Ler Passion – Novel – Capítulo 25 Online

Modo Claro

Jeong Taeui achou que seria grosseiro continuar recusando, então deu de ombros e se aproximou. A cada passo, uma sensação de tensão se espalhava desde a ponta dos pés. Era como se estivesse se aproximando de uma fera faminta.

— Livros desse autor são difíceis de encontrar, não é? Você já leu outros?

Quando Jeong Taeui pegou o livro de volta, Riegrow perguntou calmamente. Ele parou e o encarou. Os olhos cansados de Riegrow suavizaram ao encontrarem os dele.

— Tenho um amigo muito bom em encontrar livros antigos. Este livro é bem interessante, mas os posteriores são ainda melhores. São difíceis de achar, mas meu amigo consegue, mesmo que leve um tempo. Se quiser, posso apresentá-lo a você.

— … Imagino que seja caro, certo?

— Provavelmente uns 200 a 300 dólares. Ah, ou então se você for à Biblioteca Nacional de Berlim, eles têm uma versão em inglês na seção de línguas estrangeiras. Eu vi lá uns cinco ou seis anos atrás.

Jeong Taeui pensou que o preço não era pequeno, mas comparado aos 3.500 dólares, era bem mais acessível. No entanto, ainda olhou para Riegrow com uma sensação estranha.

As coisas não eram como ele imaginava. Embora não pensasse que Riegrow fosse um assassino enlouquecido, também não esperava que falasse sobre um livro de forma tão normal — até mesmo com certa paixão. Além disso, a sensação sinistra que tivera ao assistir ao vídeo de Riegrow havia desaparecido completamente, substituída por um jovem animado e educado. Suas habilidades sociais com estranhos também eram bastante naturais.

Olhando de perto, ele parecia muito normal e, sem preconceitos, era um jovem bastante encantador e agradável.

— Riegrow… certo?

Jeong Taeui hesitou em perguntar. Riegrow pareceu um pouco surpreso, depois sorriu e assentiu.

— Sim, na nossa filial sou o único com esse nome. Parece que você já ouviu falar de mim em algum lugar?

— Sim. Um pouco.

— Haha, estou curioso para saber quais rumores você ouviu.

— Você também os conhece.

Quando Jeong Taeui disse isso, Riegrow ficou em silêncio. Fitou Jeong Taeui com olhos negros e profundos, depois, de repente, caiu na gargalhada.

— Basicamente, é isso. Mas rumores costumam ser exagerados, não é?

Riegrow balançou a cabeça com uma expressão incomodada e estalou a língua. Parecia um bom sujeito suportando rumores sem fundamento.

Uma impressão limpa, organizada, atraente e agradável. Sua voz era suave, e sua fala fluente. Não havia nada a criticar.

— … Na verdade, no vídeo que assisti não era bem assim, mas tenho que admitir que os rumores costumam ser exagerados.

Jeong Taeui murmurou de forma ambígua e, em seguida, sentou-se na cama vazia em frente a Riegrow. Parecia que ele não era totalmente louco e que dava para conversar. Além disso, nem todos tinham uma capacidade de fala tão cativante. Embora ainda um tanto cauteloso, quando se sentou e voltou o olhar para ele, um sorriso surgiu no rosto limpo e pálido de Riegrow.

— Vídeo? Ah, lembrei, eu quebrei uma câmera uma vez. Certo, os dados ainda devem estar lá. Por que gravar esse tipo de coisa e fazer as pessoas parecerem estranhas?

Ao ver Riegrow resmungar como se falasse consigo mesmo, Jeong Taeui pensou mais uma vez: “Esse é ele”.

Vendo-o assim, parecia muito normal e alguém com quem se podia conversar, mas bastava pisar no campo de batalha para que sua personalidade mudasse. Ou talvez tivesse duas personalidades? Ou ele apenas ficou temporariamente insano durante o vídeo?

Jeong Taeui o encarou e suspirou.

De qualquer forma, contanto que ele não ameaçasse sua vida pacífica pelos próximos seis meses, estava tudo bem. Além do mais, talvez ele nem fosse tão estranho assim.

— Ah, existe outro livro com uma perspectiva completamente diferente. Depois que esse foi publicado, Charles Campbell lançou um livro criticando-o em seis meses, causando uma grande controvérsia no meio acadêmico da época.

Justo quando Jeong Taeui se levantava, Riegrow apontou para o livro e falou calmamente. Jeong Taeui parou e voltou a sentar.

— Você está falando de 1337 – O Início de Flandres? — perguntou Taeui.

— Oh, você já leu? Esse livro é difícil de encontrar.

— Não, eu não li. Só ouvi falar do título. Então, é bom?

— Muito interessante. O conteúdo não é novo, mas a forma como ele critica Joy Moyer em cada parte é bem engraçada. De qualquer forma, vale a pena ler. Se quiser, posso consegui-lo para você, mas vai levar um tempo.

Ouvindo Riegrow dizer que, se quisesse, era só avisar, Jeong Taeui ficou admirado. Ele era realmente um amante de livros. Embora tivesse crescido ao lado de Jeong Jaeui desde pequeno e não pudesse deixar de se acostumar a folhear livros, ainda que menos do que Jeong Jaeui, Taeui sabia que não era fácil trabalhar nessa área e, ainda assim, amar tanto a literatura.

No entanto, pensando no tio, Jeong Taeui mudou de ideia e disse:

— Não, talvez seja demais.

Jeong Taeui de repente se sentiu animado. Encontrar alguém para conversar assim, num lugar como aquele, não era fácil. Talvez ele se tornasse um amigo interessante.

Taeui sorriu e estava prestes a dizer algo.

Mas, justo antes de abrir a boca, um barulho alto veio do corredor. Parecia que uma porta havia caído do batente ou que a parede estava sendo violentamente arrebentada.

— Seus desgraçados! Eu tenho sido bonzinho com os fracos e os deixei em paz!

— Vejam só, se atrevendo a causar problemas na filial dos outros!

— Ei, pessoal, venham cá! Esses caras precisam levar uma boa surra com um bastão pra se acalmar!

— Isso, e já que estamos aqui, vamos lotar a enfermaria com eles!

Logo atrás da parede, gritos e o som de pancadas ecoavam sem parar.

Jeong Taeui fechou a boca e piscou para Riegrow. Riegrow também olhou para Jeong Taeui em silêncio, com um sorriso calmo.

Ele tinha esquecido disso. Na realidade, ele e aquela pessoa eram quase inimigos. Se lutassem ali mesmo, ninguém ficaria surpreso.

— Hum… você pretende entrar? — Taeui perguntou.

A intenção de Jeong Taeui era simplesmente não se envolver, ou seja, não participar da briga lá fora. Ele só queria esperar até aquele momento caótico passar.

Mas Riegrow desapontou Jeong Taeui após um momento de silêncio.

— Barulho demais.

A luz gentil sumiu de seu rosto, substituída por uma expressão irritada. Quando falou friamente, a impressão que Jeong Taeui tinha dele mudou bastante.

Cruel e feroz.

Deixando Taeui para trás, Riegrow levantou-se rapidamente e caminhou em direção à porta.

Quando Riegrow pousou a mão na maçaneta, Jeong Taeui levantou-se e resmungou baixinho.

Abrir aquela porta significaria ir para o campo de batalha. Se tivesse azar, Taeui poderia ter que lutar com a pessoa mais próxima, o que não era o que ele queria. Era complicado.

Jeong Taeui suspirou e preparou o corpo, sabendo que, se tivesse que lutar, pelo menos seu corpo precisava estar pronto para não se machucar desnecessariamente.

Mesmo assim, após seguir Riegrow para fora, infelizmente — ou felizmente — não havia espaço para ele se envolver.

Riegrow ficou parado bloqueando Jeong Taeui e observou silenciosamente o corredor.

O corredor tinha se transformado em um caos completo. Membros da filial saíam de todos os cômodos, lutando selvagemente. Alguns rolavam pelo chão em uma briga caótica.

Jeong Taeui se perguntou se o treinador desceria, mas vendo aquilo, mesmo os gritos do treinador não os parariam.

Riegrow lançou um olhar para um cano de aço que rolava até seus pés e o pegou. O cano era um pouco mais fino que um bastão de beisebol e encaixava perfeitamente em sua mão. Ninguém poderia adivinhar que era a mesma mão que havia acabado de segurar um livro.

Os olhos de Jeong Taeui pararam na mão dele.

Talvez por hábito, ainda usava luvas. Mas, diferente do vídeo, as luvas de pano azul pareciam refinadas e calmas.

O cano de aço em sua mão parecia completamente fora de lugar — ele pensou.

Riegrow começou a andar. Seu olhar estava fixo na multidão barulhenta e caótica à frente, especialmente em dois homens que lutavam próximos.

— Barulho demais…

Sua voz foi engolida pelo barulho. No meio do caos, com uma expressão entediada e irritada, ergueu o cano de aço.

E naquele momento:

Swoosh.

No meio do caos, aquele som soou claro.

Não foi apenas Jeong Taeui que o sentiu.

Talvez o silêncio aterrorizante fosse ainda mais alto do que os gritos contínuos, quando seu cano de aço atingiu sem piedade várias pessoas próximas, produzindo sons horríveis repetidamente.

O som da carne se rompendo e dos ossos se quebrando seguia um após o outro.

— Já é suficientemente irritante me incomodar, mas esse barulho é insuportável.

Quem quebrou o silêncio foi Riegrow, com sua voz preguiçosa e calma.

O cano de aço girava sem distinguir amigo de inimigo, finalmente coberto de sangue, gotejando. As luvas azul-escuras encharcadas de sangue criavam manchas negras. Essas manchas se espalhavam, tornando as luvas ainda mais escuras.

— E-esse desgraçado…

Alguém murmurou. A voz tremia. Mas aquela voz se tornou o ponto de partida.

Como se quisesse dissipar o medo que se espalhava no ar, gritos e clamores encheram o corredor.

— Matem ele! Aquele demônio. Matem ele!

Mas, mesmo com os gritos ecoando por todos os lados, ninguém ousava se aproximar. Até os membros da filial europeia recuaram alguns passos, com expressões preocupadas.

Riegrow girava o grande e pesado cano de aço como se fosse apenas uma caneta. Sorriu levemente e avançou para a multidão.

Atrás dele parecia o próprio inferno.

No final do corredor, onde cadáveres se empilhavam formando uma parede, Jeong Taeui ficou atônito, observando as costas de Riegrow. Perguntou-se de onde vinha aquele louco e então percebeu, de repente, que aquele homem era o mesmo que há pouco estava sorrindo suavemente e falando sobre livros.

**************************

— Que cena horrível — murmurou Jeong Taeui enquanto caminhava para a cafeteria.

Se havia uma coisa em comum entre os homens daquela filial, era que, não importava o que acontecesse, eles sempre se certificavam de fazer suas refeições. A cafeteria, equipada para acomodar o número de pessoas, estava sempre lotada. Olhando para ontem e anteontem, quando metade dos membros havia saído e a cafeteria raramente ficava vazia, era difícil de acreditar.

As filiais europeia e asiática mantinham-se rigidamente separadas. Ainda que houvesse lugares vazios do outro lado, preferiam comer em pé a dividir a mesa com o grupo adversário.

Mas a coisa mais chocante não era isso. Era previsível.

Cada homem estava machucado em algum lugar. Alguns tinham a cabeça enrolada em bandagens ensanguentadas, outros grandes curativos nos ombros e pescoços, e alguns até os braços e pernas estavam enfaixados.

Mesmo antes do treinamento oficial começar, já era assim. Era difícil imaginar o que viria a seguir.

Apenas alguns sortudos, que não haviam participado da briga da noite passada ou estavam ausentes quando aconteceu, não estavam feridos. Jeong Taeui era um deles. O corredor à sua frente havia se transformado em um campo de batalha, tornando impossível participar, mesmo que quisesse.

— Meu Deus… que atmosfera maravilhosa para o café da manhã.

Maurer murmurou surpreso enquanto seguia Jeong Taeui até a cafeteria. Maurer, coberto de band-aids nos braços, havia espiado a confusão para ver o que estava acontecendo e acabou sendo arrastado para dentro, recebendo um soco leve. Embora não tivesse intenção de participar da briga, seu caráter não tolerava facilmente tais coisas, e ele revidou, se machucando bastante no processo.

Jeong Taeui escolheu alguns pratos do self-service, olhou distraído para o porta-facas e garfos, suspirou e pegou apenas um par de hashis.

— Nunca vi garfos e facas parecerem tão perigosos.

O pensamento de que todos na cafeteria estavam segurando armas não podia ser ignorado.

Mas, ao se virar para procurar um lugar, com os hashis apoiados na bandeja, Jeong Taeui se surpreendeu ao ver um homem segurando uma bandeja com torradas, salada e café enquanto pegava um garfo.

— Se você pensa assim, os hashis que está segurando não são muito diferentes. Na realidade, neste mundo, é raro encontrar algo que não possa ser usado como arma.

A piada de — com apenas o polegar, você não precisa de nenhuma outra arma — ficou presa na garganta de Jeong Taeui, mas ele a engoliu.

O homem olhou para a bandeja de Jeong Taeui, com alguns pratos e pedaços de carne, e então falou gentilmente:

— Isso é tudo o que vai comer? Não ouviu o ditado “coma o café da manhã como um rei”?

— Ouvi sim, mas você já ouviu o ditado *“oito onças para um quilo”*? — respondeu Jeong Taeui, olhando para a bandeja do homem.

O homem riu alto. A risada baixa e leve era bastante agradável. Aquele homem era a fonte de inúmeros ferimentos em outros, mas ele mesmo estava ileso e limpo. Suas roupas estavam impecáveis, sem um único amassado.

— Hmm. Sem assentos vagos. Ah, ali tem dois. Vamos.

Nota:

“Oito onças para um quilo” faz referência à equivalência de medidas de peso (1 libra = 16 onças) e aqui é usada como trocadilho para sugerir moderação ao comer.

Traduzido por Mandy Fujoshi
Revisado por Fran ♡
Até o próximo capítulo.

Obrigada, Fran, por me ajudar na revisão nesse curto tempo.
Se alguém tiver disponibilidade para ajudar na revisão, estou aceitando!

Ler Passion – Novel Yaoi Mangá Online

Jeong Taeui, cujo irmão mais velho é o gênio Jeong Jaeui, é um ex-soldado que se considera uma pessoa comum. Atendendo à recomendação de seu tio, Jeong Chang-in, Jeong Taeui decidiu trabalhar por seis meses na Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento de Recursos Humanos (UNHRDO). Mas, ao se envolver com um homem maluco de mãos bonitas, Ilay Riegrow, ele nem imaginava que sua vida começaria a desandar em uma direção totalmente inesperada.
Nome alternativo: Passion - Novel

Gostou de ler Passion – Novel – Capítulo 25?
Então compartilhe o anime hentai com seus amigos para que todos conheçam o nosso trabalho!