Ler O Marido Malvado (Novel) – Capítulo 152 Online

Eileen, se perguntou por que Leone tinha vindo sozinho, sem Ornella, mas não podia perguntar abertamente, não quando a outra parte era o imperador. Para não cometer a descortesia de atrasar sua saudação, ela rapidamente dobrou os joelhos em uma reverência respeitosa.
Leone observou a saudação com uma expressão ilegível, enquanto Sonio, que o auxiliava por perto, analisava cuidadosamente o humor do imperador.
— Você tem passado bem? — perguntou Leone com um sorriso gentil. — Esta é a primeira vez que nos encontramos desde aquele dia lá fora, não é?
Eileen recordou-se do momento em que Leone havia aparecido discretamente durante uma de suas saídas, fazendo perguntas sobre a pena de leão que Cesare lhe dera — carregadas de suspeita.
Ainda assim, a lembrança que permanecia em sua mente como estilhaços de vidro não era a pena em si, mas as palavras enigmáticas que ele dissera naquele dia.
“A Arquiduquesa sabe o que o termo “Imperator” significava originalmente?”
“Acredito que seja o comandante supremo…”
“Correto. O comandante-chefe do exército era sinônimo de imperador, e foi assim que surgiu o termo “Imperator”. Embora esse já não seja mais o caso.”
Leone estava sorridente enquanto falava sobre o comandante supremo, mas o peso de suas palavras se tornava cada vez maior quanto mais Eileen pensava nelas.
Jamais contou a Cesare sobre essa conversa. Aquilo parecia muito com semear discórdia entre irmãos que supostamente eram tão próximos.
‘E mesmo assim ele está aqui, visitando pessoalmente para ver Cesare. Devem realmente ser próximos’, — pensou ela, tentando afastar suas suspeitas sobre o imperador. Em vez disso, ofereceu um leve sorriso para saudá-lo.
Leone permitiu que Eileen o conduzisse até a residência do Arquiduque. Ele caminhou com confiança pelo salão, seu passo tão rápido que Eileen, a anfitriã, se viu seguindo atrás como se estivesse lutando para acompanhá-lo.
Percebendo isso, Leone murmurou:
— Ah, minhas desculpas.
Então diminuiu o ritmo. Quando passaram a caminhar lado a lado, ele se virou para ela e perguntou:
— Você foi ao templo?
A pergunta a pegou desprevenida. Leone certamente sabia que Cesare detestava templos. Por que estava trazendo aquilo à tona? Sua confusão a fez hesitar em responder, o que levou Leone a franzir levemente a testa enquanto a repreendia com suavidade.
— Estou perguntando se você foi rezar pela recuperação do Arquiduque.
Soltando um leve suspiro, ele acrescentou:
— É de conhecimento geral que o Arquiduque é ateu. Mas costumes não podem ser ignorados. Afinal, até mesmo na cerimônia do seu casamento houve um sumo sacerdote, não é?
Eileen entendeu o ponto dele. Evitar o templo não traria benefício algum, e poderia chegar um momento em que precisariam do apoio da instituição. Leone estava sugerindo que ela amenizasse a relação tensa entre o Arquiduque e o templo sob o pretexto de rezar por sua recuperação.
Era um conselho sensato, mas Eileen teve dificuldade em aceitá-lo.
‘Cesare iria querer isso?’ — pensou.
Ela já conseguia imaginá-lo franzindo a testa, achando que ela estava desperdiçando tempo com algo desnecessário. Mas recusar diretamente a sugestão do imperador também não era uma opção. Eileen quebrou a cabeça tentando encontrar uma resposta diplomática.
— Eu não tinha pensado nisso… devo ter negligenciado por falta de experiência. Irei ao templo e farei orações em breve — respondeu cuidadosamente.
— Em breve? — repetiu Leone, sorrindo. — Por que não ir agora mesmo?
— …Como disse?
A sugestão a surpreendeu tanto que ela acabou repetindo as palavras dele. Leone continuou falando com o mesmo sorriso calmo.
— Não há nada urgente para cuidar, não é? Afinal, a senhorita Ornella não está aqui.
Foi então que Eileen entendeu por que Leone havia vindo sozinho. Se Ornella estivesse presente, Eileen teria permanecido na residência para recebê-la. As palavras seguintes de Leone confirmaram sua percepção.
— Eu gostaria de ter um momento a sós para conversar com meu irmão. É por isso que estou pedindo, Arquiduquesa.
Leone não fez o menor esforço para esconder que queria mandá-la embora.
Instintivamente, Eileen olhou para Sonio. Seguindo a uma distância respeitosa, o rosto do mordomo estava rígido. Até mesmo o experiente administrador não conseguia esconder sua inquietação. Eileen reconhecia o quão anormal aquela situação era, mas também não podia ignorar o pedido do imperador.
Lembrando-se de como Leone havia demonstrado desagrado com soldados que desobedeciam ordens imperiais, Eileen decidiu que era mais seguro obedecer.
— Irei imediatamente — disse ela.
— Muito bem. Espero não precisar mencionar isso novamente — respondeu Leone de forma seca antes de voltar sua atenção para Sonio.
Quando o mordomo avançou para acompanhá-lo, Leone fez um gesto dispensando-o.
— Esta é a residência do Arquiduque. Não preciso de escolta para encontrar o caminho.
— Vossa Majestade, não posso permitir que vá desacompanhado. Se o Arquiduque souber disso…
— Você acha que eu não conheço os sentimentos do meu próprio irmão gêmeo? — interrompeu Leone, em um tom leve, mas firme.
— Não quis dizer isso, Vossa Majestade — respondeu Sonio rapidamente.
— Então não interrompa. Me deixe conversar com meu irmão em paz.
E, com isso, Leone dispensou Sonio e seguiu sozinho para o quarto de Cesare.
Eileen foi direto ao templo. Com todos os cavaleiros ocupados em outros lugares, ela não tinha escolta, e Sonio parecia visivelmente aflito.
O mordomo havia se oferecido para acompanhá-la, mas Eileen insistiu para que ele ficasse para trás e explicasse a situação a Cesare. Ela o tranquilizou antes de partir, pegando um carro conduzido por um dos soldados da casa.
O templo, localizado no coração da capital, não ficava longe da propriedade do Arquiduque. Ao descer do carro, Eileen olhou para a imensa construção, sentindo-se dominada por sua grandiosidade.
O templo, que existia desde antes da fundação do império, havia sido destruído durante uma guerra e posteriormente reconstruído pelo primeiro imperador. Dedicado a todos os deuses, sua entrada era guardada por estátuas de leões alados, simbolizando as orações da humanidade alcançando os céus.
Entrar no templo em si era restrito. A maioria dos visitantes apenas tocava as estátuas de leões, deixava flores como oferenda e ia embora. Apenas nobres de alto escalão e membros da realeza, que faziam grandes doações, tinham permissão para entrar.
A família Farbellini, conhecida por sua devoção religiosa, visitava o templo com frequência e era generosa em doações. Eileen, por outro lado, nunca havia entrado ali. Apenas as enormes colunas de mármore já eram suficientes para fazê-la se sentir pequena.
Para piorar, as pessoas que ofereciam flores às estátuas se viraram para encará-la quando ela se aproximou. O olhar coletivo fez com que ela se retraísse ainda mais.
Enquanto hesitava, os guardas na entrada fixaram seus olhos afiados nela. Seus olhares a deixaram tão constrangida que ela tocou a bochecha com as costas da mão.
‘A presença da Arquiduquesa aqui é realmente tão chocante assim?’
Os guardas ficaram tão surpresos que apenas a encararam por um instante antes de recuperarem a compostura e fazerem uma reverência apressada.
— É uma honra imensurável receber a Arquiduquesa Erzet agraciando-nos com sua presença — gaguejou um deles.
O constrangimento deles deixou Eileen igualmente sem jeito.
— Eu estou aqui… para rezar — disse ela, falando formalmente, mas com certa incerteza.
Com suas palavras, os guardas escoltaram respeitosamente Eileen para dentro. O grandioso interior do templo se revelou diante dela, suas colunas de mármore dando lugar a uma magnífica cúpula adornada com motivos de sóis dourados. A pura grandiosidade do espaço tornava a reverência inevitável.
Diferente do exterior iluminado pelo sol, a pedra fria do interior do templo enviou um arrepio por seu corpo. Ao dar mais alguns passos para dentro, ela estremeceu levemente — e então paralisou.
Uma sensação estranha tomou conta dela, como se todo o seu corpo estivesse sendo atingido por eletricidade estática. Simultaneamente, um calor começou a emanar de seu peito, onde o relógio de bolso estava guardado.
Atrapalhada, ela tirou o relógio do bolso do vestido e piscou, chocada.
Os ponteiros haviam parado.
Ela tinha certeza de que estava funcionando perfeitamente antes — ela mesma lhe dera corda. No entanto, o relógio que momentos atrás queimava em suas mãos agora estava frio.
Antes que pudesse investigar mais, ela percebeu alguém diante do altar. Uma mulher que estivera rezando se levantou lentamente e falou:
— É quase engraçado, não é? A pessoa que deveria estar aqui rezando primeiro está ausente, me deixando sozinha para desejar a recuperação do Arquiduque.
Os passos medidos de Ornella ecoaram enquanto ela se aproximava, os saltos de seus sapatos ressoando no chão de pedra. Com um sorriso radiante, ela cumprimentou Eileen.
— Você chegou bem rápido, não é?
Continua…
Tradução: Elisa Erzet
Ler O Marido Malvado (Novel) Yaoi Mangá Online
Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
Sinopse
Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui