Ler O Marido Malvado(Novel) – Capítulo 133 Online

Cesare encontrou Eileen pela primeira vez quando tinha 17 anos.
Embora estivesse à beira da idade adulta, sua posição naquela época era precária. Sua mãe, consumida pela loucura, realizava rituais bizarros, alegando que eles ressuscitariam o amante falecido.
Nascido gêmeo, a mãe de Cesare favorecia apenas Leone. No entanto, quando se tratava do preço excruciante exigido por suas práticas ocultas, ela usava exclusivamente Cesare.
Sua crença infundada de que o corpo de Cesare, portador do sangue da linhagem imperial de Traon, seria eficaz para seus rituais, motivou suas ações.
Pegar mechas de seu cabelo ou gotas de seu sangue eram a menor das suas exigências. Os atos vis aos quais ela o submetia eram tão repugnantes que até mesmo cavaleiros tentavam intervir, enfurecidos com a depravação dela.
Cesare aceitava tudo, concedendo-lhe a última cortesia devida à mulher que o trouxera ao mundo.
Mas o desgaste imenso era inevitável. Perder tempo com ações inúteis pesava sobre Cesare, que odiava qualquer coisa sem propósito.
No dia em que conheceu Eileen, ele tinha acabado de voltar de satisfazer os caprichos de sua mãe. Dias como aquele o deixavam particularmente tenso, levando-o a evitar cuidadosamente qualquer palavra ou ação desnecessária.
Tendo escolhido suportar aquilo, acreditava que era justo arcar sozinho com as consequências. Não havia motivo para que suas frustrações recaíssem sobre os funcionários inocentes ao redor.
Para acalmar os nervos, saiu para caminhar pelo palácio quando uma garotinha cruzou seu caminho.
A menina, claramente à beira das lágrimas, carregava no rosto a expressão típica de quem estava perdida. Ainda assim, mordia o lábio para conter o choro e avançava com cautela, um passo de cada vez.
Suas mãozinhas estavam cerradas em punhos, as sobrancelhas fortemente franzidas em determinação enquanto atravessava os corredores. Ao passar pelo jardim de lírios, seus passos transmitiam uma determinação surpreendente para alguém tão pequeno.
Uma criança vagando pelo palácio — era uma visão incomum. Cesare parou, e naturalmente Lotan e Diego, que o seguiam de perto, também a notaram.
“Olhe só esse bebê andando por aí” — murmurou Diego, surpreso:
Embora a garotinha parecesse ter uns oito ou nove anos — longe de ser um bebê — Cesare não se deu ao trabalho de corrigi-lo.
Naquele momento, o olhar de Cesare fixou-se na criança. E foi então que ela o notou.
Por uma fração de segundo, Cesare sentiu um leve desconforto. Suas experiências no campo de batalha, desde muito pequeno, haviam deixado nele uma aura que frequentemente assustava crianças. Aquela menina, já perdida e assustada, provavelmente se intimidaria ainda mais diante dele.
Mas, em vez de recuar, a reação dela o surpreendeu.
Ao ver Cesare, seus olhos, já grandes, se arregalaram ainda mais. Uma luz curiosa brilhou em seu olhar; o dourado e o verde de suas íris brilhando como a luz do sol filtrada pelas folhas. Uma brisa trouxe o perfume dos lírios quando ela, de repente, correu em sua direção.
Sem pensar, Cesare se agachou e a pegou. Ela se jogou em seus braços, agarrando-se com força enquanto desatava a chorar.
Embora seus soluços fossem intensos e doloridos, havia um claro alívio em seu choro. Ela se aconchegou mais em seus braços, o seu pequeno corpo irradiando o calor tipicamente infantil, misturado ao leve aroma de lírios e biscoitos.
A testa de Cesare se franziu levemente, uma sensação desconhecida e inquietante atravessando-o. Era algo que ele não reconhecia — porque nunca havia sentido antes.
Depois de um tempo, o choro diminuiu. Ela ainda fungava e soltava pequenos soluços ocasionais, mas agora o olhava com os olhos marejados.
No olhar claro da criança, Cesare viu a si mesmo refletido — e aquela imagem lhe pareceu estranha. Se ver através de olhos tão inocentes o fez sentir-se um desconhecido para si próprio.
A menina o encarava como se ele fosse um anjo descido dos céus. Diante daquele olhar maravilhado, Cesare se pegou sorrindo levemente.
“Você deve ser a Lily.”
Era a garotinha de quem sua babá, a Baronesa Elrod, falava com frequência. Ela dizia que a filha tinha dez anos, embora a garota parecesse um pouco mais nova.
A Baronesa Elrod costumava exagerar suas conquistas, tratando seu papel como babá de Cesare como o auge de sua vida. Orgulhava-se imensamente de poder frequentar o palácio sob o pretexto de suas funções.
No entanto, não possuía meios para realmente prosperar no esplendor do palácio imperial. Para compensar, tecia pequenas mentiras para embelezar sua vida.
Descrevia uma família modesta, porém harmoniosa: um marido amoroso e dedicado, e uma filha brilhante, tão adorável e precoce que recebera o apelido de Lily, por causa de sua flor favorita.
Apesar dos exageros, Cesare geralmente deixava suas palavras passarem sem muita atenção. Ainda assim, parecia que algumas afirmações eram verdadeiras. Os olhos dourado-esverdeados da menina, brilhavam como a luz do sol sobre o musgo, eram diferentes de tudo que ele já tinha visto.
Acariciando suavemente seus cabelos, Cesare decidiu que não custava nada demonstrar um pouco de gentileza àquela criança. Seria uma maneira fácil de oferecer o reconhecimento que a Baronesa Elrod tanto desejava.
No início, foi um pensamento casual — talvez pudesse convidar formalmente a menina ao palácio uma vez.
Mas aquele primeiro encontro não marcou o fim. Cesare passou a convidá-la repetidamente.
Quando Eileen esvoaçava ao redor, fazendo perguntas com curiosidade ilimitada e rindo como se Cesare fosse o centro do mundo do seu mundo, ele sentia seu cansaço e tédio se dissolverem.
Como a Baronesa Elrod afirmara, a menina era de fato brilhante. Aprendia rápido e absorvia tudo o que ele lhe ensinava com velocidade notável.
Observá-la assimilar conhecimento e habilidades era inesperadamente prazeroso. Pela primeira vez, Cesare compreendeu por que seus antigos tutores haviam sentido tanta satisfação ao ensiná-lo.
À medida que ele se envolvia mais na vida dela, a criança também começava a infiltrar-se na dele. Embora percebesse as mudanças sutis dentro de si, não lhes deu muita importância.
Era apenas uma gota d’água — insuficiente para alterar o rumo de sua vida.
Mas aquela única gota continuou a cair, repetidas vezes, até que o encharcou por completo.
Por meio da criança, Cesare aprendeu o que significava amar. Era um sentimento que apenas ela poderia tê-lo ensinado.
Houve momentos em que se perguntava: e se não tivesse parado naquele jardim de lírios naquele dia? E se tivesse simplesmente chamado um servo para levá-la de volta à mãe?
Mas tais pensamentos eram inúteis. Não importava o que tivesse feito, aquela garotinha — Eileen — ainda teria corrido para ele. Para ninguém mais, apenas para ele.
Como o escolhido pela criança — e como aquele que também a escolheu — Cesare sabia que carregava uma responsabilidade.
Mais tarde, depois que Eileen foi executada na guilhotina e ele se sentou sozinho na casa vazia dela, lendo seu diário, Cesare tomou sua decisão.
Ordenou que todas as suas forças fossem reunidas nas planícies próximas à capital. Seus cavaleiros, que haviam lutado ao seu lado em incontáveis campos de batalha, cumpriram suas ordens sem questionar — mesmo sabendo exatamente o que ele pretendia.
Quando Lotan lhe trouxe o relatório, Cesare ouviu em silêncio, observando distraidamente o relógio de bolso quebrado em sua mão. Guardou-o antes de responder.
“A decisão não levará muito tempo.”
Vestido com suas insígnias completas, Cesare foi seguido por quatro cavaleiros enquanto atravessava o palácio. A visão do grupo armado fazia até nobres e criados hesitarem em se aproximar.
“Vossa Graça, o Arquiduque Erzet…”
O mordomo do imperador parecia completamente perdido. A aparição súbita e não anunciada de Cesare, escoltado por cavaleiros armados, era suficiente para deixar qualquer um apavorado.
Enquanto o mordomo buscava palavras, Leone surgiu, pálido e visivelmente abatido.
“Cesare.”
A voz de Leone vacilou ao se dirigir ao irmão. Embora parecesse ter sofrido muito, Cesare não perguntou sobre seu bem-estar.
“Imperador.”
“…Arquiduque Erzet.”
Leone com um olhar desesperado fitou o irmão, que o tratara como Imperador em vez de como família. Para Leone, Cesare parecia mais um estranho do que seu gêmeo. A voz dele tremia ao perguntar:
“O que o traz aqui? O que você quer?”
Cesare respondeu sem expressão alguma:
“Quero a última carta da condenada, Eileen Elrod.”
Continua…
Tradução: Elisa Erzet
Ler O Marido Malvado(Novel) Yaoi Mangá Online
Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
Sinopse
Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui