Ler O Marido Malvado(Novel) – Capítulo 78 Online
A chuva forte batia contra a janela. O som da água passando pelas cortinas grossas despertou Eileen do sono.
Assim que abriu os olhos, ela se assustou e virou rapidamente a cabeça para o lado. Um homem dormia profundamente ao seu lado, completamente alheio ao mundo. Vê-lo adormecido tão profundamente dissipou a névoa de sua mente.
Estavam em um quarto no segundo andar de uma casa de tijolos. Pelo conforto que sentia, parecia que ele havia limpado seu corpo e carregado até o quarto enquanto estava inconsciente.
A simples lembrança de quem teria de limpar o sofá bagunçado a deixou corada. Eileen olhou ao redor, pensando que ao menos deveria remover o tecido do sofá.
A cama fora feita originalmente apenas para Eileen, por isso era pequena demais para acomodar confortavelmente os dois. Precisaram se apertar para caber. Só então Eileen percebeu que estava deitada sobre o braço de Cesare.
O outro braço estava envolto em sua cintura, podia sentir o peso sólido de seus músculos bem definidos. Eileen observou o homem silenciosamente, ouvindo sua respiração calma e constante misturada ao som da chuva lá fora.
De repente, ela se lembrou de algo que Sonio havia dito durante seu treinamento para as obrigações de Arquiduquesa: “Sua Graça mal tem dormido ultimamente.”
A voz do velho mordomo estava cheia de preocupação, mas ele mudou rapidamente de assunto, provavelmente não querendo sobrecarregar Eileen com algo que ela não poderia resolver.
Pensando nisso agora, Eileen percebeu que raramente via Cesare dormir tão profundamente. Apesar de dividirem a mesma cama todas as noites desde o casamento, o homem sempre despertava sem quase nenhum vestígio de sono nos olhos. Esta era a primeira vez que ouvia sua respiração tão claramente, indicando um descanso profundo.
Enquanto continuava a observá-lo, seus pensamentos vagaram naturalmente para a noite anterior. Entre as lembranças nebulosas daqueles momentos selvagens, havia uma cena que se destacava.
“E você só está me contando isso agora?”
Ela não conseguia parar de pensar no jeito como ele havia sorrido como uma criança, inocente e tão desarmado. O que havia dito para que o homem reagisse daquela forma? Os detalhes estavam confusos, e até seu rosto sorridente parecia uma ilusão de sua memória.
‘Devia ter prestado mais atenção, em vez de ficar distraída.’
Ansiava por registrar o sorriso dele em seu diário, seus dedos coçavam para escrever. Desde que se mudou para a mansão, não teve chances de manter seu diário em dia.
Por mais de dez anos, ela documentou meticulosamente o relacionamento deles. Às vezes questionava se não era um hábito estranho, mas Cesare havia lido o diário mesmo assim.
‘Se ele não gostasse, teria me dito.’
Perdida nesses pensamentos enquanto estudava o rosto dele, Eileen se assustou quando Cesare abriu os olhos de repente. Ela estava prestes a cumprimentá-lo, mas a respiração travou.
O som constante da chuva invadiu o quarto, e os olhos carmesim se fixaram nos dela.
Sem dizer uma palavra, ele a encarou com um olhar vazio que parecia inquietantemente estranho. Eileen congelou, dominada pela intensidade desconhecida, então os lábios de Cesare se curvaram em um sorriso suave.
— Eileen…
Sua voz, levemente rouca ao acordar, carregava um tom estranhamente sedutor, parecido com os sussurros baixos que ele usava durante seus momentos íntimos.
Cesare levantou lentamente. Eileen, pensando que ele pudesse estar procurando por água, tentou levantar também.
Mas, num movimento rápido, o homem subiu sobre ela. Eileen, que estava prestes a se sentar, caiu de volta na cama, chocada. Seus olhos arregalados, fixados nele, enfim percebeu a origem do sentimento estranho que tivera desde o início.
O olhar de Cesare era perturbador. Embora estivessem grudados nela, não parecia que ele estivesse realmente a vendo. Pareciam embaçados, como se ele estivesse em transe.
— Cesare…?
Ao ouvir seu nome, o homem estendeu a mão lentamente. Eileen observou sem medo, esperando que ele acariciasse seu cabelo ou seu rosto, como sempre fazia. Ela aguardava seu toque familiar.
Em vez disso, a mão dele se fechou em torno de sua garganta.
— …!
A mão grande de Cesare apertou seu pescoço, cortando sua respiração imediatamente. Eileen se debateu, tentando se soltar, mas foi inútil contra a força de um homem que passou uma vida inteira como soldado.
Ofegou, seus lábios se separaram numa tentativa desesperada de busca por ar, seu aperto permaneceu inflexível. O homem então depositou um beijo suave e breve em seu rosto, leve como uma pétala, e apertou seu pescoço com ainda mais força. Com a outra mão, afastou delicadamente seus cabelos.
‘Por quê? Por que isso está acontecendo?’
Não conseguia compreender. Apenas algumas horas atrás, estavam entrelaçados, compartilhando seu amor da maneira mais profunda possível.
Que Cesare, justamente ele, a estivesse estrangulando era inacreditável. As mãos que sempre a trataram com carinho e cuidado agora causavam dor. Um som fraco e sufocado escapou de Eileen.
— Está tudo bem, Eileen.
A voz dolorosa de Cesare era terna, mais gentil do que nunca, tentando acalmá-la.
— Shh, seja boazinha. Não vai doer muito dessa vez… Vai acabar logo.
Sua voz baixa roçou seu ouvido. Ele beijou seus lábios trêmulos, desesperados por ar, e sussurrou suavemente:
— Eu te amo.
Ao ouvir essas palavras, toda a força deixou o seu corpo. Os braços que lutavam para empurrá-lo caíram, moles, ao seu lado.
Ela sabia que não havia sinceridade naquelas palavras. Eram apenas doces mentiras para torná-la dócil e mais fácil de matar.
Mas ela não se importava. Eileen não sentia mais medo.
‘Cesare disse que me ama.’
Ouvindo essas palavras, talvez fosse natural que tivesse que pagar por elas com sua vida.
‘Deve haver um motivo para eu ter que morrer.’
Se Cesare a estava matando, então havia algo que ela não compreendia. Isso não importava para Eileen.
Desde o começo, sua vida pertencia a ele. Era sua posse e seu direito tirá-la.
Sem mais resistir, Eileen olhou para o homem com a visão escurecendo. Encontrou conforto estranho em saber que a última coisa que veria seria seu rosto sorridente.
Esperou pela morte em silêncio, sua consciência desaparecendo aos poucos.
Subitamente, se lembrou de Marlena que certa vez pediu para “morrer de forma bonita”, desejando ser o cadáver mais belo da capital.
Na época, Eileen não a entendia, mas agora sabia exatamente como ela se sentia. Para quem visse seus últimos instantes, desejava morrer sem parecer deplorável.
Reuniu as poucas forças restantes para erguer os cantos dos lábios em um sorriso suave, tentando oferecer a ele sua última expressão serena.
— …
A expressão doce e sorridente no rosto do homem subitamente endureceu. Ele soltou seu pescoço e, quando o ar voltou aos pulmões, Eileen ofegou violentamente.
— Haa! Huff, huff…!
Abrindo a boca instintivamente, respirando fundo e dolorosamente, Eileen viu Cesare se levantar apressadamente da cama. Ele caminhou até uma pequena mesinha e pegou o estilete usado para abrir envelopes, e sem hesitar, cortou a própria palma da mão.
— Hum— C-Cesare…!
O cheiro forte de sangue encheu o pequeno quarto. Eileen, horrorizada com a visão dele se machucando, tentou implorar, apesar da voz fraca.
— Por favor… pare… sua mão…
Ela falou apesar da dor na garganta, mas Cesare, olhando fixamente para ela, se cortou novamente.
Uma segunda linha vermelha apareceu em sua palma, tremendo levemente. Eileen soltou um grito abafado, mas não foi o suficiente para detê-lo. Cesare continuou se cortando, repetidamente.
O sangue escorreu por sua pele, pingando no chão e formando uma poça crescente. Eileen se esforçou a ficar de pé. Embora cambaleasse como se fosse desmaiar, caminhou até ele e o envolveu em seus braços.
Sua automutilação finalmente cessou. Abraçando o homem com força, Eileen começou a chorar. Chorou tanto que esqueceu a dor na garganta, finalmente encontrando sua voz.
— Por favor… por favor, pare… Se precisar machucar alguém… machuque a mim… por favor…
Tremendo incontrolavelmente, estendeu a mão em direção a Cesare. Os olhos vermelhos do homem, que nunca haviam se desviado dela, moveram-se lentamente. Fitou a pequena mão pálida que ela oferecia, sua respiração ficando instável.
— …Eileen. — A voz dolorosa do homem vacilou. — É voc—
Os olhos de Cesare tremeram enquanto ele perguntava suavemente:
— Você é… a minha Eileen, certo?
(Elisa: Meu Deus, como vou explicar isso para vocês sem dar spoilers? Por favor, não odeie o Cesare nem pense mal dele. Existe um motivo muito triste por trás dessa atitude. Queria muito contar, mas não posso estragar o momento de vocês descobrirem tudo.)
Continua…
Tradução: Elisa Erzet
Ler O Marido Malvado(Novel) Yaoi Mangá Online
Protagonista masculino: Cesare Traon Kal Erzet – Comandante supremo do Império e Arquiduque. Retornou após vencer a guerra, que durou três anos. Uma pessoa fria, racional, sem oscilações emocionais. Despreza ações não científicas. No entanto, de alguma forma, o homem mudou um pouco recentemente.
Protagonista feminina: Eileen Elrod – Jovem dama da família do Barão Elrod. Um gênio que estudou botânica e farmacologia. É apaixonada por Cesare desde que o conheceu aos 10 anos. Sua vida pacífica começa a se agitar ao receber uma proposta de casamento repentina do homem.
Leia esta história:
Quando quiser ver um romance onde um homem mais velho perde completamente a cabeça pela jovem protagonista.
Frase para se identificar:
— Tudo é, e sempre foi, somente por Eileen.
Sinopse
Cesare Traon Karl Erzet, o Comandante Supremo Imperial.
Após três anos de serviço na guerra, ele voltou para propor casamento a Eileen.
Eileen lutou para acreditar que a proposta de casamento de Cesare era sincera.
Afinal, desde o momento em que se conheceram, quando ela tinha dez anos, o homem afetuoso sempre a tratou como uma criança.
— Eu não quero me casar com Vossa Alteza.
Por muito tempo, seu amor por ele não foi correspondido.
Ela não queria que o casamento fosse uma transação.
Foi por causa da longa guerra?
O homem, que normalmente era frio e racional, havia mudado.
Suas ações impulsivas, seu desejo desenfreado por ela — tudo isso era muito estranho.
— Isso só deve ser feito com alguém que você ama!
— Você também pode fazer isso com a pessoa com quem planeja se casar.
Eileen ficou intrigada com essa mudança.
E, no entanto, quanto mais próxima ela ficava de Cesare…
Ela descobriu coisas que desafiavam a razão ou a lógica.
Eileen soube das muitas ações malignas de seu marido pouco tempo depois.
— Eu não pude nem ter o seu corpo, Eileen.
Tudo o que ele fez foi por ela.
Ele se tornou o vilão, apenas por sua Eileen.
Nota: Mesma autora de Predatory Marriage
Ps: Cesare é o maridinho dessa tradutora aqui