Ler O Marido Malvado(Novel) – Capítulo 108 Online
Eileen ficou paralisada, ainda segurando o buquê nos braços. O choque foi tão grande que sua mente ficou completamente em branco.
Ela jamais imaginara que ele compareceria ao chá da tarde. Afinal, ninguém sabia melhor do que ela o quão ocupado Cesare era. Inúmeras pessoas em todo o império ansiavam por uma audiência com ele; até mesmo o Imperador precisava aguardar sua vez.
Era difícil acreditar que ele apareceria em uma reunião tão pequena de damas nobres. As mulheres ficaram igualmente surpresas, mudas enquanto encaravam Cesare.
Todos no Império Traon conheciam Cesare, mas pouquíssimos o haviam encontrado de perto. Iniciando como soldado ainda criança, aos dez anos, passara a maior parte da vida nos campos de batalha, raramente permanecendo por muito tempo na capital. Quase não comparecia a eventos sociais, tornando-se uma figura enigmática até mesmo para nobres de mais alta patente..
Era alguém admirado e reverenciado, como o sol — brilhante, porém inalcançável. E, ainda assim, ali estava ele, em um chá de senhoras, segurando um buquê de flores.
Enquanto as nobres permaneciam paralisadas com sua aparição inesperada, Eileen também continuava imóvel, os olhos arregalados de incredulidade. Então, Cesare tocou levemente a ponta de seu nariz com a mão enluvada.
Só então Eileen conseguiu respirar, puxando o ar de forma abrupta. Seu rosto, que já estava corado pelas perguntas anteriores, ficou completamente vermelho.
— E-eu não quis dizer que você estava sendo travesso.
Tentou explicar, mas se viu sem palavras. Eileen apertou o buquê ainda mais forte, o papel de embrulho amassando suavemente.
— Eu só… não quis dizer nada com aquilo. Você não precisa se preocupar…
Cesare riu baixinho e envolveu a cintura de Eileen com o braço. Mantendo-a firme junto a si, voltou-se para as nobres, que observavam o casal com a respiração contida, a tensão evidente.
Seus olhos carmesim eram impressionantemente belíssimos, ao mesmo tempo intimidantes, dificultando que mesmo soldados e políticos experientes mantivessem contato visual por muito tempo. Não era surpresa que as damas encontrassem dificuldade. Percebendo o nervosismo delas, Cesare ofereceu um sorriso gentil, como se quisesse tranquilizá-las.
— Parece que invadi uma reunião de senhoras sem perceber, — comentou, em tom leve.
Uma das nobres se apressou em responder:
— De maneira alguma, Vossa Graça.
Era a mesma dama que antes havia indagado sobre a vida privada do casal ducal. Tendo reunido coragem para falar, ela agora olhava para Eileen com olhos suplicantes. Eileen quase podia ouvir seu pedido não dito: ‘Por favor, deixe-o ficar.’
Naturalmente, Eileen não queria nada mais do que convidá-lo para tomar chá com elas; afinal, não poderia haver presença mais reconfortante do que Cesare. Mas hesitou, preocupada que seu pedido pudesse incomodá-lo, dada sua agenda lotada.
Imersa em pensamentos, não conseguiu fazer o convite de imediato. Observando-a atentamente, Cesare falou novamente:
— Ainda assim, não vim de mãos vazias.
Ao ouvir isso, Sonio surgiu no jardim carregando uma grande caixa de bolo, que colocou cuidadosamente sobre a mesa.
Ao abrir a caixa, as nobres suspiraram como crianças animadas.
Dentro havia um bolo de uma famosa confeitaria da capital, uma de suas mais novas criações. Apenas um era vendido por dia, tornando-o quase impossível de adquirir. Eileen já tinha ouvido falar, mas há muito tinha desistido da ideia de provar um.
‘Cesare não teria esperado na fila pessoalmente por isso.’
A confeitaria certamente preparara um segundo bolo exclusivamente para ele.
‘Isso significa que ele planejava vir ao chá desde o início’. Percebendo isso, sentiu uma onda de confiança percorrê-la. Puxando suavemente a manga de Cesare, perguntou:
— Gostaria de se juntar a nós? Se não estiver muito ocupado, que tal tomar chá conosco? O tempo está lindo, e as damas ficariam encantadas…
Ao lançar um olhar às nobres, elas prontamente se manifestaram, como se aguardassem aquele momento.
— Seria uma honra se Vossa Graça pudesse se juntar a nós, —disse uma apressadamente.
— Por favor, conceda-nos a oportunidade de desfrutar de sua companhia, Vossa Graça, — acrescentou outra.
E assim, o chá da tarde prosseguiu com ninguém menos que o próprio Arquiduque. Os criados rapidamente providenciaram um assento para Cesare.
No meio das nobres em seus vestidos finos, Cesare se destacava nitidamente em seu uniforme militar. Enquanto o chá era vibrante e delicado, o azul-marinho escuro de seu traje só o tornava ainda mais impressionante.
Os rostos das nobres brilhavam de entusiasmo. Tomar chá na propriedade do G
Arquiduque já era motivo de orgulho; compartilhar sua companhia era algo verdadeiramente extraordinário.
Preocupada que seu coração acelerado pudesse ser audível, Eileen entregou o buquê a um criado, que arranjou as flores em vasos, embelezando a decoração da mesa.
Durante o breve alvoroço, um olhar de confusão passou entre as nobres. Estava claro que Cesare não dera a Ornella nenhuma atenção especial.
Assim que a atmosfera se acalmou, Ornella, que havia aguardado pacientemente, cumprimentou Cesare calorosamente.
— Vossa Graça, quanto tempo.
— Ah, Senhorita Farbellini, — Cesare respondeu, inclinando levemente a cabeça antes de encerrar a interação com um cumprimento formal. Não houve conversa adicional.
Ornella estava prestes a continuar quando Eileen, percebendo o desconforto, pegou a faca para servir o bolo. Contudo, Cesare a deteve gentilmente, retirando as luvas de couro e colocando-as sobre a mesa antes de pegar a faca ele mesmo.
Parecia incomum que um homem alto, vestido com uniforme militar, cortasse um bolo macio e delicado, mas Cesare o fez com destreza, como se estivesse habituado, servindo as fatias com precisão.
As nobres pareciam prestes a desmaiar de surpresa. Elas só tinham imaginado o Comandante Supremo do Exército Imperial empunhando uma espada ou uma arma, nunca uma faca de bolo.
Eileen, a primeira a receber sua fatia, ficou tão atrapalhada que um pouco do creme acabou em seus lábios quando tentou comer. Rapidamente pegou um guardanapo para limpá-lo, mas uma mão grande surgiu ao seu lado.
O polegar de Cesare roçou seus lábios, limpando o creme antes de levá-lo à própria boca. Diante dos olhares estupefatos das nobres, ele sorriu e disse:
— Desculpa, somos recém-casados, sabem como é.
O homem pediu que perdoassem o gesto carinhoso, e as mulheres, seus rostos corados, assentiram prontamente. Eileen vermelha como um tomate maduro, murmurou:
— Obrigada pelo bolo…
— Sou travesso à noite, então preciso ser gentil durante o dia, — respondeu Cesare com um sorriso brincalhão.
Surpresa, Eileen retrucou apressadamente:
— Você também é gentil à noite!
Risadas irromperam ao redor da mesa.
Percebendo as bochechas quentes de Eileen, Cesare gentilmente as esfriou com as costas da mão e disse suavemente:
— Fico feliz em ouvir isso.
Eileen rapidamente deu outra mordida em seu bolo, esperando que o açúcar ajudasse a clarear sua mente. Precisava entreter as convidadas; não podia permitir que passassem a tarde apenas observando ela e Cesare conversarem. Mal sabia que sua interação já era o assunto de fofoca mais cativante. Determinada a cumprir seu papel de anfitriã, mudou o rumo da conversa para os próximos eventos sociais. A nobre mais entusiasmada prontamente se manifestou.
— Estou planejando realizar um baile em breve.
Eileen lembrava-se de ouvir que os bailes daquela dama eram bastante famosos entre a aristocracia da capital, e era um dos eventos que considerava frequentar após aquele chá.
— Depois do festival de caça, penso em realizar o baile. Ficaria honrada se a Arquiduquesa pudesse comparecer. E, se possível, Vossa Graça também — disse, claramente animada com o esforço que estava colocando no evento, até mesmo conseguindo convidar a bailarina mais renomada da capital — não era pouca coisa.
Como Cesare não demonstrou sinais de oposição, o rosto da nobre se iluminou de esperança. Para desviar a conversa do baile, outra dama mudou habilmente o tópico.
— Falando nisso, o festival de caça está próximo, Vossa Graça comparecerá este ano?
O festival de caça ocorria no início do verão, na floresta imperial, em homenagem aos deuses que protegiam o Império Traon. A melhor presa capturada era oferecida como tributo, e aquele que abatesse o animal mais valioso ganhava a honra de usar uma coroa de louros e apresentar a oferta aos deuses.
Como filha de uma família nobre menor, Eileen jamais participou do festival. Cesare também não ia sempre, pois não apreciava particularmente a caça. Porém, nas raras ocasiões em que comparecia, ele sempre a presenteava com a pele do animal que capturava.
(Elisa: ele só gosta de caçar gente… cof cof)
Curiosa se ele planejava comparecer este ano, Eileen olhou para Cesare, aguardando sua resposta. Em vez de responder imediatamente, ele simplesmente a encarou.
— Você quer ir? — Sua voz gentil deixou a decisão inteiramente em suas mãos. — Vamos ao festival de caça?
Continua…
Tradução: Elisa Erzet
Ler O Marido Malvado(Novel) Yaoi Mangá Online
Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
Sinopse
Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui