Ler O Marido Malvado(Novel) – Capítulo 121 Online


Modo Claro

As palavras impulsivas que escaparam dos lábios de Eileen carregavam mais peso do que ela pretendia. Não as dissera sem motivo; havia mistérios demais envolvendo Cesare e os comentários estranhos que ele deixava escapar.

Eileen orgulhava-se de ter uma memória afiada, especialmente quando se tratava de qualquer coisa relacionada a Cesare. Ele mencionara uma vez que o relógio que ela lhe dera era idêntico a uma lembrança de um condenado. Mas aquele relógio fora uma encomenda sob medida, feita por meio de Luca, tornando impossível que um condenado possuísse um igual. Aquilo era apenas uma das muitas estranhezas.

‘Ele já disse e fez coisas estranhas mais vezes do que consigo contar’, — pensou.

Lembrou-se do momento em que Cesare fechara as mãos ao redor do seu pescoço, manuseando-a com uma facilidade perturbadora, como se já tivesse feito aquilo inúmeras vezes. Talvez, imaginou, tivesse morrido nos sonhos dele de mais de uma forma — às vezes como prisioneira, às vezes pelas próprias mãos dele.

Cesare não se abalaria facilmente por um único sonho… mas e se fosse um pesadelo recorrente?

Embora parecesse exagero, a possibilidade a intrigava. O homem testemunhara horrores no campo de batalha e, sem dúvida, havia memórias muito mais sombrias assombrando suas noites. Ainda assim, uma certeza incômoda persistia dentro dela — de que sua morte, de alguma forma, o assombrava naqueles sonhos.

Essa certeza era tão clara quanto a primeira vez em que notara as mãos impecáveis dele — sem cicatrizes ou ferimentos, apesar de tudo o que enfrentara. Essa clareza lhe deu coragem para perguntar.

Cesare, porém, não respondeu. Apenas a observou atentamente, como se esperasse que ela continuasse. Sentindo o peso daquele olhar carmesim, Eileen finalmente falou:

— Então… quero dizer, nos seus sonhos, não na vida real. Se fosse real, eu não estaria aqui agora…

O silêncio entre eles era denso, tão pesado que até o tique-taque do relógio de bolso dele parecia ecoar no ambiente. Sob o peso do olhar carmesim, Eileen começou a hesitar, baixando os olhos — até que a voz de Cesare cortou o silêncio, baixa e deliberada.

— E se não fosse apenas um sonho?

Por um breve instante, seus pensamentos paralisaram. Cesare guardou o relógio de volta no bolso do casaco e então abriu os braços. Sem pensar, Eileen entrou em seu abraço, como se atraída por alguma força invisível. Suas mãos enluvadas estavam frias contra a pele dela enquanto ele gentilmente segurava seu rosto. A proximidade era ao mesmo tempo reconfortante e perturbadora, e ela inspirou bruscamente, os lábios se abrindo em um suspiro surpreso.

O rosto de Cesare se aproximou, e em seus olhos vermelhos, Eileen viu algo sombrio e brincalhão cintilar — um brilho inquietante que a prendeu com uma intensidade difícil de decifrar.

— E se… tudo o que eu disse a você, tudo o que vivenciou, fosse real?

As mãos dele deslizaram lentamente até sua garganta, envolvendo seu pescoço, os polegares pressionando de leve contra a pele. Não era forte o suficiente para sufocá-la, mas ela sentiu o ar prender no peito, o peso de suas palavras espalhando como uma sombra.

A voz de Cesare, baixa e calma, preencheu o espaço entre eles:

 

— E se eu já vi sua cabeça cair na guilhotina? Ou… —  Seu aperto ficou um pouco mais firme, o suficiente para fazê-la prender a respiração. — E se eu a estrangulei com minhas próprias mãos?

Mesmo com a respiração acelerada, as mãos dele permaneceram firmes em sua garganta. Seu rosto se aproximou ainda mais, tão perto que ela podia sentir o hálito dele tocar seus lábios.

— Se eu mesmo a matei, — murmurou ele, suas palavras pairando sobre a pele dela.

Os cílios de Eileen tremeram enquanto ela lutava para se estabilizar. O corpo tremia, e cada instinto gritava para ela se afastar, para correr. Mas ela se obrigou a se concentrar na questão em pauta, lutando para encontrar a resposta certa. Não tinha como saber o que Cesare queria ouvir, então escolheu a honestidade.

— Eu acho… que gostaria de saber por que você passou por tais coisas.

Ela respirou fundo, inalando o cheiro que o envolvia — uma mistura de pólvora, colônia e um leve traço de sangue. Aquilo deveria perturbá-la, mas estranhamente a acalmava. Suas mãos, ainda trêmulas, seguraram de leve a manga dele, ancorando-se no momento.

Sua voz era suave, mas firme ao continuar: 

— Eu descobriria a causa para que você nunca precisasse passar por isso de novo.

Queria afastar qualquer dor que o assombrasse — fosse nascida de sonhos, da realidade ou de algo mais sombrio que ainda não compreendia. Não importava a forma, ela queria libertá-lo disso.

Os lábios de Cesare se curvaram num sorriso torto antes dele cravar a boca contra a dela. O beijo não tinha nada da habitual suavidade; era bruto, faminto, como se ele tentasse devorá-la. Eileen quis fechar os olhos, mas o olhar vermelho ardente fixo nela a manteve presa.

Seus lábios e língua arderam enquanto os dentes dele mordiscavam sem piedade. Só quando ele se afastou percebeu que seus lábios pulsavam, marcados por leves mordidinhas.

Cesare passou a língua pelos próprios lábios, sorrindo de lado ao vê-la ofegante, o rosto corado. Estendeu a mão e tocou seus lábios inchados com os dedos enluvados, enviando um arrepio por sua espinha.

Sem soltá-la, Cesare envolveu-a em seus braços, o toque inesperadamente gentil enquanto alisava os fios desalinhados de seu cabelo. O hálito quente roçou sua orelha quando murmurou, com intensidade sombria:

— É por isso, Eileen… que você é meu pesadelo.

As palavras atravessaram seu peito, congelando-a no lugar, seu peso frio se assentando fundo em seu coração.

— Se eu fiz qualquer coisa, mesmo que só um pouco, para te fazer sofrer… — ela gaguejou, a voz trêmula enquanto tentava encontrar as palavras.

Sua mente ficou em branco de medo, deixando-a gaguejando sem jeito:

— Me diga, e eu… eu vou mudar…

Mas ele a silenciou com outro beijo feroz, suas mãos explorando enquanto seu aperto se fechava sobre o peito dela. Ela gemeu, mas o som foi engolido por ele, seus dedos habilmente encontrando pontos sensíveis através da roupa.

Sua cabeça girava, e ela lutava para manter a lucidez enquanto ofegava:

— Cesare, por favor… só um momento…

O homem era implacável, mãos habilmente afrouxando os cordões de seu vestido. Sua roupa escorregou, e antes que percebesse, seus ombros e seios estavam expostos ao seu olhar faminto.

Sobressaltada, Eileen encontrou os olhos de Cesare, arregalados de choque. Ele enterrou o rosto contra sua pele, beijando e mordiscando como se estivesse marcando cada centímetro dela. Seus dentes roçaram a pele macia do pescoço, enviando ondas de eletricidade através dela enquanto ele deixava marcas avermelhadas em sua pele pálida.

Finalmente, o homem se afastou, sua respiração pesada enquanto olhava para ela, sua expressão ilegível. Apoiando a cabeça contra o peito dela, uma calma pareceu tomar conta dele, sua intensidade inicial dando lugar a uma quietude cansada. Após um longo silêncio, ele falou:

— Eileen…

— Sim…?

— Eileen…

Ele repetiu seu nome como uma oração, e ela respondeu suavemente todas às vezes.

Por fim, sussurrou:

— Chamar você de pesadelo… foi um erro.

Ela prendeu a respiração.

— Mas não se preocupe, Eileen, — murmurou, a voz quase inaudível enquanto encontrava o olhar dela. — Desta vez, será diferente.

Continua…

Tradução: Elisa Erzet 

Ler O Marido Malvado(Novel) Yaoi Mangá Online

Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
 
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
 

 
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
 
 

 
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
 

Sinopse 

Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage 
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui

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