Ler O Marido Malvado(Novel) – Capítulo 118 Online

Modo Claro

Cesare raramente falava sobre sua vida pessoal, então Eileen nunca o ouvira mencionar a mãe.

Tudo o que sabia eram as histórias amplamente conhecidas: que sua mãe havia chamado a atenção do antigo imperador, tivera gêmeos, era profundamente supersticiosa e, por fim, tirara a própria vida. Nunca pensara em perguntar a Cesare sobre o assunto; o tema parecia doloroso demais, e ela temia que mesmo mencioná-lo pudesse magoá-lo.

Enquanto Eileen estava sendo excessivamente cautelosa, Leone, o irmão gêmeo de Cesare, mostrava-se surpreendentemente aberto sobre a mãe deles. Vê-lo falar com tanta naturalidade sobre um tema tão sensível deixou Eileen sem saber como reagir, então ela escolheu suas palavras com cuidado.

— Não ouvi nada específico.

— Como eu suspeitava, —disse Leone, acelerando levemente o passo. 

Eileen precisou acompanhar seu ritmo, olhando para trás para ver Diego e Michelle seguindo a uma distância respeitosa. Suas expressões eram indecifráveis, mas seus olhares atentos sugeriam que estavam em alerta máximo. Eileen achou que a vigilância parecia excessiva, considerando que Leone era o irmão gêmeo de Cesare e superior deles. Ela não conseguia imaginá-lo fazendo qualquer coisa para machucá-la, mas os cavaleiros permaneciam cautelosos.

‘Por outro lado, esta é uma maneira estranha de encontrá-lo.’

Era realmente estranho — encontrar o Imperador não no palácio ou na propriedade Erzet, mas inesperadamente na rua.

‘Talvez… não tenha sido coincidência afinal.’

Exatamente quando Eileen chegou a essa conclusão, Leone confirmou com suas próximas palavras.

— Peço desculpas por tê-la assustado. Venho querendo falar com você em particular há algum tempo, mas nunca houve oportunidade. Como sabe, dificilmente conseguimos evitar chamar atenção onde quer que vamos. Se quiséssemos nos encontrar sem que ninguém soubesse, esta era a única maneira.

Leone conduziu Eileen por uma rua mais quieta e isolada, longe da agitação de Venue. A estrada era irregular, cercada por muros desgastados e edifícios que claramente tinham visto dias melhores. Ninguém suspeitaria que as duas pessoas caminhando ali eram o Imperador e a Arquiduquesa.

Após um tempo, Leone falou novamente, com voz casual, porém investigativa:

— Cesare tirou uma pena da casa do Duque Farbellini — uma pena de leão. Ouvi dizer que ele a deu a você de presente.

Eileen recordou-se da grande pena dourada que Senon lhe trouxera. Na época, estava preocupada com outras questões e não agradecera devidamente a Cesare por isso. Embora tenha considerado o objeto valioso ao vê-lo pela primeira vez na redoma de vidro, acabou sendo esquecido em meio a tudo aos acontecimentos. Provavelmente ainda estava guardado em algum lugar seguro.

‘Mas veio da casa do Duque Farbellini?’

A relação entre Cesare e o Duque não era exatamente amigável, então era improvável que o Duque tivesse se desfeito dela voluntariamente. Cesare deve tê-la tomado à força. Eileen lembrou-se da visita de Ornella, quando ela a confrontou com raiva sobre algo, e seu coração se apertou.

 

Por que Cesare iria a tais extremos, invadindo a propriedade do Duque no meio da noite apenas para pegar a pena? E por que dera a ela?

Leone observava atentamente a reação de Eileen. Ela percebeu seu olhar vigilante, mas teve dificuldade em controlar a própria expressão.

— Dizem que essa pena vem de um leão alado,— ele explicou, tom firme.

O leão alado era uma criatura mítica das lendas fundadoras do império, algo que pertencia aos textos antigos. Eileen piscou rapidamente ao ouvir menção a uma história tão fantasiosa, e Leone continuou.

— Você pode não saber, mas nossa mãe era bastante infantil. Acreditava em astrologia, adivinhação e todo tipo de superstição. Isso causou grandes dificuldades para Cesare e eu quando crianças. Por isso, ambos crescemos detestando qualquer coisa não científica ou irracional.

— …

— Para Cesare se interessar por uma suposta pena de uma criatura lendária — cuja autenticidade é, no mínimo, duvidosa — não faz sentido algum, não concorda?

O coração de Eileen se apertou. Ela já tinha adivinhado o motivo de Leone tê-la procurado.

— Talvez eu deva perguntar se foi a seu pedido, — disse Leone, a voz calma, mas sondadora. — É claro que Cesare não me daria uma resposta adequada se eu perguntasse a ele.

— E-Eu não sabia. Ele simplesmente me deu de presente… Não fazia ideia do que era.

Eileen gaguejou, atrapalhando-se com as palavras. Leone parou de andar subitamente. O tecido de sua veste, que balançava com seu passo, ficou imóvel. Seu olhar fixou-se intensamente no rosto de Eileen. Tentando acompanhá-lo, só então percebeu seu olhar e engoliu em seco.

Percebendo sua tensão, o imperador suavizou o tom, quase de maneira reconfortante.

— A filha do Duque Farbellini é minha noiva. Portanto, é uma situação delicada para mim.

Eileen congelou, incapaz de responder. O silêncio se estendeu entre eles enquanto Leone soltava uma risada baixa e sem graça.

— Ah, entendi. Talvez eu esteja interrogando-a demais. Devo deixar a Arquiduquesa ir.

Ele apontou para o fim da rua, indicando que se separariam ao chegarem à via principal. Leone recomeçou a andar, desta vez mais devagar, facilitando para Eileen acompanhá-lo.

Eileen debateu internamente se deveria convidar Leone a continuar a conversa, mas antes que pudesse decidir, o imperador apertou suavemente a mão dela — a que segurava para conduzi-la — e então a soltou de maneira brincalhona.

— Eu não planejava ter uma conversa longa de qualquer forma. E, além disso, parece que seus cavaleiros não permitiriam, — comentou Leone com uma leve risada.

Então perguntou, aparentemente casual: 

— Você sabe o que a palavra “Imperator” — como é frequentemente chamado — significava originalmente?

Embora falasse em tom de brincadeira, Eileen sentiu como se uma lâmina fria perfurasse seu peito.

— Acredito que significava “comandante supremo”, — respondeu hesitante.

— Sim, o comandante do exército era o Imperador, então o termo tornou-se sinônimo do cargo. Embora, claro, hoje não seja mais bem assim.

O homem continuava sorrindo, mas Eileen não conseguiu retribuir. As palavras dele soaram como uma crítica velada, como se insinuasse que os cavaleiros de Cesare não o reconhecesse como Imperador.

Quando a expressão de Eileen voltou a se fechar, Leone inclinou levemente a cabeça, intrigado com sua reação.

— Não precisa levar tão a sério. Foi apenas uma piada,— assegurou ele, mas sua ansiedade persistia.

 Ela gaguejou uma resposta:

— E-Eu sinto muito. Fiquei preocupada em ter cometido um erro…

— Não há necessidade de se desculpar. Mas me diga, por que está vestida assim hoje? Foi para manter seu passeio em segredo? Com certeza é eficaz — ninguém imaginaria que você é a Arquiduquesa desse jeito. Você não se veste sempre assim, não é?

— Não, normalmente nã—

— Eu não imaginava que meu irmão fosse do tipo que se importasse com as roupas da Arquiduquesa.

Uma nova voz interrompeu Eileen no meio da frase. Ela e Leone se viraram para o fim da rua, onde Cesare estava, adentrando o beco.

Embora impecavelmente vestido em seu uniforme, o ambiente sujo e desgastado ao redor parecia combinar estranhamente com ele. Seus olhos vermelhos e afiados fixaram-se nos de Leone.

— Há algum motivo para vocês dois se encontrarem em segredo? Seria mais suspeito se alguém descobrisse.

Sem esperar resposta, Cesare segurou gentilmente o braço de Eileen, puxando-a para perto. Em um movimento rápido, ela deixou de estar ao lado de Leone para estar envolvida no abraço protetor de Cesare.

— Não acha, irmão?— perguntou Cesare, a voz fria e direta. Leone soltou uma risada resignada.

— É exatamente por isso.

Leone balançou a cabeça com um sorriso exasperado.

— Você torna impossível ter uma conversa adequada. Não tenho escolha a não ser recorrer a métodos como este.

Ainda envolvida pelos braços de Cesare, Eileen observou enquanto o homem encarava o imperador em silêncio. Leone não se esquivou do olhar prolongado, aguardando pacientemente. Foi então que finalmente quebrou o silêncio.

— Nem mesmo seus cavaleiros confiam em mim, Cesare. — Leone sorriu suavemente, como se o que estivesse prestes a dizer fosse algum tipo de piada absurda. — É estranho. Quase como se… você me considerasse um inimigo.

Sua voz, calma e controlada, carregava uma gravidade silenciosa.

Continua…

Tradução: Elisa Erzet 

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Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
 
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
 

 
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
 
 

 
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
 

Sinopse 

Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage 
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui

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