Ler O Marido Malvado (Novel) – Capítulo 126 Online


Modo Claro

Os cavaleiros, que haviam observado Eileen e Cesare por tanto tempo, não puderam deixar de perceber a sutil mudança no ar entre eles.

Eileen, sentindo o peso daquela tensão estranha, tornou-se ainda mais retraída, seus nervos se enrijecendo.

‘Isto não está certo…’

Fazia tempo desde que todos se reuniram assim. Deveria ser uma oportunidade para aproveitarem a companhia uns dos outros, para compartilharem a empolgação do dia. Mas, em vez disso, havia um silêncio desconfortável pairando entre ela e Cesare. Ela não sabia como consertar aquilo. O homem também não dizia nada — apenas permanecia ali, olhando para ela em silêncio, o que só tornava tudo pior.

Após um momento de deliberação, Eileen decidiu que precisava dizer algo para quebrar a tensão.

— Hum, sua roupa de caça…

Ela pretendia elogiá-lo, encontrar as palavras certas que tornariam o momento mais leve, mas quando finalmente saíram de sua boca, soaram sem graça e constrangedoras.

— Você está… muito bonito.

Eileen fez uma careta por dentro, arrependendo-se instantaneamente de como suas palavras pareceram simples e infantis. Desejou, não pela primeira vez, ter passado mais tempo estudando poesia em vez de medicina. A vontade de se beliscar só aumentou.

Cesare não respondeu de imediato. Continuou a observá-la, seus olhos indecifráveis. Então, após uma pausa, perguntou, com a voz baixa, mas provocadora:

— É só isso?

— Perdão?

— Não nos vemos há dias, e é só isso que você tem a dizer, Eileen?

— Ah…

Atrapalhanda, Eileen gaguejou, mas Cesare apenas soltou uma breve risada.

— Então, vamos partir.

A ordem de Cesare foi calma, mas havia uma tensão subjacente em sua voz. Ele deu uma instrução rápida a Sonio, e os cavaleiros conduziram Eileen para o lado. Diego se inclinou e sussurrou, em tom tranquilizador:

— Não se preocupe, Sua Graça não está chateado.

Michelle, sempre reforçando, murmurou em seguida:

— Definitivamente não está chateado. Ele só está esperando ouvir algo específico de você.

A testa de Eileen se franziu, mas antes que pudesse perguntar o que queriam dizer, Cesare terminou sua conversa com Sonio e aproximou-se.

— Está na hora de partir.

Cesare estendeu a mão, e Eileen a segurou, seguindo-o até a carruagem. Se preparou, imaginando se ele iria pressioná-la sobre o momento estranho que haviam compartilhado, mas Cesare permaneceu em silêncio.

Dentro da carruagem, ele se ocupou revisando alguns documentos, totalmente concentrado nos papéis à sua frente. Eileen sentou-se em silêncio ao seu lado, observando a paisagem passar pela janela. A carruagem desacelerou gradualmente até parar.

Cesare dobrou seus papéis cuidadosamente e então se virou para ela.

— Vá na frente. Eu me juntarei a você em breve.

Eileen hesitou. Ela queria perguntar aonde ele estava indo, mas o instinto de conter a língua a impediu. Ela abriu a boca, apenas para fechá-la quando ele falou novamente, sua voz mais leve do que antes.

— Espero que você não fique muito zangada.

Zangada? Eileen piscou, surpresa. Não conseguia imaginar uma situação em que ficaria zangada com ele. Instantes antes, ela estivera preocupada achando que ele poderia estar chateado. Olhou-o, confusa, tentando encontrar as palavras.

— Eu não estou zangada… — disse com cuidado, em voz baixa. Não conseguia afastar a sensação de que algo importante pairava entre eles, algo que ela não compreendia totalmente.

— Ainda não, pelo menos. — Mais uma vez, Cesare dissera algo que a deixou confusa, uma observação enigmática que apenas aprofundava a sensação de distância entre eles. 

Ela entrelaçou as mãos no colo, a mente fervilhando com pensamentos e perguntas, mas as palavras que queria dizer não vinham. Sentia-se frustrada com o silêncio, com a lacuna entre eles que não conseguia atravessar.

Ainda assim, ela sabia que seria indelicado ir embora sem pelo menos encontrar seu olhar e oferecer uma despedida adequada. Após um momento de hesitação, ela finalmente olhou para ele.

— …!

Antes que pudesse dizer qualquer coisa, seus lábios se encontraram em um selinho. Foi tão rápido, tão inesperado, que Eileen piscou, surpresa. Um suave — Oh, escapou de seus lábios, o choque ainda reverberando em seu peito.

— Oh, querida— disse Cesare com fingida indiferença , sua voz leve. — Achei que você estivesse pedindo um beijo.

Com isso, saiu da carruagem, deixando Eileen sozinha, atordoada. Seu coração disparava enquanto o calor subia lentamente por suas bochechas.

Ela se perguntou por que ele achara que ela poderia ficar zangada. Mas antes que pudesse se aprofundar nessa questão, seus pensamentos continuavam retornando ao beijo.

Involuntariamente, Eileen esfregou os lábios com o dorso da mão, ainda presa à sensação persistente do beijo de Cesare. Sua mente estava tomada por pensamentos sobre ele. Quase parecia que o homem a beijara de propósito, como se quisesse impedi-la de pensar demais.

Quando a carruagem chegou ao destino seguinte, ela já havia feito um grande esforço para dissipar o calor do rosto, embora seu coração ainda estivesse acelerado pelo celinho inesperado.

A floresta que sediava o festival de caça estava cheia de atividade. Estandartes com os emblemas da família real e das casas nobres tremulavam sobre os diversos acampamentos, e a área fervilhava com pessoas indo e vindo.

Dezenas de cavalos premiados estavam alinhados, uma maravilha de criação, cujo valor dizia-se rivalizar com o de uma fortaleza. Cães de caça bem treinados permaneciam atentos, caudas abanando em excitação, enquanto falcões de grandes asas abertas voavam acima da multidão, prontos para o esporte da falcoaria.

Apesar da agitação e da abundância de animais, o ar parecia fresco e revigorante, preenchido pelo aroma da vegetação exuberante e das oferendas perfumadas. O cheiro de madeira de cedro e flores pairava no ar — reunidos para o sacrifício ritual que estava por vir.

Eileen olhou ao redor com admiração, sua curiosidade despertada pela grandiosidade de tudo. Escoltada por guardas até a tenda da Casa Erzet, seu olhar percorria a cena enquanto caminhavam. Assim que a carruagem da família tornou-se visível à distância, um grupo de nobres — ansiosas por causar boa impressão — reuniu-se rapidamente, antecipando sua chegada.

Cada uma delas estava determinada a formar uma conexão com a Arquiduquesa Erzet, vendo ali uma oportunidade de elevar o próprio status. Mas, ao se aproximarem, hesitaram, seus sorrisos vacilando ao observarem o traje de Eileen.

‘Eu deveria ter usado um vestido.’

O pensamento insistia enquanto Eileen permanecia ali, sentindo-se chamativa em suas roupas de caça. Talvez devesse ter insistido em usar um, apesar da insistência de Cesare quanto à praticidade. Agora, entre os vestidos delicados das nobres ao seu redor, seu traje parecia ainda mais deslocado, e sua confiança começou a murchar.

Tentando ao máximo esconder seu desalento, forçou um sorriso educado e cumprimentou as damas que se aproximavam, embora suas palavras parecessem distantes e suas mãos tremessem levemente. Mas então, quando seus nervos começavam a dominá-la, avistou um rosto familiar — a Baronesa Contarini.

— Baronesa!

O alívio de Eileen foi imediato, e ela não conseguiu evitar iluminar-se ao ver a mulher. A Baronesa pareceu brevemente surpresa, mas logo abriu um sorriso orgulhoso.

— Finalmente você chegou! Estava esperando ansiosamente.

Ela atravessou o grupo de damas com determinação, claramente saboreando a oportunidade de demonstrar sua conexão com Eileen. Um sorriso triunfante espalhou-se por seu rosto enquanto falava novamente.

— Estou aguardando por isto desde o chá — declarou a Baronesa, seu tom animado e afetuoso. — Você parece uma fada aqui nesta floresta.

Parecia que a Baronesa tentava suavizar a questão do traje pouco convencional de Eileen, talvez recordando como ela estava no chá. Eileen corou levemente com o elogio e, apesar do desconforto, não pôde deixar de apreciar o esforço da mulher em defendê-la. Agradeceu, e a Baronesa lhe lançou um sorriso cúmplice.

— Se não for incômodo, posso acompanhá-la até a tenda da família?

Ela parecia ter percebido que Eileen se sentia sobrecarregada pela multidão. Aliviada, Eileen aceitou a oferta com gratidão.

— Obrigada — respondeu, sentindo um peso sair de seus ombros enquanto se afastavam da aglomeração.

— Foi um prazer — disse a Baronesa com um sorriso caloroso. — E devo admitir, o traje de caça combina muito bem com você. Que escolha ousada usar algo assim!

— Oh…

Uma centelha de dúvida cruzou o rosto de Eileen, e a Baronesa rapidamente agitou as mãos em tranquilização.

— Não quis dizer de forma negativa! É que você está absolutamente maravilhosa. Garanto que em breve a capital estará cheia de damas vestindo trajes de caça.

Os nervos de Eileen aliviaram-se um pouco com a garantia, embora ainda hesitasse antes de responder.

— É um alívio ouvir isso. Eu estava realmente preocupada. É tão chamativo ser a única vestida assim. Só trouxe roupas de caça para o festival, então não há como trocar agora… Por um momento, mais cedo, eu sinceramente quis desaparecer.

Eileen entrelaçou as mãos diante do peito e ergueu os olhos para a Baronesa, seu olhar suavizando-se em gratidão.

— Mas graças às suas palavras gentis, sinto-me muito mais confiante. É tudo por sua causa.

A Baronesa pareceu tocada pelos agradecimentos sinceros de Eileen. Mordiscou o lábio, sua expressão suavizando-se como se quisesse puxá-la para um abraço.

— Você realmente… é simplesmente notável — murmurou, seu olhar demorando-se em Eileen de uma forma que a lembrava dos olhares afetuosos que os cavaleiros às vezes lhe dirigiam. Claro, não podia ser isso, mas…

‘Estou ficando convencida?’

Talvez fosse o afeto que a Casa Erzet lhe demonstrara, fazendo-a interpretar as ações alheias de maneira excessivamente positiva. Eileen fez uma breve pausa, refletindo sobre si mesma.

A Baronesa pigarreou, imperturbável, e continuou com os elogios.

— A Arquiduquesa está definindo todas as tendências mais recentes na capital. Todos estão ansiosos para imitá-la. E nem me faça começar a falar de Aspiria!

A Baronesa inclinou-se, os olhos brilhando de empolgação.

— Não apenas minhas conhecidas, mas toda a capital está em alvoroço por causa de Aspiria. Aqueles que a compraram apenas para seguir a moda estão chocados com o quão eficaz ela é. Você não ouviu os comentários?

— Vi algo mencionado em uma revista, mas… achei que a imprensa pudesse estar sendo gentil com a Casa Erzet…

— Bobagem! Aqueles abutres atacariam qualquer coisa, se tivessem chance. Lembra-se dos rumores terríveis que circularam antes da sua estreia pública no casamento?

— Oh… Eu não sabia. Só comecei a ler revistas depois que me tornei Arquiduquesa…

— É mesmo? Então o que você lia antes?

— Periódicos e textos acadêmicos.

Eileen murmurou a resposta, e a Baronesa, com a mão apoiada levemente na testa, não pôde deixar de sorrir de forma irônica antes de afastar o pensamento.

— Claro! Foi graças a todo o seu estudo que conseguiu criar Aspiria.

Conduzindo habilmente a conversa de volta ao ponto original, a Baronesa continuou:

— Ouvi dizer que Aspiria foi distribuída gratuitamente na farmácia. Você também vai oferecê-la durante a caça?

— O quê? Aspiria?

Eileen piscou, surpresa. Não tinha tais planos, e se algo assim tivesse sido organizado, Sonio ou alguém certamente a teria informado.

Ao ver sua reação chocada, a expressão da Baronesa mudou para preocupação.

— Tem sido o assunto das damas desde ontem…

Continua…

Tradução: Elisa Erzet 

Ler O Marido Malvado (Novel) Yaoi Mangá Online

Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
 
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
 

 
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
 
 

 
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
 

Sinopse 

Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage 
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui

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