Ler O Marido Malvado (Novel) – Capítulo 156 Online

Qualquer um com olhos e ouvidos poderia perceber. Isso não era um sacrifício para os deuses.
Eileen só percebeu tardiamente que estava tremendo. Tremia tão violentamente que seus dentes batiam enquanto olhava para Cesare.
Ela sabia que Cesare não era um homem bom. Se fosse preciso classificá-lo como bom ou mau, ele se inclinava mais para o mau.
Sabia que sua natureza não era gentil nem bondosa, que ele a tratava de forma especial, diferente dos outros.
Ainda assim, testemunhar seus assassinatos não era fácil.
Era ainda mais difícil porque o homem decapitado não aparentava ser um criminoso. Ele parecia um cidadão comum do império, simples demais para ser inimigo de Cesare.
Eileen lentamente desviou o olhar. Viu as bolas rolando no chão – não, cabeças decepadas. Os corpos sem cabeça jaziam espalhados em um emaranhado grotesco.
Aquilo era o resultado do massacre de Cesare.
Mesmo acreditando que ele não faria algo assim sem motivo, Eileen não conseguiu conter o choque instintivo que a dominava.
Isso não podia ser real. Tinha que ser um pesadelo horrível. Mesmo tentando se convencer, Eileen olhou para Cesare, que estava coberto de sangue, sua figura se assemelhava a um espectro demoníaco.
O homem, com sua espada pendendo frouxamente ao lado do corpo, estava sorrindo. Era um sorriso diferente de qualquer outro que ela já vira nele, carregado de loucura. Como se pudesse lançar o corpo dela nas chamas do sacrifício a qualquer momento.
— Cesare…
Eileen o chamou. Mas sua voz ainda não o alcançava. Ele declarara que, no dia seguinte, ofereceria mais cem vidas.
Mesmo que isso fosse apenas um sonho, ela queria detê-lo. Eileen correu em sua direção. Quase tropeçou nos próprios pés, mas conseguiu alcançá-lo com dificuldade.
No entanto, Cesare não a via. Mesmo o chamando desesperadamente bem na frente dele, ele não percebia. Hesitando, ela cautelosamente agarrou seu antebraço.
Naquele momento, o mundo virou de cabeça para baixo. Instantes atrás era noite, mas agora o céu estava tingido pelos tons do entardecer. Sob o céu vermelho-sangue, Cesare cometia outro massacre.
Sem expressão, ele permanecia diante do altar, decapitando homens um após o outro. O número de corpos espalhados ao redor havia aumentado significativamente em relação ao dia anterior.
Eileen ficou paralisada, observando-o decapitar o último homem. O céu do entardecer escureceu, transformando-se em noite, e as estrelas surgiram. A centésima cabeça rolou pelo chão.
Cesare lentamente limpou o sangue respingado em seu rosto com o dorso da mão. E então, exatamente como na noite anterior, declarou:
“Amanhã, oferecerei mil vidas.”
Mas agora o número havia aumentado para mil. ‘Mil… como isso era possível?’ Pálida, Eileen estendeu as mãos trêmulas desesperadamente:
— Cesare… Cesare…
Ela chamou seu nome inúmeras vezes, mas Cesare não respondeu. O homem apenas encarava as chamas do altar, como se aguardasse uma resposta.
Então, de repente, um calor intenso surgiu. As chamas no altar cresceram num instante.
Faíscas se espalharam por todos os lados, e o fogo carmesim se transformou em dourado — um dourado radiante, como as penas de um leão alado.
As chamas sagradas dançavam como ondas. Era uma visão milagrosa, mas Cesare permaneceu sem expressão. Como se esperasse por aquele momento, ele caminhou em direção ao altar.
Ao soltar a empunhadura, a espada manchada de sangue caiu com um estrondo no chão. Seus olhos carmesins refletiam o fogo dourado.
Embora estivesse perigosamente perto das chamas, Cesare parecia não ser afetado pelo calor. Observou as chamas douradas por um momento, então murmurou:
“…Finalmente.”
Aquela curta frase atingiu profundamente o coração de Eileen. Porque Cesare parecia completamente atormentado. Seu rosto estava calmo, mas por alguma razão, Eileen sentia como se seu peito estivesse sendo esmagado.
Cesare, que encarava as chamas, fechou lentamente os olhos. Uma gota de sangue caiu de seus dedos no chão ensanguentado, criando ondulações. Então, ele abriu os olhos novamente:
“Há apenas uma coisa que desejo. O retorno dos mortos…” — Sua voz baixa sussurrou como se fosse uma prece: “Eu desejo que Eileen Elrod seja trazida de volta à vida.”
— Hrrrr…
Eileen soltou um gemido fraco ao abrir os olhos. Sua cabeça latejava como se fosse se partir, e sua garganta ardia como se estivesse rasgada.
Mesmo após recobrar a consciência, ela mal conseguia enxergar, pois tudo ainda estava envolto na escuridão. Sem saber se ainda sonhava ou se aquilo era real, tateou o ar, confusa.
A lâmina que tirara vidas inocentes, os olhos carmesins que declararam que aquele massacre era para sua ressurreição, tudo isso permanecia em sua mente. Enquanto tremia, coberta de suor frio, uma voz gelada chegou aos seus ouvidos.
— Finalmente acordou.
Aquela voz a atingiu como um balde de água fria, trazendo-a de volta à realidade. Eileen engoliu em seco e controlou a respiração. Seus olhos, agora adaptados à escuridão, lentamente absorveram o ambiente ao redor.
Ela estava presa sob os escombros de um templo desabado.
Com Ornella.
Só então Eileen percebeu claramente, o que havia vivido fora algum tipo de visão ou alucinação. Sem pensar, levou a mão ao bolso.
Seus dedos envolveram um relógio liso. Ao abrir a tampa, ouviu fracamente o tique-taque do ponteiro dos segundos.
‘Ele definitivamente tinha parado antes…’
Sua mente ainda estava turva, como em um sonho. Por ora, Eileen guardou o relógio novamente e verificou seu próprio estado.
Sua mente ainda estava nebulosa como se estivesse num sonho. Por enquanto, Eileen guardou o relógio de volta no bolso e verificou o estado do seu corpo.
O templo havia desabado diretamente sobre ela. Ainda assim, milagrosamente, estava ilesa. O altar de mármore caíra de uma forma que criou um pequeno espaço, protegendo-a. Não tinha sequer um arranhão, embora estivesse coberta de poeira.
‘Por que o templo desabou, afinal?’
O Grande Templo da capital já havia sido destruído uma vez e reconstruído depois, mas aquilo fora obra humana. Desde que o imperador fundador o reconstruiu, resistira a todos os desastres naturais.
O método de construção — misturando cinzas vulcânicas ao concreto e entrelaçando crina de cavalo entre as camadas — era tão resistente que até arquiteturas modernas o estudavam e utilizavam.
E ainda assim, um templo como aquele desabara num instante. Era um evento impossível.
Mas não adiantava pensar nisso agora. Afastando essas questões, Eileen virou-se na direção da voz de Ornella. A outra sorriu com desdém.
— Você parece bem, então pare de se fazer de sonsa e me ajude, pode ser?
Só então Eileen percebeu o cheiro de sangue e se sobressaltou. Ornella, com o braço torcido de forma anormal, estava encostada no altar, respirando com dificuldade.
— O-Ornella!
Sem espaço para ficar de pé, Eileen rastejou até ela. Ornella, tão coberta de poeira quanto ela, assentiu levemente.
— Há velas ao seu lado. Acenda uma. Aqui, os fósforos.
Ela estendeu a mão ilesa, revelando uma caixa de fósforos úmida.
Eileen pegou rapidamente, posicionou uma vela caída e a acendeu. A luz bruxuleante revelou o estado de Ornella em detalhes.
Parecia que um pedaço de escombro em queda atingira o braço de Ornella, quebrando o osso. No entanto, o sangramento vinha da parte inferior do seu corpo.
— Espera, deixa eu ver.
Eileen levantou imediatamente a saia de Ornella.
Ornella gritou algo em protesto, mas Eileen ignorou.
Havia um corte profundo em sua coxa, que sangrava intensamente. Felizmente, parecia ter passado por pouco de uma artéria.
‘Primeiro, preciso estancar o sangue… e depois imobilizar o braço.’
Eileen pegou um castiçal caído à distância.
Usando a borda afiada, rasgou um longo pedaço de tecido do próprio vestido, improvisando uma bandagem.
— Não se mexa.
Pressionou o pano firmemente contra o ferimento para estancar o sangramento.
Ornella gemeu de dor e resmungou palavrões em voz baixa, mas Eileen não deu atenção.
‘O braço… preciso imobilizá-lo.’
Enquanto dava um nó firme ao redor do ferimento e pensava em como imobilizar o braço quebrado, Ornella zombou, com a voz impregnada de amarga diversão:
— Não adianta nada fazer tudo isso.
— O quê?
— Como você acha que vamos sair daqui? Mesmo lá fora, ninguém conseguiria mover essas pedras. Vamos morrer aqui de qualquer jeito, então eu prefiro fumar um cigarro antes que isso aconteça. Me entregue logo.
— Vamos sair. —Eileen terminou de dar o nó, respondendo com absoluta convicção:
— Cesare virá nos salvar.
Continua …
Tradução: Elisa Erzet
Ler O Marido Malvado (Novel) Yaoi Mangá Online
Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
Sinopse
Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui