Ler Zodíaco: Asas do Juízo e Desejo – Capítulo 16 Online
Capítulo 16 – O Segredo dos Signos
O impacto da queda não quebrou os ossos de Elian, mas dilacerou tudo o que ele acreditava ser.
Seu corpo jazia sobre a terra úmida, os cabelos longos grudando ao rosto como tinta negra, e a pele clara marcada por arranhões e poeira. Ele respirava com dificuldade, como se o ar do mundo terreno fosse mais pesado do que o do céu. Como se a gravidade, agora que não era mais um filho das estrelas, o quisesse esmagar.
Mas, ainda assim, ele viveu.
Elian abriu os olhos lentamente. Acima, as nuvens se moviam como véus tristes. Ao redor, árvores tortuosas moldavam a floresta esquecida, onde o céu e a terra se misturavam. Ele reconheceu o lugar — o Bosque da Trégua, a fronteira onde os signos raramente pisavam.
Por que caíra justo ali?
A resposta veio em forma de uma voz baixa, arranhada pelo tempo.
— Porque é aqui que a verdade dorme.
Elian se virou com esforço. Uma mulher estava ali. Envolta por um manto feito de constelações mortas, ela parecia não pertencer ao tempo — nem ao presente, nem ao passado. Seus olhos tinham mais de mil anos. E seus pés descalços não tocavam o chão.
— Quem é você?
— Aquela que eles esqueceram — respondeu, inclinando a cabeça. — Aquela que carrega o segredo que mantém o zodíaco de pé.
Elian tentou se erguer, mas a dor o manteve de joelhos.
— Por que está me esperando?
— Porque sua queda era necessária — ela disse, caminhando ao redor dele como uma sombra. — Só alguém que se afastasse do céu poderia descobrir o que o céu tenta esconder.
— E o que estão escondendo?
A mulher se ajoelhou diante dele e tocou sua testa. Elian estremeceu. Imagens invadiram sua mente. Fragmentos de algo maior. Um passado que não estava em nenhum dos Livros Sagrados. Um tempo anterior à criação dos signos.
— Antes de Libra julgar. Antes de Escorpião desejar. Antes de os doze tronos existirem… houve treze.
Elian arfou.
— Treze?
A mulher assentiu.
— O zodíaco era completo com o décimo terceiro signo: Ofiúco, o portador da sabedoria e da serpente. Ele era o equilíbrio entre os extremos. O que conhecia a alma dos deuses e dos homens. Mas sua existência ameaçava a ordem. Ele via demais. Sabia demais.
— Então o apagaram — Elian murmurou, chocado.
— Sim. Os doze se uniram. Esconderam sua constelação. Rasgaram seu nome dos céus. E juraram silêncio eterno.
Elian sentiu o estômago se revirar.
Toda a base do que acreditava ser justiça, imparcialidade, equilíbrio… fora construída sobre uma mentira.
— E o que isso tem a ver comigo? Com minha queda?
A mulher sorriu com pesar.
— Porque o sangue de Ofiúco corre em você, Elian.
O coração do ex-regente parou.
— O quê?
— Você não é apenas Libra. Nunca foi só isso. É herdeiro do signo esquecido. Por isso a balança sempre pesou mais do que devia em suas mãos. Por isso você amava com intensidade demais para alguém imparcial. O conflito dentro de você é o eco daquilo que tentaram calar.
Elian se levantou com esforço. Os olhos negros ardiam.
— Por que me contar isso agora?
— Porque o selo de Ofiúco está prestes a se romper. Scorvan, ao renunciar ao próprio destino para te seguir, ativou o elo que havia sido enterrado. Quando vocês se tocaram… quando se entregaram um ao outro… as estrelas tremeram.
Elian se lembrou. Do beijo. Do calor. Do brilho que saía das mãos de Scorvan. Da luz em sua pele.
— Estamos… abrindo um caminho?
A mulher assentiu.
— Um caminho que os deuses farão de tudo para impedir. Porque se o décimo terceiro signo despertar, o céu será redesenhado.
O silêncio caiu como uma espada.
Então, uma aura conhecida cruzou os limites da floresta. Elian virou-se, sentindo a energia familiar antes mesmo de vê-lo.
Scorvan.
Os olhos do Escorpião estavam cheios de tempestade quando o alcançou. Ele se ajoelhou diante de Elian sem hesitação, segurando-o pelos braços.
— Você está vivo — murmurou, a voz quase trêmula.
— Estou — respondeu Elian, apertando sua mão com força. — Mas nada é como antes.
Scorvan sentiu o cheiro antigo no ar. Algo que não pertencia ao mundo conhecido.
Ele olhou para a mulher — mas não a via. Apenas sentia.
— O que aconteceu aqui?
Elian hesitou. Então falou.
— A verdade, Scorvan. Uma que muda tudo. O zodíaco tem um segredo. E nós somos a chave.
Scorvan franziu o cenho.
— Fala como se estivéssemos juntos nisso.
Elian tocou o rosto dele, puxando-o para perto.
— Porque estamos. Caímos juntos. E agora vamos levantar… juntos.
Scorvan não recuou. Em vez disso, pousou os lábios na testa de Elian.
— Que venha o caos, então.
A mulher desapareceu na névoa, levando consigo os últimos vestígios da antiga era. E naquele instante, entre a floresta e o céu cinzento, as estrelas estremeceram mais uma vez.
Ofiúco estava despertando.
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Sinopse:
Nas profundezas do cosmos, onde os signos do zodíaco são mais do que símbolos — são forças vivas que mantêm o equilíbrio do universo — um antigo julgamento ameaça ruir a harmonia das estrelas.
Elian, o representante de Libra, é conhecido por sua imparcialidade e beleza serena, escolhido desde o nascimento para ser o Juiz Celestial. Mas tudo muda quando ele recebe a missão de julgar Scorvan, o perigoso e enigmático guerreiro de Escorpião, acusado de trair os deuses. No entanto, quanto mais Elian mergulha nos segredos por trás do suposto crime, mais se vê envolvido pelo magnetismo sombrio de Scorvan — e por um desejo que desafia tudo o que ele jurou proteger.
Presos entre o dever e a paixão, os dois se veem no centro de uma conspiração antiga que ameaça reescrever o destino das constelações. Elian terá de escolher: manter o equilíbrio do céu… ou mergulhar no caos por amor ao homem que deveria condenar.