Ler Vamos nos Encontrar Vivos (Novel) – Capítulo 36 Online


Modo Claro

↫─Capítulo 36

Como poderiam sobreviver? O que ele poderia fazer? Haveria uma maneira de salvar Taebaek, mesmo que isso significasse sacrificar a si mesmo? Mas não importava o quão habilidoso Shinu fosse em combate, ele não conseguiria repelir os incontáveis Devoradores sozinho. Mesmo que ateasse fogo em si mesmo e dançasse, seria difícil atrair a atenção de todos os Devoradores em um raio de centenas de metros.

O rosto de Shinu se contorceu em angústia.

Naquele momento, Taebaek estendeu astutamente o punho fechado diante dos olhos de Shinu. Shinu olhou para ele, e Taebaek virou a mão e abriu a palma com um “Tada!”. Uma bala de limão redonda apareceu em sua mão. Era a mesma bala amarela que Taebaek uma vez o enganara para comer.

— Vamos fazer uma pausa por agora.

— …

— Temos água, temos chocolate e parece que poderíamos nos esconder por uns três dias sem morrer. Podemos bolar algo nesse tempo, você não acha?

Era um pensamento estranhamente despreocupado. Mas, por incrível que pareça, a ansiedade no peito dele subitamente se acalmou. Sim, ainda havia bastante tempo. Eles tinham armas que ninguém mais tinha e, embora os suprimentos fossem limitados, tinham alguma comida. O clima fresco de outono não estava nem muito quente, nem muito frio.

Além disso, eles não estavam sozinhos. Taebaek tinha Shinu ao seu lado, e Shinu tinha Taebaek ao dele.

— …É. Vamos pensar em algo.

Shinu desembrulhou a bala de limão e a colocou na boca. O gosto era tão azedo que chegava a ser amargo. Sua garganta formigou. Então ele a sugou com força, sabendo que havia um xarope doce no centro. Se suportasse o azedo, o gosto doce viria, doce o suficiente para fazer sua língua formigar.

Enquanto Shinu rolava a bala ocupadamente na boca, Taebaek deu um tapinha em sua cabeça, como se estivesse orgulhoso dele. A mão grande e quente bagunçou levemente seu cabelo.

— …

Shinu congelou. Seus cílios se elevaram. Suas pupilas ficaram nubladas.

Ele subitamente sentiu como se seu corpo estivesse encolhendo. Seus membros tornaram-se mais curtos, seus músculos desapareceram e seu corpo amoleceu. Ele se sentiu pequeno como um estudante do ensino médio, não, um do ensino fundamental, ou até mesmo uma criança de oito anos.

Uma memória antiga veio à mente. O pátio empoeirado de uma escola primária. O brilho quente do pôr do sol descendo preguiçosamente. As árvores balançavam suavemente com a brisa. O riso distante de crianças brincando no pátio.

Ele se viu parado em frente ao portão da escola, com uma mão grande acariciando sua cabeça.

— Vamos para casa?

Uma voz gentil perguntou. A quem pertencia aquela voz? Era seu pai? Não, provavelmente não era seu pai. Então era sua mãe? Não, não poderia ser sua mãe; alguém que ele nunca vira na vida não teria acariciado sua cabeça.

Então quem poderia ser? Um adulto com mãos grandes. O adulto que cuidava do jovem “ele”.

…Ah, é apenas uma ilusão. Aquela criança não sou eu. Sou apenas alguém parado sob o sol escaldante, assistindo àquela cena.

Quando eu era muito jovem, houve um tempo em que desejei que alguém acariciasse minha cabeça daquele jeito. Esse desejo deve ter sido tão persistente e desesperado que acabou se transformando em uma memória.

Shinu, que estivera em transe, voltou à realidade. Àquela altura, a mão de Taebaek já havia deixado sua cabeça. Taebaek alisou as rugas na testa franzida de Shinu com o polegar.

— O gosto é tão ruim assim?

— …Não.

Shinu balançou a cabeça. Então, evitando a mão de Taebaek, ele se virou. Com uma expressão vazia, examinou o telhado, procurando por qualquer coisa útil.

— …

Taebaek observou silenciosamente o perfil de Shinu.

Cinco horas da tarde. O vasto céu de outono começava a ganhar uma tonalidade carmesim. Shinu e Taebaek haviam se acomodado no ponto mais distante da porta do telhado, mas ainda com vista para ela, passando o tempo sem rumo. Lá embaixo, os Devoradores ainda fervilhavam, e não havia sinal de uma solução brilhante.

— Uau… o tempo está absurdamente bom. O clima de outono é o melhor, afinal de contas.

Taebaek estava sentado em um pneu. Ele estava empoleirado com o traseiro no buraco do pneu, inclinando-se para trás como se estivesse relaxando em uma boia de piscina em um hotel de luxo. Seus tênis de grife manchados de sangue balançavam preguiçosamente.

Shinu achava fascinante observar aquilo. Taebaek era, de alguma forma, diferente da maioria das pessoas. O que quer que fizesse, fazia sem pressa, sem afobação ou preocupação.

Fosse guardando alegremente alguns macarons para o dia seguinte porque achava que ainda estaria vivo, dando chocolate para a filha de uma família estranha que encontraram na saída de emergência, divertindo-se ao ver Devoradores serem derrubados como pinos de boliche por pneus ou, agora, conversando sobre o tempo — na maior parte do tempo, ele parecia viver sem pensar muito. Mas, às vezes, parecia uma calma vinda de ter crescido em um ambiente privilegiado, e Shinu se via invejoso.

Shinu olhou para o céu. O tempo estava perfeito — fresco e límpido, sem uma única nuvem. Atualmente, a primavera e o outono estavam ficando cada vez mais curtos, tornando esse tipo de clima realmente raro. Se a situação fosse outra, ele poderia ter sorrido apenas por olhar para o céu.

— É, está realmente… absurdamente bom. É um alívio que os Devoradores não tenham aparecido no verão ou no inverno.

— Pois é. Se tivesse sido no verão, ugh… estaria quente, frustrante e o cheiro seria terrível.

Taebaek estremeceu como se apenas pensar nisso o fizesse tremer. Shinu também estremeceu ao imaginar o calor picante do verão e o frio de congelar as orelhas do inverno.

Ao ver aquilo, Taebaek riu baixinho. Até uma pessoa com cara de pedra como Shinu detestava o calor e o frio, ao que parecia.

Os dois olharam para o céu, escapando momentaneamente daquela situação pavorosa. Taebaek soltou um suspiro impotente enquanto observava a placa do pedágio de Dongseoul à distância.

— Faz dois dias que partimos e ainda estamos na borda da província de Gyeonggi.

— Mas chegaremos a Mokpo dentro de um mês.

— É. Se conseguirmos sair daqui, o que restará para temer no futuro?

Taebaek sorriu de lado enquanto falava, e Shinu ofereceu um sorriso discreto. Ele tinha razão. Se conseguissem sair dali, poderiam enfrentar qualquer perigo que surgisse. Algumas dezenas de Devoradores não seriam nada.

Então eles tinham que escapar. Se morressem ali, não haveria “futuro” do qual falar.

Shinu mais uma vez vistoriou o telhado desolado, que já havia examinado várias vezes. De repente, Taebaek ofereceu-lhe um cigarro. Era algo que Shinu encontrara e guardara de uma bolsa de cadáver no segundo andar. Na pressa da situação, ele enfiara tudo o que podia nos bolsos. Entre os itens, havia um maço de cigarros e um isqueiro. O maço estava amassado, mas quase novo.

— Você não fuma? — Taebaek perguntou.

— Não. E você também não fuma, fuma?

— Eu não fumo, mas não é que eu não saiba. Não gosto particularmente, mas em uma situação como esta, fumar parece apropriado, não acha? Você deveria aceitar um também.

Taebaek colocou um cigarro na boca primeiro.

— …Eu não fumo.

Shinu balançou a cabeça. Taebaek, que estivera observando Shinu em silêncio, franziu levemente as sobrancelhas. Sentiu-se decepcionado. Achava que Shinu ficaria muito bem com um cigarro, aqueles lábios carnudos e vermelhos exalando fumaça branca.

— Até caras que não fumam costumam aprender no exército.

— É, costuma ser o caso.

— Então por que você não aprendeu?

Hum… Shinu mudou de posição desconfortavelmente, esfregou a testa com um dedo, olhou para Taebaek e então falou lentamente.

— Doação de órgãos…

— Hã?

— Eu quero doar meus órgãos.

— …

Os olhos de Taebaek se arregalaram de surpresa diante das palavras completamente inesperadas. Ele ficou tão chocado que o cigarro que segurava na boca caiu no chão. Shinu o pegou rapidamente. Então, sem jeito, colocou-o de volta na mão de Taebaek.

— Eu me registrei para doar meus órgãos quando morrer.

— …

— Por isso, tento evitar fazer qualquer coisa prejudicial ao meu corpo. Fumar não faz bem, certo?

— Você… é realmente uma pessoa estranha…

Taebaek murmurou em transe. Ele sabia que existia um sistema onde era possível se registrar antecipadamente para doar órgãos em caso de morte súbita ou morte cerebral. Ele vira no telejornal que pessoas com profissões como bombeiros, que protegem os outros, costumavam se registrar.

Mas por que Shinu? Não, talvez ser um soldado de carreira o tornasse semelhante a um bombeiro. Afinal, ele dissera algo sobre proteger o país e seu povo.

Mas ainda assim… Pensar que alguém com pouco mais de trinta anos já estava se preparando para a morte. Seria por causa do trabalho, onde nunca se sabe quando se pode morrer? Ou haveria outra razão?

Taebaek tocou gentilmente a parte interna da bochecha com a língua.

Por alguma razão, parecia que havia um motivo. Era estranho como alguém que ele conhecera há apenas uma semana estava disposto a protegê-lo naquela situação, como ajudara os estranhos que encontraram na saída de emergência e como deixara o exército voluntariamente, mas era tão altruísta. Não é curioso?

É como se… ele buscasse situações perigosas como se quisesse morrer. Mas é como se estivesse tentando garantir que a morte não fosse em vão, algo assim…

Enquanto Taebaek pensava nisso, Shinu hesitou antes de pegar o cigarro de volta da mão de Taebaek. Um sorriso amargo surgiu em seus lábios.

— Mas… nesta situação, mesmo que eu morra, não haverá ninguém que precise de um órgão, nem um médico para realizar o transplante.

Ele colocou o cigarro na boca desajeitadamente. Sem dizer uma palavra, Taebaek acendeu o cigarro de Shinu. O isqueiro barato produziu uma chama vermelha brilhante, que alcançou a ponta do cigarro de Shinu.

No momento certo, Shinu inalou. A brasa rastejou pelo cigarro. Ele vira seus camaradas fumarem com frequência suficiente para saber como se fazia.

Logo, uma fumaça amarga preencheu sua boca. O gosto não era tão forte quanto esperava. Comparado ao treinamento na câmara de gás, era bem suave. Shinu ergueu e baixou as sobrancelhas. Não conseguia entender por que as pessoas eram tão apegadas a algo tão sem graça.

“Estou fazendo errado?”, ele se perguntou, olhando para Taebaek. Taebaek, que oferecera o cigarro, não estava fumando e apenas observava Shinu. Somente quando Shinu olhou para ele foi que Taebaek finalmente colocou o cigarro na boca e o acendeu. A brasa brilhou em vermelho.

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Sinopse:
Um vírus zumbi se espalhou na pacífica Seul.
A Coreia deu aos zumbis o nome de ‘Meogbo/Comedores’, e, após uma luta, eles falham em erradicar os meogbo.
– Caros coreanos, no dia 30 de setembro, nosso governo e Seul decidiram abandonar a Península Coreana.
– Venham para Jeonnam.
– Os militares estão esperando no Porto de Mokpo, em Mokpo, Jeollanam-do.
– Queridos cidadãos. Vamos todos nos encontrar vivos.
Shin-hoo: um bodyguard bruto, das forças especiais.
Han Tae-baek: um chefe brincalhão, de rosto frio e estômago fraco.
Han Tae-baek precisa sobreviver, Shin-hoo precisa salvar Tae-baek.
Juntos, os dois navegam por um mundo em caos.
– Se você achar que sua vida vai correr perigo para me salvar, então me abandone. Eu não quero ir para lá.
Tae-baek tentou falar com calma.
– Não vou te deixar sozinho. Não importa o que aconteça, não vou embora.
Shin-hoo respondeu com seu tom calmo característico.
Os dois se aproximam à medida que passam tempo juntos.
Tae-baek descobre a ternura escondida na indiferença de Shin-hoo; Shin-hoo se encharca do afeto imprudente de Tae-baek.
– Você gosta de mim? Acho que vou me apaixonar em alguns dias. É o que estou sentindo.
– …
– E talvez você também me ame.
Tae-baek confessa seu amor com orgulho, sorrindo como um garoto que acabou de viver seu primeiro amor.
Shin-hoo ri baixinho, sem responder.
Os ‘Comedores’ se aglomeraram ao redor dos dois.

Não morra, não desista. Vamos todos nos encontrar vivos.
Nome alternativo: Vamos Nos Encontrar Vivos Stay Alive Lets Meet Alive

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