Ler O Marido Malvado(Novel) – Capítulo 115 Online

Modo Claro

A declaração de Cesare foi nada menos que arrogante. Afinal, tratava-se de um medicamento criado por uma Arquiduquesa sem experiência formal como farmacêutica, e ainda havia dúvidas sobre sua eficácia. Afirmar que seria lembrado na história do império era ousado, até presunçoso.

Ainda assim, naquele momento, todos os presentes realmente acreditaram que a Aspiria entraria para a história. A confiança de Cesare era tão avassaladora que parecia estar narrando um futuro inevitável, e não fazendo uma previsão.

Enquanto os repórteres permaneciam paralisados, tentando processar suas palavras, Cesare passou calmamente por eles. Nenhum dos jornalistas conseguiu detê-lo ou fazer outra pergunta. Foi somente depois que ele entrou no edifício do parlamento que despertaram do torpor, percebendo o que havia acabado de acontecer.

Cesare nunca havia respondido diretamente a uma pergunta de repórter antes. Suas declarações normalmente eram divulgadas pelo palácio real ou pelo jornal La Verità, tornando esta a primeira vez que respondia pessoalmente. Desesperados para serem os primeiros a noticiar suas palavras históricas, os jornalistas começaram a redigir seus artigos ali mesmo.

Enquanto o caos reinava do lado de fora, a cena dentro do edifício do parlamento não era menos tumultuada. Senadores e membros da assembleia, todos reunidos para a sessão do dia, aglomeraram-se para cumprimentar Cesare.

Tratava-se de uma sessão conjunta das câmaras alta e baixa — uma reunião extraordinariamente grande. Com tantas pessoas ao redor de Cesare, o ambiente tornou-se barulhento e desordenado, semelhante à cena lá fora com os repórteres.

— Vossa Graça, espero que tenha estado bem! Faz tempo desde nosso último encontro em Natalio…

— Arquiduque, mais uma vez parabéns pela vitória! Esperei por esta oportunidade para lhe oferecer meus cumprimentos pessoalmente.

— Vossa Graça, lembra-se de quando nos encontramos no palácio…

Os nobres, ansiosos por atrair a atenção de Cesare, aglomeravam-se ao redor dele, tentando iniciar conversas. O homem lidou com suas investidas com educação, mas manteve os olhos examinando o salão. Ao longe, avistou o Conde Domenico conversando com o Duque Farbellini, enquanto um nobre idoso permanecia por perto.

Aquele nobre idoso era o Conde Bonaparte, o mesmo que havia proposto a pauta de hoje para reduzir o orçamento militar. Bonaparte também estava entre os primeiros aristocratas a estabelecer laços com a família real de Kalpen durante negociações políticas anteriores.

Sentindo o olhar de Cesare, o Conde Bonaparte virou a cabeça. Quando seus olhos se encontraram, o velho nobre estremeceu. Cesare, observando-o atentamente, lambendo os lábios por um momento.

Havia momentos em que Cesare sentia o impulso de agir como no passado — reunir todos em um só lugar e mandar cortar suas cabeças. Mas ele sabia que era melhor não ceder a tais impulsos; há muito dominara a arte da contenção.

Com o fim da guerra, reduzir o orçamento militar era natural. No entanto, era inaceitável que o parlamento tomasse essa decisão unilateralmente.

Como membro da família imperial, Cesare tecnicamente não podia participar dos procedimentos parlamentares. No entanto, hoje ele compareceu como Comandante-Chefe do Exército Imperial, determinado a impedir o corte orçamentário.

— Vossa Graça, o Arquiduque Erzet, —soou uma voz por perto.

Diferentemente do Duque Farbellini, que ignorava a presença de Cesare, tanto o Conde Bonaparte quanto o Conde Domenico aproximaram-se para cumprimentá-lo. Domenico parecia especialmente ansioso, lançando olhares nervosos a Cesare, como se estivesse pronto para agir a qualquer momento.

Embora ainda não fosse de conhecimento público, Domenico havia se tornado um apoiador leal de Eileen, a Arquiduquesa. Hoje, parecia que ele se preparara para agir como seu servo fiel na sessão parlamentar, embora Cesare não tivesse intenção de convocá-lo ainda. Domenico era uma ferramenta para o benefício de Eileen, e Cesare já possuía muitas pessoas sob seu próprio controle.

— Somos gratos por seu esforço em comparecer hoje, — disse o Conde Bonaparte, seu sorriso sutil carregado de condescendência.

Domenico, ao lado, franziu levemente a testa diante do tom. Cesare, porém, permaneceu imperturbável, aceitando a saudação com serenidade.

— Sou eu quem deve agradecer, Conde. Afinal, é por sua causa que estou aqui hoje.

Cesare aproximou-se de Bonaparte, sua figura alta e imponente projetando uma sombra sobre o homem mais velho e exalando uma ameaça silenciosa, mas inconfundível.

Seus intensos olhos vermelhos fixaram-se nos de Bonaparte, causando um tremor na face magra do conde. Os lábios de Cesare se curvaram em um sorriso torto enquanto continuava a observá-lo. Embora Bonaparte reconhecesse ali um sorriso de desprezo, se viu momentaneamente cativado por ele.

— Esta reunião é para aqueles que aprovaram meu arco do triunfo, não é? — disse Cesare, seu tom aparentemente casual.

— …!

O desconforto do Conde Bonaparte era evidente; seu rosto se contorceu em respostas. Cesare estendeu a mão dando um tapinha no ombro do homem mais velho, como se encorajasse um subordinado.

— Estou ansioso para ver o que o senhor realizará hoje, Conde, — declarou, com palavras carregadas de implicação.

Eileen havia garantido uma promessa de Cesare para um dia inteiro juntos. A princípio, pareceu a ideia perfeita, mas agora que o dia estava confirmado, uma onda de incerteza tomou conta. Começou a se preocupar sobre como aproveitar melhor o tempo que Cesare lhe oferecera. Não era tempo suficiente para viajar para longe, mas passar o dia inteiro dentro da mansão parecia desperdício.

Embora apenas estar com Cesare já a deixasse feliz, queria aproveitar ao máximo o tempo que tinham. Além disso, desejava garantir que ele também desfrutasse do dia. O desafio era que o homem raramente expressava preferências claras, dificultando para Eileen entender o que realmente lhe agradava.

Apesar de refletir interminavelmente, não conseguiu elaborar o plano perfeito. A única decisão tomada foi pedir que passassem o dia juntos após o festival de caça.

Hoje, ao ler o jornal mais recente, no entanto, Eileen se viu fervendo de indignação silenciosamente.

[Parlamento Pede Cortes no Orçamento Militar: Traon é agora o Império do Arquiduque?]

Eileen pressionou os lábios e pousou o jornal com um pequeno baque. A insinuação de que o império pertencia exclusivamente ao Arquiduque era absurda. Se o jornalista que escrevera o artigo estivesse diante dela, talvez exigisse uma explicação.

— Não deixe que isso a perturbe, — disse Senon gentilmente, notando seu rosto avermelhado.

— Mas, senhor Senon…— começou Eileen.

— Eu entendo como se sente, — respondeu ele, adotando uma expressão de frustração para acompanhar a dela. Apontou para o jornal enquanto falava, seu tom acelerando.

— Depois de todos os sacrifícios feitos durante a guerra, eles nos tratam como descartáveis. Mal retornamos e já querem cortar o orçamento. Não percebem o quanto ainda devemos pagar em compensação aos soldados feridos e aos que estão se aposentando do serviço? Sua Graça só pode fazer o máximo com seus próprios recursos! Tivemos que sobreviver com uma lata de mantimento por três dias durante a guerra!

Percebendo que se exaltara demais, Senon pigarreou e concluiu: —Enfim, é assim que as coisas são..

Eileen sentiu uma onda de calma após o desabafo apaixonado de Senon em seu nome. Ela assentiu, e quando notou que seu humor havia melhorado, ele sorriu amplamente.

— Na verdade, minha senhora, o motivo de ter vindo vê-la hoje é que imaginei que talvez quisesse visitar a farmácia para ver como Aspiria está se saindo.

Os olhos de Eileen se arregalaram. Ela ouvira que o medicamento estava vendendo bem, mas não tinha plena noção da extensão do sucesso. A sugestão de visitar uma farmácia tornava tudo real.

— Acha que devo ir?— perguntou, hesitante.

— Com certeza. Sua Graça até sugeriu que visse com seus próprios olhos. Mas precisamos ser discretos — as multidões diante das farmácias têm sido grandes, então o melhor seria ir disfarçada.

Senon sugeriu usar um manto com capuz para esconder sua identidade, mas Eileen silenciosamente abriu uma gaveta e retirou seus antigos óculos. Deixou a franja cair sobre a testa para completar o visual.

— Como estou?— perguntou.

Senon levantou o polegar. — Perfeita.

Os dois pegaram uma carruagem até a Rua Benieu para evitar chamar atenção. Quando chegaram, Eileen ficou surpresa com a cena diante de si. Uma longa fila de pessoas se estendia pela rua.

Precisamos formar fila aqui! Este é o fim!— gritavam funcionários da farmácia segurando placas, tentando organizar a multidão.

— Toda essa gente… — murmurou Eileen.

— Sim, estão todos aqui para comprar o remédio, — respondeu Senon.

Era difícil acreditar que tantas pessoas aguardavam para comprar a Aspiria. Seus olhos se arregalaram enquanto tentava absorver a cena. Nesse momento, vários veículos militares pararam diante da fila. Soldados desceram rapidamente e ocuparam seus lugares no final, movendo-se com eficiência treinada.

Mas não era só isso. Outro veículo chegou, e desta vez, homens altos e uma mulher emergiram — os cavaleiros do Arquiduque.

— Nossa, que porra é essa… Michelle murmurou entre dentes enquanto examinava a longa fila. Deixando Diego e Lotan para trás, ela correu até o fim da fila, lançando olhares ferozes para os soldados à sua frente.

— Ei! Comprem apenas um frasco cada, entenderam? Quem for pego comprando dois vai se ver comigo! Vejo que todos vocês sabem como o medicamento da minha senhora é bom, hein!

Enquanto gritava com os soldados, Michelle olhou para trás para verificar Diego e Lotan, mas em vez disso, seus olhos encontraram os de outra pessoa — Eileen.

Os olhos de Michelle se arregalaram, e ela engoliu em seco.

— Minha senhora…?

(Elisa: Eileen me lembrou do Superman disfarçado de Clark Kent, como se os óculos e a franja disfarçassem algo .  Michelle a mais boca suja dos 4 )

Continua …

Tradução: Elisa Erzet 

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Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
 
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
 

 
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
 
 

 
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
 

Sinopse 

Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage 
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui

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