.
— Se você… insiste… Eu me sentiria melhor estando por perto.
— Eu também, — disse Mikhail. — Leo?
Leo balançou a cabeça.
— O outro hotel precisa de alguém para supervisionar as operações. Mas agradeço a oferta.
Mikhail assentiu, concordando que Leo tinha razão.
Com isso, Leo desejou boa noite a todos. Antes de sair, ele e Vladimir apertaram as mãos, Vladimir sussurrando algo em seu ouvido que Won não conseguiu ouvir.
— Bem, eu diria que já passou da hora de descansar, — anunciou Mikhail com um bocejo e um espreguiçar assim que Leo se foi. — O quarto de Won é aquele ali; fora isso, fique à vontade para pegar o quarto que quiser, Volodya.
— Obrigado, Sr. Lomonosov.
Alheio a qualquer consequência negativa que sua saída do cômodo pudesse causar, Mikhail foi cambaleando para o quarto, fechando a porta atrás de si. Won quis se encolher quando a lingueta da porta se encaixou, alta demais no silêncio horrível, especialmente porque foi nesse momento que seu cérebro decidiu lembrá-lo de que ele estava usando apenas um fino robe.
Um pouco envergonhado, Won alternou o peso entre os pés e pigarreou.
— Boa noite, — murmurou, querendo sair do clima sufocante da sala de estar.
Não houve resposta; Vladimir apenas o encarou com o mesmo olhar de desprezo que vinha lançando a noite inteira.
Por quê, afinal? O que Won fizera para que Vladimir o odiasse com tanta veemência? Eles nem sequer haviam se encontrado antes disso. De qualquer forma, Won não tinha energia nem disposição para tentar entender agora.
Andando depressa, Won escapou para seu quarto. Assim que fechou a porta, escorou-se contra ela e encarou o teto.
“Que porra o Caesar estava pensando?”
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna
Ler Roses and Champagne Yaoi Mangá Online
Ler o Manhwa Roses and Champagne Completo em Português Grátis Em um mundo de alto risco, Lee Won, um advogado lutando para sobreviver, se vê enredado em uma teia de intriga e perigo. Quando ele cruza o caminho de Caesar, um formidável chefe da máfia, descobre uma conexão oculta entre o Conselheiro Municipal Zdanov e o crime organizado. À medida que Lee Won se aprofunda no caso, desvenda uma conspiração sinistra que ameaça despedaçar o frágil equilíbrio da cidade. Preso entre a lei e o submundo, ele deve navegar por um jogo mortal de poder, decepção e desejos proibidos. A cada passo, o mundo de Lee Won se entrelaça com o de Caesar, enquanto ambos enfrentam seus próprios motivos ocultos e tentações proibidas. Em meio a noites regadas a champanhe e o aroma de rosas em flor, uma atração perigosa surge entre eles. À medida que os riscos aumentam e o perigo se intensifica, Lee Won deve escolher entre seus princípios e o fascínio do proibido. Em um mundo onde lealdade e traição se confrontam, ele precisa encontrar uma maneira de expor a verdade e proteger a si mesmo e aqueles que ama. Nesta envolvente história de amor, traição e a intoxicante luta pelo poder, Roses and Champagne explora a intricada dança entre desejo, dever e a frágil linha entre o bem e o mal.
Nome alternativo: Rosas Y Champagne Rosas E Champanhe Roses