Ler O Marido Malvado (Novel) – Capítulo 158 Online


Modo Claro

Senon não entendeu as palavras de Cesare. Mas uma coisa era certa… naquele momento, ele também estava tomado por um medo sem fim.

Cesare era o pilar central do Exército Imperial de Traon. Por causa dele, venceram guerras que deveriam ser impossíveis.

Mesmo quando Senon, Diego, Michelle e até Lotan vacilavam, Cesare permanecia firme — um núcleo inabalável. A fé dos soldados nele beirava o fanatismo.

E, no entanto, pela primeira vez, Cesare estava se desfazendo. Seu olhar despedaçado espelhava as ruínas do Grande Santuário desabado.

Ele estava prevendo a morte de Eileen.

Senon, que estivera encarando Cesare sem expressão, desviou lentamente o olhar. O templo estava em ruínas, sua forma original quase irreconhecível.

Sobreviver àquele desabamento? Era quase impossível. Na verdade, teriam sorte mesmo se conseguissem recuperar um corpo intacto. Um pensamento surgiu na mente de Senon, algo que ele nunca havia considerado antes.

‘E se a senhora Eileen morrer?’

No campo de batalha, a morte de companheiros e subordinados era algo comum. Senon sempre levava isso em conta ao traçar suas estratégias.

Mas Eileen era uma exceção.

Ele sempre acreditou que, enquanto lutasse com todas as forças no campo de batalha, Eileen permaneceria segura na capital.

A ideia de que poderiam se separar assim, de forma tão repentina e sem sentido… ele nunca sequer imaginou.

Senon levou a mão à boca. Seu coração batia rápido demais, ofegante, uma tontura o atingiu. Ele se forçou a respirar devagar, contando mentalmente — respirando fundo, depois expirando ainda mais lentamente.

Quando conseguiu se acalmar, tentou pensar como o ajudante do Arquiduque. Lutou para recuperar a compostura, focando apenas na situação imediata.

Oficialmente, o Arquiduque Erzet ainda estava se recuperando na residência do arquiducado. Todo o império sabia do tiro no ombro dele.

Ser visto movendo o braço com tanta liberdade não era ideal.

— Vossa Graça, devemos nos afastar primeiro.

Cesare não respondeu, embora tivesse ouvido claramente. Só falou depois de um longo, longo silêncio.

— …Certo.

Seu rosto, que antes tremia de angústia, agora estava estranhamente calmo.

— Ainda não sabemos.

Se o acordo havia terminado… ou se aquilo era apenas um aviso…

Murmurando para si mesmo, ele se levantou cambaleando. O sangue gotejava continuamente de suas mãos, rasgadas ao cavar os escombros.

Senon engoliu seco. Era claramente o sangue do próprio Cesare, mas parecia pertencer a outra pessoa.

Seus olhos, fixos no santuário em ruínas, queimavam com frieza, como brasas ardendo nas profundezas do inferno. Por um longo tempo, ele simplesmente encarou os destroços antes de finalmente recuar.

Senon rapidamente se aproximou para apoiá-lo, ainda com o olhar preso às ruínas. Mais uma vez, a palavra morte se gravou em sua mente. Ele a afastou.

Por ora, tudo o que podiam fazer era rezar por um milagre.

Em algum momento, o som de movimentação chegou até elas. Parecia que haviam começado a remover os escombros.

A cada tremor, poeira e pequenas pedras caíam do alto. Eileen se encolheu e mudou de posição. Felizmente, nada caiu sobre Ornella.

— Devem estar removendo os escombros.

Ela falou com Ornella, mas não houve resposta. Eileen verificou seu estado. Seu rosto estava banhado em suor frio. Ela tremia devido ao calafrio da perda de sangue. O sangramento tinha parado, mas ela não duraria mais tempo.

Eileen olhou para cima ansiosamente. As brechas entre as pedras caídas não mostravam nada além de escuridão.

‘Depressa…’

Cesare devia ter visto o desabamento. Certamente estava organizando um resgate. Ela só precisava confiar e esperar. Ainda assim, a impaciência crescia dentro dela.

Para compartilhar calor corporal, Eileen se aproximou mais de Ornella. Se estivesse consciente, ela teria protestado, mas naquele estado semiconsciente, não fazia diferença. Mesmo que tentasse afastá-la, Eileen não pretendia se mover.

Sentindo o movimento, Ornella abriu os olhos fracamente. Seus olhares se encontraram, e Eileen se encolheu.

— É-É para compartilhar calor… por causa da perda de sangue…

Ela gaguejou, explicando apressadamente. Ornella apenas a encarou por um momento antes de fechar os olhos novamente. Eileen aproximou-se mais e continuou esperando por Cesare.

Os tremores e o barulho se aproximavam. A luz trêmula da vela projetava sombras instáveis ao redor. Eileen mantinha os olhos fixos para cima.

Quanto tempo esperaram?

Com um estrondo alto, um feixe de luz atravessou a escuridão. O espaço antes sufocante e sombrio foi subitamente inundado por uma luz branca intensa.

Os olhos de Eileen se arregalaram, e ela rapidamente se levantou.

— Cesare!

Ela gritou para indicar onde estava.

E no momento em que chamou seu nome, a resposta veio imediatamente.

— Eileen!

O alívio a inundou como uma onda. Ela não conseguiu evitar um sorriso radiante. Então, rapidamente, gritou novamente:

— Estou aqui! Estou completamente bem, não estou ferida. Mas a senhorita Farbellini está gravemente ferida. O estado dela é crítico, então por favor—

Antes que pudesse terminar a frase, o maior pedaço de entulho foi removido. O único feixe de luz se expandiu, inundando o espaço com claridade.

A explosão repentina de luz do dia, depois de tanto tempo na escuridão, quase cegou Eileen. Ela semicerrrou os olhos, mas se esforçou para olhar para cima.

Recortada contra a luz, havia uma silhueta.

Exatamente como naquele dia, quando fora sequestrada quando criança, ele tinha vindo buscá-la novamente.

Os lábios de Eileen se separaram inconscientemente. Cesare estendeu a mão. Ela quase a segurou instintivamente, mas rapidamente se conteve.

— Ah, por favor, leve a senhorita Ornella primeiro—

— Eileen.

A voz dele era fria. Cesare repetiu sua ordem.

— Pegue minha mão.

Eileen obedientemente agarrou a mão estendida dele com ambas as suas.

Afinal, Ornella estava ferida demais para ser puxada para fora assim. Precisariam de uma maca, cordas e apoio adequado. Fazia sentido ela sair primeiro.

Assim que segurou sua mão, Eileen prendeu a respiração. A palma dele estava úmida. Ao olhar melhor, viu que estava coberta de sangue. Tão escorregadia que ela temeu perder o apoio — mas Cesare não soltou.

Ele estendeu a outra mão, segurando firmemente seu pulso, e a puxou para cima.

Seus pés saíram do chão.

No momento em que ela alcançou altura suficiente, Cesare não apenas a puxou para fora, ele imediatamente a envolveu em seus braços.

Assim que emergiu ao ar livre, Eileen respirou fundo. O ar fresco inundou seus pulmões. O espaço onde estiveram presas tinha circulação de ar, mas o confinamento ainda era sufocante. Agora, sob o céu aberto, ela sentia que podia finalmente respirar direito.

Ela ainda estava recuperando o fôlego quando foi subitamente envolvida num abraço apertado.

Os olhos de Eileen se arregalaram de surpresa.

O peito de Cesare subia e descia intensamente. Sua respiração era irregular, instável. Não havia como ele estar tão exausto apenas por tê-la puxado.

— …

Ele não disse nada, apenas a apertou contra si.

Eileen piscou, confusa. Era impossível… mas parecia que Cesare estava tremendo. Ela mal conseguia acreditar nas leves vibrações que sentia contra o próprio corpo.

Queria ver a expressão dele, mas seu rosto estava enterrado contra ela, escondido de vista. Após um momento de hesitação, ela lentamente retribuiu o abraço.

Tum. Tum.

Ela podia sentir o coração do homem acelerado. Ou talvez fosse o dela. Talvez fossem ambos.

No silêncio daquele longo abraço, os batimentos foram, aos poucos, desacelerando, voltando a um ritmo estável.

Só depois que os tremores cessaram completamente é que Eileen finalmente falou, cautelosamente:

— Eu… não fiquei com medo nenhum.

Ela não sabia se aquelas palavras tinham algum significado.

— Porque eu sabia que você viria.

Ela só queria que ele soubesse. Que, mesmo na escuridão mais profunda, ela estava em paz — porque ele existia.

— Você sempre me salvou.

Depois que sua confissão suave se dissipou no ar, Cesare permaneceu em silêncio por um longo tempo.

Então, de repente, ele soltou uma leve risada.

Apertando-a ainda mais, sussurrou:

— Eu estava com medo, Eileen.

Continua…

Tradução: Elisa Erzet 

Ler O Marido Malvado (Novel) Yaoi Mangá Online

Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
 
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
 

 
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
 
 

 
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
 

Sinopse 

Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage 
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui

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