Ler Zodíaco: Asas do Juízo e Desejo – Capítulo 03 Online
Capítulo 3 – O Peso da Verdade
A morada de Libra não era um palácio, tampouco uma prisão. Era uma estrutura suspensa sobre o vazio estrelado, feita de mármore pálido e vidro etéreo, onde cada sala parecia flutuar entre as galáxias. O tempo ali não era contado por horas, mas por decisões. E cada decisão pesava.
Scorvan olhava para a ponte de luz que ligava o portal à entrada principal, os grilhões soltos, mas ainda visíveis em sua aura.
— E se eu cair? — perguntou, testando a firmeza do caminho com o pé.
— Não cairá. — Elian passou por ele, os longos cabelos negros dançando levemente com o vento cósmico. — Mas, se tentar fugir, cairá por minha mão.
— Sempre tão poético, juiz — murmurou o escorpiano com um sorriso enviesado.
Atravessaram a ponte. Ao entrarem na residência, Scorvan sentiu algo estranho: paz. E paz, para ele, era desconfortável. Aquele lugar era silencioso demais. Branco demais. Limpo demais.
— Não tem nada aqui — comentou. — Nem um objeto fora do lugar. Nem uma lembrança nas paredes.
— A justiça é imparcial — respondeu Elian. — A casa do juiz não deve refletir vaidades.
— Ou talvez você só tenha medo de se apegar a algo.
Elian parou. Virou-se lentamente, e os olhos dourados encontraram os de Scorvan.
— Você está aqui sob minha responsabilidade. Vai respeitar minhas regras.
— Diga quais são — disse o escorpiano, sentando-se sobre o parapeito de uma das janelas que flutuava para o infinito. — E prometo pensar se vale a pena quebrá-las.
Elian o ignorou por um instante e caminhou até a sala de registro. A mesa flutuava, sustentada por colunas de luz. Ele tocou a superfície com dois dedos, ativando a runa do controle.
— Primeiro: não cruzar os limites do espaço concedido. Segundo: não acessar arquivos celestes sem autorização. Terceiro: relatar qualquer contato com humanos. Quarto: não mentir para mim.
Scorvan arqueou uma sobrancelha.
— Mentir para você? Só para você?
— Você me desafiou perante os Doze. Agora está sob minha guarda. É a mim que deve respostas.
— E se eu disser que tudo isso me diverte?
Elian suspirou.
— Então, você ficará entediado. Porque aqui, diversão não é prioridade.
Scorvan levantou-se, andou até ele e o observou de perto. Os cabelos longos de Elian pareciam conter estrelas presas entre os fios.
— Você já foi feliz, Elian?
A pergunta caiu pesada entre eles.
O juiz não respondeu de imediato. Apenas voltou o rosto para a janela.
— Felicidade não é parte da função.
— Então você se apagou? Por dever?
— Não. Eu me tornei quem precisava ser.
Scorvan deu um leve passo para trás, mais sério agora.
— Talvez seja por isso que você me intriga tanto.
— Porque eu sou o que você odeia?
— Porque você é o que eu não sei se devo odiar ou libertar.
Naquela noite — ou o que se chamava de “noite” no plano estelar — Scorvan deitou-se no espaço concedido a ele: uma câmara protegida por selos que só Elian podia desfazer. As paredes eram translúcidas, e ele podia ver as constelações mudando lá fora.
Mas o que ele ouvia… era o som suave de passos.
Elian caminhava pelo corredor.
Ele não dormia. Nunca dormia.
Dias — ou talvez horas — passaram. O tempo não era algo firme ali. E com cada ciclo, Scorvan testava os limites de Elian.
Toques sutis na mente dele, provocações verbais, gestos duplos.
Mas Elian nunca cedia.
Até a décima provocação.
Estavam na sala de estudos celestes. Elian lia um registro sobre intervenções em planetas de livre-arbítrio. Scorvan sentou-se do outro lado da mesa.
— Sabe por que toquei aquele humano? — perguntou de repente, quebrando o silêncio.
— Porque quis.
— Não. Porque eu já morri uma vez.
Elian o encarou.
— Como assim?
Scorvan encostou-se no encosto da cadeira, os olhos fixos no teto.
— Morri, eras atrás. Em uma linha temporal quebrada. Uma explosão de raiva. Uma escolha errada. E então… uma segunda chance.
— Isso não está nos registros.
— Porque o tempo reescreveu. E os registros não acompanham o que foi desfeito por vontade divina.
Elian ficou em silêncio, absorvendo.
— Você teme morrer de novo?
— Não. Eu temo nunca ter vivido direito.
Elian fechou o livro à sua frente. Pela primeira vez, seus olhos estavam diferentes. Menos frios.
— Então por que age como se desafiar tudo fosse sua missão?
— Porque se eu não questionar o que me mata por dentro… quem mais o fará?
Naquela madrugada, enquanto Elian meditava no jardim suspenso, Scorvan se aproximou em silêncio. O juiz sabia. Sentia a presença dele mesmo de olhos fechados.
— Não consigo dormir nesse lugar — murmurou Scorvan, sentando-se ao lado dele. — É como dormir dentro de um espelho.
— Talvez esteja vendo o que não quer aceitar.
— Ou talvez… esteja vendo você.
Elian abriu os olhos devagar.
— O que vê em mim, Escorpião?
Scorvan respondeu sem hesitar:
— Um juiz quebrado que ainda não percebeu a rachadura.
Elian o fitou longamente. Então, pela primeira vez, desviou o olhar.
Na manhã seguinte, enquanto o cosmos girava devagar sobre a casa de Libra, Elian registrou em seu livro pessoal — algo que não mostrava a ninguém:
“Scorvan mente menos do que finge. E eu… estou começando a querer acreditar.”
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Sinopse:
Nas profundezas do cosmos, onde os signos do zodíaco são mais do que símbolos — são forças vivas que mantêm o equilíbrio do universo — um antigo julgamento ameaça ruir a harmonia das estrelas.
Elian, o representante de Libra, é conhecido por sua imparcialidade e beleza serena, escolhido desde o nascimento para ser o Juiz Celestial. Mas tudo muda quando ele recebe a missão de julgar Scorvan, o perigoso e enigmático guerreiro de Escorpião, acusado de trair os deuses. No entanto, quanto mais Elian mergulha nos segredos por trás do suposto crime, mais se vê envolvido pelo magnetismo sombrio de Scorvan — e por um desejo que desafia tudo o que ele jurou proteger.
Presos entre o dever e a paixão, os dois se veem no centro de uma conspiração antiga que ameaça reescrever o destino das constelações. Elian terá de escolher: manter o equilíbrio do céu… ou mergulhar no caos por amor ao homem que deveria condenar.