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Capítulo 13 – O Corpo e o Cosmos
O amanhecer não chegava de forma simples no Santuário Celeste. Ele nascia em cascatas de luz filtrada, em véus de energia dourada que dançavam pelas paredes de cristal, como se o próprio cosmos estivesse respirando em silêncio.
Elian estava de pé.
As vestes leves pendiam de seu corpo com elegância quase real. Os pés descalços tocavam o chão brilhante como se ainda flutuasse entre o sono e o juízo. As asas, antes feridas, agora se moviam com lentidão, reconstruindo sua força sob o cuidado das estrelas.
Scorvan, encostado em uma das colunas, o observava com os braços cruzados. Mas por trás da postura contida, havia o caos de alguém que já não sabia onde terminava seu desejo e onde começava a necessidade.
— Você anda bem — comentou. — Quase parece que não caiu dos céus há poucos dias.
— A queda foi minha — respondeu Elian, com a voz calma. — Mas você foi o chão que me amorteceu.
Scorvan ergueu uma sobrancelha, caminhando devagar até ele.
— Vai começar com poesia, Julgador?
Elian sorriu.
— Poesia é apenas um julgamento bonito do que sentimos.
Os olhos de Scorvan estreitaram-se. Havia uma faísca ali. Não apenas de desejo, mas de provocação. Como se ele ainda estivesse testando os limites de Elian — e os seus próprios.
— E o que você sente agora?
Elian se virou, as asas se abrindo em leveza. Não como escudo, mas como convite.
— Que meu corpo não é só um instrumento da justiça. E que talvez o cosmos tenha me feito assim para também ser tocado.
Scorvan parou à sua frente. Estavam tão próximos que podiam ouvir os batimentos acelerados um do outro. Mas havia algo além da tensão sexual entre eles agora. Uma busca. Uma promessa que ainda não havia sido selada, mas já era inevitável.
— Você tem ideia de quantas vezes me perguntei se tudo isso era só manipulação dos astros? — disse Scorvan, com voz baixa. — Se esse laço que sinto quando olho pra você não é só alguma maldição cósmica?
— E se for? — devolveu Elian, erguendo o rosto. — E se nós dois formos parte de uma trama que vai além das nossas vontades?
— Então que se dane a trama — rosnou Scorvan. — Porque cada vez que toco você, quero que seja por escolha. Não por destino.
Elian sentiu o calor subir pelo peito. Aquilo o desarmava mais do que qualquer toque.
— Me prova, então. Que sou escolha sua. Não só um corpo escrito nas estrelas.
Scorvan respirou fundo, como se lutasse contra um impulso antigo.
— Não vou te tomar agora, Elian.
— Não estou pedindo isso.
— Está, sim. Com os olhos. Com essa pele que arrepia quando chego perto.
Elian estremeceu. Ele não o negava. Não podia. Mas também sabia que o momento ainda não era aquele.
— Quero que você conheça o meu corpo — disse, com firmeza. — Mas antes… quero que conheça meu cosmos.
Scorvan franziu o cenho, confuso.
Elian estendeu a mão. E o mundo mudou.
Uma esfera de energia os envolveu. Em um piscar de olhos, não estavam mais no santuário, mas em uma dimensão feita de constelações vivas, onde as estrelas giravam em torno de símbolos antigos e a luz tocava a pele como carícia.
— Aqui… — sussurrou Elian — é onde minha alma habita.
Scorvan olhou ao redor, maravilhado. Os signos dançavam ao redor deles, vivos, vibrantes. Cada movimento das estrelas parecia sincronizado ao ritmo da respiração de Elian.
— Você é mesmo feito disso? — sussurrou o escorpiano.
— Sou parte do equilíbrio. Mas nem tudo está em harmonia.
As estrelas começaram a oscilar, como se sentissem a presença de Scorvan. Uma constelação em forma de escorpião brilhou forte à esquerda deles — agressiva, intensa, protetora.
— Meu cosmos te reconhece — disse Elian, se virando para ele. — Mas não sabe se deve te aceitar… ou temer.
Scorvan avançou um passo. Segurou Elian pelos ombros com firmeza.
— E você?
Elian encarou-o de perto. O brilho das estrelas refletido nos olhos claros. Os cabelos longos flutuando em leveza sideral.
— Eu… aceito. Mesmo quando tenho medo.
Scorvan aproximou o rosto. O beijo não veio. Ele apenas encostou os lábios na testa de Elian — e o cosmos inteiro pareceu respirar com eles.
Ali, naquela dimensão entre corpos e constelações, não havia julgamento. Apenas reconhecimento.
Quando voltaram ao santuário, a luz da manhã já invadia as janelas.
Elian estava mais leve. Mais entregue. E Scorvan… mais comprometido.
— No próximo eclipse, as estrelas vão alinhar nossas essências — sussurrou Elian, antes de voltar ao quarto. — E quando isso acontecer, eu não serei apenas parte da balança.
Scorvan entendeu.
— E eu não serei só o veneno. Serei também o antídoto.
Eles se despediram sem mais toques. Mas sabiam: o próximo encontro marcaria o limite entre o corpo e o universo. E ali, sob o julgamento do desejo, nenhum dos dois sairá ileso.
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Sinopse:
Nas profundezas do cosmos, onde os signos do zodíaco são mais do que símbolos — são forças vivas que mantêm o equilíbrio do universo — um antigo julgamento ameaça ruir a harmonia das estrelas.
Elian, o representante de Libra, é conhecido por sua imparcialidade e beleza serena, escolhido desde o nascimento para ser o Juiz Celestial. Mas tudo muda quando ele recebe a missão de julgar Scorvan, o perigoso e enigmático guerreiro de Escorpião, acusado de trair os deuses. No entanto, quanto mais Elian mergulha nos segredos por trás do suposto crime, mais se vê envolvido pelo magnetismo sombrio de Scorvan — e por um desejo que desafia tudo o que ele jurou proteger.
Presos entre o dever e a paixão, os dois se veem no centro de uma conspiração antiga que ameaça reescrever o destino das constelações. Elian terá de escolher: manter o equilíbrio do céu… ou mergulhar no caos por amor ao homem que deveria condenar.