Ler O Marido Malvado(Novel) – Capítulo 120 Online

Modo Claro

Luke piscou, lutando para processar às palavras “minha esposa” que acabara de sair da boca do Arquiduque.

Sabia que o nome da Arquiduquesa Erzet era Eileen, mas tinha descartado a coincidência, assumindo que fosse um nome comum. Afinal, Eileen não era a única — poderiam facilmente existir outras com o mesmo nome.

A ideia de que a Arquiduquesa — a elegante e poderosa Senhora Erzet — e a humilde farmacêutica pobre que vendia pequenos remédios no segundo andar de uma estalagem decadente fossem a mesma pessoa parecia completamente absurda.

Luke recordou-se da foto do casal que vislumbrara no jornal — o famoso e impressionante Arquiduque Erzet e sua igualmente deslumbrante esposa, que parecia a parceira perfeita para ele. Ele havia zombado da admiração que outros demonstravam pela beleza da Arquiduquesa, desprezando as histórias que a pintavam como uma fada ou um lírio. E, no entanto, ali diante dele estava a própria Eileen que ele conhecia, embora sob uma luz totalmente diferente.

Ainda incrédulo, observou Eileen enquanto ela, ansiosamente, afastava a franja para o lado e removia cuidadosamente seus óculos. Quando seu rosto ficou totalmente visível, seus olhos se arregalaram em choque. Sua boca abriu e fechou silenciosamente, como se lutasse para formar palavras. Então, sem aviso, ele caiu de joelhos na rua suja e lotada, seu monóculo escapando do olho, mas passando despercebido em sua pressa.

— Eu… eu imploro seu perdão… — ele tremia, curvado como se estivesse ajoelhado no frio do inverno. Eileen ficou imóvel, assustada com a demonstração súbita e dramática.

Em retrospecto, a reação de Luke era compreensível. Ele insultara a Arquiduquesa, pronunciado seu nome casualmente e ousado acusá-la de ações desonrosas — tudo na presença do próprio Arquiduque. Para Luke, um humilde relojoeiro, estas eram transgressões impensáveis.

Cesare olhou para o homem ajoelhado a seus pés com a indiferença fria e distante de alguém que já testemunhara esse tipo de cena muitas vezes antes.

Ao ver a expressão imperturbável do marido, Eileen sentiu uma pontada desconfortável de compaixão por Luke — e uma crescente sensação de impotência. Abriu a boca para intervir, mas o braço firme de Cesare ao redor de sua cintura a manteve imóvel. Era como se o simples ato de dar um passo à frente estivesse agora além de seu controle.

Ela encarou Cesare, o olhar suplicante, sem saber como expressar o que sentia. O homem encontrou seu olhar, plenamente consciente de suas intenções, mas deliberadamente fingiu não entender.

Com a mão pousada no braço dele, Eileen perguntou suavemente:

— Você não pode perdoá-lo?

A resposta de Cesare foi breve e direta:

— Por quê?

Ela tinha vários motivos: Luke tinha sido um cliente leal, os acontecimentos de agora nasceram de um mal-entendido, e ele certamente não teve intenção de causar dano. Mas Cesare provavelmente estava ciente de tudo isso. Afinal, o homem sabia quase tudo sobre ela. Se ainda assim perguntava, significava que queria ouvir algo mais específico.

Eileen forçou a mente, procurando as palavras certas — aquelas que pudessem tocá-lo, as que pareciam surtir efeito sobre ele. Lembrou-se dos momentos em que o vira sorrir, das palavras que o faziam hesitar e suavizar a expressão. Finalmente, encontrou a frase certa. Segurando sua mão, o encarou e disse:

— É um pedido da sua esposa.

Os olhos de Cesare se arregalaram de surpresa antes que ele soltasse uma gargalhada suave. Sua risada incomum ecoou pela multidão, atraindo alguns olhares curiosos, mas para Eileen, era exatamente a resposta que ela esperava. Havia uma satisfação silenciosa em saber que escolhera a resposta perfeita.

— Um pedido da minha esposa… como eu poderia recusar? — disse com um sorriso doce, a voz baixa e carinhosa.

Ainda com aquele leve sorriso nos lábios, voltou a atenção para Luke, que parecia ter envelhecido anos em questão de minutos.

— Seja mais cuidadoso no futuro.

Eileen sentiu o braço de Cesare finalmente afrouxar e, sem hesitar, apressou-se até Luke, que permanecia ajoelhado na rua.

— Luke…

Lembrando-se de que ele tinha problemas nos joelhos, Eileen ficou ainda mais preocupada ao vê-lo ajoelhado sobre a pedra fria. Instintivamente, estendeu a mão para ajudá-lo, mas Luke, com surpreendente determinação, levantou-se sozinho. Curvou-se repetidamente, murmurando agradecimentos por ter sido poupado. Suas palavras, embora respeitosas, deixaram em Eileen um peso inesperado. Ela percebeu que, depois daquele dia, provavelmente nunca mais conversariam com a mesma liberdade.

Quando os agradecimentos dele diminuíram, Eileen perguntou em voz baixa:

— Suas dores de cabeça… melhoraram?

A pergunta pareceu fazê-lo voltar à realidade. Ele piscou, olhando para ela como se a visse pela primeira vez. Eileen hesitou, mas continuou suavemente: 

— Continuarei deixando o remédio com o estalajadeiro, então você ainda pode pegá-lo lá. Me avise se algo piorar. Ah, e obrigada novamente por ajudar com o presente do relógio. E…

Ela queria dizer mais — confortá-lo, tranquilizá-lo — mas não encontrou as palavras. Em vez disso, conteve as emoções e ofereceu uma despedida simples.

— Obrigada.

Os olhos de Luke brilharam com lágrimas, que se acumularam nos cantos, sua voz mal passava de um sussurro:

 — Não, eu que agradeço, minha senhora.

Eileen rapidamente lhe entregou seu lenço, que ele aceitou com gratidão, enxugando os olhos como uma criança. Queria permanecer ao lado dele até as lágrimas cessarem, mas o peso dos olhares ao redor era demais. A multidão vigilante, os espectadores curiosos, eram muitos.

Com o coração pesado, Eileen se afastou e voltou para Cesare. Ele a esperava com um sorriso tranquilo, sua presença oferecendo um contraste reconfortante à tempestade emocional que ela acabara de enfrentar. Sem dizer uma palavra, tomou naturalmente a mão dela quando se aproximou.

Sob o peso de tantos olhares, Eileen sentiu novamente a realidade de sua posição se impor — agora era a Arquiduquesa Erzet. O peso dessa verdade pressionava seu peito, misturando-se a uma sensação silenciosa de perda que ela não sabia como conciliar.

Cesare dispersou rapidamente a multidão aglomerada do lado de fora da farmácia com sua eficiência característica: simplesmente se ofereceu para fornecer o medicamento gratuitamente. Anunciou que qualquer um que não tivesse recebido sua dose naquele dia poderia voltar no dia seguinte para buscá-la. 

— É um presente do próprio Arquiduque — disse ele, sorrindo calorosamente.

As pessoas, encantadas por ver o casal pessoalmente, aceitaram o gesto com gratidão e se dispersaram sem reclamar.

Quando a rua finalmente se acalmou, soldados tomaram posição ao redor da área, permanecendo vigilantes enquanto Cesare e Eileen entravam na farmácia para explorar.

Eileen olhou ao redor, maravilhada. As prateleiras estavam quase vazias, mas só o espaço já era suficiente para deixá-la impressionada.

‘Esta é a minha farmácia’, — pensou, o coração se enchendo ao observar o ambiente. 

A decoração clara e convidativa lembrava mais uma boutique de luxo do que uma humilde dispensário, especialmente com o brasão da família Erzet, orgulhosamente exibido nas paredes.

Apesar do ambiente opulento, os remédios tinham preços acessíveis ao cidadão comum. As pessoas podiam entrar, comprar um frasco por um valor justo e sair com a sensação de terem adquirido algo elegante e refinado.

‘Os frascos de vidro resistente também podem ser reutilizados’, — refletiu, admirando as prateleiras de bordo polido que revestiam as paredes. 

Naquele momento, ouviu o clique suave de Cesare abrindo seu relógio de bolso.

— Foi aquele relojoeiro que vendeu ele, não foi? — perguntou ele, examinando o relógio que Eileen lhe dera com uma expressão de genuíno apreço.

A surpresa de Eileen era clara em seu rosto, e Cesare notou, dando-lhe um olhar brincalhão.

— Você achou que eu o tivesse jogado fora?

— Não é isso… Eu só não esperava que você o carregasse consigo.

— Você disse que era um presente precioso, não foi, Eileen?

Ao ouvir isso, ela se lembrou da conversa entre eles.

“Uma vez, eu tive um relógio exatamente como este. Era uma lembrança de um condenado.”

Naquela época, suas palavras pareceram enigmáticas. Mas agora, Eileen sentia uma estranha sensação de compreensão.

Ela não poderia explicar o porquê — mas estava ali.

Apesar do desprezo de Cesare por qualquer coisa não científica, Eileen não conseguiu conter a pergunta. Hesitou, mas as palavras escaparam.

— Por acaso…

Os olhos carmesim do homem se fixaram nos dela. Seu olhar era firme, indecifrável, como se estivesse esperando por algo — esperando que ela dissesse exatamente o que estava em sua mente.

Eileen não tinha certeza do que ele esperava ouvir, mas sabia que sua pergunta soaria absurda. Mesmo assim, não conseguiu evitar.

— Eu… já morri antes?

Continua…

Tradução: Elisa Erzet 

Ler O Marido Malvado(Novel) Yaoi Mangá Online

Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
 
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
 

 
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
 
 

 
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
 

Sinopse 

Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage 
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui

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