Ler Zodíaco: Asas do Juízo e Desejo – Capítulo 06 Online

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Capítulo 6 – O Beijo na Sombra da Constelação

 

A noite caiu sobre o céu cósmico como um manto de veludo, e as constelações tremeluziam em silêncio, testemunhas eternas de segredos que jamais seriam revelados aos mortais. Havia algo de estranho naquela escuridão — como se as estrelas, por um instante, tivessem se calado para ouvir os passos de dois homens que ainda não sabiam o quanto estavam perdidos um no outro.

 

Elian caminhava entre os pilares de névoa do Jardim dos Equilíbrios. Era um lugar reservado aos juízes celestes, onde os signos vinham meditar antes de decisões importantes. Mas ele não estava ali para meditar.

 

Estava fugindo.

 

Fugindo de si mesmo. Das palavras de Scorvan. Do toque quente ainda gravado em seu pulso. Das perguntas que haviam surgido em sua mente — perguntas que um juiz jamais deveria fazer.

 

— Achei que você só andava entre os vivos quando precisava condená-los — disse uma voz atrás dele, grave, mas com um tom quase… brincalhão.

 

Elian se virou. Scorvan estava ali, recostado numa das colunas, como se pertencesse àquele cenário sombrio. O cabelo negro solto, os olhos como brasas ardendo na noite. Uma sombra viva em meio às estrelas.

 

— Está me seguindo agora? — indagou Elian, tentando manter o tom duro.

 

— Digamos que… estou curioso — respondeu Scorvan, se aproximando devagar. — Você não costuma andar sozinho. Muito menos à noite. Algo está desequilibrando o juiz?

 

— Não brinque com isso — respondeu Elian, virando o rosto. — Justiça não é brincadeira.

 

Scorvan deu uma risada baixa. Caminhou até ele, mas manteve uma distância respeitosa.

 

— Não brinco com justiça. Mas você, Elian… está desequilibrado. Desde que me ouviu. Desde que tocou em mim.

 

Elian apertou os olhos. Queria negar. Queria gritar. Mas tudo que fez foi sussurrar:

 

— Não posso sentir isso por você.

 

— Por quê? — questionou Scorvan, se aproximando mais. — Porque sou Escorpião? Porque destruí constelações? Ou porque sou homem?

 

Elian hesitou. Suas mãos tremiam.

 

— Porque sou juiz. Porque não posso desejar aquilo que devo julgar.

 

Scorvan ficou em silêncio por um momento. Então, com uma calma estranha, tirou o manto negro dos ombros e deixou-o cair sobre a grama etérea.

 

— Então me tire do tribunal, Elian — disse ele, a voz como uma promessa. — Me veja apenas como um homem. Não como signo. Não como réu. Apenas… como alguém que te quer.

 

Elian deu um passo para trás. Mas Scorvan avançou devagar, sem tocar, sem pressionar. Apenas com os olhos. Aquele olhar… que queimava e curava ao mesmo tempo.

 

— Scorvan…

 

— Diga que não sente. Diga que não quer. E eu vou embora agora. Para sempre.

 

Elian o encarou. O peito subia e descia com dificuldade. As estrelas acima pareciam mais distantes. O tempo suspenso.

 

E então, ele fez o impensável.

 

Deu um passo à frente.

 

— Eu… quero.

 

Scorvan não sorriu. Apenas ergueu a mão, devagar, e a pousou na lateral do rosto de Elian, como se temesse quebrá-lo.

 

O toque foi tão suave que parecia não ser real. Mas o tremor no corpo de Elian provava o contrário.

 

E então veio o beijo.

 

Não foi selvagem. Nem urgente.

 

Foi uma colisão lenta entre dois mundos condenados a se repelir — mas que, por um instante, decidiram se tocar. Foi um beijo de silêncio, de confissão muda, de tudo que eles haviam calado desde o primeiro encontro.

 

As mãos de Scorvan desceram para a cintura de Elian, puxando-o com firmeza, mas sem violência. O juiz, por sua vez, se agarrou à túnica do outro como quem cai de um abismo e encontra uma raiz.

 

Quando se separaram, Elian estava ofegante. O rosto corado. O olhar perdido.

 

— O que fizemos…? — sussurrou, com medo da resposta.

 

— O que as estrelas se negam a admitir — respondeu Scorvan. — Desejamos um ao outro.

 

Elian tentou se afastar, mas Scorvan segurou sua mão.

 

— Você pode voltar ao seu trono, fingir que nada aconteceu. Eu não vou impedir. Mas quero que saiba: meu julgamento ainda não acabou. E talvez… o seu também não.

 

Elian soltou a mão devagar. Deu dois passos para trás. Olhou para o céu, onde a Constelação de Libra brilhava — e parecia, pela primeira vez, vacilar.

 

— Isso não pode se repetir.

 

Scorvan sorriu, de canto.

 

— Então será só uma lembrança.

 

E virou-se, sumindo nas sombras do jardim como se nunca tivesse estado ali. Como se o beijo não tivesse acontecido.

 

Mas Elian sabia.

 

Aquele beijo ficaria gravado na balança para sempre.

 

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Sinopse:
 
Nas profundezas do cosmos, onde os signos do zodíaco são mais do que símbolos — são forças vivas que mantêm o equilíbrio do universo — um antigo julgamento ameaça ruir a harmonia das estrelas.
 
Elian, o representante de Libra, é conhecido por sua imparcialidade e beleza serena, escolhido desde o nascimento para ser o Juiz Celestial. Mas tudo muda quando ele recebe a missão de julgar Scorvan, o perigoso e enigmático guerreiro de Escorpião, acusado de trair os deuses. No entanto, quanto mais Elian mergulha nos segredos por trás do suposto crime, mais se vê envolvido pelo magnetismo sombrio de Scorvan — e por um desejo que desafia tudo o que ele jurou proteger.
 
Presos entre o dever e a paixão, os dois se veem no centro de uma conspiração antiga que ameaça reescrever o destino das constelações. Elian terá de escolher: manter o equilíbrio do céu… ou mergulhar no caos por amor ao homem que deveria condenar.

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