Ler Vamos nos Encontrar Vivos (Novel) – Capítulo 29 Online


Modo Claro

↫─Capítulo 29

— ……

A boca de Taebaek ficou aberta em descrença. A cena diante dele era tão inacreditável que sua alma parecia estar esvaindo de sua cabeça. Estava claramente acontecendo bem na sua frente, mas parecia irreal, como se estivesse assistindo a uma tela de cinema de alta definição. Não, na realidade, ele estava paralisado pelo desespero e pelo medo.

— Ré, ré.

Shinu disse, removendo a trava de segurança da arma. Taebaek voltou a si e engatou a marcha ré. Nesse exato momento, algo bateu pesadamente contra a traseira do carro. Um Devorador, pesando mais de 100 kg, estava arranhando os vidros do carro com as garras.

Ignorando isso, Taebaek pisou no acelerador. O carro deu um solavanco para trás com força. No entanto, o Devorador espesso e pegajoso não foi arremessado para longe; ele escorregou e foi sugado para debaixo das rodas. Ao mesmo tempo, o carro parou bruscamente. O corpo do Devorador ficou preso entre as rodas, disparando uma série de bipes de alerta.

A tela do painel com o mapa mudou para mostrar uma ilustração do carro. Um indicador de aviso vermelho piscava junto às rodas traseiras.

Taebaek, rangendo os dentes, trocou as marchas e girou o volante, mas as rodas continuavam girando inutilmente. Enquanto isso, os Devoradores que jorravam do metrô estavam cada vez mais perto.

O coração de Taebaek batia violentamente, com tanta força que parecia que ia explodir através das costelas. Sua boca estava seca pela tensão extrema e sua garganta estava apertada como uma rocha.

Quanto mais Taebaek pisava no acelerador, mais os restos do Devorador grudavam nas rodas traseiras, como um pedaço enorme de chiclete grudento. Sangue e carne espirraram na câmera traseira.

— Ah, que droga…

Taebaek xingou irritado e pisou fundo no acelerador. Os pneus intactos remexiam o solo, criando uma nuvem de fumaça branca. Naquele momento, Shinu entregou uma arma a Taebaek.

— ……

Taebaek olhou para Shinu surpreso, como se dissesse: “O que é isso?”.

— Eu vou sair e tirar o Devorador preso nas rodas. Enquanto isso, atire nos Devoradores que se aproximam. Mire na cabeça se puder, mas atirar nos joelhos, canelas ou tornozelos também funciona. Foque em derrubá-los.

— …Eu?

— Sim. Se você conseguir derrubar alguns, os que estão atrás cairão também. Você vai nos ganhar algum tempo.

Shinu pegou outra arma no banco de trás e abriu a porta do carro. Taebaek, em estado de pânico, agarrou o cotovelo de Shinu e o puxou de volta. Seus olhos arregalados estavam cheios de choque e confusão.

— Como eu vou mirar na cabeça e nas pernas deles?

— Apenas espalhe balas por todo lado. Se você der dez tiros, um deve acertar alguma coisa.

— Que tipo de… Não, eu vou tirar os Devoradores das rodas. Você cuida daqueles ali, certo?

Shinu ergueu as sobrancelhas surpreso.

— Vai ser… nojento.

— Isso é realmente importante agora?

— Vomitar pode danificar seu esôfago.

— Você está falando sério? Você está preocupado com o meu esôfago numa hora dessas?

Taebaek gritou irritado. Sem esperar que Shinu o impedisse, ele saiu do carro. Jogou a arma no banco de trás e puxou um taco de golfe.

Um Shinu atordoado saiu também.

Taebaek estava falando sério. Não era sarcasmo ou deboche. Ele tinha vomitado várias vezes hoje. Não tinha bebido água nem descansado, segurando o volante o tempo todo.

Enfrentando tal situação e vendo o Devorador esmagado contra as rodas, ele poderia ter tido uma convulsão ou desmaiado se tivesse que lidar com aquilo sozinho.

— ……

Shinu, que havia saído do carro, olhou para Taebaek com uma expressão carrancuda enquanto ele raspava os ossos e entranhas do Devorador da roda com o taco de golfe.

Rangendo os dentes, Taebaek trabalhava rápido, mal respirando. Shinu suspirou suavemente enquanto observava, então voltou sua atenção para os Devoradores que avançavam contra eles.

Abrindo a porta do lado do passageiro e baixando o vidro, Shinu apoiou sua arma na base da janela. Seu dedo indicador pousou levemente no gatilho. Ele mirou na cabeça do Devorador que liderava o grupo.

— ……

O olhar de Shinu tornou-se frio em um instante. Suas pupilas se estreitaram agudamente. Então, com um estalo, uma bala disparou, perfurando a testa do primeiro Devorador. A massa encefálica espirrou pela parte de trás de sua cabeça. O Devorador morto tombou para frente, fazendo com que os que vinham atrás tropeçassem e caíssem.

Shinu imediatamente trocou de alvo, criando uma fileira de buracos nas cabeças dos Devoradores ao lado, à frente e atrás do Devorador caído. Depois de abater cerca de cinco, uma pilha de Devoradores desmoronou como um castelo de areia.

Ele mudou ligeiramente a mira e atirou no Devorador da frente vindo de outra direção. Continuou atirando, disparando rapidamente. Os Devoradores se emaranhavam, com suas bocas enormes rangendo uns para os outros.

Shinu não desperdiçava balas naqueles que tinham caído e rastejavam pelo chão. Ele mirava nos que ainda eram rápidos e tinham as pernas intactas, assim como naqueles com barrigas visivelmente protuberantes.

Enquanto isso, Taebaek lutava para libertar a roda do corpo enorme do Devorador. Ele tentava não reconhecer as entranhas e a carne dilacerada grudadas ali.

— É apenas uma massa vermelha. Tinta vermelha. Barro vermelho. Geleia vermelha — ele pensava, embora não conseguisse evitar a náusea.

Após cerca de três minutos, a roda começou a aparecer. O rosto pálido de Taebaek iluminou-se um pouco. Naquele momento, uma sombra projetada pela luz do sol roçou o ombro de Taebaek. Ele naturalmente assumiu que era Shinu.

— Só mais um pouco. Quase acabamos.

Taebaek continuou a balançar o taco de golfe com energia. O osso e a carne presos dentro da roda finalmente caíram no chão. Um sorriso fraco apareceu no rosto de Taebaek.

— Kreeh, kreeeek…

Um som bestial roçou seus ouvidos.

— ……

Taebaek, que estava paralisado no lugar, virou a cabeça lentamente. Um Devorador com uma barra de metal fincada nas costelas estava rosnando ali parado. O dono da sombra não era Shinu, mas sim este Devorador.

Um de seus tornozelos estava mastigado e pendurado, o que o tornava manco e lento. Sua boca estava escancarada, revelando um palato áspero e irregular.

Taebaek paralisou. Seus pulmões pareciam pesados e expandidos. Mesmo estando parado, sua respiração estava ofegante. Ele tateou a lateral do corpo, tentando pegar sua pistola. Mas o bolso de couro resistente resistia, apenas apertando o cinto.

O Devorador, agora próximo, abriu bem a boca. Seus dentes de tubarão miravam a cabeça loira brilhante de Taebaek.

Ele tinha que correr. O Devorador, com as pernas feridas, deveria ter sido fácil de despistar. Justo quando Taebaek engoliu seco e deu um passo para trás…

Bang!

Com um tiro seco, a têmpora do Devorador se estilhaçou como uma melancia. Era Shinu. Segurando a arma com uma mão apoiada na base da janela e a outra com uma pistola, Shinu havia matado o Devorador.

Ele olhou para Taebaek com uma expressão preocupada.

— Taebaek-ah. Você está bem?

— …Sim? Ah, sim.

— Terminamos?

— Sim.

Taebaek assentiu como se estivesse tremendo. Shinu gesticulou em direção ao banco do motorista, sinalizando para Taebaek entrar. Taebaek agarrou o Devorador pelo colarinho e o empurrou para o lado oposto da estrada. Ele não era tolo o suficiente para deixá-lo ficar preso nas rodas novamente.

Limpando as mãos, manchadas com diversos fluidos, nas roupas do Devorador, Taebaek voltou rapidamente para o carro. Ele trocou as marchas, pressionou levemente e soltou o acelerador. O carro se movia suavemente para frente e para trás.

Ele fez sinal para Shinu. Shinu, que estava disparando rapidamente, subiu no carro com um movimento ágil. Ao mesmo tempo, Taebaek deu marcha ré bruscamente. A massa de Devoradores recuou rapidamente. Shinu, enquanto se moviam, continuava atirando nas cabeças dos Devoradores pela janela. O que antes eram tiros únicos agora se transformou em fogo rápido. Sangue explodiu em respingos sobre a multidão de Devoradores.

Taebaek fez uma conversão em U larga quando chegou a um trecho livre da estrada. Então, pressionou o acelerador com firmeza.

Para onde estavam indo ou o destino não importava agora. Evitar aqueles Devoradores de orelhas vermelhas era a prioridade. Ele não podia se dar ao luxo de gastar toda a munição antes de sair de Seul.

Depois de correr por mais de dez minutos e escapar de Hanam, Shinu perguntou: — Você está bem?

— …Sim?

Taebaek respondeu com uma voz atordoada. Embora o carro estivesse rodando perfeitamente, a condição de Taebaek estava longe de ser estável. Seu rosto estava pálido, quase azulado.

Shinu mordeu o lábio inferior pensativo. Eram três da tarde. Embora ainda fosse cedo, considerando que haviam saído da casa de Taebaek, não era tão cedo assim.

Faziam cerca de onze horas desde as quatro da manhã. Mesmo que tivessem trabalhado sem parar por onze horas, estariam exaustos. Estar em alerta máximo por tanto tempo, vendo coisas que preferiam não ver, naturalmente os desgastou.

— Vamos fazer uma pausa e ter um almoço tardio.

— Aqui…? Onde é que poderíamos descansar aqui? Vamos apenas continuar.

Taebaek balançou a cabeça, mas Shinu foi firme.

— De qualquer forma, não chegaremos a Mokpo hoje. Um dia ou dois de atraso não tem problema. Vamos descansar.

“Precisamos comer algo rápido, descansar um pouco e talvez dormir um pouco. Também devemos reavaliar nossos planos.” Ele olhou ao redor, procurando um lugar onde tanto eles quanto o carro estivessem seguros.

— Deve haver um lugar sem pessoas — ou melhor, sem Devoradores.

Shinu examinou cuidadosamente os prédios que passavam em velocidade. Ele procurava um lugar que estivesse ao mesmo tempo desprovido de pessoas e Devoradores e que tivesse espaço suficiente para estacionar o carro. Tinha que ser algum lugar pelo qual os refugiados não se interessariam, ao contrário de lojas de conveniência, supermercados ou restaurantes transbordando de comida. E tinha que ser um lugar onde ninguém viria enquanto estivessem lá.

— Não tem como um lugar desses existir em Seul.

Taebaek suspirou enquanto falava. Naquele momento, os cílios de Shinu se ergueram de surpresa. Ele apontou urgentemente para um ponto fora da janela do carro.

— Olhe ali. Aquele lugar deve estar vazio.

Na ponta de seu dedo estava uma placa de:

[The Classic Furniture – Móveis de Escritório / Móveis Comerciais]

Uma loja de móveis em estilo armazém.

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Sinopse:
Um vírus zumbi se espalhou na pacífica Seul.
A Coreia deu aos zumbis o nome de ‘Meogbo/Comedores’, e, após uma luta, eles falham em erradicar os meogbo.
– Caros coreanos, no dia 30 de setembro, nosso governo e Seul decidiram abandonar a Península Coreana.
– Venham para Jeonnam.
– Os militares estão esperando no Porto de Mokpo, em Mokpo, Jeollanam-do.
– Queridos cidadãos. Vamos todos nos encontrar vivos.
Shin-hoo: um bodyguard bruto, das forças especiais.
Han Tae-baek: um chefe brincalhão, de rosto frio e estômago fraco.
Han Tae-baek precisa sobreviver, Shin-hoo precisa salvar Tae-baek.
Juntos, os dois navegam por um mundo em caos.
– Se você achar que sua vida vai correr perigo para me salvar, então me abandone. Eu não quero ir para lá.
Tae-baek tentou falar com calma.
– Não vou te deixar sozinho. Não importa o que aconteça, não vou embora.
Shin-hoo respondeu com seu tom calmo característico.
Os dois se aproximam à medida que passam tempo juntos.
Tae-baek descobre a ternura escondida na indiferença de Shin-hoo; Shin-hoo se encharca do afeto imprudente de Tae-baek.
– Você gosta de mim? Acho que vou me apaixonar em alguns dias. É o que estou sentindo.
– …
– E talvez você também me ame.
Tae-baek confessa seu amor com orgulho, sorrindo como um garoto que acabou de viver seu primeiro amor.
Shin-hoo ri baixinho, sem responder.
Os ‘Comedores’ se aglomeraram ao redor dos dois.

Não morra, não desista. Vamos todos nos encontrar vivos.
Nome alternativo: Vamos Nos Encontrar Vivos Stay Alive Lets Meet Alive

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