Ler O Marido Malvado (Novel) – Capítulo 151 Online


Modo Claro

Quando Cesare descobriu que teria que matá-la sete vezes, não achou que seria difícil.

Afinal, ela era apenas uma presença em um sonho – uma invenção de sua imaginação. Como qualquer sonho passageiro, ele acreditava que poderia acabar com aquilo rapidamente e retornar à realidade.

A primeira vez que matou Eileen não o incomodou. A segunda e a terceira também não foram muito diferentes. Mas, conforme às repetições se acumulavam, Cesare começou a notar como cada instância o destruía aos poucos.

Na sétima e última vez, ele não conseguiu fazê-lo.

Em vez disso, Cesare passou dias longos e tranquilos com Eileen em sua pequena casa de tijolos, tendo abandonado todo o resto. Era um mundo perfeito, apenas os dois.

Os dias pacíficos eram intoxicantemente doces. Mesmo sabendo que tudo não passava de uma ilusão fabricada, ele não conseguia se obrigar a ir embora. Às vezes, até se perguntava se o mundo exterior era o sonho e aquele lugar, a realidade.

Eventualmente, porém, ele despertou. Percebeu que o tempo que passara ali havia sido apenas para seu próprio benefício.

A sensação daquela última vez em que matou Eileen ainda permanecia vívida em suas mãos. Era um dia chuvoso, no quarto do andar de cima de sua casa de tijolos. O ar estava úmido, as sombras opressivas. Ele havia quebrado o pescoço da esposa enquanto ela chorava, implorando.

Cesare recordou a Eileen daquele sonho — jovem e inocente, perfeitamente feliz no refúgio seguro que ele havia criado para ela.

Então voltou o olhar para a Eileen real, que agora estava diante dele. Ela segurava sua mão com firmeza, seus olhos resolutos, declarando que precisava saber a verdade, não importava o que acontecesse. A Eileen que agora lutava para protegê-lo, mesmo arriscando a própria segurança, não tinha nada com a Eileen do sonho.

Mas aquele momento era a realidade.

— Cesare…

A voz de Eileen tremia, seu choque evidente. Ela havia percebido algo. Cesare, que estava olhando para baixo, lentamente levantou o olhar para encontrar os dela. Ele a encarou sem esconder os estilhaços dentro de si.

Mesmo que não tivesse sido de verdade, ele a matara. Cada uma daquelas sete vezes pareceu tão real quanto o mundo em que estavam agora.

Cesare já sabia há muito tempo que estava quebrado, que seu eu despedaçado inevitavelmente acabaria ferindo Eileen.

— Por mim mesma, eu acho.

As palavras atingiram Cesare profundamente. ‘Por ela mesma.’ Mas não era essa também a razão por trás de todas as escolhas dele?

Eileen, se esforçava tanto para mudar, estava se tornando cada vez mais parecida com ele. Ela era sua criação, sua esposa. Claro, era apenas natural.

Gentilmente, Cesare pressionou os lábios contra o dorso da mão dela. O gesto repleto de devoção, como se estivesse honrando o ser mais precioso em seu mundo. Ele sabia que sua própria ruína causaria dor a ela, mas não conseguia parar.

— Esse presente que você me deu, Eileen… — o homem murmurou: 

Afastando-se lentamente, ele colocou a mão dentro do casaco e tirou um relógio de bolso — uma peça de prata que ela lhe dera para comemorar sua vitória em batalha: — Eu deveria devolvê-lo a você.

Os olhos de Eileen se arregalaram ao encará-lo.

Ela era inteligente. Não levaria muito tempo para juntar as peças e descobrir a verdade. Embora ele quisesse adiar aquele momento, era inevitável, e a hora de enfrentá-la havia chegado.

Cesare colocou o relógio em suas mãos.

— Você vai precisar disso agora — disse suavemente.

Eileen segurou o relógio contra a luz do sol, examinando-o cuidadosamente. Sua superfície estava impecável, sem um único arranhão. Era evidente o quanto Cesare cuidara dele.

Quando ele o tirou do casaco pela primeira vez, ela ficara surpresa. Embora Cesare tivesse elogiado o presente e dito que gostava dele, ela presumiu que acabaria guardado em uma gaveta, esquecido.

‘Ele carregou isso consigo todo esse tempo?

Não apenas carregou, mas cuidou dele com tanto zelo. Eileen abriu o relógio, movendo os dedos com cautela enquanto observava os ponteiros em movimento. Por curiosidade, olhou para o relógio na parede de seu laboratório e percebeu algo estranho — a hora do relógio de bolso estava errada.

Cesare não era do tipo que deixava um relógio sem dar corda ou dessincronizado. A inconsistência a intrigou.

Ela deu corda ao relógio e ajustou cuidadosamente a hora, enquanto seus pensamentos voltavam à conversa que tiveram na floresta.

Cesare havia se recusado a contar qualquer coisa. Ainda assim, também não a proibira de procurar respostas.

Ela reconheceu aquilo como uma espécie de permissão tácita. Ou, talvez mais precisamente, como um reconhecimento de que ele não a impediria de buscar o que queria.

‘Não é exatamente permissão… mais uma recusa em interferir.’

Era uma distinção sutil, mas para Eileen fazia toda a diferença.

Ela se pegou revivendo aquele momento com Cesare repetidas vezes em sua mente. A visão dele abalado, sua compostura se rompendo, tocara algo profundo dentro dela.

‘Por quê?’

Ele insistira que não era por causa dela. Eileen também acreditava nisso. Ainda assim, a lógica do que sabia entrava em conflito com a intuição que sentia ao olhar para o homem.

‘E se for por minha causa?’

Esse único pensamento estilhaçou suas antigas certezas. Ela sempre acreditara que Cesare nunca mentia para ela. Mas a ideia de que ele fosse a extremos tão perigosos por causa dela — arriscando seu corpo e alma — parecia absurda.

O afeto de Cesare por ela era inegável — ele mesmo dissera que não mudaria facilmente. Mas jamais acreditara que os sentimentos dele refletissem os dela.

O mundo de Eileen girava em torno de Cesare, mas ela não conseguia imaginar o mundo do homem girando em torno dela.

Sacudindo a cabeça, Eileen se obrigou a abandonar suas suposições. Ao conduzir uma pesquisa, era crucial não descartar possibilidades cedo demais, por mais desconfortáveis que fossem.

‘E se for realmente por minha causa?’

À medida que o pensamento criava raízes, suas mãos ficaram imóveis. O fluxo antes claro de seus pensamentos tornou-se uma torrente caótica, esmagadora. E se sua presença, seus desejos, tivessem levado Cesare até aquele ponto? Ela poderia desfazer isso? Ou ao menos impedi-lo de continuar esse caminho perigoso?

Eileen fechou os olhos, tentando aquietar sua mente.

‘ Preciso me concentrar em outra coisa por enquanto…’

Respirando fundo, ela deu corda no relógio uma última vez, certificando-se de que a hora estava correta. Seus dedos deslizaram pela superfície lisa.

‘Por que ele me devolveu isso?’

Entre os muitos presentes que ela lhe dera ao longo dos anos, aquele era o primeiro que ele devolvia. Não podia ser sem significado.

Seus pensamentos se voltaram para outro objeto peculiar que Cesare lhe dera: a pena dourada que ele havia tomado do Duque Farbellini. Precisando de uma distração, ela pegou a caixa de vidro onde a pena estava guardada e a colocou sobre a mesa.

O brilho cintilante da pena chamou sua atenção, atraindo-a com sua beleza. Por impulso, ela colocou o relógio de bolso sobre a caixa de vidro.

Ela encarou os dois objetos — um presente que havia dado a Cesare, o outro algo que ele havia tomado por ela. Pareciam coisas sem relação alguma, completamente desconectadas.

— E agora… — murmurou, frustrada.

Seus pensamentos foram interrompidos por uma batida na porta.

— Minha senhora, sou eu, Sonio — disse a voz do mordomo.

Eileen pegou rapidamente o relógio e o guardou no bolso.

— Entre.

Sonio entrou e fez uma reverência.

— Sua Majestade chegará em breve.

— Tão cedo? Já estou descendo.

A visita do imperador estava mais adiantada do que o esperado. Eileen se apressou para se preparar, os nervos à flor da pele. Hoje, o Imperador Leone e Ornella Farbellini viriam verificar a recuperação de Cesare.

Como Sonio a lembrara mais cedo, Cesare os receberia em sua cama, mantendo a aparência de um paciente em recuperação, apesar de já estar totalmente curado.

Por enquanto, Eileen teria que saudar o imperador e a Senhorita Farbellini sozinha.

Seguindo Sonio escada abaixo, Eileen saiu para fora exatamente quando a carruagem imperial — adornada com o emblema do leão alado do Império — parou diante da entrada da propriedade.

Sonio abriu a porta do veículo com elegância treinada e fez uma profunda reverência.

— Bem-vindo, Vossa Majestade.

Eileen também começou a se curvar, mas congelou no meio do movimento.

A pessoa que desceu não era Ornella.

E sim Leone.

Sozinho.

Continua…

Tradução: Elisa Erzet 

Ler O Marido Malvado (Novel) Yaoi Mangá Online

Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
 
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
 

 
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
 
 

 
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
 

Sinopse 

Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage 
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui

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