Ler O Marido Malvado (Novel) – Capítulo 153 Online

Eileen não esperava de forma alguma a presença de Ornella. Chocada, ficou imóvel por um momento antes de finalmente chamá-la.
— …Senhorita Ornella.
Ao ouvir seu nome, Ornella estreitou os olhos e soltou uma risada suave. Diferente de sua postura usual e composta, ela parecia despreocupada com a presença dos outros, agindo como se fossem apenas as duas.
O olhar de Eileen vagou lentamente por cima do ombro de Ornella. Os sacerdotes do templo estavam ali, observando-as com sorrisos bondosos. Embora fossem todos indivíduos diferentes, suas expressões idênticas transmitiam uma vibração estranhamente inquietante.
Cada um deles tratava Ornella com favor inconfundível. Não era surpresa, dado os generosos donativos regulares da família Farbellini ao templo.
Naquele momento, Eileen entendeu por que Ornella não havia acompanhado Leone até a residência do Arquiduque. Embora o verdadeiro responsável por essa situação ainda não estivesse claro, uma coisa era certa:
Assim como Ornella, Leone nutria desprezo por Eileen. Caso contrário, ele nunca teria permitido que tal situação acontecesse.
Eileen apertou com força o relógio de bolso em sua mão. Ela estava bem ciente de que não se encaixava naturalmente na posição como Arquiduquesa, que não tinha direito legítimo a ela.
Esperava que alguns a vissem com maus olhos, mas perceber que Leone — dentre todos — era um deles a feriu. Ela havia admirado silenciosamente sua gentileza e calor humano, e aquilo doía mais do que gostaria de admitir.
Para Leone, Eileen provavelmente parecia uma impureza agarrada ao seu perfeito irmão mais novo.
‘Não há o que fazer. Tudo isso é porque sou insuficiente.’
Embora talvez nunca conquistasse a aprovação de Leone, Eileen resolveu ao menos tentar amenizar o descontentamento dele.
E, se possível, esperava construir uma relação cordial com Ornella. Afinal, seus caminhos inevitavelmente continuariam a se cruzar.
‘Embora provavelmente seja muito difícil…’
Com esses pensamentos, Eileen guardou o relógio, agora morno, de volta no bolso e encontrou o olhar de Ornella.
De pé, com os sacerdotes atrás de si, Ornella se inclinou para mais perto de Eileen e sussurrou:
— Já que você está aqui, posso muito bem te ensinar algumas coisas, não acha? Imagino que seja sua primeira vez dentro do templo.
Sem esperar resposta, Ornella segurou o pulso de Eileen. Assustada com o toque repentino, ela se sobressaltou, mas não se afastou, permitindo ser conduzida.
Ornella guiou Eileen até o altar. A superfície de mármore estava adornada com flores frescas, assim como Eileen havia visto no festival de caça. No entanto, em vez de empilhar madeira de cedro diretamente no altar, incensários estavam dispostos ao redor.
Um sacerdote ao lado as cumprimentou com uma reverência cortês. Como se fosse um sinal, outros sacerdotes se aproximaram, ansiosos para falar com Eileen.
— Nunca esperávamos que a Arquiduquesa Erzet honrasse nosso templo com sua presença.
— O Arquiduque certamente se recuperará em breve, então, por favor, não se preocupe tanto. Os deuses ouvirão suas orações.
Ornella, sorrindo intensamente enquanto ouvia, aproveitou o momento para intervir:
— A Arquiduquesa não visitou o templo antes porque não compreendia a vontade dos deuses, mas isso não será mais o caso.
Com um balanço brincalhão do pulso de Eileen, que ainda segurava, Ornella enfatizou suas palavras.
Embora Eileen não dissesse nada, os sacerdotes responderam como se ela tivesse concordado, agradecendo a Ornella.
— A senhorita Farbellini sempre guia os perdidos de volta ao caminho correto. Somos eternamente gratos.
— Que grandes feitos eu fiz? É tudo graças às orações de vocês, sacerdotes, — respondeu Ornella com humildade.
Ela havia claramente insinuado aos sacerdotes que era a razão pela qual Eileen, uma ateia, estava no templo. Não era totalmente falso; sem a interferência de Ornella, Eileen não estaria ali.
— Você a coloca aqui, se ajoelha e então reza… — disse Ornella, inclinando a cabeça em direção ao altar, como se se lembrasse de algo. — Você mencionou antes que estava distribuindo ‘Aspiria’ de graça.
Eileen congelou, ainda segurando a flor, ao ver Ornella trazer à tona um assunto que ela pensava já resolvido.
— Eu estava pensando, por que não doá-la através do templo? Se você está dando apenas aos nobres, não parece bom, não é? Você também poderia distribuí-la à população em geral.
Ornella deu de ombros, como se estivesse fazendo uma sugestão casual.
— Você não fez o medicamento para ganhar dinheiro, fez? Especialmente considerando que estamos falando da casa do Arquiduque.
Os sacerdotes se animaram com a ideia de Ornella, elogiando-a como uma excelente oportunidade para fortalecer os laços entre o templo e a casa do Arquiduque. A atmosfera se tornou pesada de expectativa, dificultando para Eileen recusar, mas ela respondeu com firmeza:
— Eu gostaria, mas simplesmente não é possível.
Os sacerdotes pareceram surpresos com a resposta resoluta de Eileen, já que até então ela vinha cedendo silenciosamente.
Eileen abaixou as mãos trêmulas para esconder o tremor, mantendo uma expressão firme apesar do coração batendo com força.
Mas a verdade era a verdade.
— Já atingimos o limite de produção. Se tentarmos aumentar ainda mais, a qualidade vai cair. E distribuí-lo gratuitamente através do templo seria injusto com aqueles que já o compraram.
Ao contrário do que Eileen esperava, Ornella não a ridicularizou nem respondeu com sarcasmo. Em vez disso, assentiu como se estivesse esperando por aquela resposta.
— Exatamente, —concordou Ornella, levantando a mão de Eileen para enfatizar suas próximas palavras. A flor trêmula em sua mão agora estava totalmente visível.
— É por isso que estou planejando distribuir um medicamento semelhante ao ‘Aspiria’ através do templo, para o povo do império.
Com isso, Ornella guiou a mão de Eileen para colocar a flor no altar.
— Aqui, coloque ali,— instruiu.
Eileen obedeceu e, após oferecer a flor, perguntou cautelosamente:
— Um medicamento similar…?
— Sim, como mencionei antes. Ele é derivado de extratos de salgueiro.
— …
— Reuni os melhores farmacêuticos do império para desenvolvê-lo. Todos são formados em escolas farmacêuticas de prestígio e têm anos de experiência. Sinceramente, pode até ser melhor que o ‘Aspiria’.
Eileen encarou Ornella em silêncio. Ela esperava que medicamentos semelhantes surgissem eventualmente, dado o enorme sucesso de ‘Aspiria’, mas não imaginava que Ornella estaria por trás disso.
Sua preocupação aumentou.
Dado o pouco tempo, não fazia sentido. Um mês atrás, durante o festival de caça, Eileen havia revelado apenas que o Aspiria era derivado de salgueiros — não a fórmula completa.
Ainda assim, Ornella afirma ter desenvolvido um medicamento concorrente em tão pouco tempo. Parecia mais provável que farmacêuticos, sob pressão da família Farbellini, tivessem criado às pressas um remédio adicionando ácido salicílico a analgésicos existentes.
A ideia de um medicamento não testado sendo distribuído à população era alarmante.
— Foram realizados testes clínicos adequados? — perguntou Eileen, focando no ponto mais crítico.
Ornella acenou com desdém, como se a pergunta fosse absurda.
— Isso não é meu trabalho. Eu apenas dou as ordens — de cima para baixo.
Sua atitude despreocupada não deixava espaço para mais questionamentos.
‘O que devo fazer?’
Eileen pensou desesperadamente. Se o medicamento não testado causasse danos, não só colocaria as pessoas em risco como também mancharia a reputação de Aspiria.
‘Não posso permitir que isso aconteça.’
Após um momento de pensamento acelerado, ela abriu a boca e perguntou:
— Senhorita Ornella, da última vez mencionou que o Aspiria não funcionava para você. Encontrou algum analgésico que funcione?
Ornella ergueu as sobrancelhas diante da pergunta inesperada.
Continua…
Tradução Elisa Erzet
Ler O Marido Malvado (Novel) Yaoi Mangá Online
Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
Sinopse
Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui