Ler Zodíaco: Asas do Juízo e Desejo – Capítulo 11 Online
Capítulo 11 – Asas Quebradas
Era como se o céu pesasse sobre seus ombros.
Elian caminhava pelo Salão das Memórias, o corredor mais antigo do Zodíaco, onde as decisões dos Julgadores eram entalhadas em prismas de luz suspensos no ar. Cada julgamento, cada veredito, cada sacrifício… tudo ali, imortalizado.
Ele sentia o eco do passado se chocar contra o que estava se tornando.
“Você foi aceito”, diziam alguns.
“Você traiu a balança”, sussurravam outros.
Mas nenhum deles era mais cruel que a própria voz dentro dele.
Suas asas, antes invisíveis, agora ardiam. Eram a representação espiritual do Julgador: formadas de energia pura, equilíbrio cósmico condensado. Mas as dele estavam rachadas. Manchadas pela dúvida, pelo desejo, por Scorvan.
Pelo amor.
E isso era algo que os Deuses Antigos não perdoavam.
Quando atravessou o arco final do salão, a presença o atingiu como uma tempestade de gelo.
— Você ousou reescrever o julgamento sem consulta ao Código dos Astros.
Era Elektra, a Deusa Guardiã da Ordem. Seus olhos eram esmeraldas flamejantes, e sua túnica flutuava como se feita de poeira lunar.
— O Código estava desatualizado — disse Elian, tentando manter a calma.
— Você não tem esse direito — ela retrucou. — O Julgador pesa. Não cria. E você… você amou.
As palavras saíram como acusação.
Elian endireitou os ombros.
— E se eu amei? Acaso o amor me tornou injusto?
— O amor é parcial. Ele molda o certo de acordo com o coração. A justiça precisa ser cega.
— Não. Ela precisa ver — rebateu Elian, firme. — Porque só quem enxerga de verdade pode decidir com compaixão.
Elektra se aproximou, pairando no ar.
— Então pague o preço da visão.
Com um gesto, tocou as costas dele.
Elian gritou.
Uma dor aguda percorreu sua espinha, e algo dentro dele se rompeu.
Atrás, suas asas – antes luz pura – se fragmentaram. Uma rachadura profunda dividia cada pena etérea, como se a estrutura celestial tivesse se partido.
As asas de Libra estavam quebradas.
Scorvan sentiu.
No instante em que Elian caiu de joelhos, em algum lugar da cúpula escura onde treinava em silêncio, Scorvan dobrou o corpo como se algo dentro dele também tivesse sido arrancado.
Ele correu.
—
— Elian!
A voz dele cortou os corredores celestes como um trovão.
Quando o encontrou, o Julgador estava caído sobre o mármore branco, sangue escorrendo da boca. Suas asas tremulavam atrás, desfeitas, como se não pertencessem mais ao corpo que sustentavam.
Scorvan o tomou nos braços.
— O que fizeram com você?
— Eu… ainda estou aqui — sussurrou Elian, fraco, mas consciente. — Só não como antes.
— Eles destruíram suas asas.
— Não. Eles revelaram que eu não preciso delas para ser justo.
Scorvan apertou os olhos, contendo a raiva.
— Eles vão te matar.
— Talvez. — Elian sorriu, fraco. — Mas antes disso… eu vou mudar o céu.
Scorvan encostou a testa na dele.
— Você é louco.
— E você… ainda está aqui. Isso me basta.
—
Naquela noite, sob o firmamento mais silencioso que já existiu, os dois se recolheram em um dos jardins flutuantes da Galáxia Norte. Elian, mesmo machucado, se recusou a dormir. Ele queria sentir cada batida do universo, como se pudesse sincronizar seu novo eu com o cosmos.
Scorvan ficou ao lado dele, deitado na grama estelar, os cabelos negros espalhados ao vento.
— O que acontece agora? — perguntou, olhando para cima.
— Agora? — Elian respirou fundo. — Agora eu começo a julgar com o coração.
Scorvan virou o rosto em sua direção.
— Mesmo que isso custe tudo?
— Se for preciso, sim.
— Você sempre foi tão… certo.
— E você sempre me mostrou que o certo não é sempre justo.
Um silêncio confortável se estabeleceu entre eles.
Até que Scorvan se moveu. Rastejou para perto de Elian, o bastante para que seus dedos se tocassem.
— Elian?
— Hm?
— Quando suas asas voltarem… você ainda vai querer ficar ao meu lado?
Elian não respondeu de imediato.
Mas quando o fez, foi com a voz firme, mesmo fraca:
— Minhas asas já não importam. Eu já escolhi onde quero pousar.
Scorvan fechou os olhos.
E, naquele instante, mesmo quebrado, mesmo caçado, mesmo condenado por alguns… Elian foi mais livre do que nunca.
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Sinopse:
Nas profundezas do cosmos, onde os signos do zodíaco são mais do que símbolos — são forças vivas que mantêm o equilíbrio do universo — um antigo julgamento ameaça ruir a harmonia das estrelas.
Elian, o representante de Libra, é conhecido por sua imparcialidade e beleza serena, escolhido desde o nascimento para ser o Juiz Celestial. Mas tudo muda quando ele recebe a missão de julgar Scorvan, o perigoso e enigmático guerreiro de Escorpião, acusado de trair os deuses. No entanto, quanto mais Elian mergulha nos segredos por trás do suposto crime, mais se vê envolvido pelo magnetismo sombrio de Scorvan — e por um desejo que desafia tudo o que ele jurou proteger.
Presos entre o dever e a paixão, os dois se veem no centro de uma conspiração antiga que ameaça reescrever o destino das constelações. Elian terá de escolher: manter o equilíbrio do céu… ou mergulhar no caos por amor ao homem que deveria condenar.