Ler Zodíaco: Asas do Juízo e Desejo – Capítulo 15 Online
Capítulo 15 – A Queda do Imparcial
O sol não nasceu para Elian naquela manhã.
Mesmo que os primeiros raios dourados invadissem a cúpula celestial, tocando os véus translúcidos ao redor da cama onde ainda repousava com Scorvan, o regente de Libra sentia como se a luz não o alcançasse mais.
Ele permanecia deitado, os cabelos negros espalhados como tinta sobre os lençóis brancos, o corpo ainda nu sob o toque morno da respiração de Scorvan contra seu pescoço. Os dois não haviam se soltado desde a noite anterior. Mas agora, a aurora parecia trazer não renovação, e sim cobrança.
Scorvan foi o primeiro a abrir os olhos. A expressão relaxada se dissipou aos poucos, substituída por uma tensão instintiva. Sabia que o tempo que tiveram — aquele lapso de liberdade e desejo — estava prestes a ser esmagado pela realidade.
— Eles sabem? — murmurou, a voz rouca ainda embriagada de sono e prazer.
Elian não respondeu de imediato. Seus olhos fitavam o teto, como se buscassem respostas nas constelações. Como se tentar entender o destino fosse menos doloroso do que aceitar que o havia quebrado.
— Os Deuses sempre sabem — respondeu, enfim. — O tempo é apenas uma cortina fina para eles.
Scorvan se sentou devagar, passando a mão pelo rosto. Havia marcas no corpo de Elian — não de dor, mas de desejo. Mordidas leves no ombro, arranhões emoldurando a cintura. Sinais de uma entrega que nunca deveria ter acontecido.
Pelo menos não para um Juiz.
— E você? — perguntou. — Se arrepende?
Elian virou o rosto na direção dele, e por um instante, o olhar foi puro como o dia em que nasceu.
— Eu escolhi. Não posso me arrepender da escolha mais verdadeira da minha vida.
Scorvan sorriu, mas foi um sorriso triste.
— Então se prepara. Porque agora vão arrancar de você tudo o que ainda resta.
A porta da cúpula se abriu com violência antes que qualquer um deles se movesse.
Três Sentinelas de Ouro, os guardiões do Conselho Estelar, entraram em formação. Eram figuras imponentes, vestindo armaduras que refletiam o céu, os rostos escondidos sob elmos sagrados. Um deles estendeu a mão em direção a Elian.
— Elian de Libra. Em nome dos Signos, do Conselho e da Ordem Celestial, você está convocado a responder por seus atos.
Scorvan se levantou de imediato, ficando entre Elian e os guardas.
— Vocês não vão tocá-lo — rosnou, os olhos acesos como chamas rubras.
O Sentinela não recuou.
— Sua presença já é acusação suficiente. Um Julgador não deve se deitar com aquele que carrega o Desejo e a Destruição. A punição será decidida no Tribunal das Constelações.
— Eu irei — disse Elian, finalmente se levantando.
Seu corpo nu refletia luz e vergonha, mas ele não tentou se cobrir. Caminhou até a vestimenta caída no chão e a vestiu com dignidade. Antes de sair, voltou-se para Scorvan.
— Não me siga.
— Elian…
— Eu preciso cair por mim mesmo.
—
O Tribunal das Constelações nunca esteve tão silencioso.
Os tronos dos doze signos estavam ocupados. Todos os Regentes estavam presentes — de Áries, com seus olhos de fogo, a Peixes, sereno e ausente como se já visse o fim.
Elian, de cabeça erguida, caminhou até o centro do círculo, sob o julgamento do zodíaco.
Virgem foi o primeiro a se pronunciar.
— Você se deitou com o Escorpião.
Aquário o seguiu.
— Rompeu os votos da Balança. Deixou que o coração pesasse mais que a razão.
Touro ergueu a voz, grave e firme.
— Há amor em seu gesto. Mas também há ruína.
Libra — ou melhor, Elian — encarou a todos. A voz saiu calma, sem hesitação.
— Eu me deitei com Scorvan, sim. Por escolha. Não fui corrompido, não fui enganado. Eu desejei. E por isso, me torno humano entre os celestes.
Capricórnio, rígido como a montanha, declarou:
— Então você não é mais Juiz. Sua imparcialidade está comprometida.
— Não quero mais a imparcialidade — sussurrou Elian. — Ela pesa mais do que qualquer culpa.
Um silêncio denso se espalhou.
Leão se levantou, rompendo o ciclo.
— Se renuncias à balança, à neutralidade e à justiça, renuncias também ao teu título. Que Elian de Libra caia do céu, para renascer ou perecer entre os mortais.
Peixes chorou. Áries virou o rosto. Câncer fechou os olhos.
E assim, sob um céu em tormenta, as asas de luz de Elian se desfizeram em partículas douradas.
Ele caiu.
—
Scorvan sentiu no peito o momento exato da queda.
Não havia raio. Não havia trovão.
Apenas um vazio.
Ele correu até a borda da Cúpula do Zodíaco e viu o rastro de luz desaparecer entre as nuvens que separavam o mundo celeste do mundo dos homens.
Elian havia sido banido.
E agora, estava só.
Mas Scorvan não hesitou.
Pegou a adaga de obsidiana negra — o único objeto que poderia cortar o elo entre o céu e o inferno — e a cravou em seu próprio braço.
O sangue escorreu, traçando uma runa antiga no chão.
— Se você caiu, eu caio também.
E com um salto, seguiu os rastros do amor que jurou proteger.
Nem que para isso tivesse que enfrentar os próprios deuses.
—
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Sinopse:
Nas profundezas do cosmos, onde os signos do zodíaco são mais do que símbolos — são forças vivas que mantêm o equilíbrio do universo — um antigo julgamento ameaça ruir a harmonia das estrelas.
Elian, o representante de Libra, é conhecido por sua imparcialidade e beleza serena, escolhido desde o nascimento para ser o Juiz Celestial. Mas tudo muda quando ele recebe a missão de julgar Scorvan, o perigoso e enigmático guerreiro de Escorpião, acusado de trair os deuses. No entanto, quanto mais Elian mergulha nos segredos por trás do suposto crime, mais se vê envolvido pelo magnetismo sombrio de Scorvan — e por um desejo que desafia tudo o que ele jurou proteger.
Presos entre o dever e a paixão, os dois se veem no centro de uma conspiração antiga que ameaça reescrever o destino das constelações. Elian terá de escolher: manter o equilíbrio do céu… ou mergulhar no caos por amor ao homem que deveria condenar.