Ler O Marido Malvado (Novel) – Capítulo 142 Online

Os eventos sinistros que se desenrolaram durante o festival de caça encheram os cidadãos do Império Traon de pavor. O festival de caça era um ritual sagrado, oferecido aos deuses como uma prece pela prosperidade do império.
Até mesmo as ferramentas e vestimentas de caça eram rigorosamente regulamentadas durante esta cerimônia sagrada, mas o que ocorreu não foi um sacrifício ritualístico, e sim um banho de sangue.
O primeiro incidente foi a profanação de um altar feito de madeira de cedro e adornado com flores, agora manchado com o sangue de um animal selvagem. O segundo foi um ataque ao herói do império, Cesare, que foi baleado por um assassino.
Até mesmo aqueles que afirmavam não acreditar nos deuses não puderam deixar de sentir inquietação, imaginando se esses eventos anunciavam uma sombra de infortúnio sobre o futuro do império.
Sussurros de conspiração se espalharam, sugerindo que facções traiçoeiras estavam planejando manchar as conquistas de Cesare.
Enquanto inúmeras especulações surgiam, ninguém no império poderia imaginar que o próprio Cesare era o orquestrador desses eventos.
Apenas um pequeno grupo de nobres, que conhecia a verdadeira natureza de Cesare, nutria suspeitas sobre ele. Ainda assim, nem mesmo eles tinham certeza suficiente para acusá-lo abertamente.
Tal esquema parecia completamente implausível. Não importa quão habilidoso fosse o atirador contratado, os riscos de ferimentos e possível infecção por um tiro eram grandes demais.
Os nobres observavam Cesare de perto, mas ele passava seus dias se recuperando tranquilamente no arquiducado, citando seus ferimentos como razão para sua inatividade.
Enquanto isso, os cavaleiros de Cesare assumiram a tarefa de investigar com fervor. Eles patrulhavam as florestas dos campos de caça, inspecionando os acampamentos de vários nobres e, mais tarde, interrogaram o Conde Bonaparte, desmantelando completamente sua família prestigiada.
A outrora poderosa Casa Bonaparte desmoronou da noite para o dia, apesar de suas tentativas desesperadas de sobreviver. Mas não havia como escapar da precisão com que o alvo havia sido escolhido.
Até mesmo o chefe da família, o próprio Conde, foi confinado à masmorra e submetido a interrogatórios implacáveis, não deixando esperança para a redenção da família.
Em meio a esses dias turbulentos, houve apenas um momento em que os cavaleiros de Cesare deixaram de lado suas tarefas e se reuniram.
— Como está isso? — perguntou Diego, segurando um buquê de flores.
Senon, ajustando o colarinho de seu uniforme com um livro ilustrado debaixo do braço, olhou brevemente para as rosas coloridas e deu um elogio sem entusiasmo.
— Parece bom.
Diego franziu a testa com a falta de entusiasmo, mas antes que pudesse responder, um largo sorriso se espalhou pelo rosto de Senon.
— Senhora Eileen!
Eileen acabara de sair de um carro, carregando seu próprio buquê de rosas. Como Diego, ela segurava um arranjo vibrante nos braços. Senon rapidamente se aproximou dela, cobrindo-a com elogios efusivos.
— Que fragrância boa! Estas flores são tão vibrantes e frescas. Só de olhar já é uma alegria— embora, claro, a visão mais bela aqui seja a senhora.
Enquanto Senon despejava elogios sem parar, Diego olhou para seu buquê e para o de Eileen. Eles não pareciam tão diferentes. Ainda assim, não querendo ficar para trás, Diego aproximou-se de Eileen e também elogiou suas flores.
Momentos depois, Michelle chegou, estacionando um veículo militar. Ela desceu às pressas, quase soltando um palavrão antes de se conter. Forçando um sorriso radiante, ela correu em direção a Eileen.
— Consegui chegar! — declarou Michelle, levantando uma garrafa de suco de laranja espremido na hora com orgulho. Enquanto isso, Lotan, que havia chegado mais cedo, adiantou-se para cumprimentar Eileen e os cavaleiros.
Em suas mãos grandes, ele segurava um ursinho de pelúcia. O brinquedo minúsculo e adorável parecia completamente deslocado com a figura imponente de Lotan e seus braços musculosos. Segurando o urso, ele inclinou a cabeça em agradecimento.
— Obrigado por terem vindo. Eu sei que todos devem estar muito ocupados…
— Eu queria estar aqui, — respondeu Eileen, balançando a cabeça suavemente para aliviar a culpa do homem.
Não importava o quão caóticas fossem suas agendas, todos faziam questão de reservar tempo para aquele dia. Embora nem sempre fosse possível para todos comparecerem, eles faziam o possível para se reunir quando podiam.
No ano passado, com os cavaleiros ausentes na campanha em Kalpen, Eileen tinha vindo sozinha. Este ano, no entanto, o grupo estava completo, e a atmosfera animada era uma mudança bem-vinda.
Juntos, Eileen e os cavaleiros caminharam em direção a uma lápide solitária, bem distante do cemitério principal. Embora de aparência modesta, a lápide era meticulosamente cuidada.
Eileen e Diego depositaram seus buquês de rosas diante do túmulo. Michelle colocou a garrafa de suco de laranja, Senon o livro ilustrado, e Lotan gentilmente adicionou o ursinho de pelúcia.
O vento soprou, carregando a fragrância perfumada das rosas. O grupo permaneceu em reflexão silenciosa, oferecendo seus respeitos à falecida.
Depois de um tempo, se afastaram em silêncio, deixando Lotan sozinho no túmulo. Era sua maneira de dar a ele um tempo particular com a filha.
A garotinha havia se tornado uma estrela no céu muitos anos atrás. Com apenas dez anos de idade, sua vida foi tragicamente interrompida em um incêndio devastador.
As cicatrizes no corpo de Lotan eram um testemunho do que ele fez para salvá-la. A tragédia, que ocorrera quando Eileen tinha apenas onze anos, destruiu Lotan tanto no corpo quanto no espírito. Sua recuperação, embora extraordinária, foi duramente conquistada.
Todos os anos, nesse dia, Eileen não conseguia deixar de pensar na dor que Lotan havia suportado. Na época, sendo apenas uma criança, havia pouco que ela pudesse fazer para ajudá-lo, e essa lembrança ainda pesava em seu coração.
Respirando fundo, Eileen soltou o ar lentamente. Michelle, caminhando ao seu lado, notou imediatamente.
— Vossa Graça, a senhora deve estar cansada de toda essa caminhada. Quer que eu a carregue?
A oferta repentina surpreendeu Eileen, que rapidamente acenou com as mãos em protesto.
— Não, não, estou bem.
À frente delas, Diego e Senon se viraram para olhar para trás, suas expressões questionadoras. Eileen sorriu radiante para eles, assegurando-lhes que estava tudo bem. Então, ela puxou suavemente a manga de Michelle.
— Michelle?
O pequeno gesto trouxe um leve sorriso aos lábios de Michelle. Ela rapidamente se recompôs, respondendo com seriedade fingida.
— Sim, minha senhora?
— Você poderia me emprestar um pouco do seu tempo? Só um momento.
— Pela senhora, eu daria todo o tempo do mundo.
Michelle dispensou Diego e Senon para irem na frente, então levou Eileen para a sombra de uma árvore próxima. O sol do início do verão ardia implacável, e a sombra fresca oferecia um alívio bem-vindo.
Quando se acomodaram sob a árvore, uma única folha verde desceu flutuando e pousou sobre a cabeça de Eileen. Michelle, que era mais alta, tirou a folha e a jogou de lado com um leve movimento da mão.
Eileen observou a folha cair no chão, então finalmente quebrou o silêncio.
— Eu tenho uma pergunta.
A confiança que Michelle demonstrara momentos antes vacilou. A expressão de Eileen carregava um peso que era impossível ignorar.
— A pessoa que atirou em Cesare durante o festival de caça, — Eileen começou, seus olhos verde-dourados fixos no rosto de Michelle. — Foi você, estou certa?
Um leve sorriso se espalhou pelo rosto de Michelle, como se ela tivesse acabado de ouvir uma piada engraçada. Ela franziu o nariz sardento em descrença exagerada.
— Eu? Minha senhora, como pode sequer pensar em uma coisa dessas?
— O próprio Cesare me contou, — Eileen falou calmamente. — Ele disse que orquestrou tudo. Ele não compartilhou os detalhes, mas…
O humor desapareceu da expressão de Michelle. O olhar de Eileen se desviou brevemente para a arma na cintura da mulher antes de encontrar seus olhos novamente.
— Eu não consigo imaginar que ele confiaria uma tarefa dessas a qualquer outra pessoa. Deve ter lhe dado a ordem pessoalmente.
A expressão de Michelle se tornou desconcertada. Estava dividida entre o orgulho de ser reconhecida como a arma mais confiável de Cesare e o desconforto de ter seu papel exposto tão claramente.
Presa em sua hesitação, Michelle nem confirmou nem negou as palavras de Eileen. Em vez disso, permaneceu em silêncio, ponderando sua resposta.
— Michelle, — Eileen disse suavemente, sua voz firme. — Você sabe por que Cesare fez tudo isso?
Por um momento, Michelle quis dizer: “Por você, é claro.” Mas nem ela nem os outros cavaleiros tinham certeza das verdadeiras motivações de Cesare. Todos apenas especulavam. Ninguém podia afirmar com certeza, especialmente quando se tratava de Eileen.
Quando Michelle não respondeu, Eileen olhou para baixo. O farfalhar das folhas preencheu o silêncio enquanto ela aproveitava um momento para organizar seus pensamentos.
— Quando perguntei a Cesare, ele me disse que não foi por minha causa. Ele nunca mentiu para mim antes, e eu deveria confiar em suas palavras. — Sua voz tremeu levemente enquanto continuava: — Mas… eu não consigo parar esses pensamentos. Eles ficam surgindo…
A luz verde-dourada em seus olhos se apagou com a dúvida, e Michelle sentiu uma pontada no peito. Antes que pudesse responder, Eileen levantou o olhar para ela com uma expressão suplicante.
— Michelle, preciso da sua ajuda.
Continua…
Tradução: Elisa Erzet
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Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
Sinopse
Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui