Ler Vamos nos Encontrar Vivos (Novel) – Capítulo 154 Online


Modo Claro

↫─Capítulo 154

— Eu… eu acho que havia um abrigo de emergência por lá. Alguns dos Devoradores estavam vestindo algo parecido com roupas de proteção. Eles até tinham recipientes de água nas costas, e… acho que vi soldados… mas não tenho certeza… estava escuro…

O homem interrompeu a fala, parecendo envergonhado com as próprias palavras enquanto encolhia levemente os ombros.

Os olhos de Shinu moviam-se de um lado para o outro. Um abrigo, hein? Aquela era a primeira vez que ouvia falar de um no caminho para cá. Bem, ele havia escolhido rotas onde era improvável encontrar pessoas, então fazia sentido. Abrigos eram geralmente montados em lugares como metrôs, escolas primárias ou centros de saúde.

Mas era estranho que tivessem colocado um abrigo em um salão comunitário de uma vila remota. Seria porque estavam se aproximando de Mokpo? Se fosse esse o caso, quantos outros abrigos poderiam existir entre aqui e Mokpo?

Enquanto Shinu ponderava, os outros começaram a se apresentar sem que fosse pedido. Eles eram colegas de trabalho, de um departamento de marketing dividido entre as Equipes 1 e 2, mas no geral formavam um grupo de cerca de 40 pessoas.

Explicaram que, quando o vírus se espalhou, ficaram presos no local de trabalho até que a transmissão instruísse que seguissem para Mokpo. Eles sobreviveram no escritório até então e, por fim, fizeram a perigosa jornada até aqui. Dos 40, apenas oito sobreviveram até este ponto, com a Equipe 3 não conseguindo chegar ao resort.

Taebaek e Shinu ouviam passivamente os detalhes que preferiam não saber. Eles não responderam nem compartilharam seus próprios nomes ou profissões. Mas Shinu semicerrou os olhos.

Ninguém parecia lamentar os colegas que haviam morrido — 32 deles, desaparecidos diante de seus olhos. Teriam eles ficado entorpecidos por testemunhar tantas mortes, ou estavam simplesmente aliviados por terem sobrevivido deixando outros caírem?

Não era preocupação de Shinu . Ele não se importava como eles haviam vivido, se tinham matado ou salvado pessoas. Tudo o que importava era se poderiam representar uma ameaça para ele e Taebaek.

Embora visivelmente exaustos, não demonstravam hostilidade em relação a Shinu e Taebaek, mas a cautela era necessária. Mesmo com uma arma, enfrentar oito pessoas de uma vez seria arriscado. Além disso, a ideia de matar todos eles era perturbadora.

Decidindo que já havia reunido informações suficientes, Shinu levantou-se. Taebaek fez o mesmo.

— O-onde vocês estão indo? — uma das mulheres, que parecia ser a líder, perguntou ansiosamente, com os olhos transbordando de preocupação.

— Para outro quarto — Shinu respondeu secamente.

— Por quê?

— Eu preciso explicar isso?

Com um leve franzir de testa, o desagrado de Shinu ficou claro, e a mulher pressionou os lábios. Shinu tocou o cotovelo de Taebaek e moveu-se para sair, mas um homem sentado quietamente em um canto falou.

— Não é mais seguro ficarmos juntos?

Ele era o maior dos oito — um homem de ombros largos com um corte de cabelo militar que lhe dava um aspecto rústico. Taebaek inclinou a cabeça.

— Mais seguro para quem?

— Hein? Bem, para todos, é claro…

— Para nós, que temos armas? Ou para vocês, que não têm nada?

O tom de Taebaek não era de deboche; ele simplesmente expôs a realidade com sua voz habitual, suave e uniforme. Isso lembrou Shinu de como Taebaek costumava ser quando era líder de equipe em uma grande empresa.

Shinu sentiu uma pontada de nostalgia, lembrando-se de como Taebaek costumava caminhar confiante pelo escritório em seu terno caro e sapatos polidos, parecendo ser o dono do lugar. Naquela época, ele achava que Taebaek era apenas um cara de sucesso, mas agora, achava aquilo impressionante. Arrependeu-se de não ter prestado mais atenção naquela época.

O quarto ficou em silêncio. Sem dizer mais nada, Taebaek envolveu as costas de Shinu com um braço e seguiu para a porta. Ninguém tentou impedi-los.

Eles entraram em um quarto duas portas adiante. Depois de trancar a porta minuciosamente, Taebaek suspirou, deixando sua mochila cair no sofá. Shinu pousou sua própria bolsa e entregou a Taebaek uma garrafa de água.

Taebaek bebeu metade em um gole só, e Shinu terminou o resto. A escuridão que nublava suas mentes dissipou-se um pouco.

— Como está sua coxa? — Shinu perguntou, ajoelhando-se aos pés de Taebaek.

— Está bem. Não corremos tanto assim, de qualquer forma.

Taebaek vasculhou sua mochila e tirou uma barra de chocolate. Shinu verificou as panturrilhas e os tornozelos de Taebaek; sem tempo para alongamento ou aquecimento, seus músculos provavelmente estavam tensos. Enquanto massageava o tornozelo de Taebaek, este lhe estendeu a barra de chocolate.

Shinu deu uma mordida sem hesitar. Eles precisavam de calorias, pois não podiam prever quando precisariam se mover novamente.

No entanto, algo parecia estranho na expressão de Taebaek. Seu rosto estava sombrio, com uma aparência endurecida. Shinu percebeu rapidamente o porquê. Taebaek devia estar se sentindo mal por deixar os outros. Isso provavelmente o estava pesando.

Shinu sentou-se na mesa de centro e olhou nos olhos de Taebaek.

— Taebaek.

— Sim?

— Eles não têm comida, água ou armas. Nós temos todas essas coisas. A cautela é a escolha certa. Não podemos nos dar ao luxo de compartilhar nossos suprimentos apenas por pena. Atos moralmente corretos ou altruístas não nos ajudarão a sobreviver.

— …Eu entendo.

— Além disso, mesmo se déssemos tudo o que temos, não seria suficiente para aquelas oito pessoas.

Taebaek assentiu, indicando que compreendia. Shinu acariciou gentilmente sua bochecha, e Taebaek pressionou o pulso de Shinu contra os lábios antes de soltá-lo.

Shinu verificou o relógio: 4 da manhã. O amanhecer chegaria logo e, com a luz do dia, passar despercebido pelos Devoradores se tornaria impossível. Eles ficariam presos aqui até o anoitecer.

Não era uma opção. Desperdiçar um dia era como suicídio, especialmente agora que havia a possibilidade de bombardeios antecipados.

Shinu foi até a varanda. O ar da madrugada o atingiu com um frescor cortante.

Da varanda, ele podia ver o Lago Naju. O lago estava calmo, com uma fina camada de névoa flutuando suavemente sobre a água, misturando o cheiro do lago com o da floresta. À direita, havia até um parque aquático.

Olhando para baixo, viu um penhasco íngreme e lamacento que terminava no lago.

— ….

Ele mordeu o lábio. Havia o lago na frente e os Devoradores atrás. Seu olhar voltou-se para a margem oposta do lago, que estava silenciosa, apenas uma floresta densa sem edifícios.

Eles precisariam sair deste prédio. A saída da frente estava fora de questão, então teriam que descer pelas paredes. Shinu estimou o comprimento da corda em relação à altura do prédio. Provavelmente era curta demais, mas havia varandas em cada andar — eles poderiam balançar entre elas até chegarem ao segundo andar, onde não havia quartos, e então usar a corda para descer.

Enquanto Shinu planejava, Taebaek aproximou-se por trás com um casaco e o colocou sobre os ombros dele antes de abraçá-lo.

— Taebaek, você sabe fazer rapel? — Shinu perguntou.

Taebaek, roçando a bochecha contra a orelha de Shinu , ergueu as sobrancelhas.

— Rapel? Como nos filmes com os caras do FBI? …Não, não sei. Nunca tentei e nem pretendo.

Taebaek olhou para a queda íngreme abaixo. Mesmo em terreno plano, seria intimidante, mas o lago azul escuro aumentava seu pavor. Balançando a cabeça, ele estava claramente relutante. Shinu , no entanto, ainda estava focado no lago.

Algumas formas amarelas flutuavam perto da margem — caiaques em formato de banana. Havia três caiaques para duas pessoas, derivando pela beira do lago. Dois estavam virados, e corpos flutuavam sem rumo ao redor deles.

Os caiaques pareciam ser um resto do resort, provavelmente usados por pessoas tentando escapar. Alguns conseguiram atravessar, enquanto outros ficaram à deriva.

— Você já usou um caiaque?

Shinu apontou para os barcos amarelos no lago. Os olhos de Taebaek brilharam.

— Ah, eu sou bom nisso. Sou um verdadeiro especialista em esportes de lazer.

— Perfeito.

Um sorriso satisfeito surgiu nos lábios de Shinu . Em contraste, o rosto de Taebaek tornou-se amuado. — Eu fico muito gato quando ando de caiaque. Também sou bom no surfe. Quando fico sem camisa, faço muito sucesso. Eu queria me exibir. Mas agora perdi a chance.

Seria Shinu capaz de entender o desapontamento de Taebaek? Shinu virou-se parcialmente para encarar Taebaek e então deu um apertão forte em seu braço grosso.

— Eu sei lidar com cordas, mas não sei andar de caiaque. É um alívio que o Taebaek saiba.

Ouvindo isso, a boca de Taebaek abriu-se de surpresa. Em um instante, seus lábios se esticaram em um enorme sorriso, chegando até os lobos das orelhas. Seus olhos curvaram-se lindamente.

— Parece que fomos feitos um para o outro.

Taebaek puxou Shinu para um abraço apertado, esfregando a bochecha contra o ombro de Shinu . Shinu riu baixo e deu tapinhas na nuca de Taebaek. Por que diabos a compatibilidade deles era definida por cordas e caiaques, ele não saberia dizer, mas como era assim que Taebaek via as coisas, ele não ia discutir.

E bem… é, parecia que eles eram feitos um para o outro mesmo.

Shinu deu uma risadinha como uma criança, seu riso suavizado pelo toque do cabelo de Taebaek contra seu queixo. Os dois se entreolharam, o riso desaparecendo lentamente.

Taebaek passou o polegar gentilmente pela mandíbula elegantemente desenhada de Shinu , enquanto Shinu passava a mão de brincadeira pela cintura de Taebaek. Seus rostos se aproximaram até que seus lábios se encontraram em um beijo suave.

Toc, toc, toc. Toc, toc, toc.

Alguém bateu à porta.

↫─☫ Continua….

⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna

Ler Vamos nos Encontrar Vivos (Novel) Yaoi Mangá Online

Sinopse:
Um vírus zumbi se espalhou na pacífica Seul.
A Coreia deu aos zumbis o nome de ‘Meogbo/Comedores’, e, após uma luta, eles falham em erradicar os meogbo.
– Caros coreanos, no dia 30 de setembro, nosso governo e Seul decidiram abandonar a Península Coreana.
– Venham para Jeonnam.
– Os militares estão esperando no Porto de Mokpo, em Mokpo, Jeollanam-do.
– Queridos cidadãos. Vamos todos nos encontrar vivos.
Shin-hoo: um bodyguard bruto, das forças especiais.
Han Tae-baek: um chefe brincalhão, de rosto frio e estômago fraco.
Han Tae-baek precisa sobreviver, Shin-hoo precisa salvar Tae-baek.
Juntos, os dois navegam por um mundo em caos.
– Se você achar que sua vida vai correr perigo para me salvar, então me abandone. Eu não quero ir para lá.
Tae-baek tentou falar com calma.
– Não vou te deixar sozinho. Não importa o que aconteça, não vou embora.
Shin-hoo respondeu com seu tom calmo característico.
Os dois se aproximam à medida que passam tempo juntos.
Tae-baek descobre a ternura escondida na indiferença de Shin-hoo; Shin-hoo se encharca do afeto imprudente de Tae-baek.
– Você gosta de mim? Acho que vou me apaixonar em alguns dias. É o que estou sentindo.
– …
– E talvez você também me ame.
Tae-baek confessa seu amor com orgulho, sorrindo como um garoto que acabou de viver seu primeiro amor.
Shin-hoo ri baixinho, sem responder.
Os ‘Comedores’ se aglomeraram ao redor dos dois.

Não morra, não desista. Vamos todos nos encontrar vivos.
Nome alternativo: Vamos Nos Encontrar Vivos Stay Alive Lets Meet Alive

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