Ler O Marido Malvado (Novel) – Capítulo 150 Online

O amor de Eileen por Cesare era profundamente egoísta. Outros poderiam enxergar de forma diferente, mas Eileen acreditava que seus sentimentos eram, por natureza, voltados para si mesma.
Se realmente se importasse com Cesare, não investigaria as partes dele que ele desejava manter ocultas. Respeitaria seus segredos e os deixaria intocados.
Mas Eileen queria saber tudo sobre o homem. Mesmo que seus esforços não o ajudassem de forma significativa — tão pouco quanto uma única pétala poderia ajudar uma flor — ela ainda assim desejava protegê-lo.
No entanto, não era essa a vontade de Cesare.
O homem não esperava que Eileen fizesse nada por ele. Queria que ela permanecesse dentro dos limites seguros que havia estabelecido para ela. Estava disposto a expandir esses limites o quanto desejasse, mas sair deles era proibido.
Assim como nesta noite.
No passado, Eileen teria recuado para o centro da proteção dele ao menor sinal de descontentamento. Mas agora, não conseguia mais agir assim. Não queria mais. Mesmo que suas ações trouxessem consequências, mesmo que significasse perder o afeto dele.
No momento em que percebeu que os muros ao seu redor poderiam ser construídos com o sangue e a carne dele, ela percebeu que precisava descobrir a verdade.
— Mesmo que você não permita, Cesare…
Os faróis do carro iluminavam a floresta escura à frente, mas lá dentro, o habitáculo estava escuro. O cheiro de sangue pairava pesado no ar.
Contra o pano de fundo da floresta negra, com os olhos mais vermelhos que sangue, Cesare a observava em silêncio. Eileen lambeu os lábios secos e sussurrou suavemente:
— Eu quero saber.
No momento em que declarou sua resistência, seus nervos foram tomados pelo pânico, e sua visão ficou turva. Seu coração batia como um tambor, como se fosse um soldado ousando desobedecer ao próprio comandante.
Seus olhares ficaram presos um no outro pelo que pareceu uma eternidade, embora tivesse sido apenas um instante. No final, foi Cesare quem desviou o olhar primeiro. Os olhos de Eileen se arregalaram em choque.
Alguma vez ele já havia desviado o olhar diante do olhar de alguém? Pelo menos, não na memória de Eileen.
Cesare voltou seu olhar para a floresta, fitando a escuridão além dos faróis. As bétulas brancas, despojadas de sua cor natural, pareciam negras como sombras.
Sem dizer uma palavra, ele abriu a porta do carro e saiu. Surpresa, Eileen o observou, depois tentou segui-lo, mas Cesare alcançou o lado dela e pressionou a porta do passageiro para fechá-la, impedindo que ela saísse.
Ele puxou um cigarro e acendeu-o, a brasa iluminando brevemente seus traços marcantes. Eileen o encarou atordoada enquanto ele tragava, a fumaça serpenteando ao redor de seu rosto antes de se dissipar na noite.
Sem poder sair, Eileen apressadamente abaixou o vidro da janela. A fumaça entrou no carro, fazendo Cesare dar uma ordem seca.
— Feche a janela.
Mas Eileen não obedeceu. Ela abriu ainda mais a janela, estendendo uma mão trêmula para segurar suavemente o punho de sua camisa.
Seu toque era tão leve que mal podia ser sentido, ainda assim Cesare permitiu que ela o puxasse um pouco mais para perto. Ela tirou a luva de couro de sua mão, revelando a palma sem cicatrizes. Segurando a mão dele entre as suas, apertou-a como se estivesse rezando.
Cesare inclinou a cabeça, um leve sorriso amargo, curvando seus lábios. Depois de soltar uma baforada de fumaça, inclinou-se em direção a ela.
— Agora você nem me ouve mais.
O coração de Eileen afundou, mas ela permaneceu em silêncio, suas mãos ainda segurando as dele. Cesare suspirou e chamou seu nome suavemente.
— Eileen.
Ela hesitou antes de encontrar seu olhar. Os olhos carmesim dele se suavizaram enquanto falava, sua voz calma, como uma canção de ninar.
— Por que não ficamos em casa só nós dois?
Seu tom era doce, quase persuasivo, lembrando a maneira como ele certa vez lhe ofereceu flores quando ela ainda era criança. O homem continuou, a suavidade de sua voz contrastando fortemente com o peso de suas palavras:
— Não se preocupe com coisas como Morpheu ou Aspiria. Eu também vou largar tudo. Vou abrir mão do meu título de Arquiduque e ficar ao seu lado.
Cesare se aproximou, seus olhos escarlates agora incrivelmente próximos. Sua voz se tornou um sussurro, como se compartilhasse um segredo destinado apenas a ela.
— Vamos viver na pequena casa de tijolos, só nós dois.
Ele era de tirar o fôlego de tão lindo, perigosamente sedutor. Eileen quase assentiu, cativada por suas palavras.
Viver em uma casa de tijolos com Cesare era um sonho que ela frequentemente imaginava. Dias vividos como um casal comum, cuidando de um pequeno jardim, compartilhando laranjas de sua própria árvore, cozinhando juntos em uma cozinha aconchegante.
Em seu sonho, Cesare cortaria o pão para os sanduíches, provavelmente preparando todos os ingredientes ele mesmo, porque não gostava de vê-la usar uma faca. Em troca, ela encontraria pequenas maneiras de tornar os dias dele mais felizes — não com grandes gestos, mas com simples atos de cuidado.
O pensamento aqueceu seu coração. Era tudo o que ela queria. Ainda assim, não conseguiu concordar.
Porque, por mais perfeito que parecesse, era um castelo construído sobre areia.
— Então você ainda não vai me contar nada? — perguntou ela, sua voz firme, mas suave.
Cesare não respondeu imediatamente. Em vez disso, segurou as pequenas mãos, as dele, maiores, acariciando suavemente as dela.
— Não existiria perigo para você se preocupar — respondeu.
Antes, ela teria confiado nas palavras dele sem hesitar. Mas agora não conseguia aceitá-las tão facilmente.
— …Se é isso que você realmente queria, viver juntos numa casa de tijolos, —ela começou cuidadosamente, — eu acho que você já teria feito isso. Não teria me feito Arquiduquesa.
Cesare não escolhera morar na casa de tijolos. Em vez disso, a fez Arquiduquesa Erzet. Elevando, ela, que antes era apenas a filha de uma família desconhecida que nem sequer podia se chamar de boticária de fato— a uma das posições mais respeitadas do Império.
Ele a tirou de um mundo pequeno e lhe deu asas para voar — asas que ele mesmo havia criado, tornando-a corajosa o suficiente para voar alto sem medo.
Agora, ele estava pedindo que ela cortasse essas asas, mas Eileen não acreditava que fosse isso que o homem realmente queria.
Aterrorizava-a expressar esse julgamento, presumir conhecer o coração dele. Mas precisava dizer. Encarando seu olhar carmesim fragmentado, ela chamou seu nome:
— Cesare.
— ….
Ele não respondeu, esperando em silêncio como sempre fazia quando ela tinha algo a dizer. Ele podia parecer impor sua vontade, mas nunca ignorava as palavras dela.
— Você realmente deseja que eu não faça nada e fique em uma casa de tijolos? — perguntou ela.
Cesare soltou uma risada baixa e quebrada. Levou a mão dela ao rosto, passando-a contra sua bochecha enquanto fechava os olhos.
— …Não — murmurou: — De jeito nenhum, Eileen…
Continua…
Tradução: Elisa Erzet
Ler O Marido Malvado (Novel) Yaoi Mangá Online
Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
Sinopse
Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui