Ler Zodíaco: Asas do Juízo e Desejo – Capítulo 05 Online

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Capítulo 5 – No Silêncio do Tribunal

 

O grande salão do Tribunal Celeste estava vazio, mas mesmo assim carregava o peso de mil vozes que já haviam sido julgadas ali. As colunas de luz giravam lentamente acima do trono da balança, onde Elian permanecia, imóvel, com o semblante duro, olhos presos no vazio.

 

Scorvan, sentado no banco reservado aos acusados, cruzava os braços, com as pernas abertas, postura despreocupada demais para alguém que deveria estar sendo avaliado. Mas não havia julgamento oficial naquela manhã. Elian o havia chamado — e ambos sabiam que não se tratava apenas de um procedimento.

 

— Você disse que queria ver meu julgamento completo — começou Elian, com a voz ecoando suave pela imensidão dourada do salão. — Aqui está. A gravação astral da minha decisão contra você.

 

Com um movimento das mãos, um círculo etéreo se abriu entre eles, e uma cena foi projetada: a imagem de Scorvan, meses atrás, com as mãos cobertas de sangue estelar, diante de três constelações destruídas. Gritos podiam ser ouvidos — não reais, mas ecoando na memória.

 

Scorvan manteve os olhos fixos nas imagens, sem se defender.

 

Elian observava. Procurava algo. Arrependimento, talvez. Mas tudo que via era silêncio. Um silêncio pesado. Denso. E, de alguma forma, honesto.

 

— Você não nega? — perguntou Elian, quebrando a quietude.

 

Scorvan balançou levemente a cabeça.

 

— Não posso negar o que fiz. Mas o porquê… ninguém nunca quis saber.

 

— Eu estou ouvindo agora — respondeu Elian, mais baixo.

 

Scorvan ficou em silêncio por longos segundos, antes de finalmente dizer:

 

— Eles ameaçaram Céris.

 

O nome caiu como uma pedra na superfície calma do salão. Elian piscou.

 

— Céris… a divindade menor de Virgem?

 

— Não apenas isso — respondeu Scorvan, os olhos agora se fixando nos de Elian. — Ela era minha irmã.

 

Elian pareceu surpreso. A história nunca havia mencionado laços familiares.

 

— O que aconteceu?

 

— Os conselheiros de Sagitário a usaram como moeda. Queriam que eu me tornasse um espião entre os signos de Água, espionando os próprios. Quando me recusei… levaram-na. E quando tentei recuperá-la, destruí tudo.

 

— Não havia registro disso… — murmurou Elian.

 

— Porque ninguém quis ouvir o lado do Escorpião — disse Scorvan, amargo. — Somos sempre os perigosos. Os venenosos. Os que merecem algemas antes de palavras.

 

Elian se levantou devagar do trono e desceu os degraus. Seus passos ecoavam na sala como batimentos cardíacos pesados.

 

Ele parou diante de Scorvan, olhando-o de cima.

 

— Eu não sabia.

 

— Agora sabe — respondeu o escorpiano, erguendo o olhar com desafio. — Vai reescrever o julgamento?

 

— Ainda não sei.

 

Houve um silêncio estranho, tenso e íntimo.

 

— Diga-me, Scorvan — sussurrou Elian, e pela primeira vez sua voz tremia, quase imperceptivelmente. — Por que não me odeia?

 

Scorvan o encarou por um tempo. Depois levantou-se.

 

— Porque te odeio todos os dias. Mas à noite… quando fecho os olhos, tudo que quero é sentir sua pele de novo. É estúpido. É irritante. É inevitável.

 

O ar entre eles vibrou como cordas tensas de um instrumento celestial.

 

— Você não me conhece — disse Elian, tentando dar um passo para trás. Mas Scorvan segurou seu pulso.

 

— Não. Mas estou começando a te ver.

 

Elian olhou para a mão de Scorvan segurando a sua. O toque era firme, mas não agressivo. Como se pedisse permissão, mesmo enquanto tomava.

 

— Você tem olhos que ferem, Scorvan — murmurou. — Mas, às vezes… parece que seu toque cura.

 

Scorvan aproximou o rosto, apenas o bastante para Elian sentir a respiração dele.

 

— Deixe-me provar.

 

— Ainda não.

 

Scorvan sorriu. Um sorriso sem arrogância, mas com algo mais raro nele: paciência.

 

— Então esperarei.

 

 

Depois que Scorvan se foi, Elian ficou sozinho no tribunal. Sentou-se de novo no trono, mas não se sentia mais digno dele.

 

Reviu a gravação outra vez, mas não era a cena do julgamento que ocupava sua mente. Era a firmeza na voz de Scorvan. O nome da irmã. O brilho nos olhos dele quando disse que odiava e desejava ao mesmo tempo.

 

Elian levou a mão ao peito. Pela primeira vez em eras, o peso ali não era apenas simbólico. Era pessoal. Vivo.

 

 

Enquanto isso, Scorvan voltava aos aposentos com passos lentos. Ao fechar a porta atrás de si, encostou-se à madeira, fechando os olhos.

 

— Ainda não… — repetiu. E sorriu para o teto. — Mas ele disse “ainda”.

 

Era o bastante.

 

Por enquanto.

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Sinopse:
 
Nas profundezas do cosmos, onde os signos do zodíaco são mais do que símbolos — são forças vivas que mantêm o equilíbrio do universo — um antigo julgamento ameaça ruir a harmonia das estrelas.
 
Elian, o representante de Libra, é conhecido por sua imparcialidade e beleza serena, escolhido desde o nascimento para ser o Juiz Celestial. Mas tudo muda quando ele recebe a missão de julgar Scorvan, o perigoso e enigmático guerreiro de Escorpião, acusado de trair os deuses. No entanto, quanto mais Elian mergulha nos segredos por trás do suposto crime, mais se vê envolvido pelo magnetismo sombrio de Scorvan — e por um desejo que desafia tudo o que ele jurou proteger.
 
Presos entre o dever e a paixão, os dois se veem no centro de uma conspiração antiga que ameaça reescrever o destino das constelações. Elian terá de escolher: manter o equilíbrio do céu… ou mergulhar no caos por amor ao homem que deveria condenar.

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