Ler O Marido Malvado(Novel) – Capítulo 111 Online

Modo Claro

Os olhos de Eileen se encheram ainda mais de lágrimas ao ouvir a voz familiar de Cesare. Como não poderia adorar o príncipe que estava disposto a ficar na chuva com ela simplesmente porque ela tinha se molhado?

Queria chorar abertamente, mas se conteve. Já estava encharcada, e chorar agora só a faria parecer ainda mais desgrenhada.

Quando ela chamou baixinho, “Vossa Graça” —  Cesare olhou para baixo, na direção dela. Embora a árvore oferecesse abrigo suficiente para Eileen, parecia um pouco apertada para Cesare, cuja estrutura alta quase roçava os galhos.

Eileen o encarou por um instante antes de desviar rapidamente o olhar. Apesar de ambos estarem ensopados, Cesare parecia intocado pela melancolia da chuva, irradiando calor e luz, enquanto ela se sentia completamente miserável em comparação.

Embora tivesse economizado o bastante para comprar roupas novas para aquela visita, seus sapatos eram velhos e gastos, agora ainda piores com a chuva, manchas se espalhando por eles como marcas de abandono.

‘Quem dera eu pudesse estar um pouco mais apresentável,’ — ela pensou, escondendo quietamente os pés sob a saia.

“Você encontrou os cavaleiros, pelo que soube,” — Cesare disse casualmente, como se estivesse perguntando sobre seu bem-estar.

Eileen se sobressaltou com o comentário. Embora tivesse evitado Cesare, não se afastara completamente de seus cavaleiros leais. Eles a conheciam desde a infância e ainda a tratavam com carinho. Quando ela deixou a universidade e voltou à capital, compartilharam sua decepção, com o coração partido por ela.

Sendo filha única, Eileen sempre os considerou como irmãos e irmãs mais velhos. Nunca ousara expressar esses sentimentos em voz alta, temendo parecer presunçosa, mas em segredo valorizava profundamente aquele vínculo.

Foi por isso que não conseguiu recusar quando Diego a convidou para jantar.

A casa de Diego era um lugar que Eileen adorava. Era repleta de bugigangas e bonecas encantadoras que criavam uma atmosfera acolhedora e confortável. Sempre que visitava, sentia uma sensação de calor e pertencimento. Naquela noite, os cinco riram e compartilharam uma refeição juntos, permitindo que Eileen esquecesse suas preocupações e mergulhasse na alegria da companhia, ainda que por pouco tempo.

Mas agora, com Cesare trazendo o assunto à tona, se sentia sem graça e hesitante em responder com sinceridade. Olhou para ele, tentando avaliar seu humor.

“Sim, eles gentilmente me convidaram para jantar.”  —  disse, o tom incerto, como se temesse que ele pudesse se sentir excluído. 

Ela sabia que Cesare não era do tipo que se importava com essas coisas, ainda assim um desconforto se instalou em seu estômago.

Cesare percebeu sua hesitação e soltou uma leve risada.

“Se eu a convidasse, não seria um convite; e sim uma ordem.”

Ele tirou do bolso um lenço ainda seco e o entregou a Eileen.

“Então, o que a traz ao palácio hoje?” — perguntou, seu tom curioso, mas leve.

“Minha mãe enviou uma carta para Vossa Alteza. Ela pediu que eu a entregasse, dizendo que espera que o senhor a leia…” 

Eileen deixou a frase no ar, oferecendo a ele a carta ligeiramente úmida.

“Uma carta, é?” — repetiu Cesare, lançando um olhar para a chuva torrencial. 

O que parecia um aguaceiro passageiro agora se transformava em um temporal. Talvez não fosse apenas uma chuva rápida, afinal. Sua voz grave interrompeu os pensamentos de Eileen.

“A Baronesa Elrod continua igual?”

Havia uma estranha frieza em sua voz, um frio inesperado ao perguntar sobre sua antiga ama de leite. Eileen, alheia a tensão oculta em suas palavras, presumiu que o homem apenas perguntava sobre a saúde de sua mãe. Respondeu com sinceridade.

 “Ela está muito melhor esses dias. Até consegue caminhar sozinha. Só queria que ela fosse mais diligente em tomar seus remédio,” — Eileen acrescentou, expressando suas preocupações persistentes sobre a relutância de sua mãe em seguir o tratamento.

Enquanto Eileen falava, Cesare tomou o lenço de volta sem dizer uma palavra. Em seguida, estendeu a mão novamente em sua direção, fazendo Eileen piscar, surpresa. Seus lábios se entreabriram levemente quando Cesare gentilmente retirou seus óculos, limpando as gotas de chuva das lentes com o lenço.

Eileen segurara o lenço sem usá-lo, e agora Cesare limpava seus óculos silenciosamente. O constrangimento inundou seu rosto, tingindo suas bochechas de um vermelho profundo.

Depois de terminar de limpar as lentes, Cesare olhou para ela novamente. Eileen, sem saber o que fazer com sua franja úmida, mexeu nela nervosamente, suas mãos pairando em volta do rosto. Quando seus olhos se encontraram, ela congelou.

Pela primeira vez em muito tempo, sua visão estava clara. Normalmente, era distorcida pelos óculos, mas agora, podia ver os traços de Cesare em detalhes nítidos. Não queria que ele percebesse as lágrimas ainda presentes em seus olhos, mas a visão de seu rosto impressionante lindo tornou impossível desviar o olhar.

Hipnotizada, Eileen se viu encarando-o, seu coração disparado. Um calor estranho começou a se agitar dentro dela, espalhando-se do coração por todo o corpo, preenchendo-a com um sentimento inexplicável.

Ela piscou lentamente, os cílios roçando sua pele molhada. Naquele breve momento, a intensidade do olhar carmesim de Cesare permaneceu fixo nela, inabalável.

Uma única gota de chuva, presa na ponta de sua franja, finalmente caiu. Deslizou por sua bochecha, traçando um caminho até o pescoço e acumulando-se na clavícula. Foi então que, pela primeira vez, Cesare desviou o olhar.

“…”

Era a primeira vez que Cesare reacionava assim. Eileen sempre fora a primeira a desviar do intenso olhar carmesim, então ficou surpresa com a estranheza daquele momento.

Antes que pudesse pensar muito sobre seus pensamentos, Cesare abriu o guarda-chuva e devolveu seus óculos a ela.

“Devemos entrar”—  disse.

Ficar na chuva por muito mais tempo certamente resultaria em um resfriado. Eileen, já sentindo um leve arrepio, aproximou-se silenciosamente sob o guarda-chuva ficando ao lado dele.

Enquanto caminhavam lado a lado, Eileen lutava para acalmar o coração acelerado. Concentrou-se em não tropeçar nos próprios pés, esperando não passar vergonha.

Também temia que seus sentimentos crescentes por Cesare — agora um príncipe plenamente amadurecido — estivessem óbvios demais. Tinha medo de que ele percebesse que ela já não o via como a figura da infância que antes adorava, mas como um homem.

‘Será que o príncipe acha que eu mudei demais?’

Eles não se viam há quase dois anos, desde que Eileen entrara na universidade. Durante esse tempo, ela cresceu de muitas maneiras, amadurecendo tanto física quanto mentalmente à medida que se aproximava da idade adulta. Seu corpo mudara; ela ficara mais alta e deixara a infância para trás.

Claro, Cesare provavelmente já encontrara inúmeras mulheres elegantes e sofisticadas. Para ele, Eileen provavelmente ainda parecia uma garotinha. Ainda assim, não conseguia deixar de desejar, só um pouco, que ele notasse que ela não era mais uma criança, mas alguém prestes a se tornar uma verdadeira adulta.

Uma vez dentro do palácio, Eileen foi auxiliada pelas criadas a trocar suas roupas molhadas. Cesare também foi se trocar, mas antes de sair, mencionou que, se ela pudesse esperar, poderiam jantar juntos.

Eileen pretendia esperar por Cesare, sentindo a textura incomum do vestido luxuoso que pegara emprestado enquanto seguia em direção à sala de estar.

Mas antes que pudesse chegar ao seu destino, um servo — alguém que ela nunca vira antes — parou a sua frente e das criadas. Seu tom era rígido enquanto se dirigia a ela.

“Senhorita Elrod.”

“Sim…?” — respondeu, surpresa.

“O Imperador a convocou.”

Eileen congelou, o coração despencando para o estômago. O servo fazia parte da equipe pessoal do Imperador. A ideia de ser convocada por ele jamais lhe ocorrera. A ansiedade fez suas mãos tremerem.

Não houve tempo para se recompor. O servo, cercado por cavaleiros imperiais, exalava autoridade e instou Eileen a segui-lo. Parecia que ela estava sendo arrastada, mal conseguindo acompanhar enquanto seus pensamentos mergulhavam em caos.

Enquanto caminhava, uma percepção aterrorizante a atingiu — ela poderia estar caminhando para a própria ruína.

Não era segredo que o Imperador Traon favorecia seu quinto filho, Cesare, acima de todos. Tratava-o como o próprio reflexo, cobrindo-o de presentes e elogios. Sempre que Cesare retornava vitorioso da batalha, o Imperador realizava grandes celebrações em sua honra.

Para alguém como Eileen, filha de um simples barão, estar tão próxima do príncipe provavelmente seria um incômodo aos olhos do Imperador. Conhecido por seu temperamento volátil, não seria difícil para ele se livrar de uma garota de uma família nobre menor, tão facilmente quanto se esmaga um inseto.

Seu rosto empalideceu ao imaginar o próprio destino. Ainda assim, apesar do medo que a dominava, a ideia de fugir jamais lhe ocorreu. Tudo o que conseguia pensar era em não trazer desonra a Cesare, mesmo que isso significasse a própria morte.

O servo a conduziu pelo palácio em silêncio, parando finalmente diante de uma porta imponente. Eileen olhou em volta ansiosamente, seu coração acelerado.

Aquela não parecia ser a entrada da câmara de audiências do Imperador. Na verdade, toda a área parecia estranhamente escura e perturbadora.

Parecia íntima demais — inquietantemente semelhante aos aposentos privados do Imperador.

 

Fim do Volume 03

Continua…

Tradução: Elisa Erzet 

Ler O Marido Malvado(Novel) Yaoi Mangá Online

Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
 
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
 

 
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
 
 

 
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
 

Sinopse 

Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage 
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui

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