Ler Cão Real. – Capítulo 60 Online

Modo Claro

O Igor parece ter cavado um buraco em algum canto da Alemanha e se escondido lá. Não está sendo fácil encontrá-lo. Acho que vai demorar mais do que eu esperava. Não fique com saudade de mim mesmo sem eu por perto, darling.

N/T: “Darling” é um apelido em inglês que significa algo como: querido / querida, amor, meu bem, amorzinho.

Havia mais um apelido para Hayul. Darling, ainda por cima. Por mais que dissesse para ele parar de usar aquele tipo de palavra, o cretino insistia teimosamente. Rosie, anjo… comparado a esses, aquilo ainda era menos pior, então Hayul decidiu engolir em seco e deixar passar.

De repente, uma corrente de ar frio invadiu o ambiente. A enorme mesa de jantar, que antes parecia desnecessariamente grande, hoje estava mais vazia do que nunca. Como tanto Pavel quanto Oleg estavam fora do castelo, Hayul ocupava sozinho toda a mesa enorme.

Sempre foi tão desolador assim? As luzes estavam todas acesas, claras como pleno dia, e vários empregados aguardavam em volta da mesa. Locke também estava ao lado de Hayul. Ainda assim, era sufocantemente silencioso. Sem Pavel sentado à sua frente, como de costume, o ambiente parecia um túmulo. Mesmo o bife de carne de cervo, seu prato favorito, estava seco e sem gosto, e ele mal conseguiu comer alguns pedaços.

Houve um tempo em que aquela mesa reunia Oleg, Dmitri, Pavel e ele – os quatro juntos. Dmitri Kirov estava morto, e agora restavam apenas três. Oleg ainda se mantinha de pé, mas um dia também chegaria a sua hora. Ao contrário da aparência, o estado de saúde dele era gravíssimo. Era quase inacreditável que ainda estivesse vivo daquele jeito. Se não fosse um Alfa Real, já teria morrido há muito tempo.

No fim, naquele castelo imenso, sobrariam apenas Pavel e ele. Só os dois.

Sempre que Pavel saísse por causa do trabalho, como agora, Hayul ficaria sozinho assim.

Era irônico. Uma solidão e um vazio que nunca havia sentido antes o invadiram profundamente. Ele sempre estivera sozinho, mas agora estar sozinho parecia estranho.

— Pavel.

Ao ouvir seu nome do outro lado da chamada, Pavel respondeu com voz carinhosa:

[Sim?]

— Não se machuque.

[Okey.]

— Não exagere. Mate só o necessário, faça só o necessário. E não morra.

[Eu não vou morrer.]

— Não seja arrogante. Você também é humano no fim das contas.

[Não vou morrer deixando minha noiva recém-casada sozinho. Talvez eu morresse por você, hyung, mas nunca pelas mãos de outro sujeito. Nunca.]

— Sua noiva? Você sempre escolhe as palavras mais cretinas.

Pavel riu, como se estivesse realmente se divertindo.

‘Tome cuidado. Estou tão preocupado com você que nem consigo comer direito.’

Essas palavras não chegaram a sair. Ficaram entaladas no meio da garganta.

— E não volte com o rosto machucado. Sua única qualidade é a sua aparência.

No final, apenas essas palavras ríspidas e desajeitadas saíram da boca de Hayul. Não havia jeito. Era simplesmente sua natureza.

[Que crueldade. Minha única qualidade é o rosto, sério? Meu desempenho lá embaixo não é satisfatório também? Eu me esforço tanto para manter sempre o máximo de vigor, queria que você reconhecesse isso.]

Será que não havia ninguém ao redor dele agora? Ou ele estava mesmo dizendo esse tipo de coisa na frente dos subordinados? Não… pensando bem, era bem capaz.

— Você fala demais, sabia?

[Só fico à vontade para falar na frente assim com o hyung. Sem você por perto, eu perdi o apetite.]

‘Eu também.’

Mais uma vez, as palavras ficaram presas apenas dentro da garganta.

[Acho que hoje a noite vai ser longa. Provavelmente não vou conseguir dormir. Queria te abraçar e dormir sentindo o seu cheiro.]

— Se não conseguir dormir, encha a cara de bebida e vá para cama.

[Você sabe que eu não bebo.]

Pavel não bebia, não fumava e nem tocava em drogas. Ele só consumia comida limpa e de qualidade, e jamais colocava no corpo algo que lhe fizesse mal. Como sempre dizia, esforçava-se constantemente para manter a condição física ideal. Hayul, na verdade, gostava disso. Pavel não cheirava a álcool ou tabaco, apenas exalava um fresco aroma cítrico.

Para um homem adulto, ainda mais alguém que trabalhava com as mãos sujas de sangue, era raro exalar um cheiro tão limpo e refrescante.

Um breve silêncio se instalou. Era um silêncio curto, mas estranhamente constrangedor. Hayul odiava esse tipo de ligação telefônica que se prolongava com conversas inúteis. Ele sempre achou patético os casais que seguravam o telefone por dezenas de minutos trocando trivialidades sem ter nada para dizer, e agora ele era um deles. Ainda assim, também não queria desligar. Ele queria continuar ouvindo a voz grave e baixa de Pavel.

Quando estava prestes a provocá-lo para que dissesse qualquer coisa, Pavel foi quem quebrou o silêncio primeiro.

[Hyung. Que tal começarmos a pensar em ter um filho?]

Diante das palavras súbitas, Hayul deixou o garfo cair da mão. Tlim! Assim que o garfo caiu no chão com um barulho, Lock se abaixou rapidamente para pegá-lo e uma empregada trouxe um novo.

— Que absurdo você está dizendo?

[Por que “absurdo”? Já não está na hora de termos um filho?]

— Isso não faz o menor sentido.

[Por que não faria? Somos um casal legalmente casado. Não há problema nenhum em termos um filho.]

‘Lá vem ele de novo, insistindo em absurdos.’

— Pavel Kirov. Será que você pode entender que existem coisas impossíveis neste mundo?

[É possível.]

A resposta de Pavel foi imediata, firme como sempre. Desde muito tempo atrás ele acreditava, sem a menor dúvida, que Hayul poderia engravidar. Mesmo que todos os médicos dissessem que era impossível, mesmo que o próprio Hayul afirmasse que não dava, a opinião dele nunca mudou.

[É possível, hyung.]

Pavel repetiu, ainda mais decidido. Depois do casamento, ele havia parado de tocar nesse assunto, então Hayul chegou a achar que ele finalmente tinha desistido. Pensou que tivesse pesquisado por conta própria e acabado aceitando a realidade, mas, como esperado, isso nunca aconteceu.

[Estou pensando em ir para a Coreia depois de resolver este assunto.]

— E por que você iria para lá?

[Claro que o hyung vai vir comigo.]

— Eu estou perguntando por que você quer ir para lá. Não me diga que é por minha causa. Embora eu seja de origem coreana, não conheço ninguém na Coreia.

[Quero encontrar o marido do CEO Baek Doha.]

— O quê? Quem é esse? Baek Doha? O ômega mutante da Coreia? Ei. O que diabos você está tramando?

Agora nem risada irônica saía. A garganta de Hayul secou de repente, e ele bebeu o vinho de uma vez, em grandes goles.

— Não faça nenhuma besteira, Pavel Kirov.

—[Recebi uma mensagem dizendo que um dos homens de confiança do Igor apareceu em um bar. Acho que vou ter que sair para verificar.]

— Eu disse para não fazer besteira! Escute o que eu estou falando!

[Boa noite, darling.]

Pavel fez um chuup de beijo no telefone e desligou.

— Seu desgraçado! Ei!

Gritar com o celular desligado não adiantava nada. Quando Hayul jogou o telefone na mesa com raiva, Lock, que permanecia quieto ao lado, pegou o aparelho e perguntou em voz baixa:

— Deseja mais vinho, senhor?

Como essa situação não era nova, ele estava perfeitamente calmo. Hayul assentiu com a cabeça e Lock serviu o vinho com elegância. Hayul esvaziou de uma vez só a taça de vinho raríssimo, envelhecido desde a época do pai de Oleg Kirov. Então, ele se dirigiu a Lock, que estava enchendo sua taça vazia novamente.

— Um filho… você acha mesmo que isso faz sentido?

— E por que não faria? Se os anjinhos do jovem mestre e do senhor Jin estivessem correndo por aí, esta mansão ganharia vida.

— Deixe a criação por nossa conta. Meu Deus… um bebê do jovem mestre e do senhor Jin… quão adorável não seria?

A empregada que trocava o pão encharcado de molho se intrometeu. Hayul olhou para eles, atônito. Pavel, Lock, ninguém nesta mansão parecia pensar que seria impossível Hayul engravidar. Todos pareciam acreditar piamente que Hayul teria um filho quando chegasse a hora.

Como costuma acontecer com os casais normais de Alfa Real e Ômega Real.

Todo mundo tinha enlouquecido. Será que haviam esquecido que ele não era um Omega Real? Se milagres acontecessem assim com tanta facilidade, ainda poderiam ser chamados de milagres?

Bebendo vinho, Hayul franziu a testa e encarou o assento vazio à sua frente, o lugar que costumava ser de Pavel.

Além do mais, uma criança? Crianças são seres barulhentos. No apartamento do subúrbio miserável onde Hayul havia crescido, o choro de crianças era constante. Elas não dormiam à noite e choravam como se estivessem em convulsão, interrompendo seu sono.

As pessoas da favela não se preocupavam muito com métodos contraceptivos e acabavam tendo filhos um atrás do outro, então havia crianças por toda parte. Em qualquer viela se ouviam risadas e gritos infantis. Claro, aquele som não era desagradável. Bastava observar crianças sorrindo para que um sorriso surgisse naturalmente no rosto. Era barulhento, sim, mas pelo menos onde havia crianças não havia silêncio absoluto.

Hayul imaginou, por um instante, crianças correndo ao redor da mesa de jantar. Gargalhando até quase perder o fôlego, correndo, caindo, chorando, fazendo birra… e logo depois sorrindo de novo. Pequenos corpos rechonchudos se agarrando a ele, chamando papai, papai, fazendo manha. Este lugar árido se encheria do barulho dos anjinhos.

‘Seria barulhento, mas talvez não fosse ruim. Talvez fosse até… fofo. Se fossem crianças parecidas com Pavel.’

Hayul nunca sequer sonhou com namoro, muito menos com casamento. Parte disso era por ser um sub-beta, mas, acima de tudo, por causa da pobreza. Ele não queria que sua família acabasse rolando naquela favela imunda. A pobreza e o estigma de ter um pai Sub beta. Seu filho estaria destinado à infelicidade desde o nascimento.

Ser pobre não era um crime. Mas ser Sub beta era um pecado em si.

Um ser fantasma, que nem sequer podia ter um documento de identidade, casar e ter filhos? Só um louco faria isso. Por que arrastar um cônjuge e filhos para as correntes do inferno quando poderia viver e morrer sozinho?

Ele pretendia encerrar aquela linhagem mutante consigo mesmo.

Mas agora a situação era diferente. Um Sub beta mestiço e mutante havia se ligado a um Alfa Real – e ainda por cima a uma família nobre da mais alta elite russa. Agora, oficialmente, Hayul fazia parte da família Kirov. Se uma criança nascesse entre ele e Pavel, aquela vida carregaria o sangue dos Kirov.

Uma criança que nasceria sob as bênçãos de todos e herdaria todo o poder e a influência da família Kirov. Um ser que, diferente dele, só caminharia sob a luz, vivendo uma vida brilhante, sempre e sempre.

A imagem de Pavel sorrindo para Hayul enquanto segurava nos braços uma criança idêntica a ele surgiu nitidamente diante de seus olhos. Pavel e um pequeno Pavel Jr. acenando juntos para Hayul. Uma cena que ele jamais havia imaginado antes, mas que agora surgia de forma estranhamente natural. Era a primeira vez que pensava nisso e, ao contrário de antes, não sentia repulsa. Pelo contrário, só de imaginar, uma sensação quente se espalhou em seu peito.

Uma vida que deixou de ser solitária para se tornar uma vida a dois. E, então, acrescentar mais um, como seria essa vida compartilhada a três?

Ele sempre acreditara que viveria sozinho e morreria sozinho. Mas se casou. Ganhou um companheiro. Pela primeira vez, Hayul tinha algo que podia chamar de família. Se alguém perguntasse como estava sua vida agora, ele achava que poderia responder que não era ruim.

Não era extraordinariamente boa, nem terrivelmente ruim – mas bastante tranquila. Como se, após ser arrastado por uma correnteza turbulenta e levado para lá e para cá, estivesse agora flutuando calmamente sobre um lago sem uma única ondulação.

Hayul não sentia mais frio. Não sentia dor. Não sentia fome. Não precisava mais se deitar em telhados gelados, com uma arma em mãos, sob a geada da madrugada, à espera de um alvo para assassinar.

O mundo que ele via através da mira do rifle – o céu, a cidade – sempre lhe parecia estranhamente pacífico. Enquanto ele ficava deitado por horas com a intenção de matar alguém, as pessoas pareciam viver tranquilamente. Todas pareciam felizes, relaxadas.

O mundo na mira era diferente do mundo sangrento e frio em que Hayul vivia.

E, sempre que isso acontecia, vinham o frio cortante e a solidão sufocante. A opressão da solidão, como uma correia de couro molhada apertando a pele. A sensação de estar preso dentro de uma enorme vitrine, completamente isolada do mundo, sufocando.

Agora, tudo isso havia se tornado apenas uma lembrança.

Ainda assim, às vezes, aquelas sensações voltavam vividamente. Quando tremia diante das memórias antigas, o aroma cítrico de Pavel vinha flutuando no ar. E, quando inspirava aquele cheiro e virava a cabeça, o homem estava ali, olhando para ele com seus olhos azuis.

Quando seus olhares se encontravam, Pavel sorria. Aproximava-se com um sorriso belo e sussurrava com doçura:

“Está com frio?”

Enquanto dizia isso, Pavel cobria o corpo de Hayul, que tremia de frio, com um cobertor, um xale ou um casaco, e o beijava. Às vezes, sentava-se ao lado dele, puxava-o para seus braços e compartilhava seu próprio calor. O abraço dele era tão quente que Hayul não tinha escolha a não ser se aninhar quieto. O toque de suas mãos também era agradável; ele fechava os olhos e aproveitava, como um gato saboreando o carinho de seu dono. Então, Pavel enterrava o nariz nos cabelos dele e inspirava profundamente o seu perfume.

“Ainda não consigo acreditar. Eu e o hyung somos casados.”

Sempre que isso acontecia, o aroma dos feromônios de Pavel se tornava ainda mais aconchegante e doce. Era a prova de que ele estava genuinamente feliz. Quando Hayul fechava os olhos sentindo aqueles feromônios, tinha a sensação de estar deitado em um campo florido, tomando sol.

Aconchego, calor, doçura, conforto e estabilidade, saciedade, paz – emoções luminosas que jamais haviam existido na vida árdua de Hayul.

Mesmo que mais um se juntasse à vida dos dois, esses sentimentos continuariam ali. Talvez emoções ainda mais cintilantes se somassem a eles.

‘Uma criança.’

Hayul girou lentamente a taça de vinho, perdido em pensamentos por um instante.

Se, por acaso, contra todas as probabilidades, uma criança surgisse, talvez não fosse ruim tê-la. Isso, claro, se uma gravidez fosse possível. Mas, desde o início, isso provavelmente seria impossível então por que imaginar? Hayul acabou soltando um riso breve.

*

— Parece que ele está pensando em se encontrar com o presidente Baek e o cônjuge dele para uma consulta.

Foi o que Natasha disse quando foi à mansão para o exame médico de Hayul. Quando ele comentou que Pavel parecia estar considerando ir à Coreia junto com ele, ela começou a despejar tudo de uma vez.

— É um caso de um casal na mesma situação que o senhor Jin, mas que teve um filho. A criança que nasceu entre eles já tem cinco anos.

— A criança não tem nenhum problema?

— É um menino muito saudável. E ainda por cima um Alfa Real.

Natasha, com habilidade, inseriu a agulha na veia do braço de Hayul e coletou sangue. Informações sobre o casal coreano Baek Doha e Yoo Seolwoo podiam ser encontradas em qualquer lugar. Graças ao título de o primeiro casal mutante do mundo, os dois pareciam atrair tanta atenção quanto celebridades. Bastava uma rápida busca na internet para encontrar uma quantidade incontável de informações.

“Baek Doha” não tinha nada de particularmente especial. Era um típico Alfa Real. O fato de ele parecer ter uma aura parecida com a de Pavel provavelmente se devia ao fato de ambos serem Alfas Reais. Em contrapartida, Yoo Seolwoo, o cônjuge do presidente Baek, era o completo oposto.

Era branco, esguio e frágil. Se Baek Doha fosse um tigre, Yoo Seolwoo seria uma bela criatura semelhante a um cervo. Mesmo sendo ambos Sub-betas, Hayul era excessivamente saudável, enquanto o coreano Yoo Seolwoo parecia frágil à primeira vista.

‘É uma pessoa bonita.’

Essa foi a impressão de Hayul ao vê-lo pela primeira vez. Ele entendeu por que o presidente Baek havia escolhido Yoo Seolwoo. Embora não fosse uma beleza deslumbrante, ele tinha um charme peculiar que prendia o olhar. Embora fosse estranho dizer isso sobre um homem, ele era delicado. Do tipo que despertava vontade de proteger. Hayul chegou a se perguntar como alguém com aquele corpo conseguiu dar à luz o filho de um Alfa Real.

Na verdade, o CEO Baek andava por aí em todos os lugares com seu cônjuge ao lado, abraçando seus ombros. Parecia temer que alguém pudesse sequer ousar machucar sua preciosa outra metade, mantendo os olhos atentos ao redor.

Ainda assim, Yoo Seolwoo não parecia apenas frágil. Avaliou-se que ele também possuía coragem suficiente para, ocasionalmente, encarar diretamente as câmeras dos paparazzi que o perseguiam, lançando-lhes olhares intimidadores.

— O senhor Yoo Seolwoo é uma pessoa adorável. É exatamente o tipo que um Alfa Real gostaria.

Depois de terminar a coleta de sangue e colocar o manguito no braço de Hayul para medir a pressão, Natasha sorriu de lado.

— Sabe que eu já comentei isso uma vez na frente do Pavel? Perguntei o que ele achava do Yoo Seolwoo. Se aquele tipo frágil, feito um cervo, não o atraía. E sabe o que ele respondeu?

— Não. Prefiro não saber.

Ele realmente não queria saber. Mesmo sem ouvir, tinha a sensação de que já conhecia a resposta. Ainda assim, Natasha ignorou Hayul e continuou falando:

— Ele disse: “O meu hyung também é frágil como um cervo, então eu também tenho que protegê-lo.”

Está vendo só. Um gemido de lamento quase escapou sozinho. Eu não sou um cervo, sinceramente.

— Mas todos os cervos são da mesma espécie? Se o senhor Yoo Seolwoo é um cervo-malhado, então o senhor Jin não seria mais da família dos alces? Já tive uma experiência em que um carro se despedaçou ao colidir com um alce, aquela criatura era um monstro, um monstro. Aquilo não é um cervo.

Hayul ouviu as palavras sem sentido de Natasha por um ouvido e deixou sair pelo outro.

— Enfim, o senhor Pavel é mesmo um bobo apaixonado. Aos olhos dele, o senhor Jin deve parecer um verdadeiro Bambi tremendo todo. É de dar náusea, não é?

Mesmo tagarelando sem parar, Natasha continuava fazendo seu trabalho com dedicação. De repente, porém, soltou uma exclamação estranha. No fim de seu olhar estava a máquina que analisava os níveis de feromônio, onde o sangue coletado havia sido inserido no reagente. Ela tinha acabado de olhar os resultados do teste e feito aquele comentário.

— Aconteceu alguma anormalidade?

— Os níveis de feromônio subiram demais. Jin, você está tomando direitinho o inibidor que precisa tomar todos os dias, não está?

— Sim.

De fato, todas as manhãs, assim que acordava, Hayul tomava o inibidor de feromônios em jejum.

— A que horas você toma o remédio?

— Às sete da manhã.

Desde que chegou à Rússia, todos os dias pareciam feriado e não havia motivo para acordar cedo, mas ainda assim Hayul abria os olhos pontualmente às sete da manhã. Aquele horário estava gravado no corpo por hábito. Assim que acordava, tomava o remédio e voltava a dormir ou se exercitava. Mesmo quando dormia profundamente, exausto pelas consequências de relações sexuais quase torturantes, ele sempre acordava no mesmo horário para beber água e tomar o remédio; e, quando não conseguia acordar, era Pavel quem o despertava e o fazia engolir a medicação.

— Eu já tinha dito que, há algum tempo, os seus níveis de feromônio estavam instáveis. Foi por isso que recomendei que vocês usassem quartos separados por um tempo.

Natasha continuou murmurando enquanto examinava o laudo, até que ergueu a cabeça de repente e lançou um olhar penetrante para Hayul.

— Vocês transaram, não foi?

Constrangido demais para encarar diretamente os olhos cinzentos e translúcidos dela, Hayul desviou o olhar.

— …Sim.

— Imaginei. Devem ter feito isso no dia em que o invasor apareceu. Usaram camisinha?

Dessa vez, ele não conseguiu responder. Natasha soltou um riso nasal.

— Aquele animal não usaria, claro. Justamente alguém que mais deseja que o senhor Jin engravide.

O rosto de Hayul ficou em chamas. Para ela talvez fosse algo trivial, mas sempre que esse tipo de assunto surgia, Hayul sentia vontade de morrer de tanta vergonha. Natasha sempre dizia que, ao viver com um Alfa Real, a vida privada mais íntima, incluindo relações conjugais, ficava totalmente exposta, e perguntava como ele lidaria se continuasse tão envergonhado, mas ele simplesmente não conseguia se acostumar com isso.

— Eu pedi tantas vezes ao senhor Pavel para ter cuidado. Ele não é um animal irracional, então por que não consegue controlar o desejo sexual? Controla tão bem os feromônios, mas isso não. Quantas vezes ele ejaculou dentro de você?

— I-isso é realmente importante?

— O número de vezes não é o mais importante. O que importa é se houve ejaculação interna sem preservativo, se após a ejaculação foi feita a higienização interna com antisséptico, se o neutralizante foi ingerido…

— B-bom, é verdade que ele ejaculou dentro. Não sei se houve higienização, porque eu desmaiei, e também não sei se tomei o medicamento depois. Então, o que há de errado, afinal?

Interrompendo Natasha, Hayul despejou as palavras rapidamente e tentou mudar de assunto. Natasha tomou um gole do chá preto sobre a mesa antes de falar:

— Em breve, o ciclo de cio do senhor Jin vai começar. E, em resposta a isso, o rut do senhor Pavel também vai explodir. Vocês dois são um caso incomum, porque as ondas de feromônio de vocês funcionam em sincronia.

Natasha continuou:

— O Sr. Pavel comprou recentemente um novo medicamento diretamente da matriz de uma empresa farmacêutica alemã. Esse medicamento prolonga o efeito da ereção, acelera e fortalece a formação do útero temporário e auxilia tanto na produção de óvulos quanto de espermatozoides. Ouvi isso diretamente do contador, então é informação confiável.

— O-o quê? Que tipo de remédio?

°

°

Continua…

 

Ler Cão Real. Yaoi Mangá Online

(Do mesmo universo de: Noite De Caça.)
 
O telefone tocou em uma noite chuvosa.
Do outro lado do aparelho flui a voz de um homem que carinhosamente chama Hayul de ‘Rosie’.
[Você não sente minha falta? Eu estou quase enlouquecendo de tanta saudade.]
A ligação vinha de um número desconhecido, mas a voz de alguma forma era bastante familiar.
[Espere, irei ver você em breve.]
‘Agora me lembro dessa voz. A única pessoa que me chama de ‘Rosie’ – Pavel Yates Headington, o homem que eu matei sete anos atrás.’
***
A história de como um (Cão real) que cortou sua coleira e mordeu o dono antes de fugir, se tornou uma (Noiva real.)
Nome alternativo: Royal Dog

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