Ler Zodíaco: Asas do Juízo e Desejo – Capítulo 01 Online
— O réu recusou-se a se defender. Isso, por si só, já é um sinal de arrogância — disse Sagitarius, a voz firme ecoando pelo salão do Tribunal Celestial.
— Ou de culpa — murmurou Capricornus, ajeitando as luvas brancas sobre os dedos finos.
Elian permanecia calado. Estava no centro da cúpula, com os olhos postos no pedestal vazio à sua frente. A audiência começaria em instantes, mas o acusado ainda não havia aparecido. Como juiz principal, era sua função conduzir a sessão. Como Libra, era seu dever não se deixar influenciar por rumores.
— Por que me foi designado esse julgamento? — Elian perguntou, sem tirar os olhos do vazio.
— Porque você é o mais neutro de nós — respondeu Cancer, com doçura.
— Não. É porque ninguém mais quis julgar Escorpião — completou Áries, sem rodeios.
O nome pairou como veneno no ar. Todos os guardiões sentiram a mudança energética quando o portal escuro se abriu atrás da tribuna.
Passos pesados ecoaram. O som de correntes arrastando-se no chão divino. E então ele surgiu.
Alto, envolto em uma túnica preta aberta no peito, os olhos cor de âmbar semicerrados, como se o brilho do lugar o irritasse. Os cabelos caíam em camadas bagunçadas pelos ombros largos. Uma marca vermelha, semelhante à cauda de um escorpião, desenhava-se em seu pescoço. E o sorriso… o sorriso parecia sempre saber mais do que devia.
— Scorvan, guardião de Escorpião — anunciou Elian, sem emoção. — Está sendo julgado por transgressão direta às Leis Celestes, ao romper o véu entre planos e interferir no destino de um mortal. Você entende a gravidade dessa acusação?
— Entendo, sim — respondeu o outro, com uma voz rouca e baixa. — Mas não me arrependo.
Um leve murmúrio se espalhou entre os signos reunidos. Elian o silenciou com um gesto suave da mão.
— Recusa-se a apresentar defesa?
— Recuso-me a mentir para me salvar.
— Você interferiu para salvar um humano fadado à morte. Por quê?
Scorvan o fitou pela primeira vez. Olhos tão profundos que Elian quase desviou os seus.
— Porque ele olhou pra mim como se eu não fosse uma arma — disse. — E naquele momento… eu quis acreditar.
Elian respirou fundo.
— Seus sentimentos não anulam a infração.
— Mas talvez revelem que ela é menor do que dizem.
Elian se aproximou um passo, as vestes de tons prateados flutuando suavemente. Olhou diretamente para o réu, buscando algo além da provocação. Scorvan sorriu, inclinando levemente a cabeça.
— Você tem os olhos de quem pesa almas — disse, de repente. — Mas será que sabe o peso da sua?
— Está tentando me desestabilizar?
— Estou tentando te lembrar de que somos mais do que símbolos em uma parede.
— É seu direito pedir audiência privada com o juiz, caso deseje apresentar provas confidenciais — Elian informou, ignorando a última provocação.
— E se o que eu quiser revelar for íntimo demais para ser prova?
— Então não há razão para continuar.
— Há, sim — disse Scorvan, e deu mais um passo à frente. As correntes zumbiram, mágicas se agitando. — Eu quero te mostrar o porquê fiz o que fiz. Mas não posso fazer isso aqui. Não com esses olhos me julgando antes mesmo do veredicto.
Elian hesitou. Os outros guardiões o observavam. Ele sabia o que aquilo significava: levar o réu para a Sala do Julgamento Interior, onde só o juiz e o acusado poderiam entrar. Onde as memórias eram compartilhadas sem palavras.
— Consentido — disse Elian, enfim. — Portal, abra-se.
Uma fenda de luz branca surgiu no espaço atrás dele. Scorvan entrou primeiro. Elian o seguiu.
—
A Sala do Julgamento Interior era feita de espelhos celestiais. Um espaço sem teto, onde as estrelas giravam em silêncio absoluto. Lá, a verdade não podia ser escondida.
— Você pode me mostrar. — Elian estendeu a mão. — Apenas o necessário.
Scorvan não tocou. Ele se aproximou… até os narizes quase se tocarem.
— Está com medo do que vai sentir? — sussurrou.
— Estou em alerta — corrigiu Elian.
— Seu corpo não parece em alerta. — Os olhos âmbar deslizaram pelo rosto do juiz, depois pelos fios longos que caíam pelas costas. — Libra é beleza. Mas também é impulso contido.
— E Escorpião é veneno e desejo. Nada disso me assusta.
Scorvan riu baixo. E então, sem aviso, pressionou dois dedos no centro do peito de Elian.
As imagens explodiram.
Um garoto humano caído em uma vila destruída. A sombra de um monstro celestial descendo sobre ele. E então… braços o envolvendo. Escorvan, em sua forma verdadeira, protegendo-o com o próprio corpo. Quebrando a barreira. Salvando um humano que o abraçava, chorando.
— Ele não me amava. — A voz de Scorvan soou entre as imagens. — Mas me perdoou. Só isso já era mais do que qualquer um aqui teria feito.
A memória sumiu. Elian estava de volta à sala, com os olhos fixos nos dele.
— Você sabia que seria punido.
— Eu aceitei o preço.
— Por quê?
— Porque eu estava cansado de ser o monstro que esperavam que eu fosse.
Silêncio. Elian sentia algo no peito que não era julgamento, nem compaixão. Era incômodo. Uma parte de si se via naquele réu. Ele também era visto como símbolo. Como imparcialidade encarnada. Mas… e se não fosse?
Scorvan tocou em seu queixo, suavemente.
— Você sente, não sente? — sussurrou. — Que a balança está torta… porque talvez essa história tenha dois lados.
Elian não respondeu. Mas não recuou.
E pela primeira vez… permitiu que o toque permanecesse.
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Sinopse:
Nas profundezas do cosmos, onde os signos do zodíaco são mais do que símbolos — são forças vivas que mantêm o equilíbrio do universo — um antigo julgamento ameaça ruir a harmonia das estrelas.
Elian, o representante de Libra, é conhecido por sua imparcialidade e beleza serena, escolhido desde o nascimento para ser o Juiz Celestial. Mas tudo muda quando ele recebe a missão de julgar Scorvan, o perigoso e enigmático guerreiro de Escorpião, acusado de trair os deuses. No entanto, quanto mais Elian mergulha nos segredos por trás do suposto crime, mais se vê envolvido pelo magnetismo sombrio de Scorvan — e por um desejo que desafia tudo o que ele jurou proteger.
Presos entre o dever e a paixão, os dois se veem no centro de uma conspiração antiga que ameaça reescrever o destino das constelações. Elian terá de escolher: manter o equilíbrio do céu… ou mergulhar no caos por amor ao homem que deveria condenar.